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UMA VIAGEM SEM VOLTA

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José Bezerra de Carvalho · Teresina, PI
25/3/2010 · 0 · 0
 

Todo homem nasce e cresce
E não sabe o seu destino
Se seu tempo será longo
Ou se será pequenino
Uns morrem velhos e cansados
Outros ainda menino

Uns passam a vida lutando
Contra todo desafio
Tem uma força voraz
Como as águas de um rio
Outros ficam parados
Como dentro de um vazio

Outros seguem a vida
Sem saber que está vivendo
Pensam que estão subindo
Mesmo estando descendo
São os demais otimistas
Os que nada estão vendo

Duas viagens fazemos
Sem data certa ou marcada
Uma quando nascemos
Que é até festejada
A outra é quando partimos
Em hora não esperada

Viagem para onde?
Isso nós não sabemos
Se para Deus ou para o nada
Lugar de onde viemos
Só que como chegamos
Um dia nós partiremos

De mãos vazias chegamos
Nada pra cá nós trouxemos
E assim será a volta
Nada daqui levaremos
Do jeito que chegamos
É assim que voltaremos

Para que tanto orgulho
Pra que tanta vaidade
Vamos nos despir de tudo
Vamos fazer caridade
Pois só assim nós teremos
A eterna felicidade

Para que tanta riqueza
Se nada daqui levamos
Vamos partir com os pobres
De tudo não precisamos
Nos aconselha o Senhor
Para que nos enganamos

Pois se assim fizermos
Voltaremos mais seguros
Teremos tranqüilidade
Pois preparamos os futuro
E seremos mais felizes
Teremos um porto seguro

A nossa volta ao nada
Deve ser bem recebida
Pois é nosso passaporte
Da morte para a vida
Se praticarmos o bem
Não temeremos a partida

O ódio e o orgulho
A riqueza, a vaidade
Destrói no homem o amor
E a sua dignidade
Aviltra, maltrata e mata
A sua felicidade

E essa ultima viagem
Que faremos com certeza
Vamos nos despir de tudo
Daquilo que é vileza
Do egoísmo e orgulho
E também da avareza

E se fizermos assim
Nós partiremos sorrindo
E ficarão chorando
Os que estavam sorrindo
E que quando aqui chegamos
Disseram: Seja bem vindo!

Com lamento e sem lamento
Isso também não importa
Os que ficaram atrás
Que ao sair feche a porta
Pois chegará o dia
De sua viagem sem volta

Sobre a obra

Todo homem nasce e cresce
E não sabe o seu destino
Se seu tempo será longo
Ou se será pequenino
Uns morrem velhos e cansados
Outros ainda menino

Uns passam a vida lutando
Contra todo desafio
Tem uma força voraz
Como as águas de um rio
Outros ficam parados
Como dentro de um vazio

Outros seguem a vida
Sem saber que está vivendo
Pensam que estão subindo
Mesmo estando descendo
São os demais otimistas
Os que nada estão vendo

Duas viagens fazemos
Sem data certa ou marcada
Uma quando nascemos
Que é até festejada
A outra é quando partimos
Em hora não esperada

Viagem para onde?
Isso nós não sabemos
Se para Deus ou para o nada
Lugar de onde viemos
Só que como chegamos
Um dia nós partiremos

De mãos vazias chegamos
Nada pra cá nós trouxemos
E assim será a volta
Nada daqui levaremos
Do jeito que chegamos
É assim que voltaremos

Para que tanto orgulho
Pra que tanta vaidade
Vamos nos despir de tudo
Vamos fazer caridade
Pois só assim nós teremos
A

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informações

Autoria
José Bezerra de Carvalho, poeta Zé Bezerra, o "Águia de Prata"
Ficha técnica
Cordel, em sextilha(s)
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