O vazio está em tudo.
Do mesmo modo
[indicativo
que o absurdo
de se viver o impossível
do que não é preciso...
Vive também
nos atormentando,
na mesma proporção direta
com que vivemos
a desesperança
de uma vida toda,
[entranhada
no superlativo
das coisas estranhas.
Bizarros interesses,
acontecimentos pífios.
Desejos dos maniqueístas,
a solapar o egoísmo,
- tênue combustível humano:
senso comum cotidiano
de todos os sonhos
que não têm sentido.
E outras ilusões
que alimentamos.
Ótica estranha
esta nossa...
Em vê-se o mundo
[pelo lado oposto,
avesso da luneta mágica,
convencionalismo.
Buscando sentido,
onde nenhum sentido
Jamais existe
ou se sustenta.
Quimera imperceptível,
sucedendo os fatos
tão sem nexo,
[inexatos:
neologismo de enganos
em fractais imensos,
cubos de gelos siberianos
com os quais testamos
todos os vícios
que consideramos
meros privilégios
sobre-humanos.
Na tola ilusão
de que somos
- máximos.
Puro vazio de tudo.
Hiperbólico estranhamento
[mal resolvido,
dentro de nós
sangrando.
Oco do mundo.
Qual ciclo menstrual
costumeiro, repetitivo,
e contumaz.
Sempre se derramando
no egoísmo residual
dos relógios cronológicos
escondidos no fundo falso
Do nosso consciente
[incauto.
Esquecido de propósito
nas gavetas dos hospícios
edificados em nosso cérebro
pelos duendes sedentos
de metal e sangue,
bem como pelos loucos.
Dementes ensandecidos
andando a esmo,
em círculo.
Contando vaga-lumes
no escuro-breu
dos nossos olhos
arregalados e cegos
de betume
no fim do túnel.
Racionalismo ‘escroto’
Estoicismo insosso.
Perdido no silêncio eterno
Da concretude geométrica
[e angular
do nosso credo
gregário,
apostólico.
Segredo conhecido
pelos falsos réus
escondidos,
dentro do juízo de nós mesmos.
Testemunhos ocular
de toda a vergonha
e a falta de escrúpulo
de todo mundo.
A priori, trata-se de um poema assaz diferenciado, cujo propósito é de uma literal provocação no bom sentido, acerca da necessária reflexão sobre a vida nos seus aspectos mais instrínsecos e mundanos. E a maneira como imaginamos e nos comportamos socialmente diante do mundo e das pessoas. Uma forte carga psicológica e subjetiva constitui o cerne desta prosaica poesia. Leia-a e comente.
"Vacuidade humana" define bem seu propósito, José Cycero, e o alcança.
É uma visão do viver humano.
Mas a poesia alerta:
"Ótica estranha /esta nossa... (...)
E adverte:
"...Neologismo de enganos
em fractais imensos,
cubos de gelos siberianos
com os quais testamos
todos os vícios
que consideramos
meros privilégios
sobre-humanos.
Na tola ilusão
de que somos
- máximos."
Diz a filosofia oriental que no aparente vazio ocrre a plenitude!
raphaelreys · Montes Claros, MG 20/11/2008 19:50
Temos um relógio a comandar totalmente nosso ciclo de vida, a lua, o sol, a terra, o ciclo menstrual, o almoço, o jantar, o café da manhã, a noite, a hora da mamadeira, o sono, a fogueira, os pássaros, o trabalho, o ônibus, a escola, nossa vida é controlada pelo tempo espacial também, todos regidos pelo nosso maestro denominado subconsciente. Segredo conhecido pelos falsos réus escondidos, texto profundo e agoniante...
Gostei e votei..
Abç..
dentro do juízo de nós mesmos.
Caro poeta,
assim como a após-vida vista pelo lado moral é; bizarra e escrota. a sub-vida vista pelo lado moral é; insulsa e cruel. e a sobre-vida em si vista pelo lado moral, é e será sempre estranha a nossa ótica, e ao entendimento, e peremptóriamente insondável em todos os aspectos. sobra então o homem e o poema; ele universo uno, o ser mortal e a coisa imortal; a palavra, ela infindável e misteriosa, partícula do universo difícil de ser dispersa. haja visto; sua poesia.
Abraço fraterno.
Silveira
Voce trabalha um tema interessante
Esse vazio - o vácuo - humano ...
Que nos deforma ...
Eu gostei
inté !
É o questionamento das buscas, das insatisfações/satisfações, das aparências,... de fato um tema para reflexões.
Parabéns. Volto para votar
Abraços...
Meu amigo, pode acreditar : a vida é simples, o ser humano é que complica. Viva, ame, ria, dance e será feliz. Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 20/11/2008 22:27Como eu fecho esta janela após o envio da mensagem? socorrooooo
Lila Su · São Paulo, SP 20/11/2008 22:28
Concordo com o que diz a Lila Su. Viver é tão simples. Fujamos das complicações.
bjs
Olá de novo, J Cycero
Nossa cabeca às vezes (muitas vezes) é um hospício.
E os estóicos que se virem, em eliminar o acaso, acaso não devemos desejar somente o que depende de nós ?...
às vezes nossa cabeca é um hospício...
Abs
Corremos para o vazio para encontrar o algo mais, porém encontramos no vazio o que nós mesmos levamos, vemos a nós mesmos e o mundo que somos e ajudamos a construir.
Muito bom. Abraços.
E que provocação, menino!!!
Pena que muita gante não "se olha", não "se vê" como realmente é!
Beijos
J.Cycero
senso comum cotidiano
de todos os sonhos
que não têm sentido.
E outras ilusões
que alimentamos.
Hora de parar e reler alguns tópicos.
Poema refleximo e bom.
Um abraço
Simplificar pra simples ficar. Votarei, amigo Cycero.
Poeta Devany · São Paulo, SP 21/11/2008 09:58Provocativo, como disse a Lena. O vazio está em quase tudos, os espaços são preenchidos com idéias, mesmo aquelas de que discordamos. A criatividade, o inventivo, a provocação, a resposta... O caos primordial ainda persiste nos vazios muitos.
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 21/11/2008 10:29
José Cycero · Aurora (CE)
Vacuidade Humana.
Um Verdadeiro Que será que será, que lembra o Chico Buarque.
A vida é essa passagem rápida que o melhor que fazemos é caprichar na nossa parte e aprendermos tudo que for possível.
Pode ser que no cumprir nosso papel, até possamos ajudar.
E, no que estamos vendo, podemos também testemunhar.
Vigiar e Caprichar que o tempo esta a passar.
Parabéns viagem poetica em tudo.
Abracáo Amigo.
Testemunhos ocular
de toda a vergonha
e a falta de escrúpulo
de todo mundo.
Nada além do que o espelho de nós.votarei.
Nels Belo · Feira de Santana, BA 21/11/2008 11:25
- Mestre, que é a vida?
O mestre tomou o cesto e encheu-o de água, que molhou a túnica do do discípulo até aos pés
- Mestre, compreendi. O cesto está aparentemente vazio, apesar de ter sido enchido. E eu estou molhado, apesar de a água ter escorrido.
- E isso tem alguma importância? Muda, em essência o sentido do universo?
- Não, Mestre.
- Então pare de preocupar-se com a definição da vida.
- Mas, Mestre!
- O quê, discípulo?
- O cesto está vazio e eu estou molhado!
- Está vendo como o homem é burro!?
Bom, filosoficamente a questão não é tão simples.
O que chamamos de vazio? Vazio fisico, material? Vazio mental, existencial?
O que chamamos de vazio?
A alma humana ainda é um mundo, universo a ser explorado. Assim, em essência, não existe vazio. Há sempre a amplitude da alma a ser alcançada, explorada.
Mas, aí é outra história...
Quando avaliamos um poema, além do seu conteúdo, principalmente pensamos em sua forma (não importa se esta forma é livre), afinal, estamos falando de literatura. Penso, não importa o que se fala (tudo é permitido), mas como se fala (a forma - não confundir com nenhum padrão conservador, tradicional).
O poema é bem complexo. Exige muito do leitor (isto não signifca uma falha ou, ao contrário, virtude). Apenas a forma e conteúdo exige mais do leitor; mais atenção e coisa e tal.
Seja como for, foi muito bem elaborado, construído, embora, tenha recorrido a palavras mais eruditas, mais pomposas. Criou com isto um certo efeito, proposital, está bem claro.
Enfim, um poeta plenamente consciente do que está fazendo e com pleno domínio da distribuição das palavras, o seu uso.
Parabéns.
A vida é assim,reflexão,introspecçao,extrapolação
Somos a cada dia que nasce uma nova pessoa,um novo pensamento
O que hoje temos total certeza,amanhã,não teremos mais
São as dúvidas do inesperado,do inusitado que a faz interessante
Já pensou se todos soubéssemos de tudo que iria acontecer como ela seria sem graça e monótona??
Um dia tentei entender a vida e as pessoas e fazer tudo certinho e percebi queisso leva a depressão,entao agora procuro viver a cada dia como se fosse único,sem querer saber o que vai acontecer amanhã[existirá o amanhã,quem pode saber]
Beijos meu conterrãneo,amei e adorei seu texto
Particularmente, acho que nenhuma poesia deve ser explicada. Ela tem que se explicar sozinha.
Naturalmente, a crítica (que está capacitada para avaliar uma boa literatura) tem como julgar uma forma (o poema).
A poesia mesma não se explica. A poesia está no não colocado. Ela é sempre sugerida. E, aí está a magia.
Profundidade em busca do simples. Gostei...votarei !
Donna Miranda · Montes Claros, MG 21/11/2008 12:59
Poesia é uma manisfestaçao do "ser" interior de cada um,
é o aflorar de sentimentos, frustaçoes, etc...
Bom texto Cycero.
Abraços
muito bom seu texto...voltarei para votar...abraçoss
Odirlei Cleverson · Grandes Rios, PR 21/11/2008 14:25
Cycero,
Seu poema é muito bem escrito e
conclama a todos à reflexão.
Parabéns. Volto.
Bejos
"neologismo de enganos
em fractais imensos,
cubos de gelos siberianos
com os quais testamos
todos os vícios
que consideramos
meros privilégios
sobre-humanos."
caro cycero...que beleza de dialética...que capacidade em fazer de um poema grande...um grande poema.
uma bela aula...para nós outros.
abraços
Amigos e amigas do Over,
agradeço-lhes de coração pela acolhida do meu trabalho. Abraços fraternos e literários.
Cycero,
vazio pleno de reflexões, poesia dialética, como diz o Samuel. E bela e árida e fecundamente explosiva, como uma granada de rimas e palavras, digo eu. Parabéns.
Um abraço
Gostei, Cycero, sinceramente. A sua poesia provoca sempre reflexão pela provocação que ela traz.
Não são versos pra serem lidos num pôr-do-sol numa praia com a brisa mansa. Não, eles exigem movimento! É por isso que eu gosto e voltarei pra votar. Abraços do
blz de trabalho Cícero!
Racionalismo ‘escroto’
Estoicismo insosso.
Perdido no silêncio eterno
Da concretude geométrica
Primeiro vou falar da sutileza da rima; este tipo de rima que dar tempero à leitura.... da vacuidade, é uma bela exposição
abraço
andre.
José,
Todas respostas que busquei, perdido nos labirintos de minhas reflexões, estiveram sempre comigo na centelha divina que um dia me criou a imagem e sua semelhança, a qual habita no coração e alma de todas criaturas, tantas vezes nos convidando a ouvir sem que possamos escutar.
Abraços
Penso na necessidade de esvaziar-se para redescobrir o mundo tão definido pelo olhar viciado. Novamente a não palavra, o silêncio, o vazio a dizer novos rumos.
Quanto ao tempo, deixemos, qualquer dia desses, nossos relógios no hospício mais próximo.
"Testemunha ocular
de toda vergonha
e a falta de escrupulo
de todo mundo". Esta é bem atual, heim Cicero?
Ivette G M
Muito bom,Cycero, muitas reflexões sobre o tempo... e seus vazios... tão nossos...Mas eu acredito numa vida simples,essa que se faz quando estamos mais conectados com nossa alma que é atemporal..se desprende de tudo isso,de todo esse estresse dos tempos pós-modernos...
Parabéns!
um beijo azul na alma...
Blue
Desde já muito agradeço a todos os que me deram a honra de comentar meu trabalho(não apenas de agora) que está prestes a adentrar a fila de VOTAÇÃO. Muito obrigado genteeee!!!!
José Cycero · Aurora, CE 22/11/2008 13:20
Honrado por ter iniciado a votação do teu belíssimo texto
Parabéns!
Abraços
Eta carinha pra escrever complicado sô! Se eu já não fosse doida, tinha acabado de ficar. Mas como sou doida, gostei muito....
Fui a 2ª a votar hem!
Bjs...Mil...
é sobre essa ilusão
de que somos o máximo
é que se assenta
o fim...
belo texto!
abraços ternos,
Poema complexo, como é a subjetividade de um poeta.
Confesso que tenho alguma dificuldade para acompanhar os versos livres, mas fico deslumbrado com o desafio de entendê-los.
O teu poema, em particular, demanda muitas releituras, Cycero,
para que não me perca apenas na superficialidade das palavras.
Meu abraço fraterno,
Herculano
contudo, AINDA "o homem é a medida de todas as coisas"...
Muito bom !
votado
abração !
que trabalho maravilhoso amigo.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 22/11/2008 18:47
É verdade, é verdade, mas, se você pensar melhor, por outro ângulo:
Segredo apostólico conhecido, gregário, perdido no silêncio eterno de toda a vergonha, pelos falsos réus escondidos da concretude geométrica e angular. Racionalismo ‘escroto’
dentro do juízo de nós mesmos. Estoicismo insosso, testemunhos ocular de todo mundo, e a falta de escrúpulo do nosso credo.
Votado
Grande abraço!
Parabéns poeta, lido e votado!bjs
E outras ilusões
que alimentamos.
Aqui compareço meu amigo.estoiu atrasada pq só agora acabei de formatar o pc e ainda precisa de alguns ajustes.Deiso meu imenso carinho e voto.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 22/11/2008 20:00
ESSE VAZIO...
Profundo,quase abismo!
Para preencher o tédio,
Do mundo frio,
Desenhamos extasês,
De sentidos abstratos...
VOTADO (isso é concreto)
ABRAÇOS.
O teu poema é maravilhoso meu amigo José Cycero. Forte e repleto de verdades, muito interessante. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
José Cycero
Reflexivo e questionador.
" Concordo com a sabedoria da nossa LIA "
bjs
Muito interessante e provocativa.
Em certa parte da leitura me lembrou "Ouvir estrelas? .. Certo perdeste o senso".
Gostei muito.
Um abraço
se mereceu meu comentário. idem meu voto.
abraço fraterno Poeta.
Silveira
Cícero, penso que seu poema atinge ao que se pretende, sua provocação traz a inquietação das leituras internas, subliminares... Gosto disso. Voto certo.
Um abraço!
cycero,
bem...
isso é uma porrada nas obscuras e inquietas existências!
abraços,
interessante o texto, gostei do uso dos colchetes sem nunca fechar o universo dos sub temas
abraço,
Cycero,
Muito bons os seus versos críticos, que nos despertam para muitas análises. O vazio faz parte de tudo, nada tem muito sentido, nós é que enchemos as coisas de pretensos sentidos, buscando uma ordem ilusória no caos diário. Vivemos num mundo onde o senso comum a tudo busca uma explicação, para que nos sintamos confortáveis e seguros diante do mundo. Para que nos sintamos os donos do mundo, senhores dos saberes e das lógicas perfeitas. Mas nada se encaixa tão perfeitamente quanto um quebra-cabeças. Buscar racionalizar tudo é um erro terrível, uma enorme ilusão. A razão é uma ilusão (como tudo o mais também é). Ela se torna também o que tanto combate, uma crença, uma "religião", com seus dogmas e contradições inerentes, mero modo de tentar explicar o mundo...
Parabéns ! Deixo o meu voto.
Um abraço
Salve, José!
Vazios são resultados de explosões e sugam
as energias de tudo por perto.
Fazer nada não é vazio...
Abraço Pantaneiro.
Quando o absoluto é relativo,
o sonho não se torna real,
o tudo é nada
Puro vazio, tudo de nada...
Votado
R.Rimet
A vida como instrumento humano é coisa de tal complexidade que o vazio não é tão vazio, nem tão cheio como mostra a aparência.
Gosot muito da poesia que não se furta de flertar com a filosofia, de surfar sobre altas interrugações que o cotidiano mostra como certezas.
O risco de falr sobre a existência humana é muito grande (leia-se divagar e nada dizer), mas você foi muito bem na empreitada.
Parabéns!
Votado.
Eae Ze, na pazzz??
Muito bom!!! Votado!
Abração e ótima semana!
Pois é!
A gente se descobre de tal maneira, que numa seqüência de segundo,plaft!
A gente se vê enjaulado.Não compreendemos mesmo a natureza humana.
Comumente descrevemos a vida e suas situações como sendo caóticas, gastas e sem intenções. Seu jeito de falar de toda conjectura da vida me deixou a analisar pormenores do que tenho vivido e sonhado. Parabéns poeta pela irrefutável vontade de mudar.
su angelote · Jaboatão dos Guararapes, PE 24/11/2008 17:11
Atrasado pra votar, problemas de internet
abraço
andre.
É Poeta...
Esse vazio às vezes nos consome, um vácuo que nada supre. Será um poço sem fundo?
Muito bom, beijo e voto.
Valendo ou não valendo mais ovoto, votado.
Seu vazio é da mesma natureza do de Álvaro de Capos, por exemplo, sem dúvida,no que confronta realidade e sonho. E caino abismo da solidão. E do silêncio.
Matriz romântico-simbolista, ave!
Um presentinho para você, abaixo, de alguém de sua família poética, meu conterrâneo, bahiano (baiano com H é o soteropolitano, viu?), com quem estou constatemente a dialogar (psicografar?..).
Beijo de
Brida
Versos na Tarde
Pedro Kilkerry
É o silêncio, é o cigarro e a vela acesa.
Olha-me a estante em cada livro que olha.
E a luz nalgum volume sobre a mesa…
Mas o sangue da luz em cada folha.
Não sei se é mesmo a minha mão que molha
A pena, ou mesmo o instinto que a tem presa.
Penso um presente, num passado. E enfolha
A natureza tua natureza.
Mas é um bulir das cousas… Comovido
Pego da pena, iludo-me que traço
A ilusão de um sentido e outro sentido.
Tão longe vai!
Tão longe se aveluda esse teu passo,
Asa que o ouvido anima…
E a câmara muda. E a sala muda, muda…
Àfonamente rufa. A asa da rima
Paira-me no ar. Quedo-me como um Buda
Novo, um fantasma ao som que se aproxima.
Cresce-me a estante como quem sacuda
Um pesadelo de papéis acima…
E abro a janela. Ainda a lua esfia
últimas notas trêmulas… O dia
Tarde florescerá pela montanha.
E ó minha amada, o sentimento é cego…
Vês? Colaboram na saudade a aranha,
Patas de um gato e as asas de um morcego.
Parabéns Cícero.
Grande obra!
Sua poesia reflete palavras permeadas de inspiração!
Lido, votado e comentado!
Um grande abraço
JP
Texto muito pertinente e belamente escrito! Parabéns!
nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 7/12/2008 19:06
Cycero,
um Feliz Natal. Volte com seus textos e traga o amigo Domingos de volta também. Grande abraço.
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