URROS DE SOLITÁRIAS GARGANTAS

By Galeria de Diegowarhol/Flickr/Creative Commons
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Benny Franklin · Belém, PA
14/9/2009 · 7 · 5
 

Amostra do texto

(Para Ivan Cezar)

I
Desvestida
pelo beiço de rodagem,
tal como uma agonia nua de pêndulo em movimento,
fomes (ainda) brilharão no silêncio
(essa subterrânea utopia que nos chega de véspera)
rejeitarão urros de solitárias gargantas;
hão de ser súplicas de brisa-dor
que os esmolambes das tabernas,
ricas e enfloradas,
vomitarão aos alvoreceres
mais difusos.

II
Exceto implacáveis artilharias
que os tendões de quinas esfomeadas
iscarão a prumo,
os porões dos dias que me cegam
e os arrabaldes das guirlandas que me velam
e os ruídos dos tumores que me cercam
dar-se-ão ao betume das faces
(embaciadas e lésbicas)
como quem se entrega ao poema
pelas neblinas do retropasso,
como quem se joga ao orgasmo
dos arranha-céus andróginos
pelas genitálias dos pés de uvas
e ao ombro
onde a mão da noite
desvendou a salinidade
meta-morfoseada dos homens
as flores-pratas fundem-se em efusões de pegadas
e onde as incontáveis criaturas do sol
põem-se a cuidar da loucura
que os olhares
afundidos dos carnívoros cárceres
foram alastrando a quem foge no poema
ou sobrenada nos jasmins
sem paragens.

III
Oh, vento! Oh, moinho!
Sob nossos pés
fundir-se-ão os montões de esmeraldas,
os ramos de nódoa se dissolverão
como o beijo perto da boca,
como a fetidez da aurora
que rola pela lágrima,
como nádegas mesmo se filamentos sem línguas,
como cócegas mesmo se pensamentos sem diques,
como álacres begônias em cachos desumanos,
como nuvens de revólveres
com roucas amnésias,
como estômagos mesmo se assassinos em série
que depositam jazidas de ironia
na cumeada das bocas.

© Benny Franklin

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informações

Autoria
Benny Franklin
Ficha técnica
Poesia Bennyana

Fotografia by Galeria de Diegowarhol/Flickr/Creative Commons,
Upload feito em 6 de outubro de 2008.
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Ivan Cezar
 

Benny :

Meu parceiro, meu amigo !
Fico feliz que o poema veio também para o OVERMUNDO
Plasmando aqui todo teu talento de poeta/pensador
A poesia elevada a seu nível mais alto
O verso, como instrumento de transformação,
de resistência e como alavanca das mentes que podem,
efetivamente , fazer diferença.
Receber os versos, tornam-me mais entusiasmado e
muito , mas muito mais , APAIXONADO PELAS LETRAS !

Um abraço do sul !

Ivan Cezar · São Sepé, RS 17/11/2009 23:55
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ayruman
 

O poeta traz dentro de si o pulsar do Mundo. Suas dores e alegrias. Suas noites e seus dias.
Abraço fraterno. jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 18/11/2009 10:33
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nina poeta
 

Benny, esse seu pensar criativo é tão aceleradamente bonito, que se chega com fôlego apenas de aplaudir, visse?? Aplaudo!!
beijos poéticos,
Nina.

nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 18/11/2009 21:07
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nina poeta
 

Ah, homenagem merecida demais à Ivan Cezar!! Aplaudo tbm!!!

nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 18/11/2009 21:08
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clara arruda
 

Meu mestre,meu poeta del mundo.Especial és para essa amiga.Confesso que ao te ler fico tão maravilhada com a composição,que teimo macular teu trabalho com meu despreparado comentário.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2009 10:44
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