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Pato Fu e um mal entendido que deu certo...
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No mês passado escrevi um texto sobre um show do Pato Fu em Jataí. Na verdade, me enganei redondamente ao tentar ler o que estava escrito na camiseta de Fernanda Takai...e a partir desse erro acabei tendo contato com ela. De modo muito simpático, ela corrigiu meu equivoco e ainda resolveu escrever sobre o incidente...
Peço desculpas novamente e aqui coloco o texto de Fernanda Takai que há pouco foi publicado no Estado de Minas...é isso aí: eu voei!
EU SEI VOTAR?
(Fernanda Takai)
Uma pessoa escreveu num blog bacana da internet que eu usava durante um show uma camiseta com uma inscrição em francês dizendo: ?eu sei votar e você?? E ponderava que a iniciativa era boa porque estamos em período eleitoral, eu dava visibilidade àquela mensagem mas ele questionava o idioma escolhido. De cara percebi o engano. Pensei em não contar a ele.
O texto estava realmente bem escrito e fiquei imaginando se o desenho da borboleta que estava aplicado na parte de trás da minha camiseta tinha algum outro significado. Até chequei de novo a frente e estava lá: ?eu sei voar e você??. Comecei a tecer várias metáforas explicativas para a borboletinha. Um ser muito frágil que voa e tem a capacidade de se transformar totalmente, passar de um estágio pra outro... Até que ela podia ser o ícone de uma camiseta sobre o voto consciente! Finalmente escrevi ao moço e disse que era um engano, minha camiseta não tinha essa conotação. Como a inscrição estava em letra cursiva, houve o
mal-entendido à média distância. Era ?voler? e não ?voter?. Assim como votar em alguém é diferente de não votar.
Aí me questionei se eu deveria dar esse tipo de recado a quem me escuta ou lê. É importante que as pessoas tenham suas convicções sobre alguns assuntos. Eu tenho as minhas. Mas tenho que confessar que em matéria de voto para as próximas eleições, não tenho. Isso me incomoda como cidadã, não como alguém que tem uma coluna num jornal importante ou toque numa banda de pop rock. Eu queria acreditar que a minhas asinhas de borboletinha podem fazer alguma diferença no vento que trará ares mais limpos sobre o nosso país. E queria dizer para as minhas amigas borboletas que a transformação que aconteceu com a gente, a nossa oportunidade de sair de um casulo escuro vai ser pra todo mundo que nem casulo tem. Como é que se faz? Estou torcendo pra chegar a alguma conclusão firme e poder contar numa reunião com os meus amigos que tenho candidatos e vou votar neles por causa disso ou daquilo.
Os tão aborrecidos programas eleitorais precisam ser assistidos. A gente precisa ler mais sobre política. Os meios de comunicação falam sobre os candidatos, comparam, dão histórico... A gente quer ouvir. Tomara que aqueles que pensam em votar nulo ou em branco também encontrem um nome, vários nomes. São esferas diferentes de poder e já se percebeu ao longo de toda a história que não basta um presidente. Assim como não basta a gente votar e não prestar atenção no que vem depois. Dá pra ser pior?
Claro! Mas dá pra ser melhor, continentalmente melhor. A gente ainda quer ouvir.
Olha, na verdade, eu não sei voar. As asas da borboleta na minha
camiseta estão lá só pra me ajudar nesse aprendizado. Colocar umas
asinhas no sonho também ajuda.
tags:
cultura-e-sociedade marcos-carvalho-lopes pato-fu fernanda-takai
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