Que bom esse poder que a palavra tem de nos despertar em todos os sentidos...ninguém fica indiferente aos seus ruídos...ainda que sejam apenas sussurros ..., um silêncio..., pois é lá que elas gritam...
E foi assim, numa ausência de tudo, que os vermelhos se manifestaram...incorporaram em minha alma...no olhar...nos ares...
E tudo se acendeu, após as rubras tempestades...
(Raiblue)
Vermelh(ares)...
Era um fim de tarde vermelho, num planeta vermelho que no zoom
dos meus olhos se expandia. Havia uma certa sensualidade parada, sem vento que soprasse para longe o outro lado dessa cor, as nuances perigosas da guerra, do sangue, da dor.Estavam todos os tons misturados no raio da minha visão, uma circunferência que parecia caber tudo. Eu carregava o peso do mundo nos olhos, que traziam, por dentro do seu verde, os vermelhos de fora e aqueles
que já trouxera comigo, a vida ziguezagueando na corrente sanguínea.
Tentava fugir, fechando-os, mas não adiantava. Uma vez enxergada a vida como ela é, não tem mais jeito. A secura das imagens, retidas por dentro, retiravam dos olhos qualquer umidade, não havia mais perplexidade, eles pareciam hipnotizados por aquilo que se chamava de normal, comum. Era uma cegueira necessária para que eu sobrevivesse... Enxergar doía tanto que me paralisava.
E assim, cansados de ver, vamos nos acomodando dentro desse raio
de visão sem arriscar o salto. A vida parada como aquele instante rubro que não passava. Não era nem dia nem noite, indefinível como eu. Um vazio de significados, quando se está diante do pleno. E aquele vermelho era pleno em sua secura, não havia sede de nada. Como eu não precisava dizer, o vermelho por dentro se mantinha numa temperatura em equilíbrio com o de fora, sem nenhuma ebulição, ambos secos e frios, quase nevando dentro dos meus olhos. Não havia sede nem convulsões. A falta de febre estava me matando sorrateiramente, nada apontava a inflamação dessa secura, nenhum sinal aparente da minha iminente morte. Nenhuma chuva que molhasse os meus olhos e fizesse escorrer este vermelho seco e devolvesse os movimentos às minhas pálpebras, asas paralisadas no instante em que fiquei retida ali, dentro daquele poente que mais parecia um imenso coágulo prestes a explodir!
O ar seco e áspero amordaçava os sentidos para depois arranhá-los, numa tortura silenciosa, até que eu me tornasse seca também, e, assim, os olhos, quiçá, parassem de ver, pois se a alma cansasse, talvez a imagem secasse e não chegasse à retina ou,quiçá, mesmo que eles vissem, ela endurecesse por dentro.O poente cor de sangue se pondo na veia, coagulando e bloqueando os fluxos,as saídas...Estava presa dentro de minha própria escuridão.
De repente, no meio daquele silêncio que contornava os últimos momentos, um relâmpago rasgou o céu vermelho e uma trovoada conseguiu estremecer o deserto fora e dentro de mim, alguma coisa lá dentro queria chover, queria liquefazer aquela sólida secura que pairava no ar e em minhas veias... Já fazia tempo que não sentia o sangue correr, só haviam nódulos de sentimentos reprimidos que impediam o fluxo de qualquer emoção nova...
Ainda estava imóvel, mas começara a haver uns tremores nas pálpebras, e alguma coisa parecia querer saltar da órbita! Lentamente o vermelho começara a se dissolver...a escorrer...
A chuva molhara o meu deserto e o seu seco vermelho.
A umidade voltara, e, finalmente, um gosto de saliva na boca... Alguma coisa queria falar ou talvez gritar, nem sei, só sei que era vermelha, mas agora era quente e úmida...
O coagulado poente foi se dissolvendo, atravessou as artérias e saiu pela boca... As palavras eram raios que saiam da língua extasiada e rubra...e o desejo era um sol nascendo dos olhos molhados...
O deserto atravessou a noite e Zeus trouxe de volta a luz, a umidade do ar e das palavras, que agora dançavam líquidas
e vermelhas, como essa alvorada mágica....
Finalmente, conseguira amanhecer, depois de uma longa escuridão.
Assim como as estações, somos um milagre...
(Raiblue)
Querida Blue !
Neste poético texto regido por Zeus, passo com a força de Éolo
Deixo meus ventos fortes, para dizer que foi delícia ouvir sua voz.
Delícia também o vermelho do meu INTER ...
Essa cor , tão identificada com a pulsão da vida e tão assustadora como a guerra , o vermelho que pode ser vida , morte , renovação ... arte !!!
Beijo
Uma overdose de talento esse texto !
uma necessidade de se destruir para construir de novo e mexer com a escuridão que tanto tememos e cuja destruição você nos convence de ser necessária !
Massa, Raiblue, fantástico ouvir a tua voz narrando esse delírio mágico !
vou ouvir muitas vezes e não ficarei satisfeito !
um beijão da cor...você sabe, né ?
Uma viagem aos recônditos da mente. Um texto que encantaria os grandes filosófos. Blue nesta bela narração nos faz viajar neste mundo insólito do subconsciente. Lindo demais! Bjos Malu
MaluFreitas · Salvador, BA 20/2/2009 16:53
Somos o maior milagre de Deus...
Estou embriagada com tanta beleza, com tanta poesia.
Tenho fascínio por cores.
O vermelho está adormecido em nós, ardente, delirante... E você o viu e o traduziu com uma magia tão grande!
Parabéns, Bleuezita linda, ficou muito lindo, adorei!
Presentão de carnaval, ainda mais na voz de Sereia...
Mil beijos avermelhados,
Aube.
No! Parabens pela bela composição...Voz gostosa de ouvir com uma narração espetacular...
O que seria do vermelho se nao fosse o azul!!!
Beijos
vic
meu Deus que trabalho precioso, parabéns e depois eu volto.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 20/2/2009 17:35
Querida poetisa Blue.
Este pais são tantos artistas fazeres.
Uma obra belíssima, digna de uma grande poetisa.
"Assim como as estações, somos um milagre...". Uma grande afirmação, uma grande verdade.
Parabéns.
Você é toda poesia! Um espetáculo, Sempre!
Um abraço.
Babyredblue, rs...
Intenso mergulho no vermelho que há no fundo da alma de todos nós. A secura cotidiana, transforma tudo num grande deserto, onde os sentimentos e emoções parecem paralizados sem nenhuma esperança de degelo. É como se fosse o sangue parado nas veias, coagulando, sem chance de retornar à vida. Mas, a resposta, está dentro de nós mesmos, em nossos relâmpagos internos que estremecem tudo em volta. Despertamos com um grito que faz rachar as paredes densas do silêncio da alma. Surge uma brecha para sairmos do caos. Brecha que vai rachando e abrindo passagens cada vez maiores. É a libertação, o renascimento, o milagre que está contido em cada um de nós, esperando a chuva que nos molhará e trará de volta a umidade necessária para o pleno desabrochar da nossa alma...
Parabéns pelo belo texto e excelente vídeo ! Densidade e delicadeza, ao mesmo tempo... Adorei !
Grande beijo azul rompendo o vermelho do deserto...
Minha linda, vou aplaudindo de pé, mas com certeza voltarei para votar!!!
Que vagar ao mundos etéricos minha cara Raiblue! Sua alma plástica volita nos Jardins de Vênus e Marte! Serei seu arcano nessa jornada! Vou roubar um pouco da delícia! Sua foto está explendorosamente sensual! Um longo e tenebroso beijo!
raphaelreys · Montes Claros, MG 20/2/2009 19:18As imagens que elaboras são de uma riqueza impressionante. Gosto de ler e criar as próprias imagens, mas ficaram muito sensíveis as que compõem o vídeo. Beijos, Égab.
Égab · Florianópolis, SC 20/2/2009 19:29
Marvilhosos milagre, você!
Muito lindo Rai, muito melhor ouvindo de sua voz.
Acho que nem todos estamos tão atentos a nós mesmos quanto você é consigo, também do que adiantaria, se eu não saberia traduzir de maneira tão bela!
Grande beijo, de outras cores entaõ.
Deliciosa amálgama de cores e som enaltecida por um texto de raríssima sensibilidade
Parabéns a todos participantes da obra.
Beijos azuis...
Raiblue · Salvador (BA
VERMELH(ARES)
Uma Aventura extraordinária como uma viagem no universo infinito da cor vermelha guiado pela Poetisa Raiblue. Um Verdadeiro Sonho.
Maior orgulho dessa sua capacidade incrível de descortinar a poesia.
maior alegria e felicidade ser seu Amigo e ver vocé igual a uma Valquiria voando vitoriosa nestes horizontes fascinantes.Obrigado pelo seu trabalho para o Vermelho porque tanto que vocé eleva o azul que até viamos as outyras cores em inferioridade, e agora continuamos vendo o Azul especial sem menospresar as outras.
parabéns.
Abracáo Amigo.
Exuberante o seu texto, essa descrição da perplexidade diante da plenitude.
Ouví-la, foi como mergulhar na intensidade vermelha das suas palavras.
bjs
roteiro de filme de sucesso, mais um...
música de prima, claro...
bj e abraços pros dois !
Oi Blue,
Parando rapidamente para prestigiá-la. depois volto para votar. ok? Bração
Blue-Chips essa tua voz de travesseiro é mesmo bela. O poema é música e a música é poesia. Concatenação completa. Achei o máximo! Beijos.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 21/2/2009 02:22Belo texto.Bela Blue. Mias tarde o voto-
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 21/2/2009 08:49
Bom dia,meus amigos e queridos poetas!!!
Que felicidade ter esse retorno....apesar de um texto denso e até angustiante em alguns momentos...muito verídico...pois as palavras e eu nos misturamos tanto que já nem sei mais me separar dela...
Que bom esse poder que ela tem de nos despertar em todos os sentidos...ninguém fica indiferente aos seus ruídos...ainda que seja apenas um sussurro ...um silêncio...pois é lá que as palavras gritam...e foi assim, num profundo silêncio que os vermelhos se manifestaram...
incorporaram em minha alma...no olhar...nos ares...
Muito obrigada a cada um pela presença e emoção vermelha...uma alvorada em mim....
mil beijinhos redblue...rsrs
Blue
Beloooooooo! Um mergulho intenso no vermelho do âmago!
Belissima obra!
sabe o que me doi ao ler um texto com essa qualidade poética?
É saber que tem tantos que não constroem algo de qualidade sendo patrocinados, nas paradas enviando baboseiras, e um trabalho desse nível sem o devido reconhecimento.
Menina meu apaluso do alto do pódio!
bjsss
Imagem e som, declamação e arranjo textual; tudo na medida "exata" do seu imedível talento - Um encanto, Raiblue (blue head, red pen, ...)!
Parabéns pela produção!
Breve votos.
"O deserto atravessou a noite e Zeus trouxe de volta a luz, a umidade do ar e das palavras, que agora dançavam líquidas
e vermelhas, como essa alvorada mágica....
Finalmente, conseguira amanhecer, depois de uma longa escuridão.
Assim como as estações, somos um milagre..."
Esse pequeno trecho, resume toda grandiosidade desse obra de arte.
Beijos
"O deserto atravessou a noite e Zeus trouxe de volta a luz, a umidade do ar e das palavras, que agora dançavam líquidas
e vermelhas, como essa alvorada mágica....
Finalmente, conseguira amanhecer, depois de uma longa escuridão.
Assim como as estações, somos um milagre..."
Esse pequeno trecho, resume toda grandiosidade dessa obra de arte.
Beijos
...só uma alma azul mesmo p/ tão belo poema.
sinto-te . Q prazer !
bjsssssssss;)
Minha qrida!!
Texto lindo demias!!! profundo, reflexivo!!
Sua voz parece uma CANTIGA DE NINAR!!!
Ameiii tudo!!! parabens linda!!!
Obgada pelo presente tao encantador!!!
Voltarei..bjoss de todas as cores!!!
Voltei para apreciar outro tanto e deixar meus votos... e beijos.
wancisco franco · São Paulo, SP 22/2/2009 15:48
Babyblue,
Cá estou eu de novo em sua vermelhar viagem, por dentro da rubr´alma que todos nós trazemos. Por vezes, as emoções parecem mesmo paralisadas, ressecadas, sem nenhuma possibilidade de umidade. Mas, temos em nós mesmos o fluído que há de lubrificar nosso espírito, fertilizando novamente a vida, antes árida de sensações, fazendo brotar a poesia reflorescida...
Parabéns ! Atingiste o profundo da alma com seu belíssimo texto e excelente vídeo, que tanto nos toca e emociona... Votado com admiração e carinho...
Grande beijo poético n´alma blue
Minha querida Blue, lindíssimo o texto, a gravação, tudo lindo.
Li as mensagens de todos faço minhas as palavras deles e principalmente do Gustavo Adonias ele disse tudo o que pensei.
Você é maravilhosa. Parabéns e beijos de Mirtes Carvalho
Você usou e abusou do vermelho, mas não conseguiu fugir do blue. Entre outros blue, o azul da linda borboleta.
Muito bonito e bem declamado.
Votado
Ivette G M
Rai, ainda estou tomada por esta narração!
Nas agruras e na aridez brota vida, saem deuses, raios, vida!
Maravilhoso!
beijos
Sa(rainha),minha linda!Saudades de vc...muito feliz com sua presença e carinhoso comentário....sua emoção verdadeira me deixa radiante!obrigada,minha linda!bjkitas azuis
A cada um dos meus queridos amigos e poetas maravilhosos,meus sinceros agradecimentos. A leitura de vcs me faz sempre querer melhorar ,apenas para dar prazer..para fazer com que a poesia seja transformadora...que sempre altere alguma coisa em nós...
Obrigada,de coração...
um beijo bluecarinhoso a todos vcs!
Blue
Uma boa junção, claro "duas cabeças pensam melhor", velho ditado.
abraço
andré
O que falar? Sua voz já disse em ebulição vermelha...
Texto sem par, sua lleitura é uma dádiva. Os Deuses agradecem
Leio, releio...Máxima!!!!!
Rai que brilhante!
Fundo musical de Sergio Berrini nos tras mais emoção!Beleza
Zeus se uniu ao deus Kairós e juntos iluminaram suas palavras e escritos com uma cor Bem Vermelha, mostrando assim, qual é o significado de mágico belo e denso...
Parabéns.
Oh louco, intenso e muito belo! Esses meus amigos do overmundo que me enchem de orgulho com coisas maravilhosas hehe Parabéns e votado. Beijo.
Karla Gohr · Curitiba, PR 23/2/2009 10:48Que maravilhoso texto, belíssimas imagens, voz segura e profunda, sensibilidade total ! Votadíssimo, minha cara.
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ 23/2/2009 12:40
Que prazer indiscritível ouvir tua doce e mágica voz neste precioso texto. Adorei, simples e poético. (muito sensual como sempre)
Beijos
Lindo texto, onírico em essência...votado!
Gilbson Alencar · Brasília, DF 24/2/2009 15:02
maravilhoso Blue! interpretação, texto, imagens e música...conjunto fantástico! bjos
Iva Tai · Manaus, AM 24/2/2009 18:18depois de tanto tempo sem aparecer por aqui! é bom reler um texto seu ! bjos
eric renan ramalho · Belo Horizonte, MG 25/2/2009 04:21
Olá Rai,
o ensaio é surpreendentemente belo. Agora como todo belo temos o que nos parece ainda mais belo. Entre elas essa possibilidade de renascermos dentro de nossas próprias portas que se fecham, de sermos camaleões, camaleoa. A outra é de nada ser eterno, mas tão pouco passageiro, mas passagem de um estar para um SER.
Com Carinho,
Impressionantemente lindo, lindo, lindo! Texto, interpretação e imagens!
Parabéns!
Bjokas
SUANDO POESIA. BELÍSSIMO.
VOTADO!
Demônios e Anjos fazem parte de mistério chamado Homem
Além das palavras.
Um grande abraço. jbconrado.
Blue
Estive ausente mas fui contemplada na volta com esse lindo texto,dentro de um tema que amo
Vc é mil menina!
Beijogrande
Blue,
Nesse imenso céu-blue, põe-se um poema vermelho: é poema na veia! Sabe que te admiro.
Beijão e votos
Zeus...que em sua carruagem de fogo elétrico rasgou os céus para te curar das rubras intenções...do fogo das paixões ardentes que consomem a alma em prazeres egoístas. Das trevas, fez-se a luz, como dos vermelhos raios infra fizeram-se os azuis do céu e do mar. A poetisa se avermelha enquanto o solo seca. A neve derrete e cobre as praias de água renovada. E Lulin, que de muito longe veio, girando para soltar no ar sua chuva de fertilidade sobre nós, esverdeou os olhos do cego. E trouxe-lhe de volta a visão...Enquanto a poetisa converte o sangue em gás!
businari · São Vicente, SP 27/2/2009 02:38
Lido e votadíssimo.
Parabéns pela inspiração!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Hey,Maucito...suas palavras sempre grandiosas...mágicas...renovemos as águas...que lavam e levam tudo...e trazem novas praias...novos horizontes...
te adorooooo,meu lindo!bluebeijinhossss...
A todos meus queridos overmamigos, meu muito obrigada!!
Que q gostaram desse instante rubro intenso e todas as suas nuances...
bejinhos azuis_zen a todos vcs!!!
com carinho
Blue
Casamento perfeito. Texto, imagens, interpretação. Unidos nos transportam à sua viagem. No dia que amanhece, me fez feliz e me renovou. Parabéns.
jsonsol · Fortaleza, CE 2/3/2009 07:04super bem produzido, pelo menos na minha simples opinião.espero um dia comseguir aprender a fazer algo tão belo e dinâmico.
balck · Ribeirão das Neves, MG 3/3/2009 00:12
"A falta de febre estava me matando sorrateiramente, nada apontava a inflamação dessa secura, nenhum sinal aparente da minha iminente morte. Nenhuma chuva que molhasse os meus olhos e fizesse escorrer este vermelho seco e devolvesse os movimentos às minhas pálpebras, asas paralisadas no instante em que fiquei retida ali, dentro daquele poente que mais parecia um imenso coágulo prestes a explodir!"
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