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A Utopia Socialista e a Resposta Cética: o Anarquismo
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Recente intervenção de manifestante Argentina na luta pela Ecologia
Esse texto tem dois anos..preparei para uma aula no ensino médio...infelizmente estou sem inspiração para escrever coisas novas...vamos lá: a música eu utilizei para incitar o debate...Inté
toda forma de poder (Humberto Gessinger)
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Fidel e Pinochet tiram sarro de você
Que não faz nada
E eu começo a achar normal que algum bossal
Atire bombas na embaixada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
Toda forma de poder
E uma forma de morrer por nada
Toda forma de conduta
Se transforma numa luta armada
A história se repete
Mas a força deixa a estória mal contada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer
O fascismo e fascinante
Deixa a gente ignorante fascinada
E tão fácil ir adiante
E esquecer que a coisa toda está errada
Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer...
A Utopia Socialista e a Resposta Cética: o Anarquismo
?Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem.? Oscar Wilde
Hoje em dia é comum de vez em quando a gente encontrar por aí, pixado nos muros, ou mesmo em cadernos e mochilas o símbolo do anarquismo. Mas é de se duvidar de que as pessoas se preocupem, ou mesmo, saibam o que significa, em termos de proposta política, o anarquismo. Isso se deve em grande parte ao fato do anarquismo não ser algo sistemático, algo que possa ser descrito de maneira rígida. Mesmo o seu principal teórico, Bakunin (1814-1865), não deixava as coisas claras já que dificilmente concluia as obras que começava. Mas, nem por isso deve-se cair no erro fundamental de confundir anarquismo com bagunça.
O anarquismo surgiu historicamente como uma espécie de dissidência do marxismo. Karl Marx achava que os trabalhadores deveriam tomar o poder e manter uma espécie de ditadura ( a ditadura do proletariado) afim de evitar que a burguesia retornasse ao poder(com uma contra-revolução). O estágio em que o Estado estaria nas mãos dos trabalhadores seria o socialismo, que, aos poucos seria substituído pelo comunismo, onde não haveria mais espaço para Estado ou luta de classes.
Bakunin considerava Marx otimista e ingênuo: o poder corrompe as pessoas e quem quer que o tomasse acabaria por querê-lo para si. Qualquer classe ao chegar ao poder dele se apossaria, a ?ditadura do proletariado? acabaria construindo uma hierarquia de funcionários públicos e tecnocratas que haveria de querer perpetuar-se como dominante. A solução estaria em tentar o salto direto para o comunismo, que seria uma espécie de governo sem governantes: seria o anarquismo (anarquismo significa ?sem governante?).
O anarquismo não constituiria partido ou teses dogmáticas, evitando ?toda forma de poder?, ele seria um movimento vivo, como um organismo, fundado na cooperação e não na organização burocrática. Os anarquistas não acreditam na ?representação política? e procuram limitar o espaço para esse tipo de prática ao mínimo possível: quando necessário se elegeriam de legados com o tempo de mandato limitado e sujeito a revogação. O anarquismo previa a supressão da propriedade privada dos meios de produção que dariam lugar a cooperativas, onde as decisões seriam comuns. Dá mesma forma os anarquistas negam a Igreja: ?para afirmar o homem, é preciso negar Deus?. Em certa medida, pode-se comparar as idéias anarquistas com a democracia radical de Jean-Jacques Rousseau. Pode-se considerar heranças anarquistas a idéia de orçamento participativo: o importante é manter a consulta direta as pessoas envolvidas.
O anarquismo em poucos momentos teve uma verdadeira força política: ganhou força no sindicalismo (que desembarcou no Brasil juntamente com os italianos) entre o fim do século XIX e início do século XX e teve seu momento de maior força durante a Guerra Civil Espanhola. A desobediência civil de Mahatma Gandhi, na luta pela independência da Índia pode ser considerada um exemplo de prática anarquista.
Após a Segunda Guerra Mundial o anarquismo foi trivializado ressurgindo em diversos movimentos que parecem muito mais expressar o individualismo da burguesia capitalista: como no caso do movimento hippie, do maio de 1968, ou mesmo do movimento punk. Rejeitar o poder político é uma coisa, recusar-se a participar dele, mas tentar fazer o pentágono levitar já é algo muito ?desgovernado?, mas que por fim gerou lá seus resultados:
?Em Outubro [1967 contra a Guerra do Vietnã], em Washington, 50 mil pessoas marcharam sobre o Departamento de Defesa. Vestidos como vagabundos, risonhos como palhaços, carregavam flores, sugeriam que se fizesse amor e não guerra. Nessa manifestação que o professor americano Allen Matusow chama de ?um dos mais significativos acontecimentos da história dos Estados Unidos?, um grupo de hippies tentou fazer levitar o Pentágono. A imensa construção, que abriga os maiores corredores do mundo, não levitou, mas hoje se sabe que por conta daqueles hippies ela sem dúvida saiu do lugar.? (Gaspari, Elio. A roda de Aquarius in: A Ditadura Envergonhada/ São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Página 234.)
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mais socialismo anarquismo educacao marcoscarvalholopes filosofia
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muito bom o texto, cara.
mas eu não sou adepto e nem creio no anarquismo, muito menos acho que ele pode ser uma forma correta e a mais bem quista pra reger a humanidade, mas acredito e respeito o fato de o anarquismo ser importante em alguns aspectos e em alguns fatos da história.
valeu.
West Harris · União dos Palmares (AL) · 22/1/2007 02:47
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Eu também não sou adepto do anarquismo. Mas queria justamente mostrar algo dessa importância...obrigado pelo comentário!
Marcos Carvalho Lopes · Jataí (GO) · 22/1/2007 07:47
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A idéia do anarquismo para mim é que não existe uma forma correta de reger a humanidade, logo o próprio anarquismo não poderia ser isso. Ele não é uma proposta, é um questionamento somente. As pessoas que o transformam em proposta para mim deixam de ser anarquistas. A anarquia não faz parte da história.
Janos Biro · Goiânia (GO) · 16/2/2007 17:18
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Otima colocação...
intertextualidade perfeita...sobreposição de ideias minunciosa!
Tb nao sou adepta ao anarquismo mais ache interessantíssima sua posição. Me surpreendeu mtu!
continue!
beijos
Clamorosa · Vitória (ES) · 26/4/2007 17:43
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Uma correção: O anarquismo não surgiu como uma espécie de dissidência do marxismo.
Em relação so que Janos Biro comentou:
Existe sim forma correta de reger a humanidade (não existe é uma forma perfeita). O Anarquismo não é apenas um questionamento e as pessoas que acreditam no anarquismo não deixam de ser anarquistas por propô-lo como sistema real.
Paulo Esdras · Salvador (BA) · 11/10/2007 15:16
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Marcos,
Muito bom texto e escolha da música. Ficou ótimo. No entanto, a questão do anarquismo eu tenho que concordar com o Paulo Esdras e, além disso, não posso concordar com o que disse sobre Marx:
"O anarquismo surgiu historicamente como uma espécie de dissidência do marxismo. Karl Marx achava que os trabalhadores deveriam tomar o poder e manter uma espécie de ditadura ( a ditadura do proletariado) afim de evitar que a burguesia retornasse ao poder(com uma contra-revolução). O estágio em que o Estado estaria nas mãos dos trabalhadores seria o socialismo, que, aos poucos seria substituído pelo comunismo, onde não haveria mais espaço para Estado ou luta de classes"
Pois esssa tese do socialismo como estágio de transição para o comunismo não é de Marx e sim do marxismo-leninismo. Veja a este respeito o sociólogo goiano que lhe indiquei da outra vez:
http://www.autogestao.hpg.com.br/marxditaduraprolet.html
ou
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/03/249615.shtml
Abração!
José Braga
José Braga · Brasília (DF) · 17/10/2007 15:31
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Oi José... fiz um comentário concordando com o Paulo Esdras.... mas não sei pq... não foi publicado...
esse texto tá realmente ERRADO... mas nem por isso vou o apagar... se o pessoal for lendo esse comentários as coisas vão se acertando..
já tinha corrigido um pouco minha perspectiva com o comentário do Janos: obrigado pelo diálogo...
Marcos Carvalho Lopes · Jataí (GO) · 17/10/2007 16:49
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vou escrever outro texto sobre esta música pra falar de como ela se relaciona com a perspectiva de Albert Camus e sua visão individualista de anarquismo... o problemão hoje é que existem tantas formas de anarquismo que fica difícil se situar...
mas, o mais legal é que as críticas aqui tem sido bem construtivas e isso acho fabuloso.
Marcos Carvalho Lopes · Jataí (GO) · 17/10/2007 18:53
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Marcos, o texto está ótimo, como já disse, é só alguns detalhes que notei. Assim, concordo em manter o texto. Fico curioso e aguardando o próximo texto. Parabéns! José Braga
José Braga · Brasília (DF) · 18/10/2007 11:05
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é.. Os comentários acrescentam muito no texto..
mesmo com alguns equivocos, eu gostei de ver o tema gerando discussão por aquui..
abraço!
veganito · Belo Horizonte (MG) · 18/1/2008 16:47
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Tb não sou adepto ao anarquismo, mas, adorei o texto até por que não sabia de sua importância na historia....Como sempre me ajudando...rs
André Medeiros · Esperantina (PI) · 10/4/2008 13:14
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