Por tempos se calou. Tentou algumas vezes se entorpecer para falar, ou para esquecer. Descobriu q não podia mais viver escondida sobre si mesma. Ansiou, porque não soube que notas tocar. Uma sinfonia muda? Nem a nudez vulgar e nem um disfarce banal.
Isso já não a interessava mais....
Queria soar mais alto... Não sabia como...Caprichou um enredo imaginário... Tentou a eloqüência, queria o êxtase da melodia perfeita! Não foi perfeita... Teve dúvidas sobre seu talento, e se frustrou, mais uma vez...
Lembrou que o ouvido alheio nem sempre está preparado!
Também no caos está a ordem...! Um silêncio preciso. A magia da dúvida. Gritou alto e certeiro! Pôde escutar o eco. Não agradou a platéia... Mas estava feliz! Pôde ouvir a si própria! Ganhou o direito de tentar mais uma vez.
E então foi tocar longe dali... Endorfinas pulsavam com a corrida utópica. Percebeu o êxtase de cada passo, achou o timbre! Ouviu os aplausos depois. E aprendeu que, se um ouvido se fecha, uma nota morre...
Vou chorar.
Te juro que parece que fui eu que escrevi isso.
BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
(haouhaouhaohoua)
Pq é EXATAMENTE assim que me sinto quanto ao que eu faço de melhor, que é escrever - imagine as coisas que eu faço de pior - , desde sempre, dentro de minha carreira...
Parece que nunca é o suficiente, ou vc fala e os outros não entendem. Parece outra sintonia, parece que es´ta tudo, TUDO mesmo, vendido, rendido, que tudo já faz parte do sistema... E olha que eu só tô falando de jornalismo, estritamente disso... Imagina se fosse falar do resto.
Bom, pra resumir, parece que vc resumiu neste texto - poema, sei lá, como queira chamar -, a minha experiência no meu primeiro estágio em um jornal. Sem tirar nem pôr.
gostei também.
sugestão: eu colocaria no final..."um ouvido se fecha e uma nota se abre"
Eita, Daia, mas é justamente o contrário...
Carol Kalil · Rio de Janeiro, RJ 22/5/2006 12:33
Pra ouvir uma canção dessa, eu fico antenado o tempo todo. Rsrs...
Adorei!
Muito bom, Isabel - parte de uma idéia boa. Lembra Clarice, como a ação externa parece tão pequena perto de tudo que acontece por dentro da personagem, como ela interioriza tudo.
Implico um pouco com a palavra "endorfina" - tira um pouco a sensação onírica usar um termo tão científico, mas vai ver essa é a sua intenção.
parabéns, tem o meu voto!
J.
Ah, por falar nisso, estou postando no Over de outra pessoa, eu não sou o Beni Borja, sou a Julia, hahaha.
J.
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