A claridade da manhã apareceu
e espalhou o escuro da noite de seu dia,
chamou à vida os gatos, as plantas, você e eu
mas você não está aqui
acordou em outro lugar, um longe, na noite ainda
Escuto os sons despertados
o alarido anunciando o cumprido dia
e espero que tudo se faça de novo:
as flores, as frutas, as pedras,
os odores e sabores, eu.
Cada dia é mais um dia
cada dia é menos um cisco de vida,
essa vida assombrosa que assombrava Borges,
que feriu seus olhos, fere meus olhos também,
como fosse carne saborosa.
E então finco os dentes com força
só para sentir o sabor deste dia,
o sabor das flores e frutas e pedras,
da terra de que fui feito um dia.
Meu sangue é sal, de um mar longínquo,
mar ancestral de onde vem tudo que nada,
tudo que é nada na economia dos céus,
as cinzas, as poeiras, a limalha dos dentes.
Quem poderia indicar ao escuro a claridade mais espessa?
... por isso eu afio com os dentes os punhais cegos de aço que me fere a vista, poeta.
adorei seu sentir.
bjssssssss;)
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