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VAMOS VOTAR?!

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"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA
27/10/2008 · 79 · 7
 

VAMOS VOTAR ?!
Só agora, mexendo em jornais antigos, encotrei este artigo do conhecido escritor JOÃO UBALDO RIBEIRO, publicado no jornal de Belém O LIBERAL, em 20 de abril de 2008.
O autor lamenta ter ficado tantos anos "bestificado" pela intensa propaganda que afirma que votar MODIFICA REALMENTE a situação do povo e de nossa Nação.
Tomei a liberdade de retirar alguns trechos, firulas literárias ou análise tardia do que foram (ou não foram) os Governos de Collor de Mello, de Itamar e do cultíssimo -- mas não menos inoperante -- FHC, mais um Fernando a nos infernizar a existência.

Como complemento, refaço trechos de recente carta minha aos jornais de Belém -- compreensivelmente NÃO-PUBLICADA -- onde critico a situação da saúde em meu município (e por extensão, no Brasil todo) e trato de política & políticos locais. Aliás, a COLIGAÇÃO nos segundos turnos é de uma sordidez só possível numa nação de cínicos e cretinos como a nossa. É um vergonha ver os partidos pouco votados se unindo a um dos lados "vencedores", em desconsideração flagrante com a opinião dos que neles votaram. Como fica o eleitor vendo seu candidato dando loas ao postulante cheio de processos ou cujo caráter não é dos melhores? Isso é a desmoralização do voto. A seguir, o texto do JOÃO UBALDO RIBEIRO:


BRASIL, UM PAÍS DOS MESMOS!
É meio chato o sujeito nascido em meados do século passado descobrir, numa série aparentemente infinita de pequenos episódios deprimentes, que passou a vida sendo enrolado e acreditando em bobagens.
Essa descoberta -- tão óbvia -- sempre esteve aí o tempo todo, mas eu nem os outros bestas víamos nada. É uma enfermidade difícil de curar. (...)

Eu posso dizer que estou entre os sortudos. Acho que finalmente avistei o caminho certo e decifrei os sinais que estão aí para todo mundo ver. Como a verdade é fugidia, em sua nudez de fábula!
Como é fácil aderir, por voluntarismo ou ingenuidade, a crenças que, por uma razão ou por outra, não podem materializar-se. Como nós, do vasto contingente da bestalhonidade, não aprendemos nunca e persistimos em esperar mudanças de onde elas não virão, ou acreditar que está havendo mudanças.

E ainda persistimos no mais cruel vício de todos, talvez o maior vetor de nossa doença: acreditar no que as pessoas dizem e não no que as pessoas fazem. Para o eleitor consciente, ou que se esforça por ser consciente, não há coisa pior. Fazemos sempre brincadeiras com promessas de candidatos, mas o fato é que acreditamos nelas. Não sei porque, talvez porque precisemos, mas acreditamos.
Acreditamos até mesmo quando eles estão patentemente descumprindo a promessa, mas dizendo que estão cumprindo.

E creio que em nenhuma "democracia" do mundo os governados sejam tão governados e os governantes tão governantes.
Supostamente -- e alguns repetem isso de boca cheia e queixo empinado, coitados -- somos uma democracia representativa onde o poder emana do povo.

Emana do povo apenas na medida em que, periódicamente, arma-se uma pajelança (1) -- de uns tempos para cá, eletrônica e inconferível e, portanto ainda menos confiável -- em que obriga-se o eleitor a votar, (2) sacramentando a curiosa figura do direito obrigatório e tendo de escolher entre nomes que, no máximo, representam facções dentro do esquema que sempre dominou e que sempre preservou, dentro das características de cada época, os traços odiosos que ainda exibe, na pobreza, na doença, na ignorância e no atraso.
Tão logo o poder acaba de emanar, (3) o representante, dir-se-ía que por tradição secular, passa a comportar-se como representante básicamente de si mesmo, de seus amigos e de algumas fontes que lhe dão dinheiro. Também automáticamente adota o lema "quem entra em poilítica é para se fazer", o qual norteia o comportamento da maioria dos eleitos.

Assim, o Estado, através dos representantes (que são, dizem várias fontes, os mais caros do mundo) passa a existir básicamente para custear-se, no nosso caso através de uma massa tributária acachapante, que não dá retorno a quem a paga, a não ser em afirmativas como "o nosso sistema de saúde se aproxima da perfeição" e que ser tratado num hospital público da mesma forma que o presidente da República está ao alcance de qualquer brasileiro.
O "dono do poder", ou seja, o povo, não tem direito a ser nem ouvido nem cheirado, nem mesmo quando se trata de saber em que estão gastando seu dinheiro.
'Mostre as contas", diz o povo, através de seu representante.
"Não mostro", diz o Executivo.
"Vá se catar, vá ser povo e não me aporrinhe"! (...)

Poderia, mas não há espaço nem real necessidade, argumentar que o atual governo veio para aperfeiçoar tudo o que já estamos acostumados em 400 anos e assim manter a sociedade equacionada nos mesmos termos em que sempre esteve.
Em vez de argumento, o fato! O grão-conselheiro do presidente Lula é o deputado Delfim Neto, não propriamente um novato em Brasília, sempre por cima da carne-seca, como sabemos. Pois o dr. Delfim não só proclamou jubiloso que "Lula salvou o capitalismo brasileiro", como lhe atribuiu excepcional prestígio junto a Deus -- isto mesmo, Deus. Portanto, colegas bestalhões, eis aí como somos um país dos mesmos, governado pelos mesmos e para os mesmos.
JOÃO UBALDO RIBEIRO, escritor, da Agência O GLOBO.
OBS.: 1) no texto original... armamos uma pajelança
2) no texto original... em que obrigamos o eleitor
3)suponho que o Autor quiz dizer: "tão logo o poder acaba de ser emanado...
"********************************************
CARTA-ABERTA AOS JORNAIS (de Belém/trechos)

Até a chegada de Dom João VI, com sua caravana de mazelas e prepotências, não havia políticos, as regiões eram governadas (ou dirigidas) sem a presença de senadores ou deputados. Os dois Pedros inauguraram a criação desses "elefantes brancos" e perdura desde aquela época a falácia de que, sem êles, não haveria Democracia nessa nação rica em desigualdades.
As Ditaduras (de Getúlio e a Militar) instalaram-se com o silêncio e a conivência covarde de todos país a fora, salvo raras exceções. Contrariando recente propaganda federal, quem as combateu o fez em favor de uma liberdade plena e real, na qual o VOTO LIVRE (e não obrigatório, como ainda sucede) fazia parte de um mundo maior de expectativas e exigências populares como salário digno, habitação decente, saúde plena, educação moderna, etc e etc.

Tudo isso continua na ordem do dia 45 anos depois e serve de "combustível" para uma propaganda eleitoreira enganosa que se "sofistica" para continuar iludindo ignorantes e até mesmo aos com algum cerebelo.
Os 99% que se candidatam visando tão somente o polpudo salário parlamentar são, na essência, IMORAIS e todo administrador incompetente deveria terminar seu mandato na cadeia, pois cargo público não é lugar para inexperientes nem amadores.
Hoje, uma administração mínimamente eficiente -- obrigação de todo Prefeito ou Governador -- traz créditos ao... Partido, estratégia cínica só possível no Brasil. Com isso se camufla dentro dessas "arapucas politiqueiras" a incômoda presença dos "ratos, raposas, vampiros e anões".

Vivendo em Ananindeua desde agôsto de 1986 só agora descubro que a cidade recebeu por esses dias a alcunha de "Oásis da Amazônia", dada em festa palaciana de Brasília por quem jamais pisou no município.
Sem cinemas, teatro, exposições oficiais de artes plásticas, literatura, sem festivais de música (o último data de meados de 1989) ou qualquer atividade realmente cultural resta ao meio milhão de "ananins" os "Carnáfolias" e os "Forrónindeuas" regados a muita cerveja, barulho e "barulho".
(autor: "NATO" AZEVEDO, julho de 2008)

Sobre a obra

(análise sóciopsicológica do brasileiro que vota, hoje em dia, a partir de crônica do escritor JOÃO UBALDO RIBEIRO)

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"NATO" AZEVEDO
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clara arruda
 

Nato meu querido amigo,que bom te ler quase as véspera do segundo turno aqui no Rj.
Volto para comentar.Um beijo em seu coração.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 24/10/2008 09:13
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Doroni Hilgenberg
 

Bom dia Nato!
Que grito, menino!
E vivam as eleições regadas
a muito barulho e "barulhos"
O voto devia ser consciente
e não obrigatório.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 24/10/2008 10:17
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Doroni Hilgenberg
 

Nato,
Iniciando sua votação
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 25/10/2008 21:51
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delen
 

Que excelente texto , quando chega essas épocas de eleições fico pensando que bom seria poder votar e acreditar que tudo um dia iria mudar , sonhar nunca é d+ . Abraços...

delen · Cotia, SP 26/10/2008 19:16
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
 

DELEN, meu jovem... se você vota por patriotismo, continue a fazê-lo, esse é um comportamento cego, puro fanatismo.
Mas se fôr por consciência de mudança, DESISTA... o Brasil de hoje é quase o mesmo que conheci na minha primeira eleição, em 1972 ou 73... quando o TRIO PARADA DURA (Delfim Neto/ Simonsen e Roberto Campos) controlavam E MANIPULAVAM a economia do pais, mantendo a SALÁRIO MÍNIMO da nação abaixo de merda.
Alguma semelhança COM OS DIAS ATUAIS? Quem pensou que o metalúrgico assalariado maltratado e massacrado outrora IRIA MUDAR alguma coisa, deve estar amargando um arrependimento daqueles.
O sonho de LULA antes era o de um salário mínimo DE CEM DOLÁRES, como se isso fosse a maior maravilha do mundo... o tal salário hoje é de mais de 200 dólares. E adianta alguma coisa?

"NATO" AZEVEDO · Ananindeua, PA 30/10/2008 18:24
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touché
 

embora já tenha se passado a eleição, creio que o texto é atual e será sempre...as pessoas só discutem política na época das eleições , embora devesse ser um assunto pertinente em todo o tempo...Na verdade para o povo não muda quase nada sempre, mas é porque o povo não quer...bom te ler de novo...desculpa a sumiço...abração

touché · Guarulhos, SP 7/11/2008 22:40
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José Cycero
 

Poxa,cara só agora foi que li seu texto. Confesso que só poderia dizer que se trata mesmo de uma impresão simplesmente Antológica, dada a riqueza informativa que encerra. Parabéns, grande overmano.

José Cycero · Aurora, CE 16/11/2008 11:06
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