É gélido e constrangedoramente compensador vermos, afinal, um inimigo morto. Tenra época essa, meninos e meninas, em que nossos párias eram reconhecíveis. Tinham bigodes, túnicas, boinas vermelhas, botas bem lustradas, espadas japonesas, armaduras, e todos sabiam seus nomes.
Não à toa, de 1999 para o ano 2000 escrevi essa música nominada como "Terras de Saddam". Não lembro ao certo o que me despertara tal sentimento pelo velho tirano iraquiano, mas sentia um desejo imenso de dar cara e imagem àquilo que eu queria bater.
Pertenço a uma geração meio sem líderes meio sem inimigos, pois na verdade todos os são. Nossos medos não têm mais nome e endereço, são alegóricos. Por isso, há 6 anos atrás preferi matar assim Saddam, por meio de palavras, e com um riff enjoadíssimo, numa levada bastante influenciada pelos beats do Asian Dub Foundation, numa velocidade perto de zero, diga-se de passagem.
Com a morte de Saddam, dias depois da de Pinochet, dois ícones da tirania e malevolência humana, revi assim o surgimento dessa canção, como um hino à nossas indiossincrasias veladas como lampejos de atitude, sem inimigos pela frente e com medo de quem vem ao lado.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!