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Passei o carnaval trabalhando - e lendo. Enquanto elaboro um texto maior para este blog (parte do projeto que, com o auxílio pra lá de luxuoso do overmano Egeu, estou elaborando devagar, como se deve), aqui vai uma minúscula lista do que andei lendo neste carnaval e continuo lendo agora.
Contos/Uma Antologia - Machado de Assis (organização de John Gledson). Uma seleta em dois volumes lançada em 1998, contendo o melhor da produção de Machado, com três contos que até então não haviam sido lançados no formato de livro. Destaque para A Igreja do Diabo (incrivelmente cinematográfico: alguém já filmou essa história?? Em longa não, mas minha memória falha me diz que talvez em formato de curta-metragem - se alguém souber, cartas para a redação), Suje-se Gordo! e Uma Visita de Alcibíades. Além, claro, dos clássicos Teoria do Medalhão, Uns Braços e Missa do Galo.
Carnavais, Malandros e Heróis, de Roberto da Matta - Um texto fundamental de Antropologia Cultural para ser lido por qualquer brasileiro, independentemente de sua profissão. Da Matta escreve mantendo-se dentro de uma estrutura acadêmica e teórica sem abrir mão de sua clareza. É um livro que merece releitura constante, e será comentado aqui com mais profundidade em breve.
O Som e o Sentido, de José Miguel Wisnik - Outro nome importante da Academia que fala ao popular, o compositor José Miguel Wisnik conta "uma outra história das músicas" (é o subtítulo do livro), falando sobre a evolução da linguagem musical do Ocidente associada não só à natureza do som, mas também à natureza dos ritmos de nosso corpo. É um dos exemplos que gosto de citar aqui: a cultura analisada por brasileiros sem necessariamente ficar circunscrita ao Brasil. Wisnik cita John Cage, Bach, Webern, Schoenberg, Steve Reich e Terry Riley, entre muitos outros, como parte de uma mesma tradição musical honrada pelo tempo, como os falantes de língua inglesa costumam dizer, uma tradição na qual também os brasileiros se inscrevem com sua multiplicidade - como vimos, por exemplo, no carnaval deste ano em Recife e em Salvador, onde Alceu Valença, Daniela Mercury e Gilberto Gil convidaram, para suas festas/trios elétricos, nomes que normalmente não associaríamos à festa de Momo, como Zeca Baleiro, Borghetinho, Zeca Pagodinho e até cantores líricos. Este é o Brasil, senhoras e senhores. E é bom.
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literatura jose-miguel-wisnik roberto-da-matta machado-de-assis fabio-fernandes cultura-e-sociedade
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