De tempos em tempos, a Ditadura Militar retorna às telas do cinema nacional, como uma ferida que nunca cicatrizou e volta a pulsar. Zuzu Angel, de Sérgio Resende, é o mais novo representante desta seara de filmes. Contudo não é apenas mais um entre tantos outros, como tenta subjulgar parte da crítica especializada. É, sim, um ótimo filme, que tem como mérito um roteiro e uma direção eficientes, somados a atuação magistral de Patrícia Pilar no papel título.
O filme retrata o período de vida em que Zuzu Angel, uma costureira de classe média, desponta no mundo da alta costura e vê as portas do mercado internacional se abrirem à sua produção. Isto, enquanto seu filho Stuart Angel Jones (Daniel Oliveira) se descobre revolucionário e vai às ruas, lutar contra pelo restabelecimento da Democracia e contra o imperialismo americano.
Zuzu faz vestidos floridos para esposas de militares enquanto Stuart vive o negror da perseguição política. O distanciamento ideológico evolui ao distanciamento físico, até que a morte nos porões da Ditadura separa, definitivamente, mãe e filho.
É a perspectiva da narração que faz de Zuzu Angel um grande filme, comovente quando poderia ser apenas panfletário. O roteiro de Marcos Bernstein e Sérgio Rezende mostra uma mulher que se vê impelida a lutar contra todo um sistema político - não por convicções pessoais, mas para ter o direito natural de sepultar o corpo do filho. E toda a aflição da personagem pode ser sentida pelo espectador, gradativamente, o que faz de Zuzu Angel um filme tenso e emocionante.
A estilista vai até as últimas conseqüências em sua luta por Justiça. Toma para si a coragem do filho e usa de todos os métodos para se fazer ouvir em meio à censura generalizada. Quando a indignação pela morte de Stuart evolui a uma consciência da repressão que assolava o Brasil, Zuzu emprega a moda como instrumento para divulgar sua indignação. As cores alegres dos vestidos que faz cedem espaço aos tons escuros; as estampas floridas são substituídas por grades e pássaros aprisionados.
Impossível não compartilhar seu choque com a realidade brasileira de então. Impossível não sentir repulsa pela frieza e arrogância dos militares, que enxergam na personagem um inimigo e nunca uma mãe em desespero. Em Zuzu Angel, política e emocional são dosados na medida certa.
Impossível também não causar estranheza a posição dos críticos negativistas. Vivemos uma Democracia recente, que muitos não aprenderam a valorizar por desconhecer o que representou seu lado adverso. É válido, sim, que o cinema retorne ao tema da Ditadura; melhor ainda se em bons filmes.
Oi Daianne! Seguinte: o banco de cultura é voltado para produtos culturais, como músicas, vídeos ou poesias. Como a sua colaboração é um texto sobre o filme, faço a sugestão de classificá-la aqui no banco como texto de não-ficção ou postá-la no Overblog. Que acha? É que a classificação cinema-vídeo dá a entender que você publicou um vídeo por aqui.
Bom, a palavra final é sua.
abs!
É engraçado. Primeira vez que vejo um texto estilo jornalístico no banco de cultura. O contrário é que é o mais comum. Mas concordo com o Saulo, Daianne. Teu texto está ótimo, só não está no lugar certo - aqui ele vai se perder, e não merece não.
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 5/9/2006 14:23
Com duas dicas de peso, como a do Saulo e a do Fábio, eu nem precisava dizer nada. Mas já que estou aqui, vou dizer mesmo assim... :)
Antes de mais nada, o texto está excelente. Já tinha muita vontade de assistir este filme, e agora, com sua exposição, tenho mais ainda!
Por outro lado, também concordo que este texto ficaria bem melhor lá no Overblog... incluindo até mesmo uma imagem do filme, ou o vídeo do trailer. Aí sim, o trabalho ficaria fantástico... e à altura do texto e do filme que retrata.
abraços do verde.
Legal! as dicas, acho mesmo que publiquei no lugar errado.
Foi mal!!!
Mas, agora como faço para tirá-lo daqui e passar para o overblog?
entra no texto (logada) e clica na lixeirinha. depois publique de novo no overblog
daniel valentim · Juiz de Fora, MG 6/9/2006 13:05ah não. acho que isso só funciona quando o texto ainda está na fila de edição
daniel valentim · Juiz de Fora, MG 6/9/2006 13:06
Hey Daianne. Não é complicado não. Copie (control+c, na maioria dos sistemas) o conteúdo do texto e cole na tela de publicação do overblog. Depois faça os ajustes necessários, coloque imagens (se quiser) e... voilá... o texto está publicado no overblog (e terá meu voto, com certeza!!!)
abraços do verde.
Passei o texto pro overblog.
Mas, como não consegui ele daqui, vai ficando por aqui também.
Obrigado pelas dicas.
Ótimo... vou procurar o texto lá na fila de edição...
Disponha sempre, Daianne. :)
Abraços do verde.
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