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Uma nova visão de Deus

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João de Carvalho · Rio de Janeiro, RJ
5/4/2011 · 6 · 5
 

Amostra do texto

Em uma conferência, foi perguntado ao físico Stephen Hawking se havia alguma evidência na estrutura do universo que indicasse a existência de um deus criador. Um silêncio tomou conta da platéia enquanto as pessoas esperavam ansiosamente a resposta que Hawking digitava no teclado de seu sintetizador de voz. Finalmente sua voz metálica soou nos alto-falantes: “I do not answer God questions.”

Esta pergunta revela uma profunda necessidade que as sociedades desenvolvidas têm a respeito de um embasamento científico da existência de Deus. A sábia resposta de Hawking, no entanto, é um indício de que estejamos dirigindo esta pergunta para a disciplina errada. Neste ensaio procurarei mostrar o que as atuais ciências cognitivas têm a dizer sobre este polêmico assinto. Sob a luz destas ciências — como na maior parte dos problemas que envolvem opiniões antagônicas —, a resposta pode estar em um meio-termo entre elas.

Em assuntos polêmicos é necessário tomar cuidado para que os conceitos que criamos não atrapalhem mais que ajudem. Este pode ser o caso da idéia de Deus, que pode significar diferentes coisas para diferentes pessoas.

Em primeiro lugar, é preciso enfatizar o caráter histórico deste conceito. A idéia de um deus único é bastante recente, e a maior parte das culturas sempre acreditou em mitologias que envolvem vários deuses. A idéia de um deus único foi inventada no Egito Imperial pelo faraó Akhnaton por volta de 1300 BC., mas morreu com ele próprio. A idéia só foi desenvolvida posteriormente pelo povo hebreu, e mesmo assim, como decorrência de uma visão anterior que envolvia muitos deuses. O que ocorreu foi que Javé, um dos deuses hebreus, fez um pacto com seu povo cuja uma das cláusulas implicava que apenas ele seria adorado, em detrimento de todos os outros deuses. Com o passar do tempo esta situação evoluiu para uma visão de um único deus responsável por toda a criação. Mas a idéia de Deus como conhecida hoje, herdada do povo hebreu, só tomou forma no Império Romano, quando os seguidores de Cristo espalharam suas idéias por toda a civilização romana.

O que explica o sucesso desta nova visão, que desbancou os antigos deuses romanos tornando-se a religião oficial do Império? Ocorre que a cristandade se formou e se consolidou nas primeiras décadas da era cristã, ou seja, ela herdou 600 anos de filosofia (incluindo grandes nomes como Parmênides, Platão e Aristóteles) e uma sociedade altamente racional e internacional em sua organização. Para uma sociedade deste tipo, a crença nos velhos deuses tribais dos antigos romanos poderia parecer inadequada e ingênua. Já no século 6 AC. os pensadores gregos se depararam com a constatação de que os deuses de cada cultura se assemelhavam a seus povos. Se os leões erguessem uma civilização, raciocinaram eles, seus deuses teriam forma de leões. Eles perceberam que as narrativas míticas estavam permeadas por influências culturais que mais diziam respeito às características dos povos em questão que à estrutura da realidade. Para satisfazerem a razão as explicações teriam que ser mais elementares e abstratas. O poder da visão cristão pode vir do fato de que ao mesmo tempo em que esta crença fornecia um deus abstrato o suficiente para convencer a razão, oferecia também Jesus Cristo, uma figura muito mais concreta que os deuses do panteão romano.

...

Sobre a obra

Neste ensaio contextualizo historicamente a idéia de “Deus” mostrando sua gênese no povo hebreu e seu desenvolvimento no Império Romano. Em seguida a contextualizo em um âmbito mais geral que dê conta das múltiplas crenças em “entidades divinas” existentes nas diversas culturas do planeta, utilizando as fundações teóricas da psicologia cognitiva para especular a respeito da ubiquidade deste fenômeno.

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Autoria
João de Carvalho
Ficha técnica
Copyright © 2009 by João de Carvalho. Inicialmente publicado em 2010 no site www.ponto-omega.com.
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Doroni Hilgenberg
 

Seu texto o é reflexivo e muito interessante, pois essa ideia de Deus depende muito das culturas, crenças e tais, mas acho que Deus é único. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 5/4/2011 22:03
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João de Carvalho
 

Obrigado, Doroni. Mas creio que, pelo número de downloads, você não leu o texto inteiro. Ele está disponível na íntegra em PDF.

João de Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 6/4/2011 09:25
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Doroni Hilgenberg
 

Verdade, não li o texto inteiro..ando com pouco tempo, bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 6/4/2011 20:26
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Doroni Hilgenberg
 

Complexoo texto, t alvez precise de uma reeleitura para compreende-lo melhor. Mas me chamou a atenção a frase de Leonardo Boff: O brasileiro não precisa acreditar em Deus ele sente Deus"" Mas como sentir algo por um ser se não acredita em sua existencia?
uma vez quest ionada por uma amiga crente sobre o fato de eu não frequentar Igrejas, eu lhe respondi:
--Porque ir na igreja, Deus está em minha casa.
e ela disse,
você tem fé!
Não questiono Deus e nemn religiões, mesmo assim, estou convicta que trago deus comigo, mais convicta ainda de que ele só ajuda quem se ajuda. bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 6/4/2011 20:46
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João de Carvalho
 

A tese básica do artigo é que o que você sente é o sentimento transcendental, que em nossa cultura é codificado como Deus. Outras culturas codificam este sentimento de outras formas, mas ele está presente em todos os humanos, assim como o amor, o nojo, a vergonha, entre inúmeros outros sentimentos. A vergonha existe? O amor existe? Certamente você traz essas coisas com você, assim como “Deus.” Essas coisas fazem parte da nossa espécie.

João de Carvalho · Rio de Janeiro, RJ 7/4/2011 12:04
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