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Velhice

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Circus do Suannes · São Paulo, SP
24/9/2008 · 170 · 47
 

Falo do Carl Gustav Jung tão freqüentemente que algumas pessoas já danam a censurar-me. “Pra você é Jung no céu e Jesus Cristo na terra”, exageram. Ainda agora acabo de comprar a aplaudida biografia escrita pela Deirdre Bair, esse o incrível e indecorável nome da moça. Cuida-se de “uma obra imensa, repleta de rigorosa pesquisa histórica, sobre uma vida cheia de coragem, criatividade, decepção, sofrimento e glória”, diz o Carlos Byington na contra-capa do livro. Além de ser pai da cantora Olívia, ele é um dos grandes psicoterapeutas junguianos do Brasil. Tenho eu culpa se o homem era um sábio e, como diz minha mulher, altamente prospectivo?

Pois está lá num depoimento à Aniela Jaffé, sua ex-paciente e depois renomada colega, um desabafo dado por ele quando já octogenário: “Eu já estou conformado em ser um póstumo de mim mesmo”. Ele, de certa forma, antecipava aquilo que o Ângelo Bonetti, excelente violinista de Araraquara, me dizia quando eu lá judicava: “Meu caro doutor, acho que está na hora de eu morrer. Passei a vida toda envolto pela música, desde criança. Toco meu violino todos os dias, desde que me conheço por gente. Bach, Vivaldi, até Paganini. Quando ligo a televisão, porém, eles exibem uns moleques fazendo um barulho dos infernos dizendo que aquilo é música. E eles são aplaudidos. Só morrendo!”

Vejam se o Jung não é eterno: “It is difficult to be old in these days” desabafou ele numa carta a um amigo. E ele tinha apenas 65 anos de idade! Imaginem como foram os 20 anos que ele ainda iria viver.

Norberto Bobbio, outra de minhas paixões, fala da própria velhice. Mas, que é velhice? “Aqueles que escreveram obras sobre a velhice, a começar por Cícero, tinham por volta de sessenta anos. Hoje, um sexagenário está velho apenas no sentido burocrático, porque chegou à idade em que geralmente tem direito a uma pensão. Já o octogenário, salvo exceções, era considerado um velho decrépito, de quem não valia a pena se ocupar. Hoje, ao contrário, a velhice, não burocrática mas fisiológica, começa quando nos aproximamos dos oitenta que, a final, é a idade média da vida”.

Serão essas palavras válidas em nosso país? Eu não tinha mais de 50 anos quando, parando o carro junto a um semáforo, fui abordado por um negrão forte, cujo rosto indicava não ter mais de 16 anos, porém com um corpo de lutador de boxe. Rosto grave, ele me estende a mão direita com a palma para cima. Não sou avesso a diálogos junto aos cruzamentos, ao contrário do que me aconselham os medrosos de plantão. Baixo o vidro da janela e lhe pergunto o que ele pretende, como se eu não soubesse. “Dinhêro!” responde ele com uma economia de palavras sintomática. Baixa em mim o educador que sempre fui. “Você, com essa saúde, com esse corpanzil que poderia ser útil com uma enxada na mão, vagabundeando por aí?” Ele me olha com dois punhais nos olhos. Eu insisto. “Você não tem medo da polícia?” Ele mostra uns dentes alvos. “Poliça! Poliça! Pra que que tem adevogado?” Ulalá! O rapaz tem experiência na área jurídica. Respondo-lhe, ingênuo: “Claro que sei. Eu também sou advogado”. Ele faz uma cara de espanto: “Quem? O senhor? Velhão desse jeito?”

Logo que atingi a idade da razão fui com a Maria Helena e a Thais ver uma exposição no MASP. Pedi três entradas à bilheteira. “Três não, duas”, disse a Thais, com toda sinceridade, própria de sua delicada e veraz pessoa, dentista recém-formada que se dedica a pacientes especiais.

“Ele não paga”, esclarece, como se eu fosse um de seus pacientes. Confesso que aquilo foi um banho de imersão num lago escandinavo. Eu ainda não me dera conta de que havia transposto o cabo da Boa Esperança. Levei alguns dias para superar o trauma que aquela fedelha me havia produzido com sua frase cruel, embora verdadeira. “Que tal se puséssemos sobre a crueza da verdade o manto diáfano da fantasia, como queria o poeta?” indaguei-lhe, inutilmente.

Devo reconhecer, porém, que, neste país, os velhos contam com muitas vantagens, como a chamada prescrição etária. De fato, aqui os maiores de 70 são tratados pela lei penal brasileira como se fôssemos debilóides, quase incapazes de saber a relevância dos atos que praticamos, incapazes de distinguir entre o que é privado e aquilo que deve permanecer público. Ou entre o que é meu e o que deve ser do outro. Praticar crimes todos nós sempre praticamos, é verdade, mas, chegando aos setenta, temos mais motivos para praticá-los, com a prescrição da condenação correndo pela metade. Talvez até eu me candidate a algum cargo eletivo. Do modo como funciona o Judiciário, eu com minha lucidez, um mandato eletivo na mão e os benefícios dos prazos prescricionais pela metade acho que nos próximos anos abrirei, finalmente, a tão sonhada conta na Suíça. Ou numa dessas ilhas cujo roteiro de viagem pode ser obtido nas páginas policiais dos jornais. Quando finalmente vier minha condenação criminal, será só juntar minha certidão de nascimento aos autos e, zás!, tudo aquilo vai para o arquivo. Nem que seja com uma liminar do Gilmar.

Está com inveja? Quem mandou você querer continuar jovem?


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celina vasques
 

Pois é...teu texto como sempre impecável! Maravilhoso!
Agora sabe por que queremos sempre ser jovens? Culpa do progresso!
Cada dia a tecnologia se nos apresenta coisas incriveis e que os jovens têm o maior manejo nelas, aparecem roupas lindas para jovens de pernas bem torneadas e sem celulites ou sinais de velhioce, por que aparecem cosméticos maravilhosos mas com a cara cheia de rugas n~ão podemos usar... porque somos velhos mas o coração jovem igual dos 15 anos e passamos a amar mas somos velhos e não podemos mais...somos proibidos disso também dizem: que ridiculo uma velha apaixonada!
Dei-te algumas razões para querermos continuar jovens só algumas outras tantas nossos overmanos com certeza postarão aqui!
Belo texto! amei!
beijo na alma!

celina vasques · Manaus, AM 22/9/2008 09:39
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Circus do Suannes
 


A alma não aceita retoques.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 22/9/2008 10:10
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clara arruda
 

A minha alma é sem retoques,entretanto gostaria de remendá-la.Eu volto.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 22/9/2008 10:23
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azuirfilho
 

Circus do Suannes · São Paulo (SP)
Velhice
Um Trabalho ,muito abrangente. Me senti instruido e contemplado na minha velhice de 63 anos, e também na parte da atualidade onde o Gilmar náo deixa prender ou algemar. .Acho que no final sempre vence o porvir.

.....um barulho dos infernos dizendo que aquilo é música. E eles são aplaudidos....

A Mídia pode fazer qualquer coisa virar Arte e qualquer mentira virar verdade.

Um Trabalho admirável.
Parabéns
Abracáo Amigo
PS- Meu micro náo tem til, cedilha, circunflexo e acentos.

azuirfilho · Campinas, SP 22/9/2008 10:49
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Lila Su
 

Lila Su · São Paulo, SP 22/9/2008 11:27
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Lila Su
 

Estava com mamãe em um ponto de ônibus, ela nos seus setenta, e ao ver uma senhora tentar subir no veículo com dificuldades, me disse : " A velhice deve ser difícil, não??". Morreu aos 77, dando graças à vida. Lila Su
Lila Su · São Paulo (SP) · 22/9/2008 11:26 alerta
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Lila Su · São Paulo, SP 22/9/2008 11:28
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CEARUCHO
 

Voto cantando com Piero

Viejo, mi querido Viejo.

Não acrescentaria muito, falando sobre o texto.

O Cearucho.

CEARUCHO · Porto Alegre, RS 22/9/2008 12:15
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Cintia Thome
 

Caro Suannes, este texto, indaga e esclarece e certifica que temos que mudar as cabeças de todos, como?...ando me perguntando para que foi tanto para hoje tão pouco...Bobbio dizia que é uma humilhação e é!E tentamos nos apegar pelo lado da religião..Somos já velhos pra tantas coisas e pra outras ainda não, dizem em qualidade de vida, mas não temos mais a família reunida e dizem pra gente ter um cão ....Será´que vivi , estudei, trabalhei pra ter um cão como companheiro? E olha , ainda estou na casa dos 50...
Muito bom texto sobre a decepção que os anos nos dão...ainda somos jovens, sabemos escolher uma boa música, amigos, uma bom prato...

Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais

Mas somos os mesmos...

.

Cintia Thome · São Paulo, SP 22/9/2008 12:27
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Cintia Thome
 

Vou colocar teu texto até como referencia no meu .abraços.

Cintia Thome · São Paulo, SP 22/9/2008 12:49
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victorvapf
 

Depois de passear bastante pela cidade de Roanoke (VA), entrei num supermercado vendo aquelas caixas com mais de oitenta anos trabalhando sem oculos e a "velhinhas" dirigindo camionetes e eu com sessenta e la vai pedrada, sendo chamado de moco, cheguei a conclusao que a velhice teria que esperar mais um pouquinho, alias o complexo da Rede Globo foi feita e iniciada por um "velho" de 65 anos que viveu quase 40 anos mais. A gente anima ate a dar umas "paqueradas" mais, caso nao seja casado, logico, rsrsrs Abracos

victorvapf · Belo Horizonte, MG 22/9/2008 14:31
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Langinha
 

Ainda acho que devíamos "ver" o ser humnano que está ali, à nossa frente,e, não o sr. de 80 anos, ou o jovem de 20, a mulher de 50.....
Sempre implico c/ determinada Revista de "fofocas",que, sempre ao citar o ´personagem" em foco acrescenta ao nome da pessoa, o número de anos que ela tem...Acho incrível. A beleza. a bondade, o caráter não tem nada a ver com a certidão de nascimento...O ser humano é que importa..Desculpa se se alonguei...é que empolguei com o assunto...Podemos ser muito jovens aos 77 anos, como foi minha querida Mãe, apesar dos problemas de saúde por que passou...Bjs a todos os queridos e jovens amigos do Overmundo. Langinha.....

Langinha · São Paulo, SP 22/9/2008 16:38
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Langinha
 

Langinha · São Paulo, SP 22/9/2008 16:40
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Circus do Suannes
 


Não nos esqueçamos de que os filhos do Oscar Niemeyer já estão na terceira idade.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 22/9/2008 17:41
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Langinha
 

Nós, também,e, veja que pessoas MA RA VI LHO SAS que nós somos...
Deixemos a modéstia de lado, sim ??? Você, por ex : bonito, simpático, inteligente, muitíssimo criativo, ótima pessoa, bom caráter, alegre e feliz c/ a vida, "apesar dos perigos."...Vc é o mais lindo "3a.Idade " que conheço,e, não falo só por ser sua irmã, não : VOCÊ É, MESMO !!! Adoro você, cara !!! Bjkas. Langinha...

Langinha · São Paulo, SP 22/9/2008 17:57
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raphaelreys
 

Maravilhoso o texto meu caro overmano! Também chequei na tal idade. As limitações da idade me pegam de surpresa, pois me esqueço delas. Espantam já que passei a vida viajando, movimento, improvisação, peito aberto no espaço! Olho minha neta bricando comigo e fico a imaginar que não ví os anos passarem. Na cxavbeça ainda sou moço! O que vale é o que aprendemos!

raphaelreys · Montes Claros, MG 22/9/2008 18:12
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Lila Su
 

Eu sou do tempo em que uma mulher aos 50 anos sentava e esperava a morte, pois estava velha. Não aceitei este jargão. Às vésperas de meus 65 anos, já idos, mergulhei em Fernando de Noronha, chegando a 12 mts de profundidade. E, adorei. Ao 70, pretendo pular de paraquedas, rs.Viva a Vida, meu povo. Lila Su

Lila Su · São Paulo, SP 22/9/2008 19:01
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Langinha
 

Eu também cara maninha : ainda pretendo saltar de "asa delta";´por quê não ????? Ver o mundo lá de cima: deve ser o máximo !!!!bjs Langinha......( A Thaís disse que vai comigo !!!)

Langinha · São Paulo, SP 22/9/2008 19:33
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Saramar
 

rssssssss....
Eu sou admiradora sua, por isso, permita-me alguma adulação.

Porém, o que quero dizer sobre o texto é que veio exatamente ao encontro de um estudo que ando desenvolvendo sobre a velhice, as mulheres e as leis. É algo pessoal, para meu prazer. Inclusive ando lendo Bobbio e o incontornável Senectude, além de Beuavoir.
Seu excelente (como sempre) artigo, já me leva para estes caminhos de Jung e, se me permite, gostaria de pedir que me orientasse nesta leitura.
Obrigada, muito obrigada.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 22/9/2008 20:25
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Saramar
 

Voltei.
Não poderia deixar de comentar sobre a legislação que você ilustrou tão perfeitamente. Para mim, é um primor de discriminação, preconceito e desrespeito àquele princiípio constitucional que determina a impossibilidade de tratamento diferenciado entre os cidadãos brasileiros.
Porém, como a Constituição e as leis são usadas como a Bíblia, ou seja, de acordo com a necessidade de cada um, não há estranhamento diante destas ridículas determinações do tal Estatuto do Idoso.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 22/9/2008 20:32
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Adroaldo Bauer
 

Antes de infartar por stresse e tabagismo em abril, com apenas 55 anos, pensava e dizia, vou cuidar de começar a fazer algo que interesse a mais alguém e me mantenha ao passo com o mundo nos próximos 50 anos que me restam.
Hoje, tento conversar um pouco com minha mãe, que está com 83, enquanto ela se distrai da malhação à última novela que a rede dos bobos insiste em chamar das 8. E penso todo dia como sair ara caminhar nessa terra em que chove cinco dos sete dias da semana.
Bem, para me perturbar mais, uma junta médica diz: não faça isso, não faça aquilo, nem aquiloutro e menos ainda tal e qual. E isso, só sem excessos.
Um porre, nem pensar.
Então, sobra-me pensar no que Einstein insistiu sempre: o tempo não existe: todo dia é um recomeço.
Os ossos e os músculos e os [órgãos vitais emitem sinais contrários, não acompanham a teoria, mas isso é apenas matéria que há farta em qualquer canto do universo, o que falta é criação, que amplia o tamanho do universo, repetindo mais uma vez Einstein.
Então, com criatividade, encontramos uma boa música, desliga-se a televisão, passeia-se à beira mar, encontramos amigos, e amores que gostem dos mesmos sonhos já sonhados ou recém-descobertos.
Sim! Somos mais que nunca a matéria de nossos sonhos (devo estar repetindo alguém que disse isso com mais inteligência).
Cíntia, agradecido pela recomendação para ler esse lúcido e desafiador artigo de Circus.
Beijo grande para ti, terno abraço para Circus.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 22/9/2008 22:16
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Circus do Suannes
 

Caramba.
O pessoal capricharam!

Circus do Suannes · São Paulo, SP 23/9/2008 06:45
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Compulsão Diária
 

Na primavera de 1957, aos 81 anos, Jung começou a recordar para Aniela (sua discípula) a história de sua vida interior (Memórias, sonhos e Reflexões). O livro é do começo ao fim, o registro de sua luta para descobrir o “mito pessoal”, pelo qual ele – Jung- poderia viver livre do mito cristão que falhou em dar ao seu pai pastor (que surtou numa psicose maníaco-depressiva) algum bem-estar. Diante desse colapso do mito cristão, Jung edifica sua psicologia religiosa.
Freud, mais modesto, queria nos dar o poder de visão que aumentaria seu poder de escolha; mas não tinha nenhuma intenção em dizer o que deveríamos escolher. O objetivo de Freud era ampliar a capacidade pessoal e não a cura. Para Freud não havia cura, no sentido de uma conversão totalizante. E não há maior angústia do que ser livre pra escolher.
Aos setenta anos Freud disse que não se rebelava contra a ordem da vida. A velhice, dizia ele, com todos os seus sofrimentos chega pra todos. Tive o bastante pra comer. Amei minha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol. Vi as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga pra apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que me compreendeu. Que mais posso querer? Morremos porque desejamos morrer, talvez, disse ele. A morte é companheira do amor. E disse mais, não desdenho o mundo, porque ao fazê-lo estaria cortejando, tentando ganhar audiência e aplauso. E não sou infeliz, pelo menos não mais que os outros.
Por que citar os dois, aqui? Pelo fato de que são posturas completamente diferentes diante da vida e da morte. Da velhice, da redenção.
Talvez, os privilégios de que fala Circus, sejam uma forma de compensar o desamparo diante da velhice. Nesse sentido, fico com Freud: Por que esperar tratamento especial? Por que o destino nos reservaria algo especial?
Eu estou mais interessada nesta primavera que acaba de começar, do que possa acontecer na próxima estação.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 23/9/2008 07:27
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Compulsão Diária
 

aumentaria nosso poder de escolha...tentando caprichar rsrs;))

Compulsão Diária · São Paulo, SP 23/9/2008 07:28
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Circus do Suannes
 

Minha cara CD.
Veja-me de pé, batendo-lhe palmas, muitas palmas.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 23/9/2008 10:15
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Spírito Santo
 

Pô, vovô, que mau exemplo! Fiquei eu aqui garotão ainda aos sessenta e um, já planejando a natureza do crime que praticarei aos setenta e um. Quero que se seja um crime antológico, que valha mesmo a pena, para Jung ou Freud nenhum entender a motivação.
Belo texto.
Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 23/9/2008 16:26
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alcanu
 

Sinto não poder opinar no teu texto, pois só te conheço há uns duzentos e setenta anos e ainda não consigo um parecer preciso com tão pouco tempo de convivência !
Um amplo abraço !

alcanu · São Paulo, SP 23/9/2008 16:49
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Coluna do Domingos
 

Brilhante, complexo, criativo e acima de tudo cria em nossas mentes uma solução - Não. - Um grande problema. Qual ? - Como é feito este processo de envelhecimento. Ora as células estão sempre se renovando (pequena exceção) quem autoriza a parada da renovação. Ora, quem dá esta ordem é com certeza um suicida, pois, ao envelhecimento, as células do mentor da ordem também envelhecerá e o autor da ordem será uma vitima de sua própria determinação.
Ou já existe na cópia do Código da vida DNA um número de anos que vamos viver. Qual é o problema ? - o problema da discriminação ums vivem x anos, ou y anos, outros n anos que desigualdade é esta. Nós quando nascemos já temos o dia certo para morrer, e se houver um acidente de percurso a ordem será agilizada, tem um julgamento, tem uma programação paralela, tem várias programações paralelas.
Eu particularmente sempre penso sobre isto, sempre ficava triste, pois pensava que somente eu pensava nestas questões existenciais, porém com a problematizaçaõ feita por um dos grandes: (escritor e intelectuaal e pensador) Circus do Suannes, agora sim, vou retomar a este tema com o entusiasmo e a determinação de quando comecei, Obrigado Circus do Suannes por dar seriedade ao que eu estava colocando em segundo plano: a Velhice. Parabéns

Coluna do Domingos · Aurora, CE 23/9/2008 19:33
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Cariri em Movimento
 

Circus, vivi os ultimos dez anos da vida da milha vó e mãe ao seu lado, ela com 98 e eu... desculpe, acabei de me lembrar dela. Vou me recolher mais volta para votar.

Cariri em Movimento · Aurora, CE 23/9/2008 20:09
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Lila Su
 

Desde a minha última fala apareceram pessoas tão ilustres, com dizeres tão apropriados que me aquieto e tento digerir as lições expostas.Adroaldo, CD, Saramar, que vontade de sentar a uma mesa, pedir um vinho e conversar com vocês noite a dentro.Lila Su

Lila Su · São Paulo, SP 23/9/2008 21:30
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EdimoGinot
 

Suanes
Um grande texto. Bem embasado.
Não podemos é perder a essência da vida.
Como disse Lila Su:que vontade de sentar a uma mesa, pedir um vinho e conversar com vocês noite a dentro.
E deixar o barco correr

Um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 24/9/2008 09:51
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clara arruda
 

Voltando.Com as limitações da minha tenra idade...Espero que ainda se sinta jovem para ser sempre feliz.
Nunca paro para pensar na velhice e sim no que posso fazer hoje.
Um beijo terno em seu coração.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 24/9/2008 10:11
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Cintia Thome
 

Cintia Thome · São Paulo, SP 24/9/2008 12:30
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Coluna do Domingos
 

Votado

Coluna do Domingos · Aurora, CE 24/9/2008 13:06
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celina vasques
 

celina vasques · Manaus, AM 24/9/2008 13:45
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

publicado esse maravilhoso poema.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 24/9/2008 15:23
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Juscelino Mendes
 

Revisitando e votando.

Juscelino Mendes · Campinas, SP 24/9/2008 17:26
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Pedro Rivero
 

Decifra-me ou te dovoro!
A realidade( ou seria real-idade) para se nos afrontar. Eu que estou prestes a entrar "na outra metada da vida" ( completo 50 este ano) Já tenho pensado a respeito e sentido na pele.
Exite é muito preconceito sobre a idade. Arrumar emprego por ex é muito difícil. Aprecio o modo como se questiona e argumenta sobre o assunto. demonstra que está enfrentando de frente a "Esfinge"
Um grande Abraço amigo.

Pedro Rivero · Bélgica , WW 24/9/2008 22:53
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Pedro Rivero
 

leia-se: ...parece nos afrontar....

Pedro Rivero · Bélgica , WW 24/9/2008 22:55
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Noelio Mello
 

Não questiono a velhice, se tenho toda a eternidade para ser jovem como os anjos. Como o andar da vida é inexorável, acreditar que por aqui estamos de passagem para um soberbo renascer é apenas uma questão de fé.
Belíssimo texto
abraços
Noélio

Noelio Mello · Belém, PA 25/9/2008 00:39
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José Carlos Brandão
 

Quero aplaudir o homem, de que idade for. Aplausos ao Suannes, reverência. Texto muito bom. De quem contempla o mundo da montanha da serenidade.
Abraços.

José Carlos Brandão · Bauru, SP 25/9/2008 01:37
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Circus do Suannes
 

Reparem na cor dos cabelos dos últimos três comentaristas.

Circus do Suannes · São Paulo, SP 25/9/2008 06:49
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Andre Pessego
 

Aprendo, sempre, muito com as tuas lições.
Estamos nós dois brigando contra o "ESTADO ESPECIAL, BRASIL".
Se todos são iguais perante a lei não tinha mesmo necessidade de tantas leis especiais para pessoas especiais - Também me recuso a entrar na fila especais, nos bancos; me sentar nos bancos "especiais" do metro e até pleitear passagem de graça nos interestaduais para o Piauí.
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 26/9/2008 09:33
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Giovanni Guidi
 

Primeiro, me interessei pelo seu texto por causa do Jung, um dos teóricos que estudo. E depois, o texto fluiu, e gostei muito. Há ainda os jovens com mentes e corpos envelhecidos.
Sucesso.
Votado.

Giovanni Guidi · Piracicaba, SP 26/9/2008 11:54
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Patipetista
 

Sem palavras...

Patipetista · Santo André, SP 26/9/2008 21:10
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Samuel Luciano Assunção
 

rsrsrsrsrsrs
...ei suannes cheguei aqui através da linda poesia da cintia...que emociona...e me divirto com o seu ponto de vista dessa história...
levando a vida com todo esse humor vais chegar aos 80 meu caro...(oxalá)

tomara nosso país soubesse valorizar melhor as pessoas de mais idade...que ficam esquecidas e póstumas de si mesmas apesar de vivas...

abraços

Samuel Luciano Assunção · Angra dos Reis, RJ 1/10/2008 19:14
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Selma Santos
 

Gostei.
Sobre o assunto trancrevo o Millôr: "Qualquer idiota consegue ser jovem.É preciso muito talento para envelhecer. Tudo que viveram está escrito nas sombras e desvãos das velhas fisionomias. Pessoas de 70, 80 anos são epopéias fisionômicas. Cara sulcada. Marcada pelo feliz sofrimento de continuar existindo.Caras jovens são fotograficamente aflitivas. Lisas. Não guardam nada.Chapas sem emulsão. Não têm biografia....."

Selma Santos · Socorro, SP 8/10/2008 12:11
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Eric Araújo
 

Um jovem ao ler o seu texto pensaria da seguinte forma: como é complicado viver sem me esquecer que não sou eterno... canso de me deparar com situações onde me esqueço que a velhice é logo ali, e deixo os meus idosos, que são meu futuro, desmoralizados e marginalizados quando na verdade são neles que encontro tamanha sabedoria que sem sombra de dúvidas me faria amadurecer como ninguém, e me traria a alegria de usar e contar os meus dias com o máximo que pudesse, nem mais nem menos, mas na medida da razão e da emoção, combinando paixão e trabalho, suor e sorriso... que bom que vivi pra ler seu texto, realmente mexeu comigo :)

Eric Araújo · Belo Horizonte, MG 27/10/2008 02:35
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