No meio da multidão,
solitário como um prego afundado no rio.
A noite chega e com ela
os inevitáveis rumores de que não se está só.
Saio vagando e divagando pelas ruas.
apinhadas das gentes que não querem ficar só,
retidas em seus cubículos de vária consistência.
A solidão não escolhe lugar, nem ser vivo onde pousar.
A vontade aqui é desimportante:
nessa época do ano,
há que se mostrar sociável – e confraternizar.
Pode ser uma dor,
Um amor – até rima,
Um sucesso,
Um fracasso,
Uma oportunidade,
Uma tentativa – mas tem que ser confraternizada.
Em meio a fogos estourando,
Músicas que não se quer ouvir,
Gentes que não quer se ver,
Danças que não se quer dançar,
Corpos que não se quer – sequer – tocar,
Sorrisos, abraços, beijos, desejos que não se quer trocar.
O telefone toca: desejo ardentemente
que seja um serviço de telemarketing.
Não, alguém conhecido.
Espero, em silêncio, que se identifique:
Alguém muito próximo, agora distante,
me cobrando porque não liguei.
Demoro a responder:
minutos que correm devagar
e eu a divagar a reposta.
- Andava ocupado.
- Feliz Ano Novo, etc etc etc...
Desligo o telefone...
Despido de sentimentos temporãs,
Saio para as ruas apinhadas de gente.
Uma praça tendo ao centro uma torre iluminada.
A canção solitária da noite
é sobrepujada por cantorias e instrumentos
à altura da alegria reinante.
A bela voz da intérprete só não é mais bela
do que a noite fria que anuncia um descanso
em meio a travesseiros e lençóis:
tão solitário e solenemente frio...
e nem por isso triste,
apenas frio...
"A solidão não escolhe lugar, nem ser vivo onde pousar"
e nessa solidão indesejada, "confraterniza-se" tudo, por que de outro jeito, impossível ver a multidão que se junta, se aproxima, mas nem sempre se relaciona.
"minutos que correm devagar
e eu a divagar a resposta"
Lindos versos, Pepê!
Que nesse teu olhar mágico, descubras um Feliz 2008!
abçs de betha.
Oi Pepê!
Em meio a fogos estourando,
Músicas que não se quer ouvir,
Gentes que não quer se ver,
Danças que não se quer dançar,
Corpos que não se quer – sequer – tocar,
Sorrisos, abraços, beijos, desejos que não se quer trocar.
Então estás assim, nem amargo e nem doce; nem alegre e nem triste; nem feliz e nem triste. Apenas reflexivo, obesrvando as sensações dessa passagem que de certa forma contagia-nos de alguma forma.
Desejo-te que nesse momento de tranzição, recebas as maiores vibrações, as boas energias emanadas da multidão. Pois é assim, nessa época, somos contagiados por esse momento, mesmo não se querendo estar no meio.
Grande abraço e Feliz 2008!
Pepê
Não somos alegres... nem tristes. Somos poetas. Será?
Agridoce poema. Ou não?
Sinto o mesmo que você, mas não saberia viver sem minha religiosidade. É nela que se apóia e se sustenta minha fragilidade humana...
Luz e Paz, para todos nós!
bjs.
Querido, Pepê!
A cada vez que leio um comentário teu sobre os meus parcos poemas, me encho de zelo tal a sinceridade que escreves.
Obrigado, irmão!
Cá, na Mangueirosa, fico a imaginar como seria um poeta em cópula com a palavra.
Agradecido, amigo, alegra-me que em 2007 eu tenha te conhecido pela poesia, porque tua poeticidade me fascina.
Bom 2008!
Grato, Benny Franklin
frio apenas como se não fosse/
inerte como todas as coisas inertes/
como isto ou como talvez qsualquer outra coisa/
de que mal tenho idéia.
parabéns - joão neves
www.joaoayres.com
Pepê,
comovi-me com teu texto!!!!
muiiiiito belo e sutil, toca a alma de todos...
grande abraço,
Bárbaro. Comove. Emociona.
bjus votos
nossa!!...lindo Pepê...perfeito!
a tristeza da solidão se esconde em nossos sonhos, que são alcançados pela ponde que são nossos lençois solenimente frios!
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