Em dias de São João, São Pedro ou Santo Antônio, Vô Joca largava mão de ser uma pessoa adulta, séria, daquelas cheia de compromissos. Nestes dias vivia no meio da criançada. Onde tinha um grupinho lá estava ele todo serelepe.
Gostava das cantorias, dança de fitas, de quadrilha; de curtir a fogueira e de poetar com as estrelinhas no céu.
Soltar rojão era seu forte só pra ver a molecada feliz. Era doutor nesta modalidade. Neste momento ele era o centro das atenções. A metamorfose era fantástica. Sua infância em instantes renascia do passado intensamente vívida no tempo.
Entre a gurizada se destacava como sendo o mais sapeca. Sua alegria e seu espírito infante vinham à flor da pele. Era impossível ficar quieto ao seu lado.
Vô Joca definitivamente preferia a presença das crianças e suas geniosas brincadeiras, peraltices, no lugar das conversas triviais, interesseiras e enfadonhas dos adultos.
E ele nem dava bola se estava agradando ou não as conveniências. O que ele queria mesmo era festança e ver os curumins plenos de alegria que nem cabritinhos indomáveis soltos e pulando no terreiro de chão batido.
Era perca de tempo Vovó Joana querer chamar sua atenção ou insistir que ele fosse o anfitrião da festa. Era pedir demais pra sua cabeça branca de menino eterno.
Neste dias de alegria e comilança: arroz doce, bolo de amendoim, canjica, broa de fubá, pé-de-moleque, cocada, quentão, batata doce assada, milho verde e muito mais, vovô chutava a barraca, abandonava sua bengala e dava uma banana pra seu regime alimentar.
Jbconrado*
...vovô chutava a barraca, abandonava sua bengala e dava uma banana pra seu regime alimentar.
Vô joca me lembrou agora o meu pai,Ele é o unico avô do meu filho, isso é muito bom, eu perdi meu avô paterno quando eu tinha três anos, o materno foi embora quando a minha mãe era criança, ótimo texto, abraço.
elindsant · São Paulo, SP 7/9/2011 15:39
Adorei!!!!!A vida é um grande vai vem de lembranças e emoções. Voltar à ser criança em alguns momentos nos faz esquecer a realidade dura da vida, que só a maturidade conhece. A vida traz sabedoria, mas é muito bom experimentar a sensação de viver a infância novamente.
Bjos.
Meu pai dançava assim no quintal, no meio dos pés de couve, alface, cebolinha, almeirão. Quando chovia, sua horta era um quadro vivo em tons de verde. Pra ele era uma festa.
meu pai era muito tímido.
Viu como sua poesia faz bem pra gente?
Beijão
... que lindo. tão bom voltar a ser criança-feliz!
Rose Rocha · Jundiaí, SP 23/9/2011 15:12
O pior é que quando voltamos para o nosso mundo infantil (que todos deveriam conservar) acham que já estamos caducos. Que maior alegria é brincar com a tenra vida, junto as crianças e netos, cantar e ser feliz, sorrir, coisa que muita gente não faz. Pois voltados estão para os problemas (que eles criaram), para a contas e para resmungar, a reclamar que o mundo é mau?
Esses adultos não sabem viver...
Muito bom o texto, ele só não podia chutar a barraca dos doces rsrsrs.
abraço.
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