Arco-íris saltitantes Ah, e o vento soprou sussurrando: "vai Bruno, vai Bruno" e olhei para frente e então percebi o tão grande precipício logo ali. logo atrás, encarei o passado dos meus passos, e vi um campo verde e repleto de flores, um arco-íris saltitando pelo horizonte, e ri... arco-íris não saltitam, refleti... e o vento sussurrou mais uma vez: "vai Bruno, vai Bruno" e olhei mais adiante, e vi um campo repleto de um verde saturado, flores mil vezes mais lindas do que as que vi no meu passado. e ao invés de um arco-íris, eram dois! Dois saltitantes... e então olhei para o passado, e o verde era de fato verde, e a única essência de flores que sentia vinha dali, dos passos que fiz e que dali nunca escureceria. e o vento sussurrou outra vez: "vai Bruno, vai Bruno" e olhei para frente, o precipício ainda estava ali, separando-me do verde mais verde que há. mas ele continuava ali... por mais que eu me encantasse com o verde saturado de um horizonte com dois arco-íris... o precipício continuaria ali... Olhei para os passos que fiz, vi o sorriso da minha esposa, dos meus pais e amigos, vi tudo que já tinha, e que na ilusão de um outro horizonte, parei-me na frente de um imenso precipício... entreguei-me a dor, e ajoelhei-me joguei uma pedra no precipício e não escutei nem fim nem resquício de algo que indicasse no precipício uma passagem. mas olhei para trás, e a ternura dos passos conquistados, e que já fazem parte de mim, me fizeram de novo levantar. e ao vento, antes que me viesse falar, tampei-lhe os lábios com meu dedo indicador. e finalmente, o encantamento desfez-se o verde saturado daquele mundo empastado escafedeu-se e o que me restou, era a maior riqueza que já tinha: os meus passos passados e os tantos amigos amados.