Em 1998, Sergipe estava assim. Tucanos e PFLISTAS cumpriam normalmente o acordo tácito e mantinham o ciclo de poder. As oligarquias políticas continuavam a eleger seus entes de sangue e praguear o conformismo político como uma aparência permanente. As oposições pré-lulinha paz e
amor ainda não tinham etendido as regras desse jogo, e apenas beiravam o processo de decisões políticas no estado. A Bahia continuava a cuspir o melhor e o pior de sua cultura popular, fazendo uma sombra enorme por aqui.
Nada fácil. Mas em vias paralelas a música coexistia com essas realidades. Sempre erguendo-se por cima da baixa estima culturalmente arraigada entre os conterrâneos do cacique Serigy, movimentos e representantes culturais surgiam e morriam em Sergipe. De cabeça me vêem
festivais como o Rock-SE,Rock em Bica e o Fasc de São cristóvão. Eram manifestos ao vivo de quem quer falar e marcar com veemência sua expressão sobre a terra em que nasceu, simples.
Felizmente esses ciclo temporais sempre deixam restos mortais, frutos nas cabeças de quem faz e de quem vê essa rapaziada tentando se expressar. Daí é que peço licença e encaixo a VITAIS. Éramos uma banda normal, feita por pessoas normais (nos shows ninguem levava fé que
aqueles guris iriam entonar sequer um RÉ!), mas que tinham algo a falar. Aprendemos juntos a tocar, descobrimos juntos as influências que nos chegavam, aprendemos junto a beber, a pegar mulher, a fumar, e nesse meio tempo íamos fazendo música.
Como principal compositor, de mão grande coloquei todas as minhas influências na mesa: Nirvana, Science, Metallica, Grunges, Roberto Carlos, Pixies, Radiohead,Raimundos, Sangue cinematográfico, Jornalismo e uma pá de coisas que na primeira etapa das composições entornou e deu liga no caldo.
E deu peso. P.Q.P como era massa desafinar as cordas e sentir a reverberação das caixas ruins pedirem arrego meu deus, Era foda. Ao redor víamos a molecada crescer junto e torcer pros grandes nomes daquela cena como SNOOZE, KARNE KRUA, WARLORD ou LACERTAE conseguirem pular do cenáio local e estorar no mainstram musical. Não, não éramos indepedentes. Depéndíamos e muito da colaboração dos amigos, das bandas, dos pais. Da grana. Até da podreira em que se refestelavam nossos políticos e buirguesia locais para servir de inspiração.
É esse cenário que eu tento passar pra vcs agora, caros overmundonautas, para construirmos essa viagem coletiva e condicionada, para poder entender melhor o que era a VITAIS. Sem desculpas, mas apenas para contextualizar o que na minha cabeça foi mais uma época massa para o caminhar da cena roqueira sergipana.
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