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ZOOM DO DEJETO
Benny Franklin · Belém (PA) · 17/6/2008 10:44 · 140 votos · 16 comentários ·  
1
overponto
...Torna-se a tímida lapela que sob o entorno do olhar copula a profundeza...
...Torna-se a tímida lapela que sob o entorno do olhar copula a profundeza...
amostra do texto
In memoriam de Gilberto Guimarães - 14/06/2008

(Verso)

1.
A
canção
sustenta o homo-fragmento;
ama o vácuo e o bloqueio.
Torna-se a tímida lapela
que sob o entorno do olhar
copula a profundeza...
Ai... tal a eiva que envolve o amor,
o negror corrompe a lógica
— e nem é quase-manhã,
ausência sentida!

2.
O

vôo burila o não-definido
e a flor rejeita
o não-espírito.


3.

Cândida artilharia, talvez,
que (ainda) ruge feito promiscuo fátuo
a dominar o trans-verso;
ou carne, talvez,
que para o lascivo cotovelo
seja a fêmea comida a descolar-se
da ventania...

4.
Ai... do revolto cabelo em pêndulo
surge o zoom do dejeto:
ânimo de cais a desdenhar do respiro,
cujo odor pune a colheita;
posterga a mesmice.

(Reverso)

1.
Cai o soluço
e a inalterabilidade do poema
atropela a palavra...
O pigmento da face lamenta-se,
estanca a inocência.
Coage o odor
para que o poema seja o cálice preferido
e alimente o estômago.

2.
Oh! sujeição!
— Por que o revolto cabelo do poeta
não resfria o cérebro do cata-vento?
— Por que a fome ignora a colheita
e por que inflama o boquejo
da revolta?

3.
O
esterco purifica o espírito
e a ave poética alça a flor
ao nunca mais daqui.

4.
Sob a mira do poeta
jaza o barro da sempre-lâmina:
mandamentos da chegada;
ânsia que constrange a espera...
Ai... ângulo de solidão,
não mais,
que de mim desapareça.

Benny Franklin


tags: Belém PA poesia poesia-paraense poesia-universal poemas poesia-beat benny-franklin
 
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Autoria   Benny Franklin
Data   17/6/2008
Arquivo   30 Kb ·45 downloads
Licença  
 
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Benny, fantática mais esta tua produção.

Por que a fome ignora a colheita
e por que inflama o boquejo
da revolta?


versos profundos e fortes, que nos põe à deriva de nós mesmos em reflexões de até aonde vai a nossa cumplicidade com os versos do poeta.
Beijos
Volto

Alice Poltronieri · Porto Velho (RO) · 13/6/2008 15:20 
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Afoice da Morte Estou à espreita da tua escrita, seguindo seus versos, até que a solidão os consuma.
Lamento poético de pouca sobrevida.
Afoice.
Afoice da Morte · Rio de Janeiro (RJ) · 13/6/2008 17:57 
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AbraAo Benny Franklin,

É tudo uma grande fortaleza dentro da solidão, o alçar vôo, no entanto, alcansa alguma liberdade.
Tão bom e profundo que nem sei se realmente alcansei.
Parabéns, e um abraço.
AbraAo · Rio Branco (AC) · 13/6/2008 21:44 
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O
vôo burila o não-definido
e a flor rejeita
o não-espírito.


Sempre dizendo flores....voam?

ab
Cintia Thome · São Paulo (SP) · 13/6/2008 21:57 
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Passando para o voto com louvor
Alice Poltronieri · Porto Velho (RO) · 15/6/2008 16:28 
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voltando e votando.
Um grande abraço meu poeta e tenha uma feliz semana.

esterco purifica o espírito
e a ave poética alça a flor
ao nunca mais daqui.


clara arruda · Rio de Janeiro (RJ) · 15/6/2008 16:32 
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Muito bom Benny, parabéns um abraço
j.alves · São Paulo (SP) · 15/6/2008 17:10 
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Maravilhoso!
um abraço e votado!
celina vasques · Manaus (AM) · 16/6/2008 23:18 
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A palavra-magma de dentro do vulcão humano... Não há melhor descrição para a Poesia... E nem um verbete enquadraria a poesia de Benny... O que de mais insurreto a Poesia pode provocar, ei-lo!... Quanto mais amorteço os sentidos em frente ao monitor, como quem observa fogo-fátuo na escuridão da noite amazônida, mais o poema ganha em substância... Mais consubstancia-se ante meus globos oculares, cansados das notícias dos telejornais, a lãmina afiada das palavras que quero dizer e não consigo... Mais e mais grita em mim - em meio ao burburinho insano do cotidiano - uma voz que só tem sentido quando afrontada ao poder inexorável da poesia bennyana... Grande Benny... Já em votação http://www.overmundo.com.br/_banco/produto.php?titulo=onde-viceja-a-saudade... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá (AP) · 17/6/2008 01:26 
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Regina - poesia em volta O verso de Benny sempre me emocionando. Abraço
Regina - poesia em volta · Volta Redonda (RJ) · 17/6/2008 09:08 
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Benny, amigo.
Esta ausente de Belém. Bela homenagem ao nosso amigo comum, Gilberto, traiçoeiramente apunhalado pelas mãos geladas da morte aos 44 anos. Comovente.
Abraçemos nossas saudades na beleza dos teus versos.
Abraços, em silêncio,
Noélio
Noelio Mello · Belém (PA) · 17/6/2008 12:43 
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Bonita homenagem-remembrança, Benny.
É um choque que desapareça na profundidade da terra, sob olhares impotentes.
Espere!
Foi-se tão-somente o que a alma animava, que ela está presente no poema e nas lembranças de que já nos fala Noelio.
Eterniza-se.
E seguimos a jornada, camarada.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 17/6/2008 21:43 
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Salve PoetAmigo Benny,
Depois de uma parada no over em virtude de viagem
retorno com poemas tão belos. Leitura tão profunda.
Isto dá a vontade certa de estar no meio dos versos e reversos.
Beijos e votos,
Regina
Regina Lyra · João Pessoa (PB) · 18/6/2008 23:59 
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Afoice da Morte Votado.
Afoice.
Afoice da Morte · Rio de Janeiro (RJ) · 19/6/2008 10:50 
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Oiê já votei pra vc, gostei muito!
Bjão da Gena

Gena Maria · Marília (SP) · 20/6/2008 16:20 
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Benny Franklin · Belém (PA) ·
ZOOM DO DEJETO

Cada Poesia é sempre uma Aula e exposição.

Cai o soluço
e a inalterabilidade do poema
atropela a palavra...
O pigmento da face lamenta-se,
estanca a inocência.
Coage o odor
para que o poema seja o cálice preferido
e alimente o estômago.

Como sementes exigindo o exercício do criar o entendimento das coisas.
Contribuindo de todas as formas com o Cultural da nassa terra e gente.
Parabéns e voto de merecimento total.
azuirfilho · Campinas (SP) · 21/6/2008 08:58 
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