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Tempestade cósmica (Parte 1)
Fábio Fernandes, São Paulo (SP) · 13/7/2006 10:25  

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overponto
Eu ia dizer que me caiu sobre a cabeça nos últimos dias uma verdadeira chuva de livros, mas pra quê reciclar um clichê? Em tempos cyber-pós-hiper-modernos, nada satisfaria menos a fome de livros de um contumaz leitor que uma tempestade cósmica, senhores e senhoras, nada menos.

Vai daí que este meu primeiro post depois de quase um mês de inadimplência e impenitência está carregado de dicas sobre o que andei lendo nos últimos dias, como uma piccola forma de compensação (não compensa totalmente, mas a questão da periodicidade será resolvida nos próximos dias).

Em primeiro lugar, tirei uma pulga enorme atrás de minha orelha (a esquerda, porque sou canhoto): li Chico Buarque pela primeira vez. Ou pela primeira vez e meia, para ser exato. Li Estorvo assim que foi publicado, mas confesso que não gostei e parei no meio: as explicações da crítica sobre uma espécie de retorno do nouveau-roman francês pelas mãos de Chico não me convenceu.

Mas, recentemente, em minhas pesquisas, andei lendo coisas bastante interessantes sobre Benjamim e Budapeste. Benjamim, quem diria, já tem onze anos de publicado, vejam vocês como o tempo passa! Tratei de lê-lo.

Provavelmente vários de vocês que estão me lendo (se não todos) já haviam lido o Chico, e os fãs de sua música (entre os quais me incluo) me dirão nos comentários (ou ensaiarão dizê-lo): mas é bom, ora, claro que é, como é que você ainda não sabia disso? Pois é, senhores e senhoras, eu realmente não sabia. Penitenziagite, dizia aquele personagem deformado de O Nome da Rosa. Penitencio-me, pois. Benjamin não é bom, é ótimo. Como não gostar de um livro que começa com uma referência-homenagem a Garcia Márquez e envereda por um universo semi-paralelo (isso existe?) que é e ao mesmo tempo não é de jeito algum o Rio de Janeiro que conhecemos? Penso ver um pouquinho de Ítalo Calvino e Antonio Tabucchi na prosa do Chico (o que não surpreenderia, pois Chico morou duas vezes na Itália, uma quando criança, outra na época do exílio). Benjamin é um livro comovente sem ser piegas e nostálgico sem ser chato. Instigante. Mesmo.
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tags: literatura chico-buarque livro


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