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Uma torre iluminada

Pepê Mattos
1
Pepê Mattos · Macapá, AP
3/1/2008 · 87 · 8
 

No meio da multidão,
solitário como um prego afundado no rio.

A noite chega e com ela
os inevitáveis rumores de que não se está só.

Saio vagando e divagando pelas ruas.
apinhadas das gentes que não querem ficar só,
retidas em seus cubículos de vária consistência.

A solidão não escolhe lugar, nem ser vivo onde pousar.

A vontade aqui é desimportante:
nessa época do ano,
há que se mostrar sociável – e confraternizar.

Pode ser uma dor,
Um amor – até rima,
Um sucesso,
Um fracasso,
Uma oportunidade,
Uma tentativa – mas tem que ser confraternizada.

Em meio a fogos estourando,
Músicas que não se quer ouvir,
Gentes que não quer se ver,
Danças que não se quer dançar,
Corpos que não se quer – sequer – tocar,
Sorrisos, abraços, beijos, desejos que não se quer trocar.

O telefone toca: desejo ardentemente
que seja um serviço de telemarketing.
Não, alguém conhecido.

Espero, em silêncio, que se identifique:
Alguém muito próximo, agora distante,
me cobrando porque não liguei.

Demoro a responder:
minutos que correm devagar
e eu a divagar a reposta.

- Andava ocupado.
- Feliz Ano Novo, etc etc etc...

Desligo o telefone...

Despido de sentimentos temporãs,
Saio para as ruas apinhadas de gente.

Uma praça tendo ao centro uma torre iluminada.

A canção solitária da noite
é sobrepujada por cantorias e instrumentos
à altura da alegria reinante.

A bela voz da intérprete só não é mais bela
do que a noite fria que anuncia um descanso
em meio a travesseiros e lençóis:
tão solitário e solenemente frio...

e nem por isso triste,
apenas frio...

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informações

Autoria
Pepê Mattos
Ficha técnica
Nem amargo, nem doce: bittersweet.
Nem triste, nem alegre: me encontro nos desencontros que nascem no cotidiano das insolvências.
Ao extremo, um desreligiosismo como norte.
Ao humano, esse a quem é dado fazer e desfazer, que lhe sobre tempo e vontade para fazer deste um mundo onde a existência não seja algo a postergar, para futuras gerações.
Fazer aqui e agora, o que aqui e agora é necessário fazer.
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BETHA
 

"A solidão não escolhe lugar, nem ser vivo onde pousar"
e nessa solidão indesejada, "confraterniza-se" tudo, por que de outro jeito, impossível ver a multidão que se junta, se aproxima, mas nem sempre se relaciona.

"minutos que correm devagar
e eu a divagar a resposta"

Lindos versos, Pepê!
Que nesse teu olhar mágico, descubras um Feliz 2008!
abçs de betha.

BETHA · Carnaíba, PE 31/12/2007 14:00
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Branca Pires
 

Oi Pepê!
Em meio a fogos estourando,
Músicas que não se quer ouvir,
Gentes que não quer se ver,
Danças que não se quer dançar,
Corpos que não se quer – sequer – tocar,
Sorrisos, abraços, beijos, desejos que não se quer trocar.

Então estás assim, nem amargo e nem doce; nem alegre e nem triste; nem feliz e nem triste. Apenas reflexivo, obesrvando as sensações dessa passagem que de certa forma contagia-nos de alguma forma.
Desejo-te que nesse momento de tranzição, recebas as maiores vibrações, as boas energias emanadas da multidão. Pois é assim, nessa época, somos contagiados por esse momento, mesmo não se querendo estar no meio.
Grande abraço e Feliz 2008!

Branca Pires · Aracaju, SE 31/12/2007 18:08
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Nydia Bonetti
 

Pepê
Não somos alegres... nem tristes. Somos poetas. Será?
Agridoce poema. Ou não?
Sinto o mesmo que você, mas não saberia viver sem minha religiosidade. É nela que se apóia e se sustenta minha fragilidade humana...
Luz e Paz, para todos nós!
bjs.

Nydia Bonetti · Campinas, SP 31/12/2007 18:15
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Benny Franklin
 

Querido, Pepê!

A cada vez que leio um comentário teu sobre os meus parcos poemas, me encho de zelo tal a sinceridade que escreves.

Obrigado, irmão!

Cá, na Mangueirosa, fico a imaginar como seria um poeta em cópula com a palavra.

Agradecido, amigo, alegra-me que em 2007 eu tenha te conhecido pela poesia, porque tua poeticidade me fascina.

Bom 2008!

Grato, Benny Franklin

Benny Franklin · Belém, PA 31/12/2007 22:57
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joão neves
 

frio apenas como se não fosse/
inerte como todas as coisas inertes/
como isto ou como talvez qsualquer outra coisa/
de que mal tenho idéia.
parabéns - joão neves
www.joaoayres.com

joão neves · Niterói, RJ 1/1/2008 12:18
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Marcos André Carvalho Lins
 

Pepê,
comovi-me com teu texto!!!!
muiiiiito belo e sutil, toca a alma de todos...
grande abraço,

Marcos André Carvalho Lins · Recife, PE 1/1/2008 21:57
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Cintia Thome
 

Bárbaro. Comove. Emociona.
bjus votos

Cintia Thome · São Paulo, SP 2/1/2008 12:51
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Thyago Mourão
 

nossa!!...lindo Pepê...perfeito!
a tristeza da solidão se esconde em nossos sonhos, que são alcançados pela ponde que são nossos lençois solenimente frios!

Thyago Mourão · Cuiabá, MT 10/2/2008 19:22
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