- Quer um tasco ?
Os meninos improvisavam fogueiras em miniatura junto ao meio-fio, utilizando gravetos e pedras. O prato era carne de rolinha. Os moleques derrubavam os pássaros com atiradeira, depenavam-nos e saboreavam a iguaria tostada. Tinha sabor duvidoso e pouca abundância. Mas não era por necessidade, e sim por diversão. Naquela época, no subúrbio, os costumes se assemelhavam bastante aos da zona rural. E, na ausência de bichos maiores, se viravam com os mais próximos.
- Não, valeu.
O garoto evitava essas refeições coletivas, colocando-se à parte com outros dois ou três. Sentia um misto de nojo daquela comida pouco higiênica com pena dos passarinhos abatidos. Costumava observá-los em suas evoluções pelos telhados das casas, fios elétricos e árvores. O grupo dissidente acaba por isolar-se em frente a uma casa velha, jogando uma coleção de cartas que estampavam aeronaves de guerra. Não percebem a aproximação de Zeca Paraíba.
- Vocês não tão comendo por quê ?
- Eu não tô a fim ...
- Num tá a fim por quê ?
Zeca era mais velho e brigão. Ttinha fama de ruim, mas não iria bater naqueles meninos. Gostava de adversários do mesmo porte. Entretanto, não se furtou a provocá-los. Trazia apertada na mão uma rolinha vivinha e inteira. A pedra acertara na ponta de sua asa, fazendo-a perder o equilíbrio e cair.
- Dá uma olhada aqui ! – chama a atenção.
- Que foi ?
- Olha só que bonitinho, o bichinho ...
O valentão acaricia com o dedo rude a cabeça do animalzinho. Os meninos pareciam adivinhar o que estava por vir.
- Sabe como é que a gente prepara ela ?
O rapaz então contrai dois dedos da mão esquerda, e os encaixa no pescoço da pequena ave. Em seguida, puxa a mão abruptamente, decapitando-a. Ele enfia o dedo indicador pelo buraco do pescoço, trazendo seu coração ainda pulsante.
- E aí, cês tão a fim ?
Os meninos ficam espantados e nada respondem. O Paraíba parte rindo. Após alguns instante, eles voltam à jogatina. Logo estão concentrados nas características bélicas de cada avião. O universo das máquinas de guerra era-lhes mais aprazível.
Oie André!
Que legal seu conto.
Gostei muito.
Kisses
Naith
Olá André,
Uma das maiores maldades é uso dos estilingues para matar as rolinhas. Quanta maldade.
Mas acho que o Zeca Paraiba afastou esse hábito dos meninos.
O conto é triste...
Eu volto.
Beijos
Patty
André,
Esse terrível e triste texto,lembrou-me uma poesia que aprendi ainda em meu livro de primário, que dizia assim:
Deixa menino insensato
Os passarinhos voar
Que mal te faz as avezinhas
Que passam a vida à cantar
Joga fora a atiradeira
Vai pedir a Deus perdão
Mostra que guardas no peito
A jóia de um coração.
Autor: - Carlos Mães
Abraços
Meu bom André Calazans: seu conto mais os versos no comentário de Falcão são um flagrante de um costume que ainda se vê por aqui, pelos suburbios e interior do Nordeste. Atiradeiras, estilingues, baladeiras - mortiferas brincadeiras de meninos. Paz e bem, Grauninha
graça grauna · Recife, PE 26/4/2009 01:18
Perversidade antiga na maioria dos pequenos interiores.
Nos grandes centros, as perversidades são outras, bem diferentes, e assimiladas desde cedo. Vão bem além do brutal trucidamento de um passarinho. Não há necessidade de relacioná-las. Qualquer um, refletindo um pouco, identificará muitas com extrema facilidade.
Gostei muito de seu texto.
Gostei da história do Zeca. Você escreve muito bem. Belo trabalho.
Volto para a votação
Booommm Diaaa menino André!
Vc me remeteu para o meio dessa molecada... E no meio delas, me lembrei da Prof. Jurema do 4º ano primario, que nos ensinou a canção:
"Na goiabeira do campo / uma rolinha pousou (bis)
veio um malvado moleque / pegou no estilingue e a matou!
Malvado moleque / sem coração / vendo a rolinha morta / pensa que chorou? - Não chorou não!
Veio a Mãe da Rolinha - chorou - chorou - chorou...
Vendo a Rolinha morta que o malvado moleque - matou!
...
Esse canto, me acompanha pelas vidas, e penso que reforçou em meu coração, o amor pelas minhas irmãzinhas - as rolinhas...
Paro por aqui... antes que chore... Depois eu volto para votar!
abraSSos fra_ternos,
ZecaFeliz
gaDs!
Que pena, que ainda existe coisa assim1 Um belo conto, André1 Parabéns! Bjs.
nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 17:51
Oi André,
Voltei e votei.
Mas não permita que os meninos façam isso com os passarinhos...
Bjos
Patty
Oi querido! Ando mais enrolada do que nunca... Por isso demorei...
Faço minhas as considerações do Roberto...
Votado, beijo
Pat
"Tive pena da rolinha que o menino matou..."
Abs
ótimo texto, maravilhoso mesmo.votado.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 27/4/2009 17:39
Booommm Diaaa menino André!
Voltando para votar com muito gosto!
abraSSos Amigos,
ZecaFeliz = gaDs!
Que maldade, juro que não é meu conterrâaneo! rsrs...
Votado!
abç!
Votado. Infelizmente ainda existe muito isso. Eu que moro no meio do mato é que sei... O meu quintal está sempre cheio de rolinhas e eu dou comida pra elas. Perto de mim, ninguém maltrata os animais.
Beijos
São qdo crianças......que os sinais aparecem.
qta maldade.... a ser mais revelada.
Num mato nem moscas.......rs
gostei do causo......mto bom.
bjssssss;)
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