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ZECA PARAÍBA

1
André Calazans · Rio de Janeiro, RJ
26/4/2009 · 16 · 23
 

- Quer um tasco ?

Os meninos improvisavam fogueiras em miniatura junto ao meio-fio, utilizando gravetos e pedras. O prato era carne de rolinha. Os moleques derrubavam os pássaros com atiradeira, depenavam-nos e saboreavam a iguaria tostada. Tinha sabor duvidoso e pouca abundância. Mas não era por necessidade, e sim por diversão. Naquela época, no subúrbio, os costumes se assemelhavam bastante aos da zona rural. E, na ausência de bichos maiores, se viravam com os mais próximos.

- Não, valeu.

O garoto evitava essas refeições coletivas, colocando-se à parte com outros dois ou três. Sentia um misto de nojo daquela comida pouco higiênica com pena dos passarinhos abatidos. Costumava observá-los em suas evoluções pelos telhados das casas, fios elétricos e árvores. O grupo dissidente acaba por isolar-se em frente a uma casa velha, jogando uma coleção de cartas que estampavam aeronaves de guerra. Não percebem a aproximação de Zeca Paraíba.

- Vocês não tão comendo por quê ?
- Eu não tô a fim ...
- Num tá a fim por quê ?

Zeca era mais velho e brigão. Ttinha fama de ruim, mas não iria bater naqueles meninos. Gostava de adversários do mesmo porte. Entretanto, não se furtou a provocá-los. Trazia apertada na mão uma rolinha vivinha e inteira. A pedra acertara na ponta de sua asa, fazendo-a perder o equilíbrio e cair.

- Dá uma olhada aqui ! – chama a atenção.
- Que foi ?
- Olha só que bonitinho, o bichinho ...

O valentão acaricia com o dedo rude a cabeça do animalzinho. Os meninos pareciam adivinhar o que estava por vir.

- Sabe como é que a gente prepara ela ?

O rapaz então contrai dois dedos da mão esquerda, e os encaixa no pescoço da pequena ave. Em seguida, puxa a mão abruptamente, decapitando-a. Ele enfia o dedo indicador pelo buraco do pescoço, trazendo seu coração ainda pulsante.

- E aí, cês tão a fim ?

Os meninos ficam espantados e nada respondem. O Paraíba parte rindo. Após alguns instante, eles voltam à jogatina. Logo estão concentrados nas características bélicas de cada avião. O universo das máquinas de guerra era-lhes mais aprazível.

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André Calazans
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nairalacy
 

Oie André!
Que legal seu conto.
Gostei muito.
Kisses
Naith

nairalacy · Osasco, SP 25/4/2009 22:26
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menina_flor
 

Olá André,
Uma das maiores maldades é uso dos estilingues para matar as rolinhas. Quanta maldade.
Mas acho que o Zeca Paraiba afastou esse hábito dos meninos.
O conto é triste...
Eu volto.
Beijos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 25/4/2009 22:43
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Falcão S.R
 

André,

Esse terrível e triste texto,lembrou-me uma poesia que aprendi ainda em meu livro de primário, que dizia assim:

Deixa menino insensato
Os passarinhos voar
Que mal te faz as avezinhas
Que passam a vida à cantar

Joga fora a atiradeira
Vai pedir a Deus perdão
Mostra que guardas no peito
A jóia de um coração.

Autor: - Carlos Mães

Abraços

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 00:11
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graça grauna
 

Meu bom André Calazans: seu conto mais os versos no comentário de Falcão são um flagrante de um costume que ainda se vê por aqui, pelos suburbios e interior do Nordeste. Atiradeiras, estilingues, baladeiras - mortiferas brincadeiras de meninos. Paz e bem, Grauninha

graça grauna · Recife, PE 26/4/2009 01:18
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Roberto Costa Carvalho
 

Perversidade antiga na maioria dos pequenos interiores.
Nos grandes centros, as perversidades são outras, bem diferentes, e assimiladas desde cedo. Vão bem além do brutal trucidamento de um passarinho. Não há necessidade de relacioná-las. Qualquer um, refletindo um pouco, identificará muitas com extrema facilidade.
Gostei muito de seu texto.

Roberto Costa Carvalho · Aracaju, SE 26/4/2009 02:56
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Bruno Resende Ramos
 

Gostei da história do Zeca. Você escreve muito bem. Belo trabalho.
Volto para a votação

Bruno Resende Ramos · Teixeiras, MG 26/4/2009 11:34
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Carlos Venttura
 

Parabéns!

Carlos Venttura · Suíça , WW 26/4/2009 12:51
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Zeca Avelar
 

Booommm Diaaa menino André!

Vc me remeteu para o meio dessa molecada... E no meio delas, me lembrei da Prof. Jurema do 4º ano primario, que nos ensinou a canção:
"Na goiabeira do campo / uma rolinha pousou (bis)
veio um malvado moleque / pegou no estilingue e a matou!
Malvado moleque / sem coração / vendo a rolinha morta / pensa que chorou? - Não chorou não!
Veio a Mãe da Rolinha - chorou - chorou - chorou...
Vendo a Rolinha morta que o malvado moleque - matou!

...
Esse canto, me acompanha pelas vidas, e penso que reforçou em meu coração, o amor pelas minhas irmãzinhas - as rolinhas...

Paro por aqui... antes que chore... Depois eu volto para votar!

abraSSos fra_ternos,
ZecaFeliz
gaDs!

Zeca Avelar · Florianópolis, SC 26/4/2009 13:15
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wancisco franco
 

Que maldade do Zeca, André!
Abçs!

wancisco franco · São Paulo, SP 26/4/2009 15:54
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nina poeta
 

Que pena, que ainda existe coisa assim1 Um belo conto, André1 Parabéns! Bjs.

nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 17:51
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andré diefenbach
 

votado...

andré diefenbach · Santa Maria, RS 26/4/2009 22:09
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menina_flor
 

Oi André,
Voltei e votei.
Mas não permita que os meninos façam isso com os passarinhos...
Bjos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 22:25
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Falcão S.R
 

Votando!

Abs

Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 26/4/2009 23:39
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Roberto Costa Carvalho
 

Votando!

Roberto Costa Carvalho · Aracaju, SE 26/4/2009 23:49
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graça grauna
 

Parabens, meu querido. Votado.

graça grauna · Recife, PE 27/4/2009 00:47
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Patricia Rocha
 

Oi querido! Ando mais enrolada do que nunca... Por isso demorei...
Faço minhas as considerações do Roberto...
Votado, beijo
Pat

Patricia Rocha · Rio de Janeiro, RJ 27/4/2009 01:42
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Aldy Carvalho
 

"Tive pena da rolinha que o menino matou..."

Abs

Aldy Carvalho · São Paulo, SP 27/4/2009 08:53
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

ótimo texto, maravilhoso mesmo.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 27/4/2009 17:39
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nina poeta
 

Parabéns pelo texto! Bjs.

nina poeta · Rio de Janeiro, RJ 27/4/2009 20:55
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Zeca Avelar
 

Booommm Diaaa menino André!

Voltando para votar com muito gosto!

abraSSos Amigos,
ZecaFeliz = gaDs!

Zeca Avelar · Florianópolis, SC 29/4/2009 01:52
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meus traços e linhas
 

Que maldade, juro que não é meu conterrâaneo! rsrs...

Votado!
abç!

meus traços e linhas · Cabedelo, PB 29/4/2009 02:55
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Greta Marcon
 

Votado. Infelizmente ainda existe muito isso. Eu que moro no meio do mato é que sei... O meu quintal está sempre cheio de rolinhas e eu dou comida pra elas. Perto de mim, ninguém maltrata os animais.
Beijos

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 29/4/2009 04:42
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Cláudia Campello
 

São qdo crianças......que os sinais aparecem.
qta maldade.... a ser mais revelada.
Num mato nem moscas.......rs

gostei do causo......mto bom.

bjssssss;)

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 7/5/2009 06:19
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