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Vida dos índios Pankararu é tema de documentário de João Cláudio de Sena
Marcelo Manzatti, São Paulo (SP) · 20/4/2007 10:10  

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overponto
Da Redação
O Bate-papo UOL com Convidados recebeu nesta terça-feira (17) o cineasta
João Cláudio de Sena que falou sobre o lançamento do documentário
"Pankararu - Do São Francisco ao Pinheiros", realizado em parceria com Paula Morgado.
O filme mostra a migração dos índios Pankararu, originários da aldeia Brejo dos Padres, próxima às margens do Rio São Francisco (sertão de Pernambuco), para a favela do Real Parque, próximo ao Rio Pinheiros, em São Paulo. Fugidos da seca, da fome e dos conflitos com posseiros de terra, os Pankararu vieram, a partir de 1950, em busca de sonhos e de uma nova forma de vida, mas até hoje mantêm um fluxo constante com a "aldeia-mãe" e assim preservam seus costumes e tradições.
Leia a seguir a íntegra do bate-papo
(07:12:40) João Claudio: Boa Noite. Tudo bem!
(07:05:50) Alana: Oi João, quando você começou a notar esses índios na região e por que resolveu documentar isso?
(07:13:55) João Claudio: Oi Alana, eu comecei esse projeto através de outro projeto que desenvolvo agora sobre a Marginal Pinheiros. Eu e minha mulher, que é antropóloga, estávamos fazendo uma pesquisa em 2005 e encontramos os Pankararu. A partir daí, fomos tentar entender que grupo é esse que mora em São Paulo e que tem suas raízes em Pernambuco.
(07:06:27) luna: Oi João, como é esta parceria com a Paula Morgado?
(07:14:51) João Claudio: Luna, é uma parceria de casamento. Na verdade, sou documentarista e a Paula é antropóloga. Nós nos revezamos no documentário. A Paula estruturou o roteiro, conduziu as entrevistas e eu dirijo, faço fotografia, câmera, etc.
(07:11:59) laise: João, atrás do que esses índios vêem?
(07:17:33) João Claudio: Laise, os Pankararus são diferentes do que as pessoas conhecem de um grupo indígena. Nesse imaginário, temos idéia dos índios da Amazônia que ficaram mais preservados. Os Pankararus sofrem desde do século XVII. esse grupo de São Paulo se insere aqui e a primeira coisa que fizeram foi a construção do Morumbi. Eles fundaram a favela do Real Park. Desde então, eles vão em voltam a Pernambuco. A motivação inicial para vinda a São Paulo foi a seca.
(07:18:19) João Claudio: Eles vivem os problemas dos nordestinos. Mas eles conseguem, em São Paulo, algumas coisas para a sobrevivência. Mas o coração deles continua na aldeia mãe.
(07:15:48) edinho: João, sou colega da Paula aqui na USP. Vou ver o documentário amanhã, no CINUSP. Mas desde já parabéns a vocês dois. Aproveito para perguntar: o que mais se sobressai da cultura dos Pankararu na cidade de São Paulo?
(07:20:26) João Claudio: Obrigado Edinho, eu acho que é a capacidade que eles têm em preservar a identidade mesmo vivendo em condições difíceis. Algo em torno de 600 Pankararus estão no Real Park, porém eles estão espalhados por toda São Paulo. A luta deles me impressiona muito. Eles fazem ritual aqui em São Paulo, alguns dos rituais. Porém, alguns são feitos só na aldeia mãe. Durante muito tempo eles foram perseguidos e acho que agora estão mais livres disso.

Membros da tribo Pankararu, tema do novo documentário de João Cláudio de Sena e Paula Morgado
(07:21:28) João Claudio: O preconceito é o mesmo do migrante nordestino, mas há também o preconceito relacionado aos rituais. No Real Park, por exemplo, eles estão ilhados no meio de um bairro de classe alta. Nesses lugares você percebe a vontade em acabar com essa cultura.
(07:22:40) João Claudio: Já houve muito preconceito na favela do Real Parque. Eles sofriam violência, hoje melhorou um pouco. Mas eles estão agora organizados em associação para facilitar a luta dos direitos. A situação está melhor sim, na busca do resgate dessa identidade.
(07:19:04) hemer: como é o seu relacionamento com os pankararu?
(07:23:58) João Claudio: Hemer, o projeto fez com que eu me envolvesse com os Pankararus. Eles têm um sede e nós (eu e a Paula) contribuímos. O documentário é um apoio para que eles consigam ter pelas próprias pernas uma capacidade para interferir na sociedade
(07:19:26) hemer: João, como os índios participaram da feitura do filme (07:25:49) João Claudio: Foram fundamentais, eles pediram para que o documentário fosse feito. Nós abraçamos a idéia e juntos fizemos o roteiro. Começamos a gravar no dia do Índio, em São Paulo. Depois, fomos a Pernambuco gravar. Aqui em São Paulo fizemos alguns vídeos e, dessa forma, o fluxo de imagens foi daqui para lá e de lá para cá.
(07:23:44) Cris: A linguagem dos Pankararu e diferente dos outros índios ou nos entendemos a sua linguagem (07:28:06) João Claudio: Cris, falam português. Eles começaram a perder a língua a partir do século XVII com os jesuítas e um processo de dizimação da língua foi iniciado. A partir dos anos 50, há uma tentativa de resgate disso. Eles tem um ritual importante corridas Bombu e são cantados os Toantes - que são seres que vivem nas serras, seres encantados. Eles se comunicam. Para mim isso é uma tentativa de voltar á língua materna.
(07:24:10) hemer: existe possibilidade de um documentário como este chegar ainda mais perto do grande público?
(07:30:44) João Claudio: Tem sim, a primeiro será no CINUSP . E na Cinemateca, dia 22 de abril. Depois, o documentário cai nos problemas da falta de inserção dos documentários no Brasil.

Tribo Pankararu, de Pernambuco
(07:34:50) João Claudio: É difícil, complicado. Durante o documentário falamos com várias pessoas sobre esse primeiro momento. É sempre difícil, com o coração na aldeia mãe. Mas eles estão aqui desde os anos 50, por isso, acho que é mais fácil controlar hoje. Acho que o preconceito diminuiu.
(07:36:08) João Claudio: São poucos, talvez os mais novos. O que garante a identidade é o ir e vir. Isso é que mantém a identidade acessa. E principalmente, claro, é corrida do Embu e as corridas do Rancho. Que são rituais de passagem dos meninos. Eles tem até um ônibus que vai e volta, uma vez por mês, para lá. O fluxo é grande mesmo.
(07:26:26) edinho: Obrigado pela resposta. Precisamos de mais informações, sérias, sobre os Pankararu de nossa cidade. E seu documentário cumpre sem dúvida esta função.
(07:36:28) João Claudio: Edinho, obrigado! Legal!
(07:28:48) Clara: Pelos seus trabalhos anteriores deu para sacar que você se interessa muito pela urbanidade, não é isso? Por que essa paixão pelas grandes cidades e por que vc acha que é importante ressaltá-la em seus documentários?
(07:39:29) João Claudio: Clara, primeiro porque sou um urbanóide viciado! Não vivo fora da cidade grande - São Paulo. Claro, que há uma relação de amor e ódio. mas como documentarista o que me interessa é discutir isso. Meu primeiro documentário foi o Bananére, um jornalista, e ali eu discuto sobre as transformações do século XX. Foi quando eu descobri que uma série de problemas, discussão que se mantém até hoje.
(07:33:35) Luiza: que horas que vai ser exibido o filme na cinemateca?
(07:40:00) João Claudio: Na Cinemateca, no domingo, às 20h
(07:33:56) Cris: a FUNAI deveria contribuir com assistências pois sabendo que na vila real eram discriminados e sem apoio vc não acha que deveria ter assistência qual a sua opinião (07:40:54) João Claudio: Cris, talvez eles pudessem responder melhor. Pelo que eu conheço a assistência é quase nula.
(07:38:14) Cris: Quantos dias levou para fazer esse documentário já que e difícil assim suponho eles entenderem câmeras e flashes (07:42:54) João Claudio: Cris, o documentário durou 2 anos. Sobre as câmeras, a chegada foi negociada. Não chegamos com ela, fomos ganhando confiança. O elemento mais legal desse processo foi a vídeo-carta. As pessoas não conheciam e nos ajudou a entrar na casa. Depois fizemos o processo inverso lá de Pernambuco. Fizemos pequenas edições e ganhamos confiança ao discutir o que eles queriam dentro do documentário. É uma visão polifônica, a visão deles.
(07:43:35) João Claudio: Não. Nós construímos uma relação de confiança mútua. Não é um documentário comercial. Será distribuído pelo departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo.

Ritual com índios da tribo Pankararu
(07:38:27) Ana: por acaso essa foto de divulgação onde parece estar o dezinho com uma espécie de galho é o ritual da queima da cansanção?
(07:47:40) João Claudio: Ana, é exatamente isso! Esse ritual é fundamental para esse evento que se realiza por vários dias. Não pudemos gravar o ritual pois, segundo eles, faz parte do mistério da tribo. Tomamos esse cuidado em não gravar. Nós assistimos, mas não gravamos. O ritual começa a 1h00 e só param de dançar às 18h. O ritual não é chocante. Como marido de antropóloga, eu já conhecia um pouco do grupo. É muito estimulante a forma de vida, a estrutura do cotidiano que é bem diferente de quem vive na cidade, mas não há nada de chocante. É fascinante.
(07:41:22) Cris: vc deve ser a alegria para aquela tribo pois vcs dão assistência, legal
(07:47:47) João Claudio: Cris, obrigado!
(07:41:28) gedson: eu por exemplo tive a honra de ter passado alguns dias á trabalho ,dentro da aldeia pankararu no município de jatobá
(07:41:36) Jeovanio: Olá, sou morador de Jatobá, onde fica localizada a Audeia Pankararu em Pernambuco
(07:48:52) João Claudio: Jatobá é pequena sim. A área indígena está entre Jatobá, Tacaratu e Petrolândia. Todas cidades são bem pequenas.
(07:44:13) Cris: deveria ser divulgado acesso as escolar municipais,pois essas escolas não explicam que os índios de hoje em dia e diferente daqueles índios,pois as crianças e adolescentes precisam saber mas dessas culturas modernizadas pois o ministério da educ. e cultura deveria se integrar aos cineastas e quem for de direito
(07:51:10) João Claudio: Cris, a distribuição desse documentário será feita pelo laboratório de Som e Imagem de Sociologia da USP. Quem quiser entre no site e peça mais informações. No Brasil existe 735 mil índios mais da metade vive me região metropolitana. Só em SP são 33 mil. Nós estamos vivendo com esses grupos, por isso, eles precisam de um espaço.

Tribo Pankararu
(07:48:07) gedson: gostaria de saber como poderia adquirir esse documentário
(07:51:40) João Claudio: www.morgadodl. com.br/pankararu
(07:48:32) Jeovanio: Minha esposa é Pankararu tmb, só que desaldeada. Ela vai fiar muito feliz em saber desse documentário. Só temos a agradecer
(07:52:09) João Claudio: Jeovanio, que legal! Eu é que agradeço aos Pankararus.
(07:51:34) hemer: e a trilha sonora?
(07:53:20) João Claudio: Hemer, a trilha sonora.. tenho uma parceira que mora em Berlim. Gosto muito da música dela e essa música que abre e fecha o documentário. Temos uma parceria ótima.
(07:52:05) hemer: qual é a marca mais importante do documentário?
(07:55:01) João Claudio: Hemer, a marca mais importante´, pra mim, é a viagem. Para chegar até lá dirigimos muito e as imagens da viagem são ótimas.
(07:57:01) João Claudio: Obrigada pela participação de todos. Espero que vocês compareçam ao CINUSP ou ns Cinemateca.
(08:04:53) Adriana/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de João Claudio de Sena e de todos os internautas. Até o próximo!

tags: cultura-e-sociedade


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