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leituras para refrescar a cachola: Guimarães Rosa em cartas
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Último fim de semana de férias - férias relativas, bem entendido: estou aqui, na labuta cotidiana da tradução, quase sem sair da frente do computador.
Mas de vez em quando paro, que também sou filho de Zaratustra, ora. E sento-me à poltrona da sala, acendo um charuto (isto não é prosa fake de poseur: eu realmente faço isso) e me acomodo para ler um ou mais livros. Geralmente mais de um: compulsão pura, o que se há de fazer?
Ontem foi o que fiz: acomodei-me à noite na poltrona (mas excepcionalmente não acendi charuto algum, o calor estava dos diabos e a umidade do ar não tinha dado o ar de sua graça) e equilibrei uma pequena e singela pilha de livros num dos braços (ainda não tenho mesinha, a grana anda curta).
E comecei pela correspondência de Guimarães Rosa com seu tradutor italiano, Edoardo Bizarri. Belíssima, como aliás costumam ser belíssimas quase todas as correspondências, no tempo em que se escrevia à mão ou à máquina. O computador e o e-mail, infelizmente, parecem ter metamorfoseado esse prazer de tal maneira que tirou a aura (no sentido conferido por Walter Benjamin em seu sensacional A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica - quem ainda não leu, corra) do bem escrever. A correspondência roseana parece por vezes até simplória demais, com muitos elogios e cumprimentos ao tradutor (um italiano que vivia em São Paulo e foi diretor do Istituto Italiano de Cultura). Mas o livro não é feito somente de rapapés (ainda que merecidos): a troca de idéias entre os dois com relação à tradução dos contos e novelas de Corpo de Baile é de uma beleza sem par. Quem já tentou ler Rosa e não conseguiu, seja porque achou chato, seja porque achou difícil se embarafustar pela selva de palavras desconhecidas do habitante da cidade, talvez devesse ler esse livro primeiro (e também a correspondência com o tradutor alemão, Curt Meyer-Clason, que traduziu Grande Sertão: Veredas). De repente é como se todo o caminho à frente ficasse iluminado, e brotasse um manancial infinito de saboroso no meio do Liso do Sussuarão. Quem for de ler que leia. Riobaldo dizia que viver é negócio muito perigoso. Mas ler Rosa é negócio muito saboroso.
tags:
literatura guimaraes-rosa carta traducao correspondencia livro
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oi Fabio,
sou novata aqui e andei procurando tags Guimarães Rosa, pelo qual estou apaixonada... Obrigada pelas dicas dos livros. Vou procurar.
karinak · Rio de Janeiro (RJ) · 23/1/2007 11:04
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Seja bem-vinda, karinak!
Em breve vou publicar mais coisas dosobre o Rosa por aqui, fique ligada.
Abraços!
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 23/1/2007 12:55
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Que mundo bacana, poder presenciar o encontro de duas pessoas tão legais.
Karina, esse é o Fábio, grande colaborador do site, professor em SP, roteirista, tradutor e tantas outras coisas que ele ainda não revelou. Boa praça carioca radicado em SP.
Fábio, está é a Karina, ex-professora de faculdade de Jornalismo, amiga sumida e uma das pessoas mais legais e inteligentes que já conheci. Estão apresentados :)
Thiago Camelo · Rio de Janeiro (RJ) · 23/1/2007 14:55
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Opa, que legal! Muito prazer, Karina! :-)
(Idem para você, Thiago: foi um grande prazer ter conhecido você pessoalmente. Precisamos conversar mais da próxima vez em que eu for ao Rio, rapá. ;-)
Fábio Fernandes · São Paulo (SP) · 23/1/2007 15:19
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oi Fabio, muito prazer tb em te conhecer! Sermos apaixonados por G. Rosa já é um trunfo na nossa biografia, né?
Thiago -- muito obrigada pela apresentação tão generosa! Como te escrevi (comentando a sua dica do Chafariz), fiquei muito feliz de saber que vc está nesse projeto. Depois escreva por email dando notícias.
abçs pros dois,
karinak · Rio de Janeiro (RJ) · 24/1/2007 15:06
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