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Pasolini e o futebol como linguagem: entre a poesia e a prosa
Marcos Carvalho Lopes, Jataí (GO) · 10/6/2006 22:17  

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overponto
Seguindo a sugestão da pauta nacional pra esse tempo de Copa...vai um texto sobre futebol. Uma sugestão de brincadeira a partir de uma intuição do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini.

Píer Paolo Pasolini, logo após o final da Copa de 1970, escreveu um interessante artigo em que analisa o futebol como uma linguagem não-verbal em que jogadores cifram e torcedores decifram um mesmo código. Pasolini constrói uma série de analogias chegar a conclusão de que o futebol de poesia da seleção brasileira havia vencido a prosa estetizante da seleção italiana naquela final.

Pasolini advoga que por motivos histórico-culturais o futebol de alguns países se aproxima da prosa (seja ela realista ou estetizante ) e outros da poesia. O gol seria sempre um elemento poético, uma subversão aos padrões do código, assim como o drible. O autor então lança a pergunta: ?Quem são os melhores dibladores do mundo e os melhores fazedores de gol??, a resposta que consegue já conhecemos: são os brasileiros, que, por isso podem ser classificados como fazendo um futebol de poesia. O futebol de prosa se submete a um sistema, onde a organização coletiva do jogo e as regras de sua dinâmica seguem as regras do código de tal modo que se espera de um poeta realista o arremate final: o gol.

O artigo de Pasolini inspirou alguma a ver na derrota da seleção brasileira de 1982 para a Itália a revanche do futebol de prosa sobre a poesia brasileira: a partir daquela traumática data o jogo brasileiro teve que tornar-se mais prosaico para tornar-se mais competitivo. Nesse sentido é interessante pensar que Telê Santana era um técnico que adorava fabular esquemas poéticos, conquanto Carlos Alberto Parreira seria um prosador nato.

Engraçadas essas fabulações! Resolvi especular sobre essa intuição pensando na seleção atual: Emerson, Juan, Lúcio e Zé Roberto seriam primordialmente prosadores ?! Juninho Pernambucano traria uma poética sólida, ?de pedra? e com pendor épico. Robinho tenderia para os versos livres e Ronaldinho Gaúcho? Consenso talvez existe em afirmar que Ronaldo seja primordialmente um poeta épico...lembrando de outros: Romário seria na grande área um mestre hai kai...e Pelé?

Precisaria mesmo de um código do código do código: essa linguagem está se mostrando difícil de traduzir...talvez outros tenham mais sorte!

tags: diversao marcos-carvalho-lopes copa-do-mundo futebol


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