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Ideologia, eu quero uma pra viver?
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O interessante nesse blog é a diversidade das pessoas que aqui escrevem. Temos um filosofo, um cientista da computação e eu, que não sou bosta nenhuma. Então, eu vou tentar escrever aqui sobre o unico assunto que eu quase entendo, o punk rock e o seu estilo de vida.
O seculo XX foi marcado pela rivalidade entre grupos e facções, que defendiam diferentes ideais e modos de vida. Sejam hell-Angels, beatniks, punks ou hippies, sempre existiram grupos dispostos a mudar o mundo.
Hoje em dia, esses grupos exercem uma influencia bem menor sobre a sociedade, passando a impressão de que os jovens não se interessam mais pelo destino da humanidade. Mas será que essa forma de organização é o melhor caminho para se conseguir alguma coisa?
Para o filosofo brasileiro Renato Janine, o caminho a ser seguido é bem diferente, levando em conta que o maior progresso em termos de revolução popular conseguido nos ultimos tempos foi a luta feminista, que não teve a frente nenhum grupo organizado. Além disso, segundo o filosofo, o poder hoje em dia não está centralizado nas mãos de uma pessoa ou um grupo, como a tempos atrás, mas, repartido a todos os que detém algum capital, na forma de micropoderes. Não faz sentido reunir um grupo forte para lutar contra milhões de micropoderes fracos, seria muita perda de energia.
Além disso, esses grupos que ofereciam um modo de vida alternativo, hoje em dia estão totalmente descaracterizados pelos seus membros remanescentes. O movimento punk, por exemplo, que buscava a fuga de todos os padrões, com o lema "Faça você mesmo" hoje em dia não é nada menos que um novo padrão de vida, em que as pessoas que não seguem fielmente o estilo estabelecido pelos membros originais é considerado um "traidor" do "movimento".
Uma atitude revolucionaria no século XXI, seria muito mais a fuga de qualquer ideologia do que uma busca por um modelo de vida estabelecido e uma busca por um estilo individual, que, talvez,no futuro será considerado ultrapassado e limitado, como vemos os grupos de jovens do século passado.
tags:
cultura-e-sociedade renato janine
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Belo texto Eduara]do, realmente o mundo anda ausente de pessoas revolucionarias, que faziam (ou pelo menos tentavam) de suas realidades o que acreditavam ou sentiam.
O mundo anda estranho. O individualismo e o pragmatismo dominaram a humanidade.
Mas há exceções. Vocês são uma prova disso.
O que eu não acredito muito é na sua tentativa de conceber uma visão revolucionária no sec XXI. É impossivel fugir de qualquer ideologia. A fuga de ideologias já é, por si só, uma ideologia.
Então o que nos resta, o niilismo? a descrença em um mundo visionário que luta por ideiais?
Gosto de pensar que não.
A situação é lamentável, a realidade é fria, mas o ceticismo não altera nada.
Vivamos por nossos ideias. Punk's ou não, acreditemos neles. Quem sabe, numa internet, num boteco, ou em um de cada 10.000 destinos de cada esquina, num dia esses ideias se unirão e o mundo conheça mais um movimento, mais uma revolução.
Pode ser que seja apenas um grupo ideológico, mas pelo menos haverá uma história pra contar.
Forte abraço.
Diogo Vele · Goiânia (GO) · 24/6/2006 01:49
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Acho que o comunista/punk/socialista/idealista/revolucionário (burguês que não se aceita como tal) é mais alienado que o trabalhador, que percebe que não pode mudar (muito) sua realidade e depois de um dia exaustivo de trabalho só quer sentar na frente da tv e assistir o jornal nacional. É muito fácil reclamar da prepotência dos EUA mas não gostar quando o Lula perdoa a dívida de um país africano ou quando faz vistas grossas para a Bolívia. É muito fácil ser revolucionário quando o papai paga a faculdade. É claro, há exceções.
Policarpo Quaresma lutava por um Brasil melhor e acreditava que defendendo o presidente e a república estaria defendendo seus ideais. Acabou defendendo o que ele mesmo considerou como ditadura e acusado de traição. Acho que é disso que o texto fala: podemos até ter nossos ideais pessoais e lutar por eles, mas a formação de "tribos" é prejudicial. Chega um mometo que da tribo só sobra o esteriótipo e você, idealista, será será considerado (pelos burgueses-revolucionários) um traidor da "revolução".
Revouções por minuto. Revolução é uma rotação. Depois da revolução, tudo volta ao ponto de partida.
Murilo Ferraz Franco · Jataí (GO) · 24/6/2006 10:06
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Muito obrigado pelo comentário, Diogo Vele. De certa forma eu concordo com você, a fuga de uma ideologia já é uma ideologia.
Mas o que eu defendo no texto é a fuga de uma ideologia pré-fabricada, desses grupos que na maioria das vezes te limitam ao invés de te libertar.
Eu acho que cada um é capaz de formar suas próprias idéias, mesmo que baseadas nos ideais de algum grupo. O que não devemos aceitar é receber ideais pré-fabricados sem questionar.
Quanto ao comentário do Murilo, discordo apenas com a primeira parte. Acredito que seja muito dificil mudar muitas coisas, mas acho que a utopia nos faz caminhar. Alcançar o horizonte pode ser uma tarefa impossivel, mas a sua busca nos faz caminhar.
Eduardo 77 · Goiânia (GO) · 24/6/2006 12:04
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É um ótimo texto, eu também penso algo parecido. Mas acho que o problema dos movimentos não é que eles se descaracterizam e saem do eixo, mas precisamente porque fixam eixos muito restritos, não evoluem, apenas progridem. Acabam sendo assimilados pela cultura vigente, e aceitam ser assimilados para atrair mais pessoas e não morrer. O movimento hippie originalmente lutava contra o capitalismo, hoje é mais um estilo de vestir. O punk está se tornando assim, infelizmente. Esse parece ser o destino de qualquer movimento, mas movimentos e revoluções não são tudo que podemos fazer para mudar o mundo. Podemos individualmente adicionar "momentum" à mudança, sem participar de movimento algum. O capitalismo, por exemplo, não vai ficar parado enquanto nós o mudamos, ele pode se adaptar, continuar existindo, criar novos termos para escapar. E em último caso, pode declarar um grupo que tenham uma idéia muito perigosa para ele como arruaceiras, desordeiras e criminosas. Pode até abrir fogo contra elas se vir que as pessoas estão dando muito ouvido a essas idéias. Nada é tão simples como parece.
Janos Biro · Goiânia (GO) · 28/6/2006 22:09
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Cara seu texto é mesmo muito bom. E a diversidade de pessoas nesse negócio tem a minha presença, e nem sei o que é que eu sou! srsrs
Mas minha opinião sobre o assuto que você propôs é a seguinte: há uma crise na minha geração. Todos parecem amar o passado com fervor.E participar de algum movimento alimenta a ideia de revolução. Embora às vezes acho que é somente pra não se setirem sozinhos. Entretanto, não há mais espaços para revoltase como vc mesmo disse o poder está nas mãos de muitos, há sempre
aqules que se dizem represetantes das mais diversas facções, daí caimos na inércia e acreditamosque esta tudo democraticamente bem. Além disso ha esses rebeldessem causa queaum se conformam com oa pais que tem e decidem se revolrtar, ate mesmo viram puncks, e nem sabe o que é isso. tbm a educação que estamos recebendo hoje em dia nos tora cada vez mais descompromissados com as nossas ideolgias....
eric renan ramalho · Belo Horizonte (MG) · 26/12/2006 17:17
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