Vejo um útero. Entrei lá só a passeio. Vejo por dentro. As paredes sangüíneas, vermelhas, frutosas. Até dá vontade de comê-las.
Me enrosco todo, me abraço de corpo em si, mastigo devagar o naco de sangue carnoso que me cabe. Parece repulsiva a idéia, mas é quentinho e gostoso. A repulsa deriva de uma construção simbólica mediada pela cultura. Só mesmo quem nunca experimentou pode condenar. A visita é compensadora.
Mesmo que se vá só a passeio, o interior de um útero é um lugar agradável. É como uma praça privada, na qual se pode andar sem roupa e o controle social inexiste. É mais, é como a vida selvagem, já que a convivência com o meio é direta.
Morar lá é uma idéia apetitosa.
Voltar, reencontrar algo sagrado: o sangue.
Alimentar-se apenas de suco vital. A melhor marca é a deixada na boca. O meio líquido é nutritivo.
A intenção é voltar a ser uno com o universo. Seguindo o preceito de relações micro-macro cósmicas, o UNIVERSÚTERO é uma posição privilegiada na geografia do indizível. A tentativa é cheia de sons de movimento celular, matéria cósmica condensada e pulsante, é atômica a revolução ininterrupta. Música que não se aprende se não se vive. O fluxo começa aí.
Bela regressão!...
Agradecido, José
José, fico contente que tenhas gostado da viagem uterina...
Abraço.
muito bom, felipe. nada como começar pelo começo...
abraço,
Marcos, que bom que concordamos sobre o início óbvio.
E dizem que quando não se encontra a saída, é só sair pela entrada.
Abração.
É terno regresso
todo calor úterino.
Mermão!!! Que beleza, hein! Gostei muito da imagem e gostei muito das palavras "É como uma praça privada, na qual se pode andar sem roupa e o controle social inexiste". Mandou muito bem!
Parabéns ao Felipe! Parabéns ao Osvaldão!
Abraço!
Sebastião, que bom que te enternece a arte.
Carlos, como sempre teus comentários são "pra cima", e estimulantes... valeu mesmo!
Abraços uterinos pra vocês.
Felipe, Parabéns pelo belo texto e obrigado por aceitar a imagem. Fico muito feliz.
Abraços!!!!
Osvaldo, agradeço eu! Tua criação ficou muito boa! Na hora que te convidei cheguei a pensar em dizer: "tenho a idéia de alguma coisa com bastante vermelho, pra dar um clima...". Daí deixei por tua conta, me abstive de sugerir qualquer coisa. Como se pode ver, a gente teve idéias parecidas.
Abração e obrigado mais uma vez.
Lindo, Felipe.
Bravo!
Foi como voltar no tempo, um tempo em que o útero era feito de mãos e pernas e corpos amigos...
Bia Marques · Campo Grande, MS 24/2/2007 19:45
Zéduardo, muito obrigado.
Bia, saquei tudo.
Abraços uterinos procês.
Cabe aqui uma alusão ao poema Canção de Allen Ginsberg:
sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.
Pedro, citação pertinente.
Abraço e obrigado por aparecer aqui.
Felipe,
Adorei o simbolismo. Útero nos reporta à essência, aconchego, tudo o mais que vc disse explicita e implicitamente. A imagem nos convida ao mergulho. Parabéns a você, ao Oswaldo e à perfeita sintonia do pensamento.
Abraços.
Edna, obrigado mais uma vez. Teus comentários sempre são muito bem-vindos e agradáveis de ler.
Abraço.
Ramiro, obrigado pelo elogio lunático. Abraço.
Magnífico trabalho Felipe, foi uma bela viágem de volta a primeira parada da tua existência. A foto do Osvaldo caiu na medida certa para o texto. Parabéns Felipe e Osvaldo. abraços para ambos.
Carlos Magno.
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