Foto: Carlos Rocha/Flickr/Creative Commons
Voar sob o vazio da palavra
É como constranger a sexualidade mortal
Do gozo terrestre - e dele subtrair o gole de vida
- Que tanto preciso.
Há! Há uma vida a revelar-se nas vicissitudes dos ares
Que afiam e movem as espadas do Poeta...
Logo penso e atiro...:
Se congelássemos a ejaculação do silêncio,
O quê, então, ocorreria com as lubricidades das flores,
Quando desmaquinássemos ideologias que apenas apodrecem
Sobre ruas e praças e que só sabem acolher lágrimas
E corpos?
........................
Combater flagelos dos lamentos civis
É como (se) ocupar milhões de palavras:
Umas improdutivas, outras sedentas de lógica.
É como (se) roubar a proeza de alojá-las
Sobre o latifúndio da lúgubre omissão...:
Porque (entendeis bem) da lágrima soa um silvo egocêntrico
E é como se amolássemos os dedos do instante
Até que eles nos ensurdecessem de sacrifícios
E estourassem os tímpanos que, no poema,
Resiste de pé.
........................
Não obstante a voracidade das alturas
Vomitar o céu e o inferno sobre as nossas cabeças:
Joio e trigo não nos ajudarão a fotografar
A despedida do vôo do albatroz!
E porque (também!) o grito dos morto-ricos
Não é a plenitude da verdade excitada...
E porque (também!) o sexo exercitado
Propicia aos espermas solteiros lúcidos e divinos bofetões,
Que só resistem de pé (e úteis...) quando são esbofeteados
Pela saliência humana
– Que nada goza! Que nada ejacula.
........................
Lá fora um pássaro exercita o membro ereto
E murcha-se sob um semblante endêmico,
Cujos braços e pernas enquanto são apenas poemas civis
Dão-se legítimos às doutas excitações,
Mas logo se gozam de primeira...
Lá fora a madrugada dá o tom que o ombro redivivo esnoba,
Porque (também!) não se afasta resignado da dor...
E porque (também!) protegido da noite solitária,
Presta-se ele a se esconder na remissão de nossas dúvidas:
- Mas quem não as têm?
........................
Aqui - e agora - abuso das horas e das horas,
Mas não recorrerei àquele velho sonho de ontem...
Aqui - e já é tempo de colheitas - atiro-me compulsivamente
À verve, enquanto o remorso fervilha minha solidão.
E porque (também!) a lembrança está em Ti, Amor!
Não foi justo desprezar-te...
Mas, assim mesmo ouso indagar-te abismado:
Oh! Amor de minhas provações,
Diga-me o tempo que me resta para que a face da terra
Receba esforçada esbofeteada de mim?
Diga-me - e não me recuse a fala -,
Em que argamassa ou em que barro cozido,
Mergulharás teus inumanos prantos?
Benny Franklin
Se congelássemos a ejaculação do silêncio,
O quê, então, ocorreria com as lubricidades das flores,
Quando desmaquinássemos ideologias que apenas apodrecem
Sobre ruas e praças e que só sabem acolher lágrimas
E corpos?
Quanto tempo falta Benny?
Choro aqui....ouvindo ao fundo "Songs of Silence...
um abç.
Benny,
Estarei esta semana afastada ...qualquer coisa mande e mails...Estarei vindo qdo. puder para votação e edição dos teus...
Recebeu meu e mail do cv?
Vim ate aqui reler ...
Boa semana...
bjus.
Bom dia Benny!
Linda imagem em belíssimo ALBATROZ!
Mas lindos são os vôos que nos ensian a dar.
"Voar sob o vazio da palavra
É como constranger a sexualidade mortal
Do gozo terrestre - e dele subtrair o gole de vida
- Que tanto preciso."
Mais uma vez, parabéns!
Grande abraço!
BENNY,
que lindo teu texto... que belo "voar sob o vazio das palavras"
e ver que nada em teu texto é vazio!
Abçs de Betha.
"Há uma vida a revelar-se nas vicissitudes dos ares..."
Há sempre muitas vidas a revelar-se em toda parte... Nós é que não vemos.
Benny,
Parece que hoje estamos todos mergulhados em "inumanos prantos"... Será o tempo... ar seco, baixa umidade do ar? Que as lágrimas sirvam ao menos para tornar o ar mais respirável...
Abçs...
Belo voo das palavras e do albatroz. um abraço
j.alves · São Paulo, SP 24/10/2007 01:35
Etá menino danado de bom. O poeta das palavras mágicas.
Abraços
Elizete
Beleza! Estamos aqui para ler e votar vitorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 24/10/2007 19:46Madrugada que inicia... ao fundo, sonoro como um vôo de albatroz por sobre as águas dos mares de sal, Led Zeppelin abrindo com "Custard Pie" o cd duplo "Physical Grafitti", imprescindível... O silêncio da madrugada quebrado por guitarras, baixo, bateria & voz de Page, JPJones, Bonham & Plant... Tua poesia arrebentando furiosamente o quebramar das mesmices... Eis Benny e sua dose certeira de verve/catarse/lítero-libido escorrendo do bico de pena de sua incessante esferográfica transmutada em caracteres solidificados no world wild web... Benny, born to be wild... Sure!
Pepê Mattos · Macapá, AP 25/10/2007 01:19
Ao ler Benny Franklin, vejo-me num caleidoscópio de frases, e minha mente brilha, reflexo da luz irradiada pelas palavras de seus versos...
Grande abraço e obrigado por nos proporcionar estes momentos
Vim votar e descubro-me voando entre tuas palavras que desenham céus e caos de mim.
Até....
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