Ela era uma pessoa que gostava de movimentar as coisas. Decidida, espirituosa e às vezes também imprevisível.
Quando o povo perrengue precisava, corria atrás de seus raminhos milagrosos. Sua reza era forte e quase sempre infalível. Até o Padre lá da paróquia respeitava seu tão nobre dom.
Esta era Vovó Joaninha. Frágil só no nome. Benzedeira de Santo forte e Poetisa quando seu coração insistia em sair pela a garganta.
Era devota de São Francisco. Por isto mesmo vivia distribuindo o que tinha para os menos favorefecidos. Qualquer descuido da família os guarda roupas e os armários da cozinha ficavam vazios.
Contudo Vovó tinha uma coisa que incomodava seu querido genro. Ela não largava de seu pé. Tinha mania de perseguição. Achava que o pão quentinho que ele fazia toda manhã, antes do galo cantar, estava envenenado com Aldrin. Por isto mesmo, só comia do pão depois que seu genrinho querido comesse o seu todinho, todinho e nem farelo sobrasse.
Mas Vó Joaninha era acima de tudo uma pessoa singular. Gostava de contar histórias de onça prá criançada ao redor da fogueira, principalmente em noites escuras quando a Lua não aparecia. Quando a molecada já estava todos de olhos arregalados, quase mijando nas calças; Ela era a primeira a correr e cair na gargalhada.
Mas era uma pessoa afetuosa e de boa índole, quando não estava de veneta, é claro. E quando subiu pro andar de cima, todos sentiram a sua falta e os dias espicharam, ficaram compridos, compridos. A noite de tão triste perdeu a voz.
Porém a parentaia toda se uniu, resolveram as pendengas entre si e não deixaram a alegria bater em outra porta.
Afinal Vó Joaninha continuou viva como um elo de Amor em suas memórias e todos sabiam que sua passagem de volta à casa do Pai foi serena... Livre como um passarinho voando no infinito azul do céu.
jbconrado*
Afinal Vó Joaninha continuou viva como um elo de Amor em suas memórias e todos sabiam que sua passagem de volta à casa do Pai foi serena... Livre como um passarinho voando no infinito azul do céu.
Rastros azuis de luminosidade humana! Abraços.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 8/7/2011 14:06
Que bom, bela história melhor ainda é que o mundo está cheio de vovós joaninhas, o ensinamento a tolerância a humildade e o prazer de se doar ao semelhante são dádiva que vem do Criador. Bela lição poeta. Um abraço
MartaLucena · Natal, RN 25/7/2011 09:06
As pessoas merecedoras ( dizem ... ) morrem serenamente e sem engasgar com pão...
Um beijo !
Amigo!
Além de uma bela narrativa... a sustança de generosidade presente, nos anima no sentido da vida compartilhada no amor. O que cada vez mais tem desaparecido num mundo que conceitua humanos à coisa!
Abraços
Lindos, tudo muito bonito, tudo muito bem posto.....
adorei a capacidade de "feitura" dos braços de Vovó Joaninha,
me recordou tanta coisa
abraço
A benzedeira é uma figura que está desaparecendo da nossa cultura,mas as que resistem ao desenvolvimento ainda prestam um magnifico trabalho espiritual a quem acredita.É importante que,sabendo do processo de extinção dessas pessoas possamos trazer para a literatura o bem que fazem às comunidades mais carentes.Parabéns,amigo.
Cezar Ubaldo · Feira de Santana, BA 5/10/2011 19:10
belas imagens amigo poeta,
a poesia e a imagem propriamente dita...
ABRAÇO,
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