Todo dia ela está lá na rampa do rio Tocantins em Filadélfia – To (do outro lado é Carolina no Maranhão) com seu improvisado reboque ganhando a vida. É mais uma trabalhadora brasileira que enfrenta um duro batente para levar um suado trocado para dentro de casa.
É uma cozinheira de chambaril (parte da perna do gado – dianteira ou traseira -, cortada em pedaços e cozida, base da alimentação substanciosa de trabalhadores pobres antes de iniciar a faina). São inúmeras nessa imensa região do Brasil Central nos pontos de tráfego intenso de pessoas. Os seus pontos preferidos são as margens das rodovias federais, as rodoviárias, as travessias dos rios – enquanto a barca demora –, ruas próximas a grandes construções, hospitais, órgãos públicos, etc.
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A comida é barata e um prato bem cheio com arroz, chambaril com bastante caldo e farinha de puba (preparada com a mandioca de molho para pubar) não custa mais que R$ 2,00.
É um prato popular e bastante forte. Algumas delas têm outras opções, oferecendo um cardápio que também inclui buchada (o estômago do gado picadinho – também com bastante caldo) ou dobradinha (tripas do gado). Em todos esses pratos o caldo do cozimento é requisito básico. Ele favorece a mastigação do alimento e o amolecimento da dura farinha de puba. Há também os molhos de pimenta, conforme o gosto do cliente.
Tenho grande respeito pelas pessoas envolvidas neste mister, afinal é uma profissão que não conhece descanso. Adentram a madrugada na preparação da carne – dura – e logo no primeiro cantar do galo têm que estar nos pontos de venda à espera dos fregueses. Ao contrário da carne que preparam e tornam macia pelo cozimento e saborosa com os temperos variados, a vida nunca lhes deu mole.
Leandro,
Aprecio por demais ver o cotidiano das pessoas de cada lugar que visito. Isso vai além daquele lance só de turismo de “cartão postal”, entende?
Alcança saber como as pessoas do lugar vivem, o que fazem, como são os seus hábitos, quais são os seus desafios, quais são as suas soluções para as suas dificuldades...
Não sei se toparia experimentar essa comida. No máximo, no máximo, aceitaria o chambarril.
Gosto é gosto, né? Só que gosto não é só pessoal, mas cultural também.
De qualquer forma, é bacanérrima a retratação da cena.
Abraço
Um registro muito legal do dia-a-dia do povo do seu lugar.
O brigado por nos conceder o privilégio de conhecê-los.
Forte abraço e parabéns pelo texto e imagem.
é um dia pesado, uma profissão difícil! Legal tu mostrares isso por aqui!
E só para registrar adoro buchada, minha avô prepara e é ótimo!
beijos meus
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