Zé Breu no culto
(Sérgio Pessoa)
Zé Breu viu uma perna que andava par a par
Que balançava em seu próprio ritmo
Ritmo de pejo, de ritmo, de ritmo crítico
Viu por trás das pernas um Humano que mandava
No movimento das pernas e em como andar
Zé Breu ficou desgostoso ao saber que as pernas andavam
Para responder o mandar do Homem
Para alguns, o Homem era o dono das pernas, apesar de não tê-las fixadas ao corpo
Rasga o traço, a linha de boa conduta para obedecer
Esquece que um dia foi gente
Vestem saias, algumas mais curtas, outras compridas
Algumas pernas têm braços longos e raquíticos, dedos longos
Outras, olhos grandes, coloridos e escondidos para obedecer
Tentam chamar atenção, a saia é uniforme
Trabalha nos fins de semana, rende lucros ao Homem
Encontram-se num lugar para ter noções de vida
Passam e repassam-nas uma para as outras
De igreja em igreja, de rua em rua
As pernas andam, andam, andam, não param
Zé Breu tem medo das pernas, tem dó, tem pena da pouca fé
Este poema faz parte de uma série de poemas substancialmente modernistas, onde protagoniza o mesmo personagem, lidando com questões socio-filosóficas de nosso tempo. A partir deles foi escrito o conto "O que realmente acontece com Zé Breu" já publicado. Aguardem para lerem os próximos!
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!