Flor no insustentável da tela
O melhor do meu riso
Vai rasgar o verbo amar
Enfiar os cinco dedos
Nas entranhas da palavra nova
Extrair alegria pela raiz da fonte
Que desconhece dicionário
E a minha língua vai saber
O momento raro da festa
Da palavra nova brotando
A fonte jorrando
O estalo
O abalo
Amei e desamei
O verbo rasgado
Aos pedaços
Flutua oco de mim
E o melhor do meu riso
Espreita o bicho
Nas entranhas da palavra nova
Que desconhece e não vai morar em dicionário.
espetacular, cida." Nas entranhas da palavra nova
Que não vai morar em dicionário."
belíssimo verso.
parabéns!!!
Adorei, adorei a foto. E também o poema. E fico aqui a matutar com a sua palavra nova.
Gisélia Duarte · Goiânia, GO 1/3/2007 08:17
cida,
adoro o tema, a idéia, essa brincadeira séria de se falar da palavra - a nossa ferramenta estética. não me sinto tão à vontade pra tanto, mas vou tentar (pela primeira vez!) um palpite de edição pra esse teu texto, que já tem uma força ímpar, pelo que já disse. tenho uma sensação de inacabado, mas não que ele necessite de mais discurso... talvez seja o contrário. a repetição da imagem (que gosto demais) da palavra que desconhece/não vai morar no dicionário talvez seja esta aresta a ser aparada... mas não tenho certeza!... veja, são apenas sensações. de todo modo, se o deixares como está, não será demérito algum. gosto do que escreves. perdoe-me a ousadia!
abraços,
r
Aí, caro Renato, sugestão acatada. Não sei se literalmente assim que imaginou esta sonoridade: Que desconhece e não vai morar em dicionário ou Que desconhece/Não vai morar em dicionário. Obrigada pela contribuição e pela leitura poética.
Cida Almeida · Goiânia, GO 2/3/2007 07:00
sim!... não foi exatamente o que imaginei (porque nem imagineio algo ao certo! rsrs) mas a mudança que fizeste deu um prumo novo ao texto. gostei também da segunda opção que apresentaste ("desconhece/não vai morar em dicionário"), e gosto da possibilidade a mais de leitura que se perfaz, quando podemos ler que "o melhor do meu riso Espreita o bicho Nas entranhas da palavra nova Que desconhece". o bicho ignora suas entranhas, incatalogáveis. muito agradecido e honrado em teres levado em consideração minhas sensações nebulosas...! rsrs
abração!
r
Muito bom, um jeito diferente de abordar um tema atemporal!
Zito · Porto Alegre, RS 2/3/2007 18:55
Rasgar todas as palavras/ Mesmo, as que estão em estado gasoso.
todas as cortinas de todas janelas/desatar, reatar, teatralizar, todos os atos, lavrar.
Até a palavra nova não ser nova de novo/ai a gente inventa outra.
Interessante a foto da flor, essa mistura de céu e tela dando um efeio especial, meio surreal.
José Afonso Viana · Goiânia, GO 6/3/2007 14:55
Oi Cida, interessante é que esta flor, mesmo emparedada pela tela, não deixa de esboçar o seu melhor sorriso. O verbo amar foi rasgado sem que se derramasse uma lágrima, apenas, sorrisos. Eu achei ótmo este tralho, parabéns.
Carlos Magno.
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