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Os Dez Melhores Discos do Rock Gaúcho: Cascavelletes
Eduardo EGS, Porto Alegre (RS) · 23/6/2006 00:48  

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overponto
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Seis faixas. Seis clássicos. Precisava mais? Claro que sim, mas essa meia dúzia vale mais do que muito disco ?completo?, com doze, treze músicas. Nesse primeiro registro oficial dos Cascavelletes, de 1988, foram polidas as bagaceirices da demo, aprimorando o som. Mas sem perder o caráter sexual das letras e as bases roqueiras, que são a marca da banda. Felizmente.

Tá certo que a união de caras como Flávio Basso, Nei Van Sória, Frank Jorge e Alexandre Baréa só podia resultar em algo interessante, mas esse disco é um exagero de bom. A começar por Carro Roubado. O riff da introdução é marcante. A linha de baixo do Frank é ótima e a melodia idem. ?Você tá sempre certa daquilo que diz/Tira as pessoas do caminho quando anda na rua/Você não quer nada nem ninguém ao seu lado/Talvez um cara bonito ou um rico otário?, canta o Van Sória. Depois emenda o refrão furioso: ?Agora eu dirijo um carro roubado/Mas não tem sentido sem você do meu lado/ Agora eu dirijo um carro roubado/Mas não tem sentido porque você não tá do meu lado?. Pra encerrar, um solinho muito bem feito, na medida.

Em seguida vem Morte Por Tesão, música que dispensa grandes apresentações. Rockabilly em chamas, com o baixo mais uma vez destruindo tudo. A guitarra não fica atrás, num ritmo alucinado. ?Eu queria ser um vampiro, pra chupar o sangue da gata/Eu queria fazer vodu, pra conquistar tu/Eu queria ser um demônio e te derreter no meu inferno/Eu queria que ela morresse de tanta satisfação/Eu queria que ela morresse, morte por tesão?, despeja um Basso possuído. A faixa é uma porrada daquelas que a gente leva tempo pra se recuperar.

Mal dá tempo de respirar e já entra Menstruada, tão ou mais antológica do que a anterior. Começa só com as vozes, falando ?Menstruada? quatro vezes. Daí entra um ?Mas mesmo assim eu vou transar?, que indica o rumo da faixa. Num ritmo bem sessentista, com direito a palminhas e tudo, o clima é de sem vergonhice adolescente. ?Ela disse hoje não, meu tesão/Mas eu disse hoje sim, por que não/Além disso eu passei toda tarde estudando pro vestibular/E esta noite eu dediquei a te agarrar?. A letra só vai melhorando: ?Baby eu sei que tu sabe com quantos paus se faz uma canoa/Mas baby tu não sabe com quantos paus se faz rock and roll?. Esse é o tipo de tema normalmente estranho pruma canção, mas em se tratando de Cascavelletes, é mais do que normal. Não é à toa que virou um hit imediato.

Ugagogobabagô abre o lado B com a bateria galopando, ou troteando, num termo mais gaudério. Aqui a mistura de rockabilly e punk é mais clara do que nunca, com direito a solinho que parece ter vindo direto dos anos 50. O minimalismo da letra é algo: ?Eu chamo a gorda monga e digo uga, uga, uga/Eu chamo a gorda monga e digo go, go, go/Eu chamo a gorda monga e é o seguinte/Babababababagô?. Dá pra dançar, bater cabeça, fazer ?air guitar?. A música se presta a tudo isso. E muito mais.

Uma das melhores baladas já feitas neste estado vem na seqüência. E chama-se Estou amando uma mulher. Triste e raivosa ao mesmo tempo, destila amargura: ?Estou amando uma mulher/E é só brinquedo que ela quer/Estou amando uma mulher/E é só brinquedo que ela quer/Sim, eu sei que ela só quer brincar/Me usar/E nada mais/Mas eu juro que eu vou comprar/Um diamante e me entregar?. O solo é perfeito pro clima da faixa e pros gritos alucinados do Basso, a la Mick Jagger, que fecham essa música irretocável.

O EP termina com Jessica Rose, numa versão ao vivo, bem diferente da versão de estúdio que sairia um ano depois no ?Rock ?A? Ula?. O riff é grudento e poderoso, e a melodia tem influência sessentista. ?Jessica rose, vai viajar pro interior/Para casar com um marujo tatuado, dublê de ator/Jessica rose, gosto de teu negro humor/Do teu shortinho de jeans enfiado rattle 'n' roll?, diz a letra, encerrando bem no espírito abusado dos Cascavelletes. Convém lembrar que eles serviram de influência prum número absurdo de bandas, em grande parte por causa dessa estréia fantástica, que só precisou de seis faixas pra mostrar a que veio. Imagine se fosse um disco ?completo?, então.

tags: musica cascavelletes rock-gaucho rockabilly punk ep porto-alegre rio-grande-do-sul


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