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Relendo (pela segunda vez em dois meses) Santa Clara Poltergeist, de Fausto Fawcett. Um clássico. Nosso overmano Hermano (ou deveria dizer Over-Hermano) Vianna escreveu o prefácio na época, associando a prosa elétrica e hiperpop de Fausto ao que de melhor os cyberpunks americanos (leia-se William Gibson, Bruce Sterling, Rudy Rucker e outros do Movimento que sacudiu as estruturas podres da ficção científica nos anos 1980) estavam escrevendo na época. O curioso é que, em papo recente com Fausto, descobri que ele não havia lido os cyberpunks naquela época - mas, claro, estava totalmente antenado (ou chipado, como o próprio Fausto costuma dizer) com a sensibilidade da época e tinha as mesmas influências literárias dos autores daquela outra banda da terra. E, conseqüentemente, consegue descrever as incríveis aventuras do negão eletroblack paulistano Mateus na Copacabana - tomada de assalto por uma falha magnética que provoca os mais loucos poderes nas pessoas - em sua busca desesperada pelo óvulo artificial de Verinha Blumenau, a Santa Clara Poltergeist, que há de redimir a todos ou então matá-los. Querem saber? Sou fã de carteirinha de William Gibson, mas sou mais ainda do Fausto. Entôo loas a ele. E cobro, mais uma vez, a REPUBLICAÇÃO URGENTE de Santa Clara Poltergeist.
Trilha sonora desta leitura: Admirável Chip Novo, da Pitty. Confesso que relutei muito para ouvir essa música: achava meio boba e reinvenção-de-roda no começo. Mas agora, depois de ouvir algumas vezes, acho que tem tudo a ver com a inquietude pós-cyber e pós-pós-punk de hoje.
tags:
literatura
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