Você está parado, em casa,
sozinho
bebendo e fumando
compulsivamente.
Você sempre estragou tudo
sempre viveu o errado;
ignorou o certo, e
cuspiu nos erros
passados.
Você nunca
aprendeu.
E você se lembra dela;
do carinho dela;
da boca dela;
e tudo lhe faz pensar
nela.
E você bebe mais, e pensa
como fez tudo
errado.
E você quer sair de casa
quer caminhar como
um vagabundo pela rua.
E você pega a chave
de casa
e sai
de casa. Mas você é esperto.
Você pega os cigarros e
a sua última garrafa
de vinho.
Você não está perdido,
ainda.
E caminha sem rumo.
Caminha e caminha...
E de repente
você está parado na
frente da casa dela
e brinca com o cachorro
dela.
Idiota! Você nunca gostou
de cachorros.
E você pega uma pedra. E vai
jogar na janela dela.
Você precisa falar com ela.
Idiota!
Você está bêbado e nem
tirou o cigarro da boca.
Idiota!
E a chuva começa a cair.
E você ainda está parado
na frente da casa dela
na frente
dela, molhado.
E a pedra está na sua
mão.
E o cachorro dela sacode o rabo.
E você toca a pedra na janela
e erra.
Idiota!
E você toca outra e espera.
E ela aparece.
E você sacode o rabo para
ela.
E ela está diferente, não
parece ela, lá longe
na janela.
E ela não aparece na frente de
casa.
Ela não vai falar com
você.
E você joga outra
pedra.
Ela aparece novamente.
Com um telefone na mão.
E você sacode o rabo novamente.
Idiota!
O tempo passa e nada
dela.
E nada
dela.
Uma viatura de polícia
aparece. E nada
dela.
E eles te tocam para
dentro do
carro.
E você olha pela janela
e lê uma placa.
Idiota.
Não é o bairro dela,
nem a rua.
Você não estava na casa
dela. Idiota!
E os policias
gentilmente
batem um pouco em você.
Apenas
um pouco de realidade.
E te jogam na frente da sua
casa. A sua casa
mesmo.
E você procura as chaves e
entra. E pára na frente do computador
02:31.
Você não quer a realidade, não
é mesmo?
Você começa a escrever
e você não é mais
você.
Idiota!
Os dedos digitam forte
e você escreve:
"Você..."
Um estória, um pedaço de tristeza...bebida e cigarros, vida de cão...
Bacana seu texto
Muito bom! A originalidade do texto, a compulsão, o porre e as idiotices feitas pelos apaixonados abandonados, o ritmo frenético de uma mente idiotamente bêbada... Não deixei de pensar no José do Drumond e o ciclo vicioso que promete reiniciar no "você..." não me deixa esquecer Budapeste, do Chico. Muito bom mesmo!
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 19/9/2008 12:39
Muito interessante... perfeita ironia .Adorei.
Nels Belo · Feira de Santana, BA 19/9/2008 13:24Sposamante, filme com . Ele vê na janela a mulhe que perde. A falta traz revelãções
Compulsão Diária · São Paulo, SP 19/9/2008 20:31
Rafael,
levando ao banco este
intrigante poema que entre erros
e nenhum acerto chegou
a um final final programado.
( por você)
bjsssss
Um exelente texto.
Erros e acertos fazem parte da vida.
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