De pé - Arianne Pirajá (15/05/2007) Talvez uma valsa, toda a noite sem parar, sem par que não os pés. dois a bailar no chão do céu, cheio de estrelas e de amor. meu bem, desfila teu salto em cima de mim, me esfola me fura, me penetra... o peito quer abrir, como o chão do céu ao engolir teus dedos. sentiu teu gosto. ouviu teu grito. cheirou teu medo. e agora o céu é negro como a música negro como os teus olhos vistos de baixo negro como tua alma. Dorme aqui na calma do peito partido a gemidos. e nunca mais parta. deixa teus pés em par... Teus pés levam, isto é, deixam leves, elevam. Nunca andam, dançam. São um par de histórias. Dedos e caminhos tortos. Indecisos e sentidos, tocantes, nunca tocados. Um pouco de ti. Uma parte dupla. Dói. Tudo dói e doer deveria estar entre as aspirações dos liquidados. Pesa. Doer pesa. O corpo todo pesa, a cabeça, os olhos, os ossos. Reza. Pede o que precisa. Persista e prossiga, pé ante pé. Pé pós-pé. E no pós-parto meio metafísico. Pé de aquiles ao sol de ícaro. Permita-se ser líquido. Deixe que teus pés derretam o chão e as nuvens, voe o vão. Perca.