Vernissage, dizem os nossos dicionários, é aquela festa que indica a inauguração de uma exposição de obras de arte. Um autêntico galicismo, diriam nossas avós. Francesismo, se quiserem. Por extensão, creio que se poderia empregá-la para designar o dia em que se dá o lançamento de um livro. Por que não?
O dia em que se abre uma exposição de fotografias pode ser chamado de vernissage? Sim, me direis, culto que sois. E de uma exposição de esculturas? Idem, haveríeis de retrucar-me, digo-o eu em português bolorento. Pois saiba, se ainda não o sabe, que a palavra francesa decorre de um fato pitoresco: no dia da inauguração de uma exposição de pinturas a óleo, ainda se sente no ar o cheiro do verniz, que muitos artistas usam (ou usavam, vá lá) para conservar a tela. Daí nasceu a palavra vernissage, francesa, com certeza. Logo, como as fotografias, as gravuras e as esculturas não são, normalmente, envernizadas, não se poderia falar em vernissage quando a inauguração diz respeito a gravuras, fotografias e esculturas. Entretanto, se se usa, como de fato se usa, dessa palavra também para referir-se à inauguração de uma exposição dessas, por que não haveríamos de utilizá-la para designar a chamada noite de autógrafo? Eis minha proposta.
Pois o jornal internético Migalhas vem de informar a seus mais de 300.000 leitores que no dia 10 de Dezembro, a partir das 19 horas, na livraria FNAC, situada na Avenida Paulista, fundos com a Alameda Santos, haverá a vernissage relativa ao lançamento do livro Justiça & Caos, da autoria de um certo migalheiro, cujo nome não me ocorre no momento. Julgo ter sido uma temeridade essa informação.
Pensem comigo. Que dos mais de 300.000 destinatários do festejado jornal eletrônico, apenas metade dos leitores tenha tomado conhecimento daquele aviso. A outra metade é composta daqueles leitores que naquele dia tiveram um TPM que os impediu de ler o jornal. Refiro-me ao terror de advogadas e advogados: um Texto Para Minutar algum trabalho, seja Apelação, Agravo ou um REsp. Ou tinham hora marcada no dentista, ou seja lá o que for. Ainda assim, 150.000 pessoas tomaram conhecimento daquela informação.
Digamos que a metade desse número corresponda a leitores que não vêm com bons olhos o autor do livro. Ou porque se convenceram de que ele não sabe escrever, ou porque ele é pernóstico, ou porque cuida de temas irrelevantes, ou. Nosso número já baixou para 75.000 pessoas.
Admitamos que esses remanescentes não tenham maiores restrições ao autor, para sermos otimistas. Ou pessimistas, não sei bem. Mesmo assim, metade deles não está disposta a enfrentar o trânsito de São Paulo para dirigir-se à Alameda Santos, onde fica a ampla garagem da livraria FNAC, livraria na qual, como noticiado pelo Migalhas, em data de 10 de Dezembro haverá o lançamento do livro Justiça & Caos. Resta a outra metade, nada menos do que 37.500 pessoas, se me não falha a matemática, mais gente do que a maioria dos torcedores que se dispõem a ver um Fla x Flu ou um San-São. Ou um Come-Fogo, para homenagearmos a brava gente de Ribeirão Preto.
Se todo esse público se dispuser a vir à tal vernissage, que será do já caótico trânsito daquele trecho da cidade de São Paulo? Se passeata de professores, que reúne uma ínfima parte disso, já rende homenagens às mães deles, imagine o que será das orelhas da falecida mãe do autor daquela obra literária em tais circunstâncias?
Pensemos, por tudo isso, em um número mais factível: 10%. Não me refiro a 10% do número de leitores que receberam aquele exemplar do Migalhas, mas à décima parte do último número levado em consideração para expressar o meu estado de quase pânico. Ou seja: 3.750 pessoas.
Façam as contas. Uma fila de 3.750 pessoas exigiria qual espaço para acomodá-las todas ao mesmo tempo no mesmo lugar? Calcule, otimisticamente, 30 centímetros quadrados por pessoa, vá à máquina de calcular e terá a resposta em metros. Ou quilômetros, não sei bem. Talvez será melhor falar em pessimisticamente. Isso, porém, não é problema meu, mas do DSV. Ele que destaque para lá tantos marronzinhos quantos necessários forem para a boa ordem do tráfego. Meu problema é muito outro.
De fato, qual a rotina em uma cerimônia dessas? Segundo minha pessoal experiência, o futuro leitor vai até o caixa com o livro que havia pego na prateleira, paga o livro e vem até a fila de autógrafo. O autor do livro lhe dá um sorriso e uma breve saudação, o que consome alguns preciosos segundos. Em seguida o candidato a leitor estende o livro, que é recolhido pelo autor, que o abre naquela página onde a moça do caixa havia posto um papelzinho com o nome do comprador, contando que o autor, naquela idade, não vai estar a lembrar o nome de toda pessoa que, no devido tempo, lhe dirá “Lembra-se de mim? Quanto tempo, hein? Você não mudou nada!”. Mesmo que seja o irmão do escritor. E outras frases semelhantes que servem para inflar o ego do conceituado escritor e atrasar a cerimônia programada. Ato seguinte, o autografante lança no livro uma frase com letra ilegível, lança uma rubrica e a data, fecha o livro e o devolve ao futuro leitor. Com essa onda de telefone celular que mais parece um bom bril, tantos são os mil e um instrumentos que abrigam, e como fatalmente haverá um ou uma acompanhante, a quem o futuro leitor ou futura leitora pedirá: “Benhê, pode fotografar a gente?”, mais tempo a ser considerado. Aí o autografante levanta-se, fica ao lado do ou da adquirente da preciosa obra literária e fala ”xixi”, para aparecer sorrindo na foto. Se se cuidar de leitora, ele fatalmente encerrará aquela mini-cerimônia com um respeitoso ósculo na fase esquerda. Mediram o tempo?
Pois minha experiência mostra que é impossível dedicar a cada leitor menos do que um minuto de tempo, isso em média, considerando as moçoilas beijoqueiras numa ponta e os senhores de rosto grave e ar de crítico literário na outra da curva de Gauss, como diria a Maria Helena.
Se a minha bexiga nesse dia se comportar como não costuma fazê-lo, eu não terei de levantar-me a cada meia hora para ir depositar a água que vou tomando enquanto fico ali sentado naquela prazerosa sauna que geralmente são as salas de autógrafo de livros, temeroso de uma desidratação. Isso significa que deverei valer-me de 3.750 minutos até que o último leitor, já com olheiras e barba crescida, seja por mim atendido. “No céu os últimos serão os primeiros” será a piadinha que lhe direi, para tentar compensar aquele tempo de espera. Qual tempo?
Se a minha calculadora não me trai, 3.750 minutos equivalem a mais de 40 horas. Ou seja, o primeiro leitor já foi para casa, deitou-se na cama dele, dormiu, acordou no dia seguinte, tomou banho, barbeou-se, foi trabalhar, voltou para casa e eu ali, com um massagista ao meu lado, como se fosse aquilo uma partida de tênis de Roland Garros, a contornar as sucessivas câimbras na mão direita que tanto me atormentarão.
Tomado de pânico, ante a absoluta falta de condições físicas para uma partida desse jaez, se me permitem a má palavra, estou pensando em reduzir meus cálculos, para que, chegando a uns 25 leitores, se tantos, minha saúde não corra os riscos que já me preocupam. Pensem nisso, antes de pensarem em atender ao convite que lhes foi precipitadamente feito.
Escrevo isso, estejam certos, exatamente para mostrar a todos a irresponsabilidade de quem resolveu divulgar que no dia 10 de Dezembro, a partir das 19 horas, na FNAC da Avenida Paulista, haverá o lançamento do aguardado livro Justiça & Caos.
Pense nisso, Cintia.
Esqueça tudo o que ficou dito lá em cima. Terei enorme prazer em dar-lhe um abraço demorado no dia 10 de dezembro. O livro pode não ser grande coisa, mas o vinho branco e os canapés que eles costumam servir nessas ocasiões não são de jogar fora.
Assim o lançamento poderia ser feito na Pacaembu. Acomodaria a galera e aja vinho e canapés! A informação é algo brutal quando dada. O efeito é deveras devastador! Sucesso mestre!
raphaelreys · Montes Claros, MG 28/11/2008 06:15
Meu amigo, que seja no Maraca pois sou carioca, quero te dar o abraço pessoalmente e um livro autografado ( comprado é claro).
Depois desse texto pode preparar muito vinho branco!!!!
Que tal um estádio para 80000 pessoas?
Então deveria ser no alto da glória em curitiba.
Brincadeiras a parte..
Parabéns pelo lançamento e se estiver em sampa na data com certeza pedirei um autografo.
Grato pelo convite.
Abç...
Circus do Suannes · São Paulo (SP)
Vernissage
Muito boa esta mostra da realidade que encerra com venerável comparacáo com o nosso futebo;
Vai ser um Verdadeiro Clássico e alguma bandeira há de aparecer para animar até a vitória final.Parabéns pela Peleja Literária em que só esta introducáo já é um verdadeiro gol de placa.
Tem uma linda passagem pelo campeonato e merece este maravilhoso final.
Parabéns.
Abracáo Amigo.
Vamos lá, galera.
Agora que somos campeões da Segundona, ninguém mais pode conóis!
Mano que é mano é do time do Mano.
Adauto : parabéns pelo inusitado convite !!! Deverei ir até lá te dar um beijo. Já sei que vai ser um sucesso...Bjs Langinha.
Langinha · São Paulo, SP 28/11/2008 09:51Suanes: parabens pelas informações e toda contextualização do convite. Bjos. Grauninha
graça grauna · Recife, PE 28/11/2008 10:02VAMOS LÁ, MEU POVO!! QUERO CONHECE-LOS PESSOALMENTE. Vamos prestigiar o menino. Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 28/11/2008 10:11
Não é o caos de Sumpaulo
que me bota medo não,
é o pavor desgraçado
que eu tenho por avião,
e assim eu perco a chance
de lhe dar um abração!
Desejo de coração
todo o sucesso do mundo,
pois o seu Justiça e Caos
aborda tema profundo
mas não coma muito, mestre
para não ficar rotundo!
Quanto ao verniz, atualmente é muito comum que ele esteja presente nas capas de livros (a última moda no mercado editorial é combinar o prolan - uma espécie de plastificação fosca - com o verniz UV localizado) mas, ainda que o tenhas na capa de teu livro, chamar a sessão de autógrafos de vernissage seria uma licenciosidade. Ao contrário das referidas exposições de fotos ou esculturas. Por quê? Pelo mesmo fenômeno catacrético que permite que embarquemos e desembarquemos de um avião (a palavra refere-se a barco) de um carro ou ônibus ou ainda que os veículos da NASA aterrisem em Marte ou na Lua.
Porém, catacreses à parte, desejo-te muito sucesso no lançamento do livro! e volto pro voto!
Forte abraço!
Estarei lá com certeza...mesmo depois de tão perfeita e assustadora descrição de uma vernissage.Há dee sobrar um abraço prá mim, ora ,ora.
Minha dúvida é: para quem não é do ramo, dá para entender o escrito? São coisas difíceis: justiça , caos, mas confio no escritor
Abraço da Selma
Puxa, Desembargador
Já pensou se seus colegas "overmanos" resolvem aparecer, todos já muito íntimos, "eu sou o fulano, aquele que escreveu aquele poema...", muitos beijos e abraços, a fila não vai andar, vais er um problema! Eu mesma, se estivesse em São Paulo, ia querer autógrafo, dedicatória, beijinho e fotografia...Ufa! Haja paciência!
Mande-nos depois a resenha do livro! Parabéns e sucesso!
Los valores sin precio
Eduardo Galeano
En estos días están ocurriendo, en muchos países a la vez, numerosas manifestaciones populares contra la vocación guerrera de los amos del planeta. En las calles de muchas ciudades, esas manifestaciones dan testimonio de otro mundo posible. El mundo tal cual es transpira violencia por todos los poros y está sometido a una cultura militar que enseña a matar y a mentir.
David Grossman, que fue teniente coronel del ejército de los Estados Unidos y está especializado en pedagogía militar, ha demostrado que el hombre no está naturalmente inclinado a la violencia. Contra lo que se supone, no es nada fácil enseñar a matar al prójimo. La educación para la violencia, que brutaliza al soldado, exige un intenso y prolongado adiestramiento. Según Grossman, ese adiestramiento comienza, en los cuarteles, a los dieciocho años de edad. Fuera de los cuarteles, comienza a los dieciocho meses de edad. Desde muy temprano, la televisión dicta esos cursos a domicilio.
Su compatriota, el escritor John Reed, había comprobado, en 1917, que «las guerras crucifican la verdad». Muchos años después, otro compatriota, el presidente Bush Padre, que había desatado la primera guerra contra Irak con el noble propósito de liberar a Kuwait, publicó sus memorias. En ellas confiesa que los Estados Unidos habían bombardeado Irak porque no se podía permitir «que un poder regional hostil tuviera de rehén buena parte del suministro mundial de petróleo». Quizá, quien sabe, alguna vez el presidente Bush Hijo publicará una fe de erratas sobre su propia guerra contra Irak. Donde dice: «Cruzada del Bien contra el Mal», debe leerse: «Petróleo, petróleo y petróleo».
Más de una fe de erratas será necesaria. Por ejemplo, habrá que aclarar que donde dice: «Comunidad internacional», debe leerse: «Jefes guerreros y grandes banqueros». ¿Cuántos son los arcángeles de la paz que nos defienden de los demonios de la guerra? Cinco. Los cinco países que tienen derecho de veto en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. Y esos custodios de la paz son, además, los principales fabricantes de armas. En buenas manos estamos.
¿Y cuántos son los dueños de la democracia? Los pueblos votan, pero los banqueros vetan. Una monarquía de triple corona reina sobre el mundo. Cinco países toman las decisiones en el Fondo Monetario Internacional. En el Banco Mundial, mandan siete. En la Organización Mundial de Comercio, todos los países tienen derecho de voto, pero jamás se vota. Estas organizaciones, que gobiernan el mundo, merecen nuestra gratitud: ellas ahogan a nuestros países, pero después nos venden salvavidas de plomo.
En 1995, la American Psychiatric Association publicó un informe sobre la patología criminal. ¿Cuál es, según los expertos, el rasgo más típico de los delincuentes habituales? La inclinación a la mentira. Y uno se pregunta: ¿No es éste el más perfecto identikit del poder universal? ¿Qué debe leerse, por ejemplo, donde dice: «libertad de trabajo»? Debe leerse: derecho de los empresarios a arrojar al tacho de la basura dos siglos de conquistas obreras. Se trabaja el doble a cambio de la mitad: horarios de goma, salarios enanos, despidos libres, y que Dios se ocupe de los accidentes, las enfermedades y la vejez. Las principales empresas multinacionales, Wal-Mart y McDonald's, prohíben expresamente los sindicatos. Quien se afilia un sindicato pierde su empleo en el acto. En el mundo de hoy, que castiga la honestidad y recompensa la falta de escrúpulos, el trabajo es objeto de desprecio. El poder se disfraza de destino, dice ser eterno, y mucha gente se baja de la esperanza como si fuera un caballo cansado. Por eso la elección de Lula a la presidencia del Brasil va mucho más allá de las fronteras de este país: la victoria de un obrero sindicalista, que encarna la dignidad del trabajo, ayuda a difundir las vitaminas que todos necesitamos contra la peste de la desesperanza.
Para que no se diga que en Porto Alegre nos reunimos los contreras y resentidos de siempre, aclaremos que en algo estamos de acuerdo con los más altos dirigentes del mundo: también nosotros somos enemigos del terrorismo. Estamos contra el terrorismo en todas sus formas. Podríamos proponer a Davos una plataforma común. Y acciones comunes para capturar a los terroristas, que empezarían por la pegatina, en todas las paredes del planeta, de carteles que digan Wanted:
Se busca a los mercaderes de armas, que necesitan la guerra como los fabricantes de abrigos necesitan el frío.
Se busca a la banda internacional que secuestra países y jamás devuelve a sus cautivos, aunque cobra rescates multimillonarios que el lenguaje del hampa llama servicios de deuda.
Se busca a los delincuentes que en escala planetaria roban comida, estrangulan salarios y asesinan empleos.
Se busca a los violadores de la tierra, a los envenenadores del agua y a los ladrones de bosques.
Y también se busca a los fanáticos de la religión del consumo
(...) com muito tik-tik, a todos, ...
Se busca a los violadores de la tierra, a los envenenadores del agua y a los ladrones de bosques.
Y también se busca a los fanáticos de la religión del consumo, que han desatado la guerra química contra el aire y el clima de este mundo.
El poder identifica valor y precio. Dime cuánto pagan por ti, y te diré cuánto vales. Pero hay valores que están más allá de cualquier cotización. No hay quien los compre, porque no están en venta. Están fuera del mercado, y por eso han sobrevivido.
Porfiadamente vivos, esos valores son la energía que mueve los músculos secretos de la sociedad civil. Provienen de la memoria más antigua y del más antiguo sentido común. Este mundo de ahora, esta civilización del sálvese quien pueda y cada cual a lo suyo, está enferma de amnesia y ha perdido el sentido comunitario, que es el papá del sentido común. En épocas remotas, en lo más temprano de los tiempos, cuando éramos los bichos más vulnerables de la zoología terrestre, cuando no pasábamos de la categoría de almuerzo fácil en la mesa de nuestros vecinos voraces, fuimos capaces de sobrevivir, contra toda evidencia, porque supimos defendernos juntos y porque supimos compartir la comida. Hoy en día, es más que nunca necesario recordar esas viejas lecciones del sentido común.
Defendernos juntos, pongamos por caso, para que no nos roben el agua. El agua, cada vez más escasa, ha sido privatizada en muchos países, y está en manos de las grandes corporaciones multinacionales. (De aquí a poco, si seguimos así, también privatizarán el aire: por no pagarlo, no sabemos valorarlo y no merecemos respirarlo.) Para que el agua siga siendo un derecho, y no un negocio, una pueblada desprivatizó el agua, en la región boliviana de Cochabamba. Las comunidades campesinas marcharon desde los valles y bloquearon la ciudad. Les contestaron a balazos. Pero a la larga, después de mucho pelear, recuperaron el agua, el riego de sus sembradíos, que el gobierno había entregado a una corporación británica.
Esto ocurrió hace un par de años. Defendernos juntos: hablando del agua, otro ejemplo más reciente. El petróleo mueve la sociedad de consumo, como se sabe, y, como también se sabe, tiene malas costumbres. Entre otras manías, se le da por derribar gobiernos, provocar guerras, intoxicar el aire y pudrir el agua. Hace poco, la marea negra, pegajosa y mortal, cubrió la mar y las costas de Galicia y más allá. Un barco petrolero se partió por la mitad y derramó miles y miles de litros de fuel-oil, con la irresponsabilidad y la impunidad que se han vuelto costumbre en estos tiempos en que el mercado manda y el Estado no controla nada. Y entonces, ante un Estado ciego y un gobierno sordo, que no hizo más que encogerse de hombros, los músculos secretos de la sociedad civil desataron su energía: una multitud de voluntarios enfrentó la invasión enemiga a mano limpia, armada de palos y tachos y lo que se pudiera encontrar. Los voluntarios no derramaron lágrimas de cocodrilo ni pronunciaron discursos de teatro. Defendernos juntos y compartir la comida: una tonelada de comida y de ropa llegó recientemente, en tren, al rincón más pobre de la provincia argentina de Tucumán, donde hay niños que mueren de hambre. Y ese envío solidario provenía de los cartoneros, los pobres más pobres de Buenos Aires, que se ganan la vida revolviendo la basura pero son capaces de compartir lo poco, lo casi nada, que tienen.
¿Cuál es la palabra que más se escucha en el mundo, en casi todas las lenguas? La palabra yo. Yo, yo, yo. Sin embargo, un estudioso de las lenguas indígenas, Carlos Lenkersdorf, ha revelado que la palabra más usada por las comunidades mayas, la que está en el centro de sus decires y vivires, es la palabra nosotros. En Chiapas, nosotros se dice tik. Para eso ha nacido y crecido este Foro Social Mundial, en la ciudad de Porto Alegre, modelo universal de la democracia participativa: para decir nosotros. Tik, tik, tik.
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Tomado de:
Página/12, Buenos Aires, miércoles 29 de enero de 2003.
Nem saiu o livro e o Cleanto já faz um comentário desses! Imagino o que virá depois de ele o ler. Quem for à catacrética vernissage poderá conferir. Aliás, só não o lerá quem não quiser, pois evitei, dentro do possível, o maldito juridiquês.
c.d.s,
quem me dera!
bem que gostaria, verdadeira verdade.
mas...
te desejo todo o sucesso do mundo
e toda a paz!
Gostaria muito de ir
Mas não tem como
Imagine Dr.Suannes, trabalhando no INTERIOR do RS
Mas desejo sucesso pleno .
Comprarei sua obra .
onde vc arrnja um cuore assim açucarado..?
belo Circus. Olha é valioso sim, afinal é seu então o pessoal ganha 2 presentes...o lilvro e seu abs.
Justiça & Caos.
ah é importante sim.... carregado de afeto, vc ainda disponibiliza o afeto e junto com o livro vem esse abs....
carregado de carinho..
Que beleza de texto meu amigo, Circus,
é pena que eu não poderei comparecer mas se eu morasse aí, jamais perderia essa oportunidade. principalmente pelos canapés e vinho servidos nos vernissagens. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Meus parabéns, meu caro migalheiro! Estaria lá se pudesse. Felicidades. Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 28/11/2008 23:36
Dr. Suannes, muito prazer!
Belo texto-convite, excelente!!!
Desejo super sucesso no lançamento.
bj na alma!!
Ínclito Escritor e Mestre.
Maestro acontecimento
Essa tal de vernissage,
Fico a imaginar a imagem,
Do livro o lançamento,
E até fico sem argumento
Pra dizer que não estarei aí,
Ando mui amarrado aqui,
Sair daqui não consigo,
Mas mando, Mestre Amigo
Meus parabéns pra ti!
Mano Meira.
Muito original.
Que tenha uma fila enoooooooooooorme pra te dar uma canseira.
Pena que não posso ir. Fico aqui torcendo. Parabéns.
bjs
Suannes,
O livro já é um sucesso, perssupuosto !!rsrs
Hay que aprender hablar español ?
Minha filha quer uma dedicatória, eu também! Ah! Minha mãe tem uma tia....Rsrs
haja justiça pra todos !...pq caos, ahhhh !!!...esse vai abundar !
eu me unto, passo por lá escorregando no caos, que nem sabão, e chego pra te dar abraço merecedo, meu "velho" !
Adauto : Lá esteremos para abraçar muito você...Vc é um batalhador, voce merece todos os elogios...Votei em vc...Bjs Langinha...
Langinha · São Paulo, SP 30/11/2008 12:31
vou lhe economizar uns ótimos minutos omitindo minha presença nessa vernissage
motivo:
incomoda esse cheiro do verniz
ainda usado (vá lá) hoje em dia
pra conservar e dar brilho às testas desses escritores caras-de-pau
(ah, mas se toda publicidade viesse proseada desse jeito - estaríamos sufocados de tanta arte)
abraço do fã
Parabéns,Suannes!!
'Justiça & Caos', só o título já é um convite e tanto!
Que seja um sucesso!
Se pudesse, iria, compraria seu livro, não dispensaria o autógrafo nem o brinde com o vinho branco!
um beijo bluecarinhoso
Blue
Entre Justiça & Caos, está uma grande comunidade de caras-de-pau. Com a vaidade sempre em moda, deve caber um verniz, senão na capa do livro, na face dos autores de muitos desfavores que devem ter ajudado a provocar a produção da obra de arte que será lançada ao mundo no dia em que ficarei me matando de inveja dos que enfrentarão uma quilométrica fila para receber o rico autógrafo do desembargador-artista.
Resistência, Suannes, a leitura do Migalhas me diz que a fila já se está formando.
Salve, Suannes!
Que o momento seja harmonioso
com os melhores amigos por perto,
os melhores leitores teus
e tantos fãs quanto mereceres.
Parabéns!
Abraço Pantaneiro.
Sobre a enchente em Santa Catarina?
Meus amigos,
Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui no nosso vale do Itajaí e toda a nossa região : Brusque, Blumenau, Balneário, Gaspar, etc...etc...etc....
As fotos que circulam na internet e os telejornais já nos dão as imagens claras de tudo que aconteceu então não vou me estender narrando e descrevendo as cenas vistas nestes dias. Todos vocês já sabem de cor. Eu quero mesmo é falar sobre lições aprendidas.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em todo o vale do Itajaí, nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Jeová, Jesus, Alá, Buda, etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
- Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas (uísque principalmente) e cigarros
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediram 3 reais por um humilde pãozinho num moemento em que não se tinha nada para comer
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 150 reais por um botijão de gás.
- Que cobraram 5 reais o litro da gasolina para pessoas que usavam seus carros para socorrer outros em pior situação
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não ter suas casas saqueadas ou "muito cheias de gente"....
- Que não sentiram preocupação por ninguém, e, com certeza, algo está errado em seu coração.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
- Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas.
- Aos Médicos Voluntários.
- Às enfermeiras Voluntárias.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles qu
( ...) continuação (...) enchente em Santa Catarina, ...
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.
- Aos vários caminhoneiros e algumas transportadoras que cederam e ainda cedem espaços nos caminhões para transportar água, comida e roupa para tanta gente que perdeu tudo que tinha....
Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:
COMEÇAR DE NOVO
Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar
Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
Anônimo
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.
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Circus do Suannes · São Paulo (SP)
Vernissage
É o que se pode dizer ser um lancamento de peso
realment tem todos esses aspectos relacionamento com as coisas da vida e do mundo referentes a este evento que sempre é admirável ainda mais este que tem as suas caracteristicas especiasi de notoriedade do Autor.
parabéns.
Abracáo Amigo
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