UMA VAIA BEM GRANDE PRO CÂNCER DE REGINALDO ROSSI

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Abílio Neto · Abreu e Lima, PE
16/12/2013 · 3 · 0
 

Venho acompanhando, com real interesse, o estado de saúde do nosso Rei Brega. O último boletim médico foi divulgado no início da tarde deste domingo, 15/12/2013, e é assinado pelos três médicos que acompanham o tratamento. O estado de Rossi continua grave. Ele tem insuficiência renal, hepática, respiratória, gânglio no tórax, água no pulmão e câncer. A complicar tudo isso, 69 anos de uma vida não muito regrada, com muito cigarro, uísque e noites mal dormidas. Rossi não se preocupava muito com o trem para o além. Queria mesmo era viver do seu jeito: cantando, bebendo, fumando e frequentado casas de jogo de baralho, onde perdia quase tudo do que ganhava com discos e shows. Mas, vamos à integra do boletim médico de hoje à tarde:

“A Equipe Médica que assiste o Sr. Reginaldo Rodrigues dos Santos (Reginaldo Rossi), esclarece que o paciente permanece respirando com auxílio de aparelhos e em programação de hemodiálise diária. Houve evolução satisfatória dos parâmetros laboratoriais e hemodinâmicos nas últimas 24 horas. Foi suspensa a sedação e o paciente já começa a contactuar.” A nota contém a assinatura dos médicos Jorge Pinho, Iran Costa e Murilo Guimarães.

Na tarde dessa quarta-feira passada (11), o radialista Geraldo Freire, âncora da Rádio Jornal AM 780 e amigo íntimo do cantor, fez uma entrada ao vivo no programa Rádio Cidadão, da mesma emissora, e conversou com o radialista Ednaldo Santos sobre a situação do artista pernambucano. Segundo Geraldo, apesar do corpo médico demonstrar otimismo durante as entrevistas, nos corredores do hospital o clima é de tristeza e abatimento: “As enfermeiras, a nutricionista, todo mundo está ficando cada vez mais triste enquanto vai se descobrindo como a situação dele é séria”. O amigo do Rei do Brega ainda detalhou que o cantor está abatido e entubado.

Este ano de 2013 tem sido uma tragédia para o mundo artístico. Faço coro com Carlinhos Brown, quando na última quinta-feira, no The Voice Brasil, pediu um axé para Rossi.

Reginaldo Rossi é cantor e compositor. Nasceu em fevereiro de 1944. Estudou Engenharia Civil por quatro anos e chegou a dar aulas de matemática. Começou a se interessar por música em 1964, ouvindo os Beatles e intérpretes da Jovem Guarda. Iniciou a carreira em 1964, imitando Roberto Carlos em apresentações em bares e clubes de Recife. Na época, era acompanhado pelo conjunto The Silver Jets. A carreira nos discos começou em 1966 pela Chantecler, gravadora pela qual lançou dois discos. Em 1970 se transferiu para a CBS, gravadora de Roberto Carlos. Tinha tudo para se tornar um ídolo do povão, mas era pessimamente divulgado. Saiu da CBS em 1977 e em 1980 voltou em grande estilo pela EMI. Aí sim, passou a ser bem divulgado e um grande vendedor de discos. Tornou-se um ícone do brega-romântico, aquele gênero que trazia as influências do rock(zinho) da Jovem Guarda.

No início da década de 1980 (1983 ou 1984), vi o primeiro show dele. Achei-o um artista fantástico: comunicativo, brincalhão, de repertório leve e sem amargura e com um domínio incomparável do palco. Para mim era o Rei do Brega sem contestação. A sua música era fácil de cantar até porque não tinha muitos acordes nem os tais dissonantes. Sem dúvidas, um ídolo do povão.

Se desde 1980 já tratava de forma engraçada a situação do corno, em 1987 emplacou um dos seus maiores sucessos: “Garçom”. Também nessa década se aproximou dos ritmos caribenhos para demonstrar sua rica diversidade na música.

Lembro-me que no fim de oitenta, a última década rica da música brasileira (para mim), estava em Salvador e apanhei um táxi em cujo aparelho de som (cassete), o motorista escutava Reginaldo. Surpreso com o gosto do baiano indaguei dele desde quando gostava de Rossi. Ele me disse que foi desde que começou a ser divulgado pelo rádio na Bahia, no começo da década, e que o achava um verdadeiro rei. E me disse mais que a Bahia gostava mais dele do que nós os pernambucanos. O mesmo dizem os paraenses. Será?

Infelizmente o sudeste-maravilha só tomou conhecimento dele no fim da década de noventa quando a voz de Rossi (para mim) já demonstrava algum estresse. A vida mal cuidada é o inimigo nº 1 dos cantores!

Reginaldo fez questão de decantar o Recife e a Ilha de Itamaracá. Esta última ganhou três músicas lindas. Lembro-me que quando as praias da famosa ilha estavam no auge (fim da década de oitenta e começo da de noventa) porque depois perdeu o posto para Porto de Galinhas e Tamandaré, foi num daqueles janeiros de férias, sol e mar na ilha que assisti um show inesquecível de Rossi. Ele havia lançado no começo daquele verão a música “Férias em Itamaracá” que se tornou imediatamente um grande sucesso. Ele é pioneiro em pregar a liberdade sexual tentando unir todas as tribos. Como ele mesmo fala na música, aconteceu uma noite de muita cachaça e mulher bonita...

É com esta música que encerro estas linhas dedicadas a ele. Desejo de coração que Reginaldo Rossi fique mais uns anos entre nós. Mas a qualquer momento em que for sempre fará muita falta. Não se criam mais hoje em dia verdadeiros artistas do povo como ele. Está nas mãos de Deus, mas tenho ainda esperança que ele nos devolva!

E agora só falta a vaia: uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

Sobre a obra

O estado crítico da saúde do Rei do Brega, Reginaldo Rossi. Também um pouco da sua carreira artística.

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Autoria
Abílio Neto - pesquisador musical
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