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desvairada, me furto de teu beijo.
não que ele não me afogue
em águas revoltas,
mas o gole de vinho foi longo,
e a uva era especialmente ácida
e assim me dissolvi na taça,
e me perdi do beijo.
não poupe minha tonta voracidade,
eu ando com os pés descalços
sobre os tapetes de tua sala,
sou a gata que espia sobre tua almofada,
a cadela que brinca com tuas meias.
me beije de novo, e feche
teus olhos castanhos
(estranhos beijam de olhos abertos)
me empreste seu paletó,
que sinto frio na nuca
e calor no ventre.
e tente,
me beije de novo, e feche
tua boca
mordendo minha língua
sugando meus lábios,
(os sábios não esquecem de cheirar
cada pedaço de corpo)
absorto, me conte os segredos de tua pele,
e rele tuas pernas
nas minhas pernas.
me deite sobre você
e não pense,
se faça de sentidos,
deixe que o sabor do vinho
(na língua uma tinta
de uva madura)
oriente seus dedos,
pense com seus dedos,
revolva minha carne,
tempere ela com vinho,
e faça dela o país de teus sonhos e medos.
tags: São Paulo SP poesia poema vinho
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