Dois sonetos e uma balada
de aniversários
Anibal Beça
Setembro me agasalha nos seus galhos
e de amor canto no seu verde ventre:
Eis a ventura vaga em danação,
bronze canonizado nas cigarras.
O canto é breve, fino, e já anuncia
o inconfundível som do último acorde:
aquele dó de peito em nó estrídulo.
Como Bashô sonhara, é despedida
que mal se sabe, é morte anunciada,
canora liturgia sazonal.
Em setembro me mato e me renasço
em canto livre, rouco, sem ter palco,
representando de cor e salteado
o meu 13, que é fado e sortilégio.
II
Esta manhã me acorda para a vida
vinda com luz amena no meu rosto.
Pela janela os raios em descida
são aspas de uma lauda sem desgosto.
Das queixas não me queixo na acolhida
pois somam menos que o maior imposto.
Vale essa vida até aqui vivida
no tom alegre em que me trago exposto.
Mas não me escoro no dever cumprido
porque de ver em muito haver implica
por este olhar ainda não vencido.
Quisera essa alegria que me fica
chegar ao chão de muito irmão ferido
de vida desigual que não se explica.
III
(Em tom de confissão e um ameno pedido)
O que vi e o que não vi
passam como fotogramas.
São 59 imagens
quadro a quadro em tantas tramas.
Uma linha descaída
passa no passo veloz
cadência da minha vida
maçaroca de retrós.
Ganhei mais que merecia.
Feliz, de nada me queixo:
do meu par e dos 3 filhos
2 netos nos quais me deixo.
Melhores que eu de bondade.
na arquitetura da paz
e pelo dom da amizade
a dádiva mais sagaz..
Muitos amigos do peito
freqüentam meu coração.
Mas se a outros desagrado
a eles entrego a mão.
Minha vida vai nos versos
diversos na cantoria.
Todo dia aprendo mais
do segredo da poesia.
Esta paixão que me entranha
é mel e fel, quem diria!
Cavalo de muitos sonhos
rompendo nuvens do dia.
Termino pedindo à Parca
viajar noutra canção
que tanto tenho a cantar
fagulhas de sedução.
canto é breve, fino, e já anuncia
o inconfundível som do último acorde:
aquele dó de peito em nó estrídulo
O que falar deste lírico?
Aplausos de pé. ab
Cíntia querida, vc. sempre tão generosa com meus escritos.Neste caso, poemas de aniversários sempre são circunstanciais; daí o título que os anuncia, mas Manuel Bandeira dizia que 'todo poema é circunstancial'.E concordo com ele. Obrigado pela leitura e comentário.
Beijos muitos
Anibal, é sempre um prazer te ler.
Abraços.
Anibal, só mesmo alguém que esbanja talento como você, poderia nos brindar num só pacote, com tão belas poesias. Abraços e voto.
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 12/6/2008 05:44
Das queixas não me queixo na acolhida
pois somam menos que o maior imposto.
Vale essa vida até aqui vivida
no tom alegre em que me trago exposto.
ótimo, como sempre
um abraço
eg
Anibal, vc dispensa comentários, mas destaco :
" Esta paixão que me entranha
é mel e fel, quem diria
Cavalo de muitos sonhos
rompendo nuvens do dia"
Peço desculpas aos amigos por não ter respondido logo aos comentários tão simpáticos. O meu diabetes andou meio descontrolado, com taxas de glicose subindo, e consequentemente, problemas com a neuropatia periférica.Mas já estou na lida.
Abraço grande a todos
Anibal, lindo como sempre, lindo demais!
Que versos! Lindas imagens pairam agora, em mim.
Abraço.
E eu na fila para publicar...
Ter amo
Náthima e Clara queridas, obrigado pela visita, pela leitura e pelos comentários. Além dos votos.
Beijos muitos
Parabéns!
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abraços
Edimo e llamar, obrigado pela presença e pelos comentários.
Abraço amazônico
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