Foto: Flickr/Creative Commons
I
Quando a noite
(Ao coito) se entrega,
O poeta alça seu sagrado masculino ao céu,
Faz-se de morto - vela o espírito do sexo.
Tudo faz e cria poeticamente. No entanto,
Não vê que seu intermitente poema,
Porque precoce ejacula desmedidamente
Sob o cálido broto do cálculo;
Gosma solitária da multiplicação
Dos pães...
Pois que estando a par da símile turnê e poupar-me,
Penteia a franja do vento,
Entrega-se à sórdida nudez de Mim,
Oh! Vida minha,
Qual enigma do inseto -
- Vôo da genitália
Á porfia do acocho e das agruras
Do vazio.
II
Calo-me à tarde de poesia
E a canção alaga-me o peito...
Tão-somente porque cobiço a cópula da noite,
O códice do tempo...
Apláudo pois, em vez de coagir a madrugada
- Brocardo empanado da morosidade peniana -,
Acossar o prepúcio do medo
No-lo há de arvorar à-toa
O acinte da verve.
III
Despe-se
A genitália da palavra - o medo:
Abdução cruel da fome
À baila do ato
De impelir à boca
Gramáticas sado-masoquistas,
Sobretudo implorando-a
Que covardes abortos póeticos
Não prosperem.
Despe-se
A ferrugem da idade – a audácia:
Locução adverbial da fala
Que atravessa corpos como faca afiada.
Cio que fode o texto, a elegia,
Enoja o pênis do equilibrista:
Elo lustrante do cigarro,
Ás de clímax galado
Às avessas do poema
Quando bafora seus primeiros respingos
De borra e lanternagem
Qual célere cervo - álibi do coito:
O medo? Se vo-lo disser, não o crereis
Tal o boquiabrir da língua,
O asno-estorno de mim,
A afta-falação,
A contramão, o fim.
Benny Franklin
Benny
Sempre perfeito, profundo que vem à tona...Perfeito.
bj
OS HF
Benny. Gostei muito desta colaboração. É digna de figurar na lista dos bons conteúdos no sítio. A foto em preto e branco deu um peso bom ao texto. Use como quiser aquela imagem da folha, na colaboração PEGA LEVE, além de outras que por ventura você achar interessante no arquivo do meu perfil.
Grande abraço.
Benny, interessante a elaboração de teus textos. Palavras bem aplicadas nos momentos certos. Gostei.
Paulo Esdras · Brumado, BA 1/12/2007 18:45
Benny.
Teus poemas soam como metralhadora derrubando as mesmices humanas. Este é esplêndido!
A construção é irretocável!
Avante, Mestre das palavras!
Sinceramente,
Caio.
Benny, o atrevido que sabe usar e abusar das palavras.
abço.
Querido Benny:
Às avessas do poema
Quando bafora seus primeiros respingos
De borra e lanternagem
Qual célere cervo - álibi do coito:
O medo? Se vo-lo disser, não o crereis
Tal o boquiabrir da língua,
O asno-estorno de mim,
A afta-falação,
A contramão, o fim.
IMPECÁVEL!
PERFEIÇÃO...
Arte é isso... Ultra_passa o "sujeito"
Atravessado estás...
Beijos_Meus*
*
Benny, Benny, Benny
Que espetáculo! Por vezes me pego a gargalhar no meio da leitura de seus poemas, não que não sejam sérios, não. É que eles, seus poemas, me fazem farfalhar sentidos múltiplos, subjetividades em fogos de artifício. É um prazer indizível. E que prazer...
Um fraterno abraço
Mansur
benny, parceiro.
desculpa a demora, estava ausente.
Mais um belo poema para remexer nossos sentimentos.
Abraços
Noélio
Beeeenny, louco teu poema!!!
Simplesmente delirante!
Beijos, amigo!
Benny, sabes de mim e como ando maloucamente ocupada mas este poema é daqueles que a gente não deveria esquecer nunca e aqui só vou repetir o que já sabes, sou tua admiradora e me pareces cada vez melhor como um verdadeiro Mestre.
Bjs querido
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