Não sei exatamente quando envelheci.
Só sei que foi há muito... Muito tempo.
Sinto calar em mim o peso dos anos.
Carrego nos meus ombros, séculos, gerações, milênios...
Carrego ainda nos meus pés, as areias quentes do antigo Egito.
Ouvi os lamentos de homens e meninos carregando pedras para a grande pirâmide.
Os ventos do Himalaia açoitam meus cabelos. Ouço ainda os sons dos seus mosteiros. Cruzei muitos mares nas galeras dos Vikings... Devastei oceanos...
Fui argonauta... Estudei na Escola de Sagres. Enfrentei tormentas e levei esperanças...
Extasiada vi samurais lutando... Caminhei pela Grande Muralha.
Guiei-me pela luz do Farol de Alexandria... Vi erguer-se o Colosso de Rodes....
Vi leões devorando pessoas, no Coliseu em festa...
Vi bárbaros devorando e queimando cidades...
Vivi o apogeu e o declínio das grandes civilizações...
Vi a face negra da peste assolando a terra...
Sou, no entanto, ainda mais velha...
Estive nas cavernas, dos homens primitivos.
Descobri com eles, assustada, o fogo, numa noite de raios.
Fiz gravuras rupestres... Havia já em mim, a inquietação poética.
Pedra lascada, pedra polida...
Caminhei lento, rumo ao conhecimento.
Olhei para o céu e descobri os astros e as estrelas.
Custei a acreditar que terra era redonda e que não era o centro do universo...
Queimei nas fogueiras da inquisição...
Porém, ainda sou muito... Muito mais velha
Eu pude observar o começo de tudo.
A grande explosão. O caos. Massas incandescentes, átomos, moléculas...
Nebulosas, galáxias, sóis, estrelas, e enfim a terra. A terra...
O ar, os mares, as marés, os ventos...
Répteis, anfíbios, dinossauros, dragões, insetos, seres abissais...
E finalmente, no universo pronto, preparado e verde, surge o Homem...
O Homem agora faz o caminho inverso. Mata e destrói...
Destrói o que para ele foi criado... Minuciosamente preparado.
Criatura por criatura, todas o homem devora...
Tudo que vive ele mata, até o que não vive... Como as pedras...
Não. Eu não quero estar aqui, no último dia... Eu não suportaria...
O Homem velho, a velha Terra, o Universo em decomposição.
Contagem regressiva... Não... Eu não quero estar aqui no último dia...
Estou meio sem condições de falar. Comungando suas palavras e, provavelmente, suas sensações e sentimentos. Belíssimo poema. Bjs.
Joana Eleutério · Brasília, DF 5/10/2007 22:05
nydia,
muito belo!!!!!
extasiado!!!
abraços,
Olá Nydia!
Vejo que você se afastou - melhor ainda viu? - de sua rota poética diária. Ficou mais voraz no que tange a poetar ao sofrer/ao futuro do humano. Particularmente, goste mais desta des-rotação aconteceu neste poema. O poema é divino...
Não! Não estou abordando o poeta... Apenas refletindo! Rs.
Bjs. Benny Franklin
Muito rico este poema...adorei, fantástico!
bju
Nydia, revisão das minhas aulas de histórias. Muito emocionante e didático. O que dizer mais não é?
Obrigada de coração.
Elizete
Nydia, relendo seu poema, gostaria de sugerirr que você checasse: Só sei que foi a muito... Muito tempo.. Não seria "só sei que foi há muito... Muito tempo."?
Beijeos.
Joana, querida! Já fiz a correção. Agradeço a leitura e a colaboração! Volte sempre! Será sempre muito bem vinda! Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 6/10/2007 14:54
Marcos, Benny, Cintia e Elizete: agradeço por terem vindo, atendendo meu convite! Estava insegura nesta "rota desconhecida" neste mar ainda não navegado... tão diferente do meu "caminho da roça" rs... Muito importante a presença de vocês... Abraços...
Poeta de tantas palavras
já corroídas...
Ando em busca de outras...
Nydia
Como um micro do MACRO, sempre exististes e sempre existirás...
Grande é o teu EXISTIR nas tuas sábias e GRANDES palavras!
Quem sabe um dia também possamos ser grandes e sábios nessa existência 'humana', para que possamos fazer parte da reconstrução...
SHÁNTIHI!
Nydia, este é um lindo e poderoso poema.
Entre arquétipos e as dores do homem, você andou, intrépida até poder dizer sobre estes muitos, muitos anos que, de dentro, não se igualam ao que se passa lá fora.
beijos
Nydia, poe musica na letra e canta,,,parabens victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 7/10/2007 07:08Muito bom Nydia, como o Victor disse, um belo texto
j.alves · São Paulo, SP 7/10/2007 07:48
Nydia,
Também não sei quando envelheci. Sei que nunca fui ao Egito;
E me sinto assim voltando do egito, a caminho do envelhecimento,
um abraço, andre
Nydia.
Sem precisar de maiores adjetivos, belíssimo.
beijos
Noélio
Nydia,... esse vai pra os meu favoritos.
Maravilhoso!
Parabéns, Poetisa. Votadíssimo. Bjus
Nydia, que maravilha de composição! E assim caminha a humanidade... Identifiquei-me com o seu tema. Quando me arrisquei à primeira publicação, pretendi deixar registrada esta inquietação com NOSTALGIA,
de uma forma bem simples. Gostei demais desta sua colaboração – profunda e com grande criatividade, rica em imagens!
Parabéns!
Ainda uma vez agradeço a todos pela presença! Serão sempre bem vindos! Boa semana a todos!
Nydia Bonetti · Campinas, SP 7/10/2007 13:20
Nydia, que poema corpulento, pomposo, ótimo.
Com atrzo, mas relido.
bjo.
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