PROFANO
Aníbal Beça ©
Para Marcos Sena
Passa a noite com seu fio
e vai deslizante e célere
nesse meu olhar distante.
A lamparina refulge
a memória acesa em chama
ardendo acontecimentos.
Tento pendurar-me ao fio
da corda e ao calor das horas
mas o fogo não me é fuga.
Plumas do sonho me sabem
um ajoelhado insone
no evangelho dos notívagos.
Ajoelhado, jamais!
Disse-o ao seu ouvido um dia.
quando senhor me sabia.
Rodilhas dentadas dançam
nos segundos dos ponteiros:
a dissoluta engrenagem.
Chegada a hora do vinho
ela me lavou os pés
perdoei-a com a fala
Cabelos revoltos voam
na curvatura do dorso.
Não me soube mais divino.
Então a lavei com a língua
e a enxuguei com oliveiras.
Ouvi distante: ECCE HOMO!
QUINTA ESTAÇÃO
Anibal Beça ©
Não há recomeço possível.
Senão um olhar para trás.
A flor que murcha cai
não torna para o galho.
Por cima dos ombros
o outono perde a primavera
e as folhas secas
são tapetes grados
para amaciar pegadas.
Um murmúrio
bate à nossa porta
e o vento inexorável
escarifica cicatrizes
no exato arrepio.
No pressentido encontro
- bandido convicto -
assalto o canteiro
dessa noite insone
e agasalho a alba
na gruta do sésamo.
PAVIO CURTO
Aníbal Beça ©
Na memória inflamada de uma vela
o trote de cavalos arrefece
a derreter-se em lágrimas em prece
rogando por momentos sem seqüelas.
Cada pingo desaba lentamente
são segundos da via paralela
num corredor sombrio confidente
a trazer novamente à capela
sussurro verberado vil censor
no som que vem caindo como o sono
que esmorece sem sonho transgressor.
A chama inextinguível tem seu dono
e expira num vulcão sem o fervor
na branca estearina do abandono.
1) QUINTA ESTAÇÃO
A flor que murcha cai
não torna para o galho.
2)PAVIO CURTO
Na memória inflamada de uma vela
(...) lágrimas em prece
rogando por momentos sem seqüelas.
Verdades ditas poeticamente arrepiam a alma da gente. Bjos, Grauninha.
Benny e Grauninha, muito obrigado pela visita e pela leitura. Estes poemas já são do meu livro novO ASAS DO ÓCIO.
TERNURA E CARINHO
Camarada Anibal, não muito o que comentar.
A grande harmonia de seus poemas que mistura cores em gotas de orvalhos e amaciam as pegadas.
Grande abraço mestre.
NOSSA !!! CONFESSO QUE PRECISO DE MAIS TEMPO
PRA "PENETRAR" NESSE POEMA TAO BEM "PARIDO"...
AS PALAVRAS ME TOCAM......MAS MTAS NAO ENTENDO....
ENTAO EU VOLTAREI........PELO PRIMOR DA CONCEPÇÃO.
bjsssssss;)
Jurandir e Cláudia, obrigado pela leitura e pelos comentários elogiosos.
Ternura e carinho
Anibal
Abrindo a votaçao pra seu excelente texto
Prazer em fazer isso e desejando maior sucesso
Beijos
Ailuj e Grauninha, obrigado pelos votos.
Ternura e carinho
ANIBAL
BOM DEMAIS!
PAVIO CURTO ENTÃO, NEMS E FALA!!!
BJS
Doroni querida, vc. sempre simpática e generosa. Muito obrigado pela leitura e por ter gostado.
Ternura e carinho
Todo profundo o seu poema
e esse fica:
"Um murmúrio
bate à nossa porta
e o vento inexorável
escarifica cicatrizes
no exato arrepio."
bjssssssssss;)
beleza, anibal! sempre jogando duro mas sem perder a leveza da linguagem: espírito de haijin, monge e samurai.
ronald
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