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Começou a ANPOF...não participarei!
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Hoje começa o encontro da ANPOF na Bahia. O encontro é provavelmente o maior evento filosófico do país. É muito importante para desenvolver um certo "senso de pertencimento" e para articular os debates e suas temáticas. Não é o melhor lugar para encontrar novidades (a não ser para quem é novo na filosofia ). Não vou.
Não vou porque meu trabalho não foi aceito. Não vou porque me disseram que o motivo era a temática que não se "enquadrava"...melhor pensar isso como um elogio e seguir em frente. Engraçado: na tradição análitica não temos debates metafilosóficos, já que, nessa área existem muitos pressupostos que NÃO PODEM SER QUESTIONADOS. Quine ainda pega mal por essas paragens, Davidson causa furor na Igreja e Rorty é nome proibido.
Penso que deveria ter o direito de falar. Mesmo que depois disessem: és louco, como entra em nossa caverna assim..sem bater! Mas não é isso: comunicação não serve pra comunicar? Filosfia não deveria ser diálogo e não verdades prontas?... Mas a desconversação é o padrão da inteligência brasileira ou então me trazem argumentos Ad hominem: atacam a pessoa desqualificando-a e não falando de seu trabalho. Pois bem: nada disso é bom pra mim. Esse negócio que chamam de filosofia as vezes cansa com seu discurso cansado: monólogo monótono de espectadores da eternidade.
Pena: tem muita coisa em Salvador pra se aproveitar. Desejo dias de Sol para todos. Quiça com o calor deixem as salas de apresentação e consigam ter um bom bate-papo em um buteco. Quiça lá aflorem questões interessantes e até exista diálogo. Quem sabe? Até gostaria de ir...mas acho que lá hoje não é o meu lugar: teria que ficar amarrado numa cadeira vendo sombras serem projetadas? Cansei dessas coisas de Caverna...
Minha proposta de comunicação era essa:
Descobrindo o Brasil: a Utopia Lírica da Legião Urbana
Marcos Carvalho Lopes
O conceito de Utopia Lírico ? cunhado por Renato Janine Ribeiro ao analisar a obra do cantor e compositor Francisco Buarque de Holanda ? apresenta uma contradição que, longe de o invalidar, representa bem a dificuldade/especificidade do modo como o Brasil percebe a política e a vinculação entre público e privado. Enquanto o conceito de 'Utopia' pede a anulação das identidades pessoais em favor de um projeto coletivo, o que é lírico, pelo contrário, parte de uma intensificação do 'eu' que busca abarcar o mundo. Desta forma, ao tentar vincular termos contrários, o conceito de Utopia Lírica abre espaço para uma 'lógica' que só se equilibraria por meio dos artifícios de uma 'dialética da malandragem'. Esse 'jeitinho' de tentar equilibrar as oposições perpassa nossa cultura e se manifesta constantemente em nossa literatura, música, etc.
Diferentemente do que alguns apregoam, o período de redemocratização trouxe na música popular um sério questionamento sobre o país e sua estrutura política e social. Os filhos da Ditadura não se acomodaram em simplesmente negar a pátria ou construir um discurso niilista. O rock brasileiro dos anos 80 representou bem o processo de abertura política, globalização e urbanização que a sociedade enfrentava. Mais do que isso, a transformação de valores com o advento de uma 'indústria' cultural forte e liberta da censura, tornou-se tema e problema para os roqueiros. A negação do 'fascismo cultural' e a consciência de que a estrutura autoritária transcendia o modelo político, levou alguns roqueiros oitentistas a propor em suas letras uma espécie de "Utopia Lírica" através da qual, mudanças nas formas de convivência abririam espaço para uma mutação na maneira de sentir/perceber a política, o que acarretaria transformações na sociedade.
É esse tipo de romantismo utópico que encontramos na obra da banda de rock Legião Urbana, que, com um discurso entremeado de referências (filosóficas, literárias, etc.) traduziram as esperanças e desilusões dos jovens brasileiros da abertura democrática à ?Era Collor?. A banda representou a transição do discurso épico (que marcou as eleições diretas para o executivo federal em 1989) para o prosaico na política brasileira com a transição de um discurso ético-ecumênico (no fim dos anos 80) para o assombro surrealista (no começo da década de 90). Essa transição marca uma mutação na forma de vínculo entre público e privado que põe em xeque a própria possibilidade de Utopia(s).
A partir da análise da obra da Legião Urbana voltaremos o olhar para a interrogação acerca da Utopia Lírica hoje. Cabe questionar as possibilidades de convivência desse conceito com a Democracia, ou mesmo com a República. Ainda mais relevante é perguntar sobre a legitimidade desse conceito em tempos prosaicos.
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mais utopia legiaourbana marcoscarvalholopes filosofia
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A propósito da Utopia o Autor toca em feridas que até agora estão presentes e, que provavelmente afastaram o seu trabalho da ANPOF. Uma análise com toques da precisão de quem pensa verdades num Estado em que quase tudo é mentira, vai por certo causar esquizofrenias públicas.Penso ser mais que justificada a leitura intertextual de produtos que, se bem num primeiro momento possam parecer díspares, acabam por revelar possibilidades de enriquecimento intelectual e cultural. Isso aponta para o fato de que a diferença é própria do enredo humano. Parabéns Marcos e viva a diferença!
Marília Beatriz · Cuiabá (MT) · 26/10/2006 10:06
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A propósito da Utopia o Autor toca em feridas que até agora estão presentes e, que provavelmente afastaram o seu trabalho da ANPOF. Uma análise com toques da precisão de quem pensa verdades num Estado em que quase tudo é mentira, vai por certo causar esquizofrenias públicas.Penso ser mais que justificada a leitura intertextual de produtos que, se bem num primeiro momento possam parecer díspares, acabam por revelar possibilidades de enriquecimento intelectual e cultural. Isso aponta para o fato de que a diferença é própria do enredo humano. Parabéns Marcos e viva a diferença!
Marília Beatriz · Cuiabá (MT) · 26/10/2006 10:08
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Eu fui no encontro e realmente não teve muita coisa interessante senão oportunidades de encontrar outros filósofos e conversar, oportunidades essas que foram desperdiçadas com bebida, maconha, academicismo e outras drogas...
Janos Biro · Goiânia (GO) · 29/10/2006 15:48
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Sobre utopias, os jovens da minmha geração estão meio descrentes delas. eu mesmo me vi perdendo meus ideias. mas de repente volvi meus olhos para pequenos movimentos sociais que me deram esperança que num futuro proximo novos "guerrilheiros" apareçam, propondo ideias novas e formas de expressa que talvez cunhem as novas utopias....
Bem enquanto ao seu trabalho Marcos, eu lamento que esses caras intelectuais de hoje em dia despresem tanto ideias novas. eles preferem dar vasão a uma mesmice academica do que incentivar novos pensadores, o que e uma tristeza pq eles tranformam a filosofia numa verdadeira"embromosofia". prabens pelo trabalho!
eric renan ramalho · Belo Horizonte (MG) · 4/11/2006 12:12
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É interessante verificar como o Janos constatou que a ANPOF ñ contribuiu muito,por outro lado o Vetruviano aponta para o destroçar das utopias dentro da sua geração. Mas, na verdade o que ocorre é que a falta das possibilidades de um tecido de teorias que mostrem caminhos inovadores e renovados está atacando todas as gerações. O mesmo pelo mesmo é Enfadonho e torna impossível o surgimento de questionamentos estruturantes de novas idéias e novos rumos. Mas ainda assim é preciso persistir.
Marília Beatriz · Cuiabá (MT) · 4/11/2006 20:27
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Bem minha cara! eu tentei cometar um pouco sobre o texto do marcos e fazer uma relação com essa coisas toda da ANPOF. eque esses amiorais da intelectualidade sempre despreza coisas novas. tenho aconpanhado o marcos em seus blogs , e entendo que o texto dele e carregado de uma particularidade que poderialevar muitos jovens a se interessar por filosofia, por utilizar de um objeto que está prximo de nos: as letrasdo legiao urbana, tocam qualquer pessoaque na sua juventude tenha vivido as delongas do amor e da existencia!
eric renan ramalho · Belo Horizonte (MG) · 5/11/2006 11:15
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Marcos, por favor não desista´.A filosofia vai incomodar sempre. E é preciso resistir. Eu aqui em Cuiabá estou ministrando um curso de Arte e Filosofia e quem sabe v. possa estar aqui para falar de suas tarefas utópicas, um dia desses. Continue...
Para Vetruviano é importante que os seus comentários continuem instigando as nossas respostas. Grata, Marília Beatriz
Marília Beatriz · Cuiabá (MT) · 6/11/2006 12:58
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Valeu Marília...um dia desses a gente se encontra em Cuiabá...esse dias fui aí pra formatura do meu irmão..abraço
Marcos Carvalho Lopes · Jataí (GO) · 8/12/2006 22:09
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