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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
3/11/2007 00:55 |
1) Estou em São Paulo, 00h30, madrugada do dia 03/11/07 e escuto no Telejornal do SBT, que “JAMELÃO”, 94 anos e grande intérprete da MPB, está hospitalizado, sem dinheiro, doente, sem plano de saúde (ou com pouca cobertura), sem apoio governamental e entregue à sorte. Tudo isso depois de 80 anos de samba e trabalhando pela cultura brasileira. Algo está errado! O que vocês acham?
2) Eu escrevi no OVERMUNDO:
A CULTURA BRASILEIRA VIAJA NAS ONDAS DO ACASO...
“Alguns dados estimados da população artística no Brasil: 50.000 músicos, 40.000 compositores, 100.000 artesãos, 30.000 escritores, milhares de atores e atrizes, e outros não mencionados - dependendo das minguadas verbas governamentais. Faltam programas e incentivos culturais! Sejamos justos: o atual Presidente da República, não é o único culpado. Os presidentes anteriores e outros governos das esferas municipais e estaduais participaram da degradação cultural.”
Link: http://www.overmundo.com.br/overblog/a-cultura-brasileira-viaja-nas-ondas-do-acaso
2) Hermano Vianna escreveu...
Artista tem que poder viver de suas criações. Nada a ver portanto com a idéia que a distribuição de música tem que ser integralmente gratuita, ou outro projeto quixotesco semelhante. Para isso sim, é preciso ser muito criativo. De nada adianta chorar com saudade do tempo em que as grandes gravadoras funcionavam (mas sempre funcionaram para poucos, e hoje há muito mais gente produzindo música por aí). Muita coisa vai mudar. Muita gente vai perder empregos (como os monges copiadores de manuscritos da Idade Média tiveram que partir para outros trabalhos depois da invenção da imprensa). O tempo pode ser cruel para alguns, mas não pára. E como disse Antônio Cícero, numa de suas belas composições: "quem vai colar / os tais caquinhos / do velho mundo".
Link: http://www.overmundo.com.br/overblog/o-contrario-do-liberou-geral
3) Eu comentei sobre o problema autoral e artístico no link acima...
Não sejamos hipócritas!
A "barriga" do músico, escritor, poeta, compositor e qualquer criador de obra intelectual (bem conceituada ou não) necessita de alimentos reais. A farinha, feijão, arroz, frango e outros carboidratos e proteínas são comprados com dinheiro, grana, tutu, bufufa!
Conheço muita gente talentosa e não talentosa que está passando dificuldade financeira... Alguns desses talentos possuem no currículo obras (musicais) que foram e ainda são "sucesso" no Brasil e exterior... E a grana não aparece! O nome é endeusado! E a barriga dói! Outros talentos estão em fase de "despejo" por falta de pagamento do aluguel residencial... Não sejamos hipócritas! A ferida tem que ser aberta! A roupa suja deve ser lavada aqui... Vamos parar com esse negócio de trono, pódio, não me toques... O artista (das letras ou da notas musicais - ou mesmo de outras artes) está passando dificuldade... Muitos não falam em público para não perderem o pódio... E vão para o boteco ou mergulhar nas drogas como válvula de escape! Onde está o dinheiro da obra do autor? Pirataria, licenciamento, bandas largas e Overmundo... Divulgam! E a forma de receber por uma obra publicada? Quais são os meios de transformar algo produzido, em bens de sobrevivência humana! E em dinheiro! Sim... Dinheiro! Ele é necessário para alguém viver... Até para pagar advogados! Ninguém consegue viver de sonhos! O sonho pode matar por inanição!
E preciso repensar o "direito autoral" e o artista brasileiro como gente e "de carne e osso...” A mídia fábrica ídolos e destrói esses mesmos ídolos. Quando a moeda "jabá" para na corrente, o tombo é grande, e o "astro maior" entra no Universo do anonimato.
Alguém aqui é filiado a alguma associação? Eu sou! Não tenho medo de mostrar a cara! Sou da SICAM (compositor), SOCINPRO (selo musical), ex-membro votante do Grammy Latino e estou na área há 25 anos...
Quero a minha parte (em dinheiro sim...) de tudo o que produzo para este país! Tenho o direito de receber pelo meu trabalho... Os bancos não recebem pelo que emprestam? A Petrobrás não ganha pelo que extrai e revende? Alguns cachês artísticos chegam no mercado por R$ 100.000,00 / R$ 150.000,00 / 250.000,00... E por aí andam as coisas! Não sejamos hipócritas... Conheço a área! Não estou aqui pra “tapar o sol com a peneira!” Não tenho medo de me queimar! Nasci com a pele queimada! Sou migrante, negro, caboclo e sei da vida de “Gonzagão”! Ele não pagou “Jabá”! Tinha talento! Por isso é o “Rei do Baião” e meu mestre!
4) Eu continuo chamando todos os criadores de “cultura”, para o debate sobre o “lado financeiro” do artista brasileiro. A coisa não é brincadeira!
5) Onde está o Ministro da Cultura? Os artistas brasileiros estão entregues ao “Deus Dará”!
Abraços.
Lailton Araújo
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Benny Franklin
Belém, PA
3/11/2007 10:13 |
Lailton - grande artista e meu amigo!
Cumprimentando-o.
Digo que este forum que acabaste de abrir, é o mais brilhante, senão o mais importante já aberto no Overmundo. Aqui, neste espaço cultural, onde artista renomado ou não publica suas colaborações, não se fala em direito autoral. Despercebe-se o fato. Talvez, porque o site seja mantido com reservas federais e, isso, dificulte o falar dos Overmanos. Com medo talvez. Mas tem que se falar... E eu louvo a sua iniciativa. O artista ao mostrar a sua cara, tem que ser remunerado. Seja por reserva federal. Seja por reserva público-privado. Mas não aos moldes do que a Lei Rounet aplica hoje em dia. Senão o artista vai viver de quê? Exemplos como este do lendário Jamelão, mancha o orgulho cultural nacional. Depreda a consciência de que temos um governo sério, comprometido com cultura popular: ai se engloba o intelecto e o alimentício. E preciso, portanto repensar o "direito autoral. Parafraseando suas palavras: " ver e o artista brasileiro como gente e "de carne e osso...” A mídia fábrica ídolos e destrói esses mesmos ídolos. Quando a moeda "jabá" para na corrente, o tombo é grande, e o "astro maior" entra no Universo do anonimato.
Quem se coletássemos 1, 2, 3 milhões de assinaturas em todo Brasil, e levássemos ao Presidente Lula, numa gigantesca manifestação pacífica e cultural, ele se sensibilizasse de imediato, e criasse uma medida provisória específica (para outras coisas ele faz...) para garantir como Lei o amparo dos intelectuais desse Brasil, evitando episódios humilhantes qual o caso de Jamelão?
Querido Lailton, para terminar, cumprimento-lhe por ter a coragem de criar este Forum sobre Cultura.
Abraços,
Benny Franklin
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Benny Franklin
Belém, PA
3/11/2007 10:14 |
Quero dizer: Quem sabe...
Abçs. Benny. |
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crispinga
Rio de Janeiro, RJ
3/11/2007 10:37 |
Laílton,
Muito comovente a situação de Jamelão, que sempre recusou o título de "Puxador de Samba", ele era um cantor e intérprete de voz potente e muito fôlego.
Minha pergunta é: Depois de tantos anos de contribuição ao Samba Carioca, a "Liga das Escolas de Samba" vai deixar morrer à mingua um dos seus maiores representantes? Onde estão os "BICHEIROS" que financiam esses desfiles milionários, ninguém vai estender a mão?
Vergonhosa a falta de respeito com artistas que tanto contribuiram para a Cultura Brasileira.
BJS
CRIS |
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
Natal, RN
3/11/2007 10:54 |
Lailton, grande amigo. Concordo com você, com o Benny e a Cris. Algo está errado e não é só culpa do governo Lula da Silva, apesar do descaso à cultura que ainda impera. O problema vem de longe e também não dá para sanar de uma hora para outra. Há uma necessidade de se rever leis sobre direito autorais e a sustentabilidade da cultura. No caso do Jamelão, a coisa ainda é bem pior, até os amigos viraram as costas. Cadê os bicheiros que promovem as escolas de samba no Rio de Janeiro? Ser artista neste pais tá cada vez mais dificil. É vergonhoso.
Elizete |
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Rubenio Marcelo
Campo Grande, MS
3/11/2007 13:26 |
Grande Lailton:
Oportuno e relevante [e deveras sensato] este seu desabafo.
Esta é, infelizmente, a triste e preocupante situação do processo cultural no nosso país. Um país-continente de um patrimônio artístico-cultural admirável, celeiro de gênios em vários campos da arte, mas tendo que encarar uma dura realidade desta (tão bem explanada aqui nesta sua matéria).
A culpa!? Ah... Talvez seja de todos nós. Até pela inação.
Sim... Os artistas brasileiros estão entregues ao “Deus Dará”!
Mas o nosso país é também conhecido como o país da fé (aquela que pode 'remover' esta vergonha).
Por isso - quem sabe - é que já foi dito: Andar com fé eu vou / Que a fé não costuma "faiá".
Fé, sim. Mas, também, ação!
Já. |
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
Oeiras, PI
3/11/2007 14:04 |
Grande Lailton:
Oportuno e relevante [e deveras sensato] este seu desabafo.
Esta é, infelizmente, a triste e preocupante situação do processo cultural no nosso país. Um país-continente de um patrimônio artístico-cultural admirável, celeiro de gênios em vários campos da arte, mas tendo que encarar uma dura realidade desta (tão bem explanada aqui nesta sua matéria).
A culpa!? Ah... Talvez seja de todos nós. Até pela inação.
Sim... Os artistas brasileiros estão entregues ao “Deus Dará”!
Mas o nosso país é também conhecido como o país da fé (aquela que pode 'remover' esta vergonha).
Por isso - quem sabe - é que já foi dito: Andar com fé eu vou / Que a fé não costuma "faiá".
Fé, sim. Mas, também, ação!
Já. Faço coro com o Rubenio: Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já, Ação já...!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho |
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Rubenio Marcelo
Campo Grande, MS
3/11/2007 14:40 |
Joca Oeiras,
Sim... Antes que "A fé esteja pra morrer" é preciso Ação.
Pela transcrição - na íntegra - do meu texto, fica claro que apoiaste o que pensei.
Obrigado.
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brigitte
Goiânia, GO
3/11/2007 15:00 |
Lailton,
É desconsertante tanto desrespeito por aquele que fez o samba ganhar os anais da história da música, nosso JAMELÃO.Concordo em genero, número e grau com a sua colocação e indignação. Nosso país não valoriza a cultura, pois o retorno financeiro não é imediato. As leis de incentivo ao patrocínio são uma piada, e o empresário quer retorno imediato e garantido, algo como isensão de impostos, do que o Governo não abre mão. A situação do artista brasileiro é preocupante, pois poucos tem a felicidade de poder sobreviver e ter uma vida digna com os frutos do seu trabalho artístico e cultural.
Abraços, amigo. |
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
Natal, RN
3/11/2007 15:46 |
Amigos, estou ligada neste fórum, todos os comentários são enviados para mim (chic de doer). Tenho observado que nossas falas se resumem em duas palavras fé e ação , a primeira eu sei + ou - o que venha a ser, a segunda ainda tenho que aprender.
O que é ação na verdade? O que fazer para as coisas mudarem?
O que nós podemos fazer para haver mudança? é só reclamar do governo, das leis estabelecidas ou as leis que não são cumprida?
Eu iniciei a minha vida profissional fazendo vídeos documentários sobre problemas sociais para utilizar na escola. Nunca recebi um tostão de verba publica, todo o dinheiro e maquinário saiu do meu bolso.
Uma vez participei de uma concorrência na universidade para financiar um vídeo documentário sobre a vida e obra de um artista daqui da região. Quem ganhou foi uma colega que propunha um vídeo sobre Paulo Freire, o dinheiro saiu para ela.
O tempo passou o meu vídeo saiu aos "tranco e barrancos" e "papei" dois prêmios (local e nacional). Ela não fez o filme, começou e deixou para lá, disse que perdeu o tesão pela história. E ficou por isso mesmo. Depois descobri que "infeliz" era filha de uma professora da universidade já aposentada.
Fiquei "puta da vida" com a universidade. Hoje descubro que meu vídeo está sendo adotado em várias escolas do ensino básico nas aulas de artes.
Se ação for fazer as coisas sozinhas com o dinheiro do próprio bolso eu sei então o significado da palavra. Se a palavra ação for diferente me digam.
Há coisa mais chata do que participar de concorrência pública para ações culturais neste país? Tentemos então as concorrências dos bancos nacionais e de empresas de petróleo que eu não quero dizer o nome. É o "Ó"!
Elizete
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Alê Barreto
Rio de Janeiro, RJ
3/11/2007 17:02 |
Lailton, obrigado pelo convite a esta importante discussão. Sem querer ser simplista, até porque a questão é complexa, eu arrisco a dizer que a situação da maior parte dos artistas brasileiros deveria ser vista sob o prisma da pequena e média empresa. Eu não sou artista, mas sou um produtor cultural, um administrador e, em útima instância, um pequeno empreendedor. Presto serviços. Acho que há muito que se desenvolver em nosso país em favor do pequeno empreendedor. Eu particularmente luto pela melhor organização do mercado cultural. Por isso, acho que o caminho é lutarmos para construir cada vez mais formas de nos inserirmos na renda nacional. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
3/11/2007 17:24 |
Lailton,
sempre sonhei em fazer cinema desde pequeno. Por isso, na primeira oportunidade lá estava eu servindo cafézinho em um estúdio de televisão que gravava comerciais. Isso foi em 1985.
Era sabido que era mais fácil chegar no cinema, pela publicidade.
Só no de ano de 1989, depois de já ter feito centenas de comerciais como diretor de produção, consegui fazer através de uma produtora, o meu único curta. http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=763
No ano seguinte, tentei buscar recursos para o meu segundo filme, e o que eu escutava dos prováveis patrocinadores, era que não compensava investir em curtas, uma vez que eles eram vistos apenas por meia dúzia de gente em lugares alternativos.
Eles tinham razão no ponto de vista de investidores com fins lucrativos.
Naquela época, a Igreja Universal não havia comprado ainda todas as salas de cinema de bairro e centro. Havia em Porto Alegre, salas com até 1.000 lugares, como era o caso do Cine Vitória, que fica bem no centro da cidade. Percebi que as dezenas de milhares de trabalhadores do centro, tinham em média uma hora e meio de almoço e que eles não levavam mais do que 25 minutos para almoçar. Restando-lhes um bom tempo sem ter o que fazer ou a onde se acomodar.
As sessões do Cine Vitória, só começavam a partir das 13:30, então negociei com a administrção do cinema a exibição gratuíta de curtametragem na hora do almoço. Eram 3 sessões diárias, de segunda á sexta. 12:00, 12:20 e 12:40.
A prefeitura pagava as despezas de enregia e limpeza e o cine ganhava exibindo os trailer dos filmes em cartaz antes dos curtas.
Assim nascia o CURTA AO MEIO-DIA.
Entretanto, como eu era pessoas física e a prefeitura me dava uma ajuda de custo no valor aproximado de um salário mínimo, no terceiro mês, após um sucesso tremendo (500 pessoas p/dia) a prefeitura cancelou o projeto alegando que era pra evitar vínculo empregatício! Nos meses que antecediam as eleições de 1994, eu me encontrava em Búzios e fui chamado a Porto Algre para retornarmos com o projeto. Da mesma forma foi! Passou as eleições, tchau, tchau!
ambém criei e registrei o projeto disque-cultura, que falarei em outro momento.
Mas, em resposta a todos os problemas acima, tenho todas elas em uma comunidade do orkut, que lá postei por ter grande público e ser gratuíto. Entretanto quero muito trazer para o overmundo este assunto que é de extrema importância para o país. http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3578994
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Mansur
Rio de Janeiro, RJ
3/11/2007 17:39 |
Ao desavisado pode parecer despeito e inveja, nós artistas desconhecidos, falarmos mal da mídia em geral e dos favorecimentos financeiros. Mas na verdade conheci muitos artistas talentosíssimos que não tiveram como se firmar, por entender a arte pelo ponto de vista da arte mesmo, e não pelo ponto de vista do mercado. Seríamos nós obrigados a ser "pop" para viver de música, poesia, literatura, pintura...
O financiamento público da arte que não se submete ao "mercadão" é irrisório. Têm que ser "moderno"...têm que ser "pop"...ora, ora, ora...tenha paciência...e Jamelão nessa situação...dá vergonha, Jamelão deveria ser tratado como um monumento vivo. Mas vêm aquele papo...o artista têm que se organizar, se inserir no mercado, buscar os meios...imagine Jamelão escrevendo um projeto para a lei Rouanet. Conseguiu imaginar? Parabéns. Eu não consigo. Esses argumentos engajados são de uma sordidez assustadora...a "elite branca e culta" vê as coisas de cima, e acha que o "jogo" é esse mesmo...se vira nos trinta...e Jamelão que se vire nos oitenta...
E o ministro? Cadê o ministro? Ah...deve estar em alguma performance pelo mundo...ou quem sabe aprovando algum projeto cultural para um show da Preta Gil...esse país não é sério... |
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Fanny
Rio de Janeiro, RJ
3/11/2007 18:14 |
Cadê o dinheiro para ajudar o Jamelão? Enquanto isso ele está sofrendo. A idade é avançada, e sem recursos tudo fica muito mais difícil e doloroso. Ele tem que ser ajudado imediatamente. Depois é muito tarde. Cadê o Ministro da Cultura? Jamelão é patrimônio!!!!! |
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Benny Franklin
Belém, PA
3/11/2007 18:28 |
Senhores,
No caso de alguém querer/escrever sobre o lamentável abandono que toma conta de Jamelão em sua triste agonia, pelos que dirigem a cultura neste Pais e/ou pelos senhores que comandam as Escolas de Samba no Rio, por favor não me venham com o papo inaceitável, de que a colaboração está fora de lugar. Por favor, não!
Abçs. Benny Franklin |
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Rangel Castilho
Anastácio, MS
3/11/2007 19:02 |
Salve, Laílton!!!
Obrigado pelo convite.
Ainda não me sinto bem municiado para falar profundamente sobre o assunto, mas o que me passa pela cabeça e aproveitando seu texto é que, meios existem de garantir o pão de cada dia dos artistas só que não funcionam.
O ECAD por exemplo, da qual a SICAM e a SOCINPRO são afiliadas
e da qual voce é afiliado, têm muitas respostas a dar aos artistas.
Assim como muito dinheiro a repassar.
Também segundo alguns artistas, entre eles o compositor Abel Silva
veja esse link:
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=684
diz que grandes empresas que deveriam dar o exemplo e pagar o que deve aos autores são os primeiros a dar calote.
É grave a situação dos artistas pois até o serviço social (o famoso INSS) que deveria reconhecer a flexibilidade da carreira e montar um plano diferenciado para cantores, compositores, etc, nada faz.
Vou tentar ler alguma coisa, depois eu volto!!
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
3/11/2007 19:18 |
AMIGOS E AMIGAS...
Quero argumentar ao que foi escrito pelo amigo Rangel Castilho - muito boa a exposição sobre o compositor Abel Silva - e dizer que eu coloquei a SICAM e SOCINPRO, como exemplos de associações que estão vinculados a maioria dos artistas e criadores culturais.
Não estou defendendo estas associações acima. Tive e tenho brigas semanais pelo repasse de meus direitos autorais (grana pequena), e ainda sou menino na música. Outros autores e autoras possuem uma vasta obra musical ou literária. Têm o direito de receber pelo que criaram. O Ministro Gil sabe desses rolos autorais, e até hoje não colocou o tema para investigação. Nem o jabá foi investigado!
Falando mais uma vez de "JAMELÃO"...
O MinC, Gilberto Gil, Lula, Secretários, Governadores, Prefeitos e outros, sabem ler...
O descaso com o artista “JAMELÃO” não é de hoje. Leiam a matéria transcrita integralmente da “Folha Online”.
21/11/2006 - 18h30
Jamelão sofre outro derrame e é internado no Rio
da Folha Online
O sambista Jamelão, 93, sofreu o segundo derrame em pouco mais de um mês. O famoso intérprete da Estação Primeira de Mangueira deu entrada nesta terça-feira no hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro, e será transferido para o hospital Copa D'Or.
De acordo com o boletim médico divulgado no início da noite de hoje, o cantor e compositor apresenta, além do derrame (ou AVC, sigla de acidente vascular cerebral), um quadro de forte desidratação.
Jamelão já havia sofrido um derrame em outubro. No dia 25, foi internado em São Paulo, onde morava temporariamente devido às apresentações semanais no Bar Brahma, na região central de São Paulo. Apesar de andar normalmente, o AVC afetou suas funções cognitivas. Com isso, ele ficou impossibilitado de gravar o CD das escolas de samba do Carnaval de 2007 --foi substituído por Luizito, outro intérprete da Mangueira.
Leiam a matéria completa...
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u66255.shtml
Eu escrevo...
O MinC precisa ouvir este foro do Overmundo. O Brasil é de todos! Os políticos brasileiros e seus auxiliares são pagos com o dinheiro dos impostos de todos os cidadãos. Inclusive dos impostos arrecadados pelos criadores da arte brasileira!
Será que eles estão lendo o que estamos debatendo?
Abraços.
Lailton Araújo
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Lígia Saavedra
Ananindeua, PA
3/11/2007 19:41 |
Se Jamelão, artista mundialmente conhecido, está nessa situação imagina o Zé das Couves. Este assunto me diz respeito mas sinto-me envergonhada de dizer que cantei por vinte e seis anos e não teria dinheiro para bancar, assim como Jamelão, um hospital. Sem carteira assinada, sem aposentadoria. Aqui no Pará, não temos Sindicato e a Ordem dos Músicos esteve por anos fora do ar por conta de uma administração fraudulenta.
Prefiro nem falar no assunto, mas quem sabe Jamelão não vire nome de rua, ou eu. |
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Bia Marques
Campo Grande, MS
3/11/2007 21:22 |
O assunto é vasto... Aqui no Matão reiteradas vezes debatemos como pode acontecer de num mesmo evento pagar mil xis pra um artistas e 0,000001 xis pra outro, também não cansamos de questionar onde está a verba que o ECAD recolhe e deve repassar ao autor. O caso é que temos uma faca de "dois legumes" porque lei e governo são ineficientes, também o artista o é na hora de lidar com seus direitos e pensar/produzir além da arte, sua própria sobrevivência... Não vejo solução imediata nem pro Jamelão (que os anjos olhem por ele) nem pros milhares de brasileiros na mesma situação (artistas ou não)... Entendo que postura e atitudes cidadãs se constroem e modificam muito lentamente, mas somente por aí a situação pode encontrar uma saída efetiva. Educação e Saúde são garantias constitucionais, mas só faz valer quem é dono desse saber. |
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Claudia Puget
Muqui, ES
3/11/2007 23:22 |
Fui Atriz... digo:sou Ex-Atriz. com tranquilidade, pq. preferi assumir q. ñ trabalho pago mais para trabalhar... mas houve o tempo abastado, e geladeira cheia, qd. fiz muitas propagandas(anuncios, comerciais) foi uma época bacana... fiz novela... ai um diretor me chamou a atenção, pq. pedi p/ refazer uma cena, e ele é e foi capaz de passar minha cabeça em uma bandeja. cai de um ponto alto.
mas ACORDEI.
hj. voltei a estudar,e abracei a Educação, ñ é na esperança de ganhar mais... hahehe... é só p/ ter um trabalho artistico, mais consistênte e construtivo, contribuindo p/ a construção de pessoas.
Já faz tempo em q. artistas devem trabalhar somente por um prato de comida.
Toda a Energia dispensada a promover boas e verdadeiras gargalhas é possivelmente mensuravel.
abençado sejam os artistas,
Que possamos ter uma Proteção Divina Sempre.
...
puget
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carlos magno
Rio de Janeiro, RJ
4/11/2007 00:06 |
Olá amigo Lailton Araujo,
Obrigado pelo convite para entrar neste debate de suma importância para todos nós.
O direito autoral sempre foi um grande problema nessse país.
O autor já é inferiorizado pela omissão do seu nome quando sua obra é executada na midia. Eles só anunciam o nome do cantor.
Como compositor, apesar de ter mais de 50 músicas gravadas por vários cantores importantes, como: Elza Soares, Jair Rodrigues, Hebe Camargo, Benito de Paula e outros Mais, nunca vivi de direitos autorais. Sempre me defendicomo cantor me apresentando em shows. Batalhei duante 15 anos consecutivos nos Bares e boites de São Paulo. Naquela época os fiscais dos direitos auuorais recebiam uma planilia com o repertório que era executado pelos músicos e cantoresde cada estabelecimento mas mesmo assim tudo continuou na mesma.
Por isso é que eu digo que o direito autoral, semprefoi um grande problema nesse país.
Meus inceros aplusos e abraços amigo Lailto Por esta iniciativa.
Carlos Magno. |
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Marcos Paulo Carlito
Coxim, MS
4/11/2007 00:10 |
OK, ok, ok, ok, ok, ok, ok, ok, ok, ok, ok, mas, o que mais?
Não, porque o ponto de vista de todo mundo é ótimo. O meu nem vou colocar porque seria redundância.
Estou conforme o Joca, o que vamos fazer para ser diferentes da grande maioria brasileira?: Olha, fala, e vai embora metendo o pal no mundo?
Nestes casos sou de poucas palavras. QUERO AÇÃO!!! AÇÃO!!!
Proponho um abaixo assinado com nome, CPF e endereço de cada um dos overmanos. Em favor de que? Da aposentadoria para os artistas? Não sei, teríamos que por em votação aqui:
Fazemos o abaixo assinado no Overmundo? sim ou não?
Caso sim, para conseguir o que? Pleitear um direito ou manifestar nossa força e indignação?
Meu voto é: sim, abaixo assinado!
Dirigido a quem: Ministro da Cultura
Para conseguir o que?: Uma resposta objetiva e pública, aqui no Overmundo, sobre o que ele, efetivamente, vai fazer para salvaguardar artistas da envergadura de Jamelão (se formos pensar em salvaguardar todos os artistas aí fica difícil. Penso que devemos dar um passo de cada vez).
Se alguém topar eu topo. Se tiverem idéia melhor, topo também. O que não dá é ficar apenas na observação crítica.
Grande abraço com muito respeito a todos! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/11/2007 00:26 |
Marcos Paulo,
A ação já foi oferecida lá em cima.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3578994
Será que não ficou claro que este projeto tem condições de injetar quase 2 bilhões de dólares anuais para a cultura popular brasileira? Ninguém achou interessante ou nem se deram o trabalho de ler? Nem uma dúvida ou pergunta?
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Benny Franklin
Belém, PA
4/11/2007 00:56 |
O ponto de partida - além de uma manifestação pública, ou que sabe. coleta de milhões de assinaturas direcionadas ao Ministro da Cultura (?) e ao Presidente (?) exigindo Medida Provisória (mas têm que ver se cabe isso...) no intuíto de criar Lei Específica como garantia e salvaguarda aos fazedores de cultura neste País -, pode ser esse Projeto do Kais contido em sua Comunidade no Orkut. É de se analisar, ou de fazer os ajustes necessários, no que nele couber.
Portanto, acho que todos nós opinando algo, quem sabe encontraremos bela saída?
Então, vamos empurrar o barco!
Abraços,
Benny Franklin |
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Mestre Jeronimo - JC
Austrália
4/11/2007 01:59 |
Axe' Lailton...
...grande poeta, ativista, artista... amigo, convite feito, o jogo... ta 'bao'... ,
Muita gente, na roda, gingando musica, discussao...
Tua questao: será que eles estão lendo o que estamos debatendo?
Outra, do Mansur: sera que todo mundo precisa ser "pop"?
Deveras, tem muita acentuacao neste jogo, e muita gente morrendo, pois, pra isso, estamos vivendo. Ate aih, nada de novo, neh?
Entao... serah que 'jamelao' sendo mais um de tantos, vai despertar algo que vale pra ter a acao, que eh sugerida? Eh uma questao, mais uma sugestao, quem sabe, a gente ate consegue fazer essa acao... sabe quem!?
Enfim, sem fim... esse assunto, parece que vai perdurar ainda por muitas linhas, eu vou meditar mais um pouco, e ler, idem, quica, responder ate a mim proprio, NA ACAO, quem sabe, ate consigo ter uma razao, pra fazer MINHA REVOLUCAO!
Sarava pra quem de feh... caminhando e cantando, seja com Clementina, um joao... e quem evoca a emocao, feito seo Jamelao.
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j.alves
São Paulo, SP
4/11/2007 07:32 |
Parabens Lailton por expor a dura miseria que esta vivendo a classe artistisca que nao sao os deuses escolhidos pela midia e nem sempre tem qualidade, pois a maioria esta passando por uma situaçao até humilhante, pra poder sobreviver, isso em todas as areas, musica. artes plasticas, etc Vivemos num pais dito cultural mas o artista é obrigado a viver muitas vezez tratados como lixo, ou pior que bandidos pois nao existe Direitos humanos pra proteger, como muitos artesaos que nao podem trabalhar nas ruas pela prefeitura,as poucas feiras de artesanatos estao loteadas e os artesao nao tem acesso popis os espaços estao vendidos na maioria por gente que nao tem que fazer, aprende umas coisinhas em programas deTV, e acabam comprando os espaços dos artistas de verdade que estao obrigados a pastar, e nem poder trabalhar como nao tivesse que pagar contas e se sustentar, inté pela policia militar que nao tem mais que fazer pois o artista de rua é que virou bandido , pois secretaria de cultura só existe para os eleitos que tem todo apoio da midia e do Des,governo.
enquanto isso a maior parte dos artista dança, Será que o artista só tem direitos depois que morre ?? |
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Mailsa
Petrópolis, RJ
4/11/2007 10:40 |
Estou como a Lígia e a Claúdia lá em cima. Preferia nem falar nisso porque vejo pessoas que amo muito vítimas dessa sacanagem e desse descaso. Mas também acho que alguma coisa tem que ser feita e sinceramente a gente ficar aqui reclamando e reclamando não sei se ajuda muito. Já estou de saco cheio da dura realidade de meia dúzia ocuparem seu lugar no olimpo dos subsídios e financiamentos e milhares de artistas fantásticos passarem a vida na "cova rasa". E não venham culpar a pirataria porque muito antes disso a situação do artista no Brasil já era de total abandono. Eu defendo todos os dias a arte como forma de empoderamento do sujeito e de transformação do mundo, e quero continuar defendendo com a certeza de que o artista pode viver com dignidade. A idéia do Kais lá em cima procede, mas eu gostaria de entendê-la melhor. Quem sabe não se poderia dar uma arrumada e postar aqui para a gente discutir, mesmo porque lá só consegue entrar quem tem orkut. O Benny também sugeriu algo como um abaixo-assinado, alguma coisa assim.... bem...
bjs. Mailsa |
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Labes, Marcelo
Blumenau, SC
4/11/2007 12:05 |
Laílton, respondendo diretamente ao teu texto, sem ler os comentários:
Aí está. Overmanos de todo o país dizem que conhecem pessoas (se não são elas próprias) que passam por dificuldades, e eis que também posso dizer que conheõ aritstas que passam por dificuldades.
O que tenho percebido por aqui é que a classe tem se 'profissionalizado', ou seja, tem tentado e conseguido, muitas vezes, se beneficiar de projetos municipais e estaduais. Existem, por exemplo, no estado, um curso bem bacana que ensina como fazer o projeto. Outro, que ensina como executá-lo.
E há o povo que não consegue passar nos editais, que tem que procurar outras saídas. Alguns amigos meus dão aula de música. Alguns, fazem arte decorativa (sendo grandes artistas plásticos, desde já) para conseguir pagar o aluguel.
Daí eu penso: há saída? Imagino que sim. E, mesmo verificando o Brasil como um país difícil para se viver sendo artista, creio que o artista pode se especializar em outras coisas além de na sua própria arte. E uma dessas especializações talvez seja "encontrar formas rentáveis de vender sua arte".
Acho que hoje podemos abdicar da imagem de artista mítico, um semi-deus que vê o mundo de cima e lá faz a sua arte. Digo isso porque também conheço muita gente que espera que apareça um mecenas que lhe vá comprar as obras ou uma gravadora que lhe vá gravar e distribuir as músicas, quando esse é o caminho mais difícil. |
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Rubenio Marcelo
Campo Grande, MS
4/11/2007 12:17 |
... Enquanto isso, o grande Jamelão (ícone da cultura musical brasileira, especialmente o samba) continua em périplo com a sua dor, peregrinando nosocômios, já tendo passado por 'Santa Casa', Copa D'Or e, agora, Casa de Saúde Pinheiro Machado (RJ).
O Santo Padre João Paulo II, no auge da lucidez que lhe era peculiar, afirmou - com sabedoria - num discurso perante o Mundo da Política, da Cultura e da Arte: “Se a Cultura for marginalizada, se a Arte for descuidada e desprezada, põe-se em perigo a própria sobrevivência de uma civilização, porque se impede a transmissão daqueles valores que constituem o bem comum e a profunda identidade de um povo”.
No nosso caso, recentemente, foi dito, com propriedade, que estamos diante de "um apagão na cultura". Mas não podemos (nem devemos) ficar apenas criticando (como já foi exposto acima) o fato de que aqui apenas as elites são tratadas a caviar. Não. O que temos que fazer é encarar de frente os açoites das adversidades, e buscarmos apoios institucionais fortes, adequar e fortificar a(s) legislação(ões) específica(s), fomentar - com determinação e constância - lídimos movimentos, diretrizes e fóruns organizados que visem a modificar as idéias retrógradas, sensibilizar a política cultural (e artística) e fortalecer as bases da Educação. Quem sabe, assim, sejamos capazes de - qual a fênix lendária - renascer das cinzas. A causa do êxito ou do fracasso [pode] está em nós mesmos.
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"NATO" AZEVEDO
Ananindeua, PA
4/11/2007 15:34 |
Mas, que merdas... esse computador acaba de APAGAR extenso comentário meu, porque diz ele eu não estava logado !
PALAVRAS SÃO PALAVRAS E NADA MAIS QUE PALAVRAS... já dizia Shakespeare. Mas, volto ao debate:
1} fico com os comentários de ELIZETE e do MANSUR, mas sou contra abaixo-assinados, eles não servem para nada. Melhor será cartas DIRETAS ao Ministro ou aos jornais de cada cidade.
2)SÃO AS PREFEITURAS as primeiras e maiores responsáveis pelo apoio/divulgação/remuneração do Artista... se fizessem isso, cada um teria verba/fama para seguir adiante por seus próprios méritos. "HÁ DINHEIRO PARA TUDO NELAS... MENOS PARA A CULTURA", é o que sempre digo nos meus protestos.3)Em cada cidade/Estado há uma "panelinha" artistica que IMPEDE ou solapa o nascimento de novos artistas, puxando sempre as verbas de programas e projetos para si mesmos ou para seus protegidos e apadrinhados. ALGUÉM NEGA ISSO?
4)A vergonha maior do Brasil não é a morte de nossos (antigos/novos) ídolos na pobreza, mas esse bando de vampiros chamados ARRECADADORAS DE DIREITOS AUTORAIS que cobram de absolutamente todo e qualquer artista e só repassam verbas para os nomes maiores, "sumindo" com todo o restante. Enquanto isso não acabar, ficaremos falando de artistas pobres.
4) as novas mídias (internet, etc) continuam a EXPLORAR o artista desconehcido, enquanto se protegem e faturam com ARQUIVOS de fotos & músicas/imagens que não são seus, para os quais nada contribuiram ou pagaram. A MERDA CONTINUA... |
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BETHA
Carnaíba, PE
4/11/2007 16:06 |
Oi, Laílton,
é lastimável que um país tão culturalmente rico trate assim artistas como Jamelão e tantos outros... sem se falar como somos tratados todos os dias tendo que ouvir essas porcarias nas rádios e televisões! Não acredito em abaixo-assinados, eles sabem exatamente o que fazer, mas escolhem não fazer para benefício próprio! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/11/2007 16:09 |
JÁ Q A MAIORIA Ñ SE DEU O TRABALHO DE AVERIGUAR O Q ESTOU PROPONDO, MOSTRAREI UM POUCO DO DEBATE:
Olá!
Kais, já há algum tempo fui por vc convidada a ingressar nesta comunidade/projeto e somente agora venho tecer alguns comentários pelo fato de que quis ler todo o tópico, para melhor entendimento, e estava, até então, sem tempo para tanto. Mas vamos lá:
É verdade que os veículos de comunicação, mormente a TV, e, consequentemente, as propagandas publicitárias de produtos fabricados por grandes empresas dos mais diversos setores, são grandes formadores de opinião, influenciando a sociedade em geral. Ao influenciarem de forma negativa, o que é a regra (já que, no mínimo, estimula-se o consumo), tornam-se essas empresas responsáveis pelos danos e prejuízos que os seus produtos venham a causar a toda sociedade, individualmente ou coletivamente considerada. Não é à toa a crescente quantidade de ações indenizatórias (principalmente nos Estados Unidos) contra empresas donas de grandes marcas que vendem seus produtos através de propaganda em larga escala.
Assim, enxergo uma relação entre esta responsabilidade e a idéia implícita no projeto: este visa o aprimoramento da cultura em sentido amplo e, a partir da premissa de que a cultura é o maior bem de todo e qualquer povo, conclui-se que a responsabilidade social da grande empresa (que pode gastar tanto com uma publicidade que, não raro, "envenena") deve alcançar o desenvolvimento da cultura.
Pelo que entendi, a lei vertente disciplinaria a arrecadação pelo Ministério da Cultura, através dos órgãos fiscais, de uma porcentagem
- do que as empresas de grande porte gastam com publicidade - a ser destinada aos cofres públicos municipais e, assim, à produção de cultura no local por pessoas que demonstrassem o seu compromisso nesse sentido.
Sim, todos se beneficiariam. Vejo, inclusive, como uma indenização coletiva (e não somente em cada caso concreto, quando dificilmente se consegue provar o prejuízo que o consumo instigado psicologicamente pela propaganda provoca. E isso não tem acontecido no Brasil ainda!). Seria mesmo uma compensação via legislativa aos malefícios
causados pela propaganda de certos produtos (não só de cigarros e bebidas alcoolicas, mas também até de comida, como se pode constatar no documentário "Super Size Me"; enfim, a incitação ao consumo em si já é maléfica e difícil de ser provada, principalmente quando se pode ferir interesses de poderosos).
Destarte, afirmo que a idéia é muito boa! Infelizmente, principalmente no Brasil (nosso país que tanto amamos), é tarefa difícil de ser concretizada. Disponibilizo-me para fazer minha parte e posso estudar, pesquisar, para compreender melhor como funciona todo o processo. Mas eis agora algumas indagações: Ingressemos com um projeto de lei de iniciativa popular perante o Congresso Nacional. Não precisa que esteja perfeito em termos formais, tendo em vista que lá eles formalizaram para a devida transformação em lei e isso nem é mesmo exigido de um projeto de iniciativa popular. Porém, é preferível que sejam estudados todos os aspectos do Projeto a ser apresentado com o maior número possível de signatários representando toda a sociedade porque, otimismos (e não utopia) à parte, é difícil que seja ele aprovado e convertido. São necessários um estudo e a concretização de todos os detalhes, do momento da arrecadação até a distribuição do dinheiro a cada município e a fiscalização do efetivo uso - pelo Executivo Municipal e pelas produtoras do dinheiro - à sua finalidade. A definição da porcentagem em 10% também merece, a meu ver, um estudo. Por que exatamente os 10%? Talvez pudesse haver concomitância entre as leis de incentivo e a "10 para a Cultura". May, mais atrás, falou de cota de patrocínio, mas acredito que arrecadaria pouco se comparado ao que uma lei imperativa conseguiria. Tudo isto, dentre outras questões, mostra que a criação de uma ONG para esse fim pode mesmo ajudar o desencadeamento de todos esse estudos e formalizações. O fundamental, realmente, é que nos unemos a fim de deixar muito claro aos nossos governantes e legisladores quais são as prioridades do povo brasileiro e que o aprimoramento da cultura
converge à obtenção dessas prioridades!...
Pois bem, estou aqui e estou disposta a estudar e a ajudar de alguma forma, além de divulgar a comunidade.
Como muita gente, creio que eu seja um tanto quanto alienada, mas sinto necessidade de me engajar em prol da sociedade. Engajemo-nos!!!
Marisa
Política cultural
Como ex-publicitária, acredito que essa lei incentivará as empresas que investem pesado em marketing e propaganda, para que se estruturem melhor para desenvolver sua política cultural, como muitas já o fazem, que é definir em qual perfil cultural eles vão investir: música, teatro, dança, literatura, etc. Acho que é válido a empresa patrocinadora ser uma "apaixonada" por determinada arte. Me parece mais espontâneo... Se a maioria das empresas fizer isto, será gol pra nós! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/11/2007 16:14 |
Kais
ZUPO
Do meu jeito tosco vou tentar sintetizar o meu pensamento pra mostrar que não é birra minha...
Eu penso que, se os meios de comunicação somente são liberado através de concessões públicas isto denota que este poder de liberação pertence ao povo. Entretanto, é muito irônico a forma como está sendo usado estes meios.
É como se alguém lhe pedisse o seu carro emprestado e com ele viesse a lhe pertubar até vc enloquecer. Com buzinadas, acelaradas, com a fumaça no ar e se bobear pode até lhe atropelar.
Por isso, acredito que a cultura deveria ter voz de comando e benefícios com estas concessões. Uma vez que, a cultura disputa espaço na única forma de se alastrar, usando os meios de comunicação.
Outra coisa absurda é que o governo só financia empresas, pessoas artisticas não. É preciso mudar isto tb! |
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acgt
Campo Grande, MS
4/11/2007 18:09 |
Valeu Lailton !!!
Todas as colocações acima são pertinentes. Todas às vezes quando falamos de crises, de artistas, de falta de investimento e de apoio, nos vem sempre uma indagação:
Não será a “bunda gorda” da totalidade dos nossos artistas?
Veja o caso do nosso estado...
http://www.overmundo.com.br/overblog/ficms-ate-quando-vamos-ficar-coma-bg-na-cadeira
Se não lutaram pelos direitos de receberem o seus projetos aprovados, não tomaram iniciativas, imagina o resto.
Tivemos casos de colegas (artistas) que morreram na pobreza sem nenhum apoio, e hoje ganharam nomes de ruas e espaços culturais.
Para né !!!!
Abraços
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brigitte
Goiânia, GO
4/11/2007 20:43 |
Meus amigos,
JAMELÃO precisa de ajuda é agora!!! O projeto de Lei ou Ong ou Fundação é algo a ser pensado com mais clareza e conhecimento de leis que envolvem essas ações. São ações de longo prazo e o JAMELÃO´tem necessidade é já!!
Abraços.
Que tal uma conta bancaria para arrecadar em favor da famíla de Jamelão? |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/11/2007 21:01 |
Brigitte,
JAMELÃO precisa de ajuda é agora!!
CONCORDO CONTIGO! Mas é muito comodismo da nossa parte, deixar de imaginar que há centenas ou milhares na mesma situação que nem o JAMELÃO, com um agravante, não são conhecido e nem comentados por não serem famosos!
Para o JAMELÃO, basta cada um dos overmundianos enviar um email para o MinC que possibilidades haverá de se resolver! E os outros, que nem tomamos conhecimento?? |
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
4/11/2007 21:26 |
AMIGOS E AMIGAS!
Pegando uma "carona" no comentário do "Kais" - que democraticamente e com conhecimento - está mostrando caminhos necessários, acho que um e-mail para o MinC é algo de urgência. Talvez via "Hermano Vianna". Talvez qualquer brasileiro ou jornalista!
Percebo que vários outros "Overmanos" que possuem uma "ligação quase direta" com o "Ministro Gil", não demonstraram interesse neste assunto. Não é só assunto do "JAMELÃO"... É de todos os operários da arte brasileira... O Grande "JAMELÃO" é urgência... Uma conta corrente "Overmundana" é algo precioso! Depois virão outras formas e soluções!
Talvez no próximo "PRÊMIO TIM", o homenageado seja "JAMELÃO". Os intelectuais gostam de homenagear os mortos! Dá ibope!
E aí? Qual bebida será servida no coquetel dos artistas e convidados para a grande homenagem? E os cachês milionários? E o patrocinador?
Meus amigos "OVERMANOS"... Tenho náuseas! Hipocrisia me faz vomitar!
Ministro Gil... Onde o Senhor está? Presidente Lula... O etanol é mais valioso que um artista brasileiro?
Dinheiro sim! Os caras de Brasília estão lá e cá! Lula lá! Lula aqui! O Overmundo é um site que tem os olhos do Ministro Gil... Sou um bom observador! É coisa de aprendiz de biólogo!
Não vou parar de escrever sobre esse assunto!
Abraços.
Lailton Araújo
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
4/11/2007 21:33 |
E eu não vou parar de insistir no 10 PARA A CULTURA, pois os efeitos da lei que será criada através dele, vai proporcionar uma revoluçao cultural a curto prazo, que irá mudar a cara desse país! |
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acgt
Campo Grande, MS
4/11/2007 21:45 |
Lailton...
Somos taxados “bestas” do nosso Estado (Mato Grosso do Sul, com muito orgulho) pelos “puxas sacos de plantão” apoiamos a idéia !!!!
Conte conosco...sempre !!!!
Abraços
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
4/11/2007 21:46 |
AMIGO KAIS!
Você com todo o conhecimento (sei que tem) poderia dispor o "10 PARA A CULTURA", em uma forma de fácil acesso para todos... Eu sei que a (ou em) longo prazo será (talvez) uma das soluções para o início da grande mudança cultural. É uma tentativa válida!
O que escrevi acima não é uma crítica para você! Sei da sua boa vontade de em pleno domingo, debater algo difícil! Merece elogios! Mostrou ter sensbilidade! Agradeço! Muito mesmo!
Vamos procurar soluções! Quem sabe... Uma lista de reivindicações e mandar via "imprensa"... Os dirigentes culturais - pelo menos - vão ser informados!
Grande abraço!
Lailton Araújo
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Mauro Paz
Porto Alegre, RS
4/11/2007 22:41 |
Salve, Lailton!
Ainda ontem estava falando com meu pai sobre este assunto.
De fato falta seriedade e reconhecimento para com os artistas brasileiros, autores da nossa matéria de maior valor.
Em tempos de fim dos direitos autorais, creio que nós artistas devemos nos organizar para garantir recurso que viabilizem uma produção artística de qualidade e demais direitos trabalhistas, como aposentadoria.
Abraço! |
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Roberto Maxwell
Japão
5/11/2007 00:39 |
Estava escrevendo um comentario gigante que se perdeu. Mas, falava basicamente da importancia da educacao nesse debate. |
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Elizete Vasconcelos Arantes Filha
Natal, RN
5/11/2007 01:23 |
Concordo com o Roberto Maxwell. A educação é tudo para mudar o caos do tratamento da cultura no Brasil. É na sala de aula que começa o conhecimento e o respeito pelos artistas de verdade e com certeza o reconhecimento. Não sei se foi isso que ele falou, já que o texto dele se perdeu.
Sinto uma grande resistência dos "intelectuais" da educação em tratar na sala de aula sobre artistas locais e regionais, acreditando que "as crianças não entendem", no entanto, se não começamos desde já plantando a semente cultural, provavelmente teremos um monte de crianças alienadas achando que Harry porter é mais importante do que " menino de engenho" de José Lins do Rego e que qualquer DJ gringo é mais importante do que Jamelão..
grande abraço para todos e boa noite.
Elizete
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 07:29 |
Amigo Lailton,
em momento algum eu considerei o seu comentário como crítica, ao contrário! Por isso até, que peguei carona nele.
Abraços
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Cicero de Bethân
Vitória, ES
5/11/2007 13:38 |
Salve!
Agradeço ao Laílton o convite, devo dizer que estou à parte do Overmundo, sempre bom quando recebo alguma indicação.
Bom, não vou me estender, acho que primeiro quero fazer um desabafo que já é um começo de conversa:
acho que embora seja batido, é preciso frisar que arte nunca foi levada a sério no Brasil, basta ver a relação que nossas elites sempre tiveram com a arte em geral, como um constante interesse em mostrar um status e um prestígio consumindo uma dita arte superior que para eles dificilmente seria encontrada aqui neste país. Nunca tivemos uma tradição sequer de mecenas. Não é à toa que diria Paulinho da Viola "sambista não tem valor nessa terra de doutor". Nossa cultura nunca foi motivo de orgulho para uma elite posuda. E esta elite é a detentora dos meios que fazem essa máquina cultural andar. E quando falamos de uma máquina cultural, não podemos esquecer o aspecto do lucro que perpassa essa máquina, afinal habitamos em um mundo capitalista! Ninguém acredita que possa viver de ar! Por fim chegamos em várias tentativas de sobrevivência, com as tais associações, sindicatos e tantos outros que pra mim já afundaram na burocracia e nos vícios que um mínimo de poder possa proporcionar. E pra complicar, hoje já discutimos nossa sobrevivência artística sem depender dos tais direitos autorais como concebidos atualmente no copyright que está arrebentando-se no choque com a internet e seus meios de distribuição. Enfim, enquanto falamos "assim" por meio de nossas organizações de artistas os meios alternativos de distribuição dizem "assado". E entre tudo isso as grandes gravadoras gritam como desvairadas que pirataria é crime, que suas perspectivas de mercado hoje são outras, blá blá blá...
Não sei se estou me fazendo entender. Acho que pra começo de conversa vim para confundir e não para explicar! Mas valeu a intenção e principalmente a paciência e disposição dos que lerem e retrucarem meu comentário.
Abraço! |
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Marcelo Oliveira da Silva
Porto Alegre, RS
5/11/2007 13:44 |
É vergonhoso que o Jamelão não tenha um hospital decente, pago pelo INSS, depois de tantas décadas de trabalho. E PONTO! Ponto quer dizer aqui: o fato de ele ser um sambista fora-de-série, de ele trabalhar para cultura, não é agravante nenhum.
Quando um artista famoso aparece numa situação difícil e vem essa choradeira de "o Estado brasileiro não faz nada pela cultura", é preciso perguntar algumas coisas:
a) o Estado brasileiro faz mais pelo esporte? Faz mais pela educação? Faz mais pela saúde? Pela ciência?
b) a contribuição de um artista é, por princípio, superior à de um professor? De um enfermeiro? De um jogador de futebol?
Acredito que a tendência aqui é dizer que o Jamelão prestou um serviço extraordinário à nação. Certo, mas e o Garrincha? E a Dona Maria, que passou décadas ensinando na escola pública e também se interessou profundamente por cada aluno, faltando nunca e muita vezes pagando do próprio bolso um xerox ou o que fosse? Ela foi menos devotada no serviço que prestou pra sociedade brasileira que o Jamelão e o Garrincha?
Alguém lembra das Donas Marias quando uma delas não recebe uma prótese ou uma quimioterapia porque o INSS ou o plano de saúde delas não cobria esses "luxos"?
Gente, artista não é ET. É um trabalhador como qualquer outro neste país que tem muito pobre, mas também tem muita riqueza. A solução não é botar artista em pedestal, é distribuir a riqueza.
O resto é uma choramingação muito velha, muito manjada e por tudo isso muito chata. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 14:18 |
Marcelo,
Discordo!
"Gente, artista não é ET. É um trabalhador como qualquer outro neste país que tem muito pobre, mas também tem muita riqueza."
O artista não é um trabalhador como qualquer outro! Muitas vezes, o seu trabalho suado e sacrificado, só é reconhecido muito tempo depois. Qual o trabalhador que trabalha pra receber sabe-se lá quando?? Qual o trabalhador que trabalha com algo tão importante e "invisível" como o ar??
Muitas vezes, passo noites e noites em claro para fazer um trabalho, que interessa a cultura brasileira, sem sem saber se um dia eu vou receber para isso. E é trabalho!! |
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
5/11/2007 15:34 |
CARO MARCELO...
Você escreveu:
"O resto é uma choramingação muito velha, muito manjada e por tudo isso muito chata."
Eu respondo (respeitando sua opinião):
Não acho que ter sensibilidade humana seja "coisa chata"!
Se existe a "choramingação artística" (como você colocou), é por que existe incompetência em que administra a "cultura" do Brasil. Estamos cansados do descaso! Chega! Vamos partir pra luta! Esse "espaço" não nasceu por brincadeira! Pode ter certeza!
Marcelo! Você é inteligente! Mas parece não conhecer este país!
Una-se aos mais fracos... Você não tem nada a perder! Vai conhecer gente boa, que escreve, canta, fala, passa fome e sabe distribuir solidariedade! Mesmo com frases de carinho!
Você acredita em Deus? Eu acredito... Por isso luto por causas
humanas... E sei brigar por justiça! Na paz... Com música!
O artista é diferente! É a alma de um corpo chamado Brasil!
Agradeço e respeito sua opinião! Estamos em uma Democracia!
Obrigado pela colaboração!
Abraços.
Lailton Araújo
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 15:43 |
"Estamos cansados do descaso! Chega! Vamos partir pra luta! Esse "espaço" não nasceu por brincadeira! Pode ter certeza!"
AMÉM!!
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
5/11/2007 15:58 |
...........................
AMIGOS E AMIGAS...
Já estou começando a mudança...
Seguem os e-mails e telefones de algumas personalidades
do MinC.
O canal está aberto...
1) GOVERNO - MINC
MINISTRO - A/C GILBERTO GIL
(BRASÍLIA/DF) - Tel. (61) 3316-2171 / 3316-2172
( http://www.cultura.gov.br/ )
e-mail: cgm@minc.gov.br
2) GOVERNO - MINC
ASSESSOR - A/C JOSÉ EDUARDO
(BRASÍLIA/DF) - Tel. (61) 3316-2365
( http://www.cultura.gov.br/ )
e-mail: jose.mendonca@minc.gov.br
3) GOVERNO - MINC
ASSESSORA - A/C MARIA JOSÉ
(BRASÍLIA/DF) - Tel. (61) 3316-2189
( http://www.cultura.gov.br/ )
e-mail: asi@minc.gov.br
4) GOVERNO - MINC
GABINETE - A/C ADOLPHO RIBEIRO
(BRASÍLIA/DF) - Tel. (61) 3316-2112
( http://www.cultura.gov.br/ )
e-mail: anetto@minc.gov.br
Vamos tomar um café no MinC.
Abraços.
Lailton Araújo
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
5/11/2007 16:18 |
JÁ MANDEI 4 (QUATRO) CARTAS...
................... CONFORME MODELO ABAIXO......
A/C MINISTRO GILBERTO GIL...
Com todo o respeito artístico ao compositor e músico "Gilberto Gil",
quero deixar os meus mais profundos protestos ao "Ministro Gilberto Gil".
Se possível, gostaria que o amigo (músicos são todos amigos – nas horas difíceis e rodas de samba) entrasse no LINK DO OVERMUNDO, conforme abaixo, e lesse o que a classe artística brasileira (ou parte dela) está achando da "Cultura do Brasil", e o descaso geral.
SITE OVERMUNDO - FORO DE DISCUSSÃO:
http://www.overmundo.com.br/forum/convite-debate-geral-sobre-a-situacao-financeira-do-artista-brasileiro
Desculpe a forma diferente de protesto!
Foi necessário... Continuo fã do artista “Gilberto Gil”.
Desculpe amigo Gilberto Gil!
Abraços.
Lailton Araújo
(Músico e Compositor)
Tel. (11) 9200-0987
e-mail: lailtonaraujo@ig.com.br
lailtonaraujo@bol.com.br
.....................
Agora é com vocês amigos e amigas...
Abraços.
Lailton Araújo
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 16:26 |
O Gilberto Gil como artista, sempre nos ensinou a fAzer o contrário do que vem fazendo como ministro.
O que eu posso fazer, se eu amo aquele Gilberto Gil que conheci quando jovem?
GILBERTO GIL, NÃO ENCARE COMO OFENSAS A DOR DA DECEPÇÃO. SÓ SE DECEPCIONA QUEM AMA! |
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Ulysses Martins
Belo Horizonte, MG
5/11/2007 16:47 |
Vou comentar seu questionamento, embora tenha lido pouco os comentários, ok?
Infelizmente, o talento não conta. Sinto muito, mas a verdade é essa. Quanta gente medíocre está fazendo sucesso! E porquê? Foram produzidos por uma mídia poderosa! Pagaram jabá? Possivelmente. Se não paga, não entra. Desculpe a expressão, mas estamos na época da produção de celebridades fúteis. Jamelão não tem vez nesse contexto.
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Marcelo Oliveira da Silva
Porto Alegre, RS
5/11/2007 17:17 |
Kais, em qualquer país do mundo os artistas e os não-artistas pagam impostos iguais, devem respeitar igualmente as mesmas leis e têm direitos iguais. (Se o artista gasta inúmeras horas de trabalho muitas vezes despercebido e não é recompensado à altura – como você diz – lembre que todas as categorias de trabalhadores podem dizer o mesmo. Inventar é humano.)
É de se concluir que exercem funções igualmente importantes. O cérebro não passeia sem as pernas e vice-versa. O equilíbrio requer tronco, membros e cabeça fortes. Cabeça com cultura, inteligência e consciência igualmente desenvolvidas.
Temos que exigir do Estado brasileiro mais investimento na PRODUÇÃO de cultura, de educação e pesquisa, todas essas proporcionalmente menos incentivadas que, por exemplo, a agricultura, a indústria, o comércio e serviços como o transporte, a segurança e a saúde.
Mas exigir do Estado mais benefícios pro ARTISTA é absurdo e só iria gerar a antipatia de outros trabalhadores.
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Marcelo Oliveira da Silva
Porto Alegre, RS
5/11/2007 17:19 |
Laíton, sensibilidade e racionalidade também têm que andar juntas.
Por sua ARTE o artista Jamelão merece admiração de todos. Por sua DOENÇA, o cidadão Jamelão merece a nossa solidariedade tanto quanto o avô de qualquer um de nós. Tanto quanto qualquer cidadão que tenha pago a vida inteira quase 20% de seu salário pro INSS e na hora da doença fica dependendo de caridade.
O que você expõe com a impossibilidade de o Jamelão ser tratado adequadamente pelo SUS ou pelo plano de saúde dele é um SINTOMA de um problema muito maior, que é a ineficiência INJUSTIFICÁVEL do SUS. Atacar só o sintoma não é racional, por maior que seja a sensibilidade. Se queremos resolver o problema, temos que canalizar as forçar no outro sentido.
Desde esse ponto de vista – que observa a tua primeira mensagem - incluir o Gilberto Gil no assunto saúde do Jamelão é um equívoco.
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 17:34 |
Marcelo,
é comodismo da sua parte em não querer entender do que estamos falando, e preguiça da minha de ter que destrinchar o assunto.
Mas, vamos lá:
Ninguém está buscando benefícios no rastro da lei do Gérson! Estamos falando de condições de trabalho, que a nossa categoria não tem! Para começar, qualquer artista que vá buscar respaldo nas instituções governamentais culturais, lhe é exigido o CNPJ de sua pessoa jurídica (só nesse item, centenas de milhares são barrados), o que é tremendamente injusto. Pois qualquer pessoa jurídica, tem a finalidade de lucrar e o seu responsável, pensar como empresário.
Além disso, qualquer coisa é exigido um PROJETO especificando e detalhando com uma linguagem que muitas vezes o próprio artista não conhece.
Que saco essa preguiça de escrever q estou agora... Só mais um pouquinho...
Então, o que queremo é solução para que este trabalhadores que PAGAM IMPOSTOS, possam dar condições dignas para a sua família com o trabalho que sabe fazer.
Deu pra entender agora, ou vou ter que tomar um RED BULL acompanhado de um café forte? |
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Cintia Thome
São Paulo, SP
5/11/2007 18:17 |
Lailton
Sempre brilhante em tuas colaborações, um assunto muito sério, pois artistas são mais descartáveis do que "guardanapos em lanchonete". neste País artistas são jogados ao Deus dará quando já não produzem lucro às emissoras de Tv, rádio e à industria fonográfica. Artista é um mendigo vestido de "palhaço", enquanto tiver "platéia" e um belo "marketing por trás é o Rei. Quer mais que a Senhorita hehehehe, BBB Isis ganhar , com todas as pompas, honrarias na Assembléia Legislativa de São Paulo? E onde estão as honrarias aos Heróis dos acidentes da TAM ou Gol? Cadê honraria para músicos, atores, escritores, poetas, artistas plásticos? Toda a cultura deste País mendiga patrocínios e tem seus direitos autorais sem fiscalização e lei.E o Jamelão???? Será que vamos ter que passar "cestinhas e o bonés" via internet para dar um alento à família de Jamelão e melhor condições de tratamento a tão importante figura na nossa história cultural e de vida? Onde estão os patrocinadores dos Carnavais? Hehhehehe...Dignidade já!
E estou com o amigo Kais, como podemos pedir patrocínios se temos que ter o tal de CNPJ? Sabe quanto custa um CNPJ, um filho ou mais em escola privada, hehehehe.
Reformulação de tudo.
Ddeixo aqui o meu "sinto muito", pois EU não posso fazer nada, mas os "GRANDES" sim...
Acorda Brasil, se não vou cantar
"I want stay here..."
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Marcelo Oliveira da Silva
Porto Alegre, RS
5/11/2007 18:40 |
Kais, em qualquer lugar medianamente organizado do mundo (e o Brasil não é de jeito nenhum dos últimos dessa fila) um soldador tem que montar uma pessoa jurídica pra trabalhar.
Por que diabos um artista não precisaria?
Parece ruim? Mas além de organizar a atividade, o CNPJ é uma proteção. Veja que no Brasil isso impede que, em caso de dívida, nosso hipotético pintor tenha que vender (por exemplo) o apartamento em que mora para saldar dívidas da sua FIRMA. A FIRMA pode ir à falência e até levar alguns bens do cara com ela, mas não leva tudo. Veja então duas coisas:
a) se fosse aceita a pessoa física, não haveria essa proteção ao empreendimento. Se ao tentar um negócio o cara quebrasse, teria que pagar inclusive com o que acumulou ANTES de abri-la.
b) em muitos outros países mais ricos essa "colher de chá" não apenas inexiste, como a dívida é transferida para os parentes!
Eu trabalho na Secretaria da Cultura de PoA (nossa cidade), onde temos um programa de apoio à produção cultural chamado FUMPROARTE. Para cada semestre deste ano foram distribuídos R$ 1 milhão para com eles ajudar jovens autores a publicar livros, apresentar peças de teatro e dança, exposições, curta-metragens, etc.
Volta e meia vem algum artista reclamar um status especial, que ele é criativo e não tem cabeça pra CNPJ, pra ler umas coisas que não entende, etc. Certo, e o soldador? E o mecânico? E o cabelereiro?
Bem, se você quer dinheiro do Estado para produzir suas peças, se o Estado te oferece a grana SEM COBRAR DE VOLTA, me parece absolutamente lógico que você tenha que se enquadrar nas regras, tirar um CNPJ (que não custa nada - exceto o imposto incidente sobre aquilo que RECEBE), ler o regulamento do concurso e tudo mais.
Tem artista que não entende? Tem. Mas também tem soldador que não entende! Por que um seria mais coitado que o outro?
Aqui no FUMPROARTE de Porto Alegre promovemos cursos pra ensinar como abrir o maldito CNPJ, a formatar o projeto, etc, etc. A mesma coisa é oferecida pelo SEBRAE, por exemplo, pro soldador. Há soldadores que reclamam da burocracia, há quem reclame que não entenda tudo que está escrito, mas nunca vi um soldador dizer que a categoria dele é especial.
Às vezes parece que artista quer uma entrada especial, tipo um uma rampa, como aquelas para portadores de necessidades especiais!
Sério, isso é chorar no lugar errado. Tem que batalhar pra simplificar os impostos? Tem, mas isso é OUTRA conversa. Acabar com o controle sobre essas verbas é abrir a porta pra que os artistas melhor aparentados passem todo o resto pra trás - que é exatamente o que acontecia antes!
Tem que batalhar pra ter mais verbas? Tem, mas isso também é outra conversa. E tudo isso nada tem a ver com a falta de um sistema de saúde que atenda bem o Jamelão e os nossos avós. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 19:08 |
Marcelo,
o café forte já tomei...
"A FIRMA pode ir à falência e até levar alguns bens do cara com ela, mas não leva tudo."
É dessa forma que os golpes são aplicados!! Nestes 20 e poucos anos de carreira, quantas produtoras eu não vi pegarem dinheiro público pra depois falirem e repetirem a operação?? Vc faz idéia de quanto milhões e milhões não rolam nesses processos, que no final das contas é o povo que acaba pagando?
Já que eu me dei ao trabalho de fazer o café pra trocar umas idéias contigo, tenha o trabalho de conhecer o projeto 10 PARA A CULTURA, para depois continuarmos este léro-léro.
Eita café forte!! |
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Helena Aragão
Rio de Janeiro, RJ
5/11/2007 19:27 |
Primeiro gostaria de saudar o debate.
As questões levantadas são diversas e importantes (esta última conversa do Kais com o Marcelo Oliveira, por exemplo, está bem interessante e merecia até tópico novo só pra ela).
Me parece que há duas frente em questão aqui: 1) a primeira é a questão concreta da situação do Jamelão. 2) a outra é a discussão sobre medidas mais gerais em defesa dos artistas e suas aposentadorias
No primeiro caso, acho que, para efetivamente ajudarmos o Jamelão, precisamos de um voluntário que se disponha a saber exatamente o que está acontecendo, que ajuda é realmente necessária neste momento (as notícias são confusas - por exemplo, uma publicada na Folha Online, no dia 2 de novembro de 2007):
Família transfere sambista Jamelão de hospital
da Folha Online
A Estação Primeira de Mangueira informou que o sambista Jamelão, 94, foi transferido da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro para um hospital de preferência de sua família.
Segundo a assessoria da Mangueira, o médico Milton Arantes, responsável pela equipe que cuidava de Jamelão, pediu que os parentes assinassem um termo de responsabilidade pela remoção.
Não foi informado se há uma piora no quadro de saúde do sambista. A Mangueira informou que se responsabilizava pelo sambista enquanto ele estava na Santa Casa e lamentou a atitude da família.
"A Estação Primeira de Mangueira lamenta a atitude da família, porque Jamelão estava sendo muito bem atendido pela equipe do Dr. Milton Arantes e sua saúde é prioridade para todos", informa o comunicado.
A Mangueira divulgou que custeia todas as despesas médicas necessárias com serviço de home care, remédios, fraldas, cama e cadeiras especiais.
O intérprete da Mangueira foi internado na instituição na tarde da última terça-feira (30), com quadro de desidratação. Jamelão sofre de hipertensão e diabetes.
Segundo o último boletim médico divulgado com a assinatura de Milton Arantes, Jamelão estava febril na tarde de ontem e se alimentava por meio de uma sonda, mas respondia às solicitações.
Em 2006, Jamelão teve um acidente vascular cerebral (AVC) e, há cerca de 40 dias, foi submetido a uma cirurgia no quadril após sofrer um tombo em casa.
Nascido em 1913, no bairro de São Cristóvão, no Rio, José Bispo Clementino dos Santos ganhou o apelido de Jamelão na época em que se apresentava em gafieiras da capital fluminense. Ele começou ainda jovem tocando tamborim na bateria da
Mangueira e depois se tornou um dos principais intérpretes da escola.
**
Para que a ajuda seja efetiva, precisamos saber do que ele precisa. Não adianta ficarmos supondo aqui e apontando possíveis soluções, ainda mais se há mesmo um conflito entre a família e a Mangueira.
No que diz respeito à questão 2) medidas mais gerais em defesa dos artistas e suas aposentadorias, acho que é fundamental que o primeiro passo seja investigar projetos que tentam propor soluções para as mesmas questões. Referências nacionais e internacionais.
No Brasil, há cerca de um ano foi lançado o CulturaPrev (ver
este link para mais detalhes). É um programa previdenciário complementar para artistas. Apesar de ser recente, e portanto difícil ainda de medir os resultados, pode ser interessante buscar saber se está funcionando. No que pode ser melhorado? Quais os outros projetos semelhantes já em trâmite em outros ministérios e no Poder Legislativo? O que mais podemos propor?
Mas pra seguirmos com ações concretas, é preciso que pessoas se voluntariem para mediar o debate e organizar as ações. Acho que podem sair daqui propostas mais objetivas. Abraços |
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marcio rufino
Belford Roxo, RJ
5/11/2007 21:37 |
Querido Laílton,
Me sinto imensamente honrado em participar desse maravilhoso e necessário debate. Saiba querido Laílton que aos 34 anos ainda dependo dos meus pais para comer. Meu sonho é vir ver chegar o dia que eu possa viver da coisa que mais me dá prazer na vida-até mais do que o sexo- que é escrever. O que mais me dói é a ameaça de ver a minha atividade interrompida pela ameaça de arrumar um emprego que possa tomar todo o meu tempo ou me esgotar de tal forma que não me dê condições de exercer aquilo que já tomei como ofício fundamental em minha vida. Já publiquei um livro há alguns anos e publico meus poemas em alguns sites além do overmundo com a esperança de alguma boa alma gostar do que escrevo e me convidar à escrever remuneradamente para algum lugar. Isso ainda não aconteceu, mas eu sou brasileiro e não desisto nunca.
Grande abraço querido overmano e saiba uma dentre as grandes felicidades que este site me deu foi o prazer de conhecer pessoas sensíveis como você!!! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
5/11/2007 23:52 |
Pessoal, mesmo correndo o risco de estar dando um tiro no próprio pé, quero lhes convidar para uma reflexão.
Semprei sonhei em produzir cinema, radionovelas e até fotonovelas. Mas, para poder criar os meus 5 filhos produzo comerciais para cervejas, salgadinhos, bancos...
Em alguns momentos me sinto bem pois estou conseguindo me virar com dignidade. Em outros momentos me sinto mal por fazer parte de algo que eu sei que é maléficopara a sociedade que estou criando os meus filhos. É a chamada prostituição profissional! Já tentei sair, mas no primeiro aviso de despejo retornei correndo!
Ainda sonho ganhar o que ganho na publicidade com o meu trabalho artístico e sincero. Por isso, tento buscar soluções para a nossa profissão não reconhecida.
Em 2005, naquele momento de querer pular fora da publicidade, criei o 10 P/ CULTURA me baseando nos números de fácil comprovação. E fiquei assustado com o resultado, em quantos paises é permitido que uma única empresa gaste em publicidade 3 X mais do que o governo em cultura??
Em 2005 o MinC disponibilizou de 280 milhões de reais, as Casas Bahia, neste mesmo ano, gastou 900 milhões de reais. Bom, não preciso lembrar ninguém que quanto mais dinheiro se coloca na roda, maior é a influência e comando.
Enquanto o MinC trabalhava com 280 milhões em 2005, 14 bilhões de reais era injetado no mercado publicitário.
Na revista EXAME (terei q pesquisar novamente para poder citar a data e o número do exemplar), li uma matéria em que um importante diretor de marketing, reconhecia que 50% do valor investido na publicidade era dado como perdido. Pois não existe nenhuma forma de calcular de forma precisa o retorno da midia. Por isso atiram para todos os lados.
Ora, 50% são 7 bilhões de reais, que assumidamente estão indo para o lixo, ou melhor, para os donos de agências e canais de comunicação. Para os funcionários dos respectivos negócios,o salário é sempre o mesmo.
Sabemos que existem campanhas milionários que não chegam a ficar 10 dias no ar. Sabemos que rios de dinheiro margeiam a publicidade nãopara enriquecer o povo, mas para sugá-lo.
Então, pq não repassam para a cultura 10% do que vão gastar com publicidade?
Não, não vai tirar dinheiro de agência e nem emprego, pois oq usufluirão dos 10% tb necessitarão serviços da agência.
Sem falar que todas as obras realizadas através do 10, terá que constar a logo do doador. Ou seja, publicidade institucional.
Em uma campanha que gasta 10 milhões, pouca diferença fará se gastar 9 milhões. Em compensação, este 1 milhão na mão de artistas necessitados...
Acho uma tremenda injustiça com o povo brasileiro as leis de incentivo cultural. Pois, quantos hospitais e escolas são deixados de serem constrídos, para uma empresa de espetáculos montar o seu espetáculo e vender ingresso para o povo. Temos mesmo que pagar 2 vezes??
Não acho justo, ver todos os anos, sempre as mesmas produtoras recebendo seu milhãozinho, depois faturando nas bilheterias e no ano seguinte buscando outro milhãozinho.
Deveria haver um inertvalo mínimo de 5 anos, entre um benefício e outro. É só olhar no site do MinC pra enteder do que estou falando...
e tb, todos os que fossem agraciados e faturassem bem nas bilheterias, deveria devolver o dinheiro que o governo financiou para dar oportunidades a outros.
O café era forte, mas o vinho suave...
Amanhã eu continuo. Boa noite! |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 00:45 |
Márcio,
em 1991, qundo eu estava no meu primeiro casamento, com 2 filhas de colo, eu desenvolvia o projeto CURTA AO MEIO-DIA, ao mesmo tempo que buscava recursos para produzir um curtametragem, tb negociava com a Secretária Estadual de Cultura o projeto DISQUE-CULTURA. Eram tempos dificeis, minha ex-esposa cursava uma universidade particular, e a minha [unica fonte de renda era uma ajuda de custo que recebi durante 3 meses da prefeitura. O equivalnte a salário mínimo. Era muito irônico, pois ao mesmo tempo em que eu era solicitado a dar entrevista, não tinha o que comer em casa. Chegamos a passar dias e dias comendo pipoca e chá. No café da mnhã pipoca e chá, no almoço pipoca e chá e na janta não era diferente. Sempre que saia uma matéria no jornal, chegava em casa eufórico e mostrava pra mãe das minhas filhas, que dali poderi surgir alguém que investisse nas minhas idéias. E ela, me respondia com um balde de água fria; Isto não vai encher as nossas barrigas e tampouco pagar o aluguel. Pelo amor de Deus, vá trabalhar nem seja num balcão de lancheria. E eu não ía, pois saberia que nunca mais iria conseguir sair de trás de um balcão.
Acabei perdendo a esposa e ficando 7 anos longe das minhas filhas. Não tem dinheiro neste mundo que pague o que eu passei. Nem as sequelas que ficaram!
Quero lhe dizer com tudo isso, que apesar do preço caro que pagamos, não devemos nunca desistir.
Um forte abraço. |
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Ulysses Martins
Belo Horizonte, MG
6/11/2007 10:03 |
Helena Aragão foi elegante e muito sensata em suas palavras. Já que estamos num lugar que produz mídias, é interessante que tenhamos um compromisso com a verdade.
E também concordo com Marcelo Oliveira. Não quero desvirtuar suas colocações, mas o artista não pode ser colocado na condição de vítima.
Kais, nem toda pessoa jurídica tem finalidade lucrativa. Mas, ainda que o tivesse, não cairíamos numa contradição, pois o próprio artista não precisa lucrar com seu trabalho para sobreviver? |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 10:30 |
Ulysses,
por favor, naum distorça o que escrevi e nem me substime!
Ha pessoas juridicas sem fins lucrativos, mas naum eh o caso de nenhum artista! Ou vc conhece algum? Ah, sim! Vc estah se referindo as instituicoes beneficientes e similares. Naum eh o que esta em pauta aqui!
-pois o próprio artista não precisa lucrar com seu trabalho para sobreviver?-
E alguem daqui pensa diferente? Ainda naum percebeu que eh esta a nossa reivindicacao??
Desculpe-me a todos a minha forma tosca e rispida de me pronunciar, mas haja saco!! |
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Mansur
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 11:53 |
Essa questão do Jamelão é uma questão de saúde pública mesmo. O artista realmente não deve ser tratado de maneira diferente do soldador ou encanador, concordo. Como o artista se torna uma personagem pública, temos a tendência de protejê-lo. A saúde está em pandarecos, o túnel rebouças caiu, o sistema aéreo está em crise, o engarrafamento em São Paulo está como todo mundo já sabe e o banco mais popular do Brasil bateu um recorde de lucro líquido ontem. Realmente esse mundo em que vivemos é muito complexo e contraditório. A Suiça registra um número cada vez maior de suicídios e não têm problemas estruturais como nós do terceiro mundo. Parece uma grande piada tragi-cômica. Vamos as possibilidades: 1) Facilitar a abertura do tal CNPJ, de forma que você vá a algum orgão público e por um preço adequado a nossa realidade sócio-econômica (100,00 talvez), possa sair de lá imediatamente com esse número. Proponho essa medida, mas tenho consciência que é praticamente utópica. Vamos a outra medida: 2) Que tal se o dinheiro da saúde seja aplicado em saúde? 3) Que tal se o dinheiro da educação fosse aplicado em educação? A essa altura vocês devem achar que estou brincando né? Estou não, estou falando sério. E na verdade vejo que o Lula está fazendo o papel histórico de mediador entre a "elite branca"(10%) e o "resto"(90%), ele deixa a elite lucrar em troca de umas migalhas alocadas em programas sociais que, na verdade, mudam muito a vida do cortador de cana que ganha R$ 2,00 por dia. A quantia de R$ 50,00 do bolsa família muda a vida desse trabalhador. Então o Lula faz o que é possível institucionalmente. É a política do "possível" que vai mudar as coisas aos pouquinhos, se mudar. Não quero ser pessimista e nem estou defendendo o Lula. A realidade objetiva é cruel. O que podemos fazer? Não sei. Tento no meu dia a dia, agir de acordo com principios éticos, faço micropolítica. E tenho a convicção de que as contradições da humanidade (que ainda não se constituiu, porque essa barbárie não pode ser chamada de humanidade), só poderão se resolver quando o ser humano for educado e consciente o bastante, para amar a ética, de forma que não precisemos mais de leis para nos regular. É a cosmocracia defendida por Baruch Spinoza. Me desculpem o devaneio, mas escrevi isso tudo, ao mesmo tempo em que pensava. Enquanto me resta vida, vou trabalhando para viver de acordo com meus princípios. A contituição do que chamamos de humanidade talvez esteja em processo embrionário, ou nem isso ainda... |
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Marcelo Oliveira da Silva
Porto Alegre, RS
6/11/2007 12:26 |
Boa, Mansur!
A verdade é que, no final das contas, estamos avançando. É um país muito melhor do que aquele eu encontrei quando me tornei adulto. Falta muita coisa, claro, e não se pode ficar parado.
Tem que reclamar sim, como o Laílton e o Kais fazem, porque só assim as coisas andam.
E se a gente reclamar com as informações pertinentes nos guichês certos, a coisa anda mais rápido.
E vamos lembrar que o regramento favorece os mais fracos, a falta de regra beneficia os poderosos.
abraços a todos. |
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Ulysses Martins
Belo Horizonte, MG
6/11/2007 13:08 |
Sr. Kais,
Conheço muitos artistas que não precisam do lucro de sua arte para sobreviver.
Sua forma tosca e ríspida de se pronunciar não encontra guarida num espaço democrático, que é o espaço do debate. Da minha parte, a questão termina aqui, pois não aceito ser tratado da forma com a qual se desculpa. |
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ILZE SOARES
Salvador, BA
6/11/2007 13:11 |
Lailton,
Fico sensibilizada com a situação de Jamelão e de muitos artistas que morreram e morrem todos os dias ao Deus dará. A questão é séria e penso que deveria ser mais observada pelo governo. Infelizmente nosso país está necessitando passar por várias transformações na saúde, na educação, etc.
Mas, é um assunto que deve ser realmente debatido para que se busque idéias e ações.
Um abraço!
Ilze Soares |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 13:15 |
Ulysses,
no meu mundo, o Senhor está no céu! E nas guaridas que vc for juiz, pra dizer quem pode ou não se pronunciar, eu grito! |
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
6/11/2007 13:47 |
AMIGOS E AMIGAS...
A discussão “tá” danada de boa! E de alto nível! Já é um bom começo!
Vamos por mais lenha na fogueira...
1) Estamos discutindo questões ligadas às pessoas físicas e jurídicas...
SOBRE PESSOAS FÍSICAS...
a) Pessoas físicas não podem trabalhar na maioria das instituições públicas e privadas. Precisam de um CNPJ e uma série de documentos burocráticos, criados para encher o saco de quem é contra o antiburocrático.
b) Pessoas Físicas - quando conseguem tornar-se Jurídicas – emitem Notas Fiscais e pagam altos impostos. E nas licitações e concursos (disfarçados de arte – como as licitações e concursos da FUNARTE e outros espaços), são solicitadas Certidões disso, Certidões daquilo e até Certidões parecidas com papel higiênico! Será que é pra limpar a “bumba” de quem não tem o que fazer? As “Leis” são feitas com o intuito de engessar as verbas disponíveis pelos Governos Municipais, Estaduais e Federal do Brasil.
Continuo a exposição mais tarde...
Abraços.
Lailton Araújo
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
6/11/2007 13:49 |
... contra o burocrático....
Desfazendo a besteira! É pressa...
fui!
Lailton
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 14:09 |
Ah, não, Lailton!! Vc só trouxe lenha verde. Só faz fumaça!! rsss
"1) Estamos discutindo questões ligadas às pessoas físicas e jurídicas..."
ERRADO!!
Estamos discutindo a sobrevivência, a dignidade, a segurança de famílias, de emoções e estômagos, de pátria e patriotismo, de educação e progresso. É disso que estamos discutindo! O artista já existem há bem mais tempo do que PF ou PJ!!
Enquanto isso, o 10 para a cultura está paradinho, quietinho, em uma comunidade qualquer do orkut...
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Danielle Ribeiro
São Paulo, SP
6/11/2007 14:52 |
De fato, poucos "artistas" ganham muito nesse mercado de "arte' prostituída .. a arte emperra mais, quando se faz algo que não está conforme os modelos de mercado, ou , como no caso de Jamelão, já não lhe é mais útil .. a internet chegou para abalar e acirrar mais ainda a discussão.. mas o que fazer? Jogar tudo nas costas do governo, deste e de anteriores? Retornar ao saudoso mecenato aristocrático e que ainda assola as artes plásticas? respeitar mais a arte como produto de consumo, de artesanato e não de massa?
Foi citada aqui a Lei Rounet que desde então tem sido criticada por tornar o artista um funcionário público .. por bem ou por mal .. é melhor que nada ... e melhor seria se todas as opções fossem melhor coordenadas ...
Muitas opções e muita inação também :-( |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 15:21 |
"Foi citada aqui a Lei Rounet que desde então tem sido criticada por tornar o artista um funcionário público .."
Antes, fosse assim!
Desde moleque, ouço falar que o problema do Brasil é cultural. Desde que iniciei na cultura, ouço que o problema da cultura é a falta de verba.
E verba, é o que mais tem! Se eu for fazer uma somatória de tudo o que já foi roubado por políticos e revelado através da imprensa, desde aqueles tempos de moleque até os dias de hoje, veremos e constataremos que verba há!
Quando eu proponho batalhar para o 10 PC acontecer, é pq nele está inserido a idéia de se criar um BANCO, como qualquer outro! Só que única e exclusivamente, para se tratar de cultura. Talões de cheque, depósitos, empréstimos, financiamentos, poupança... como qualquer banco, de forma independente, supervisionado pelo MinC e as instituições financeiras.
Se aprovado a lei, o que não será difícil, pois interessa a todos, este banco irá receber em média anualmente, Um bilhão e seissentos milhões de reais!
Diferentemente da lei Rounet, que o artista, ou melhor, a empresa do "artista" leva o dinheiro e nunca mais retorna pra devolver, se com ele ganhou muito mais! O 10 PC, estudará cada caso, como qualquer banco, e decidirá se aquele financiamento terá ou não que retornar, por inteiro ou apenas parte dele.
Sei que estou insistindo no que parece não lhes interessar, entretanto, só me calo depois que me apontarem a onde a proposta pode não funcionar. |
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Mansur
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 17:21 |
Caro Kais
Você já consultou algum advogado ou jurista para ajuizar a viabilidade da proposta? Será que a constituição permite? Seria um projeto de lei? Apresentado por qual partido? Já estudou todos as variáveis e consequências da sua proposta? Só pra saber...
Abraços |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 17:41 |
Caro Mansur
Já fiz tudo o que estava ao meu alcançe! Pesquisei, indaguei, solicitei...
A comunidade do orkut, serviu para avaliar a receptividade e aceitabilidade da idéia. Por enquanto! Haviam e há, advogados, auxilares de políticos... e ninguém contestou.
Será um projeto de lei
Necessariamente tem que haver um partido?? E qual o problema se um ou mais partidos abraçarem a idéia?
Eu, como parte interessada, já estudei! E vc Mansur, como parte interessada já estudou o que estou propondo?
Talvez vc não seja nem advogado e nem jurista, mas na sua opinião, o que não daria certo? Ou o que daria?
Abraços |
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Mansur
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 17:51 |
Penso que um projeto de lei para ser uma proposta viável dentro do contexto real, têm que ser analisado à luz de todas as variáveis. Estudadas todas as variáveis podemos chegar a um projeto que é viável de ser aprovado. Antes disso não há o que fazer. Estou sendo apresentado a idéia agora, então estou estudando...para chegar a alguma conclusão, preciso de mais informações. Vou conversar com um amigo que pode elucidar alguns pontos e volto ao debate...
obs: Independente da conclusão, já entrei na comunidade "engordando" o coro dos descontentes...por ora é o que posso fazer... |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 17:58 |
Mansur,
vc deve fazer idéia de quanto é difícil para uma pessoa que estudou só até a sétima série primária, montar este projeto sozinho. Por isso, a sua ajuda e a de todos, é muito importante e louvável! Pois tenho certeza que ele tem tudo para dar certo.
Só precisa de nossa união!
Um forte abraço |
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Oona Castro
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 18:56 |
Kais, realmente, TV e rádio são concessões públicas. A sua proposta, de financiamento por meio de taxação da publicidade, aparece em outras propostas, como esta aqui ó: http://www.intervozes.org.br/publicacoes/documentos/intervozes_sistemapublico.pdf
Pensar em fundos para a cultura e a comunicação públicas (algo que seja realmente de gestão pública, conselhos gestores com participação da sociedade civil etc) realmente é muito importante. A questão que me coloco e compartilho com vc é: qual seria a melhor destinação de uma verba como essa? O que não vai faltar é setor brigando por essa verba. Imagino que ele poderia ser um fundo para estimular a produção, independente e descentralizada, de comunicação e cultura – para veicular inclusive em TVs abertas. Mas sei também não é nada simples criar e gerenciar um fundo – nem do ponto de vista de gestão, muito menos do ponto de vista político. E isso, pra entrar em vigor, tem que virar lei. Não é do dia pra noite meeessssmoo.... mas o debate é bom. E a construção de políticas nessa linha, importante, sem dúvida. |
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Kais Ismail
Porto Alegre, RS
6/11/2007 19:12 |
Oona,
Muito obrigado pelo link indicado! Olharei com atenção.
A minha resposta para a sua pergunta:
O mercado publicitário movimenta bilhões por ano, para a produção de comerciais, anúncios, etc. Nada mais justo que ofereçam ao publico 10 por cento para a produção cultural do país, uma forma de investimento a longo prazo, uma vez que os agentes culturais trabalham no limiar das novidades lingüísticas e expressivas.
De posse do dinheiro arrecadado, as secretarias de cultura municipais, ou o banco, promoverão concursos para aprovação de projetos em todas as linguagens expressivas artísticas e também pesquisas e projetos culturais-pedagógicos, tais como oficinas e cursos. A metodologia será de maneira não-clientelista e desenvolvida através de novas tecnologias de votações, como internet, por exemplo.
As questões técnicas do funcionamento do projeto serão esclarecidas junto aos especialistas em arrecadação federal e fiscalização do tesouro nacional, assistida pela classe artística e empresarial envolvida no processo, e pelos técnicos municipais. |
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
6/11/2007 20:14 |
AMIGOS E AMIGAS...
Acabei de ouvir no Jornal da Band (Rede Bandeirantes de Televisão) - São Paulo, dia 06/11, por volta das 20h05 (se alguém precisar de mais detalhe, ligue para a emissora)...
"Quadrilha foi presa no MinC - Brasília, entre os envolvidos: uma funcionária e vários produtores culturais (lobistas e outros)"
"Eles dificultavam a aprovação de alguns projetos"
"Outros projetos: eles aprovavam... Os valores variavam entre R$ 300.000,00 e R$ 3.000.000,00"
Eu agora estou comentando...
Espero que todos os amigos e amigas agora entendam o que está acontecendo com a "Cultura do Brasil"...
Sem comentários!
Abraços.
Lailton Araújo
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
6/11/2007 20:37 |
AMIGOS E AMIGAS...
Acabei de ouvir também na Rede Globo de Televisão...
Eram fraudes no MinC via "Lei Rounet".
Ministro Gil... Estamos esperando uma visita neste espaço!
Algo está errado!
Parece que Deus está mostrando está desvendando o mistério!
Abraços.
Lailton Araújo
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
6/11/2007 20:54 |
" O L H E M A M I N H A C A R A D E B O B O ! "
E todos os OVERMANOS trabalhando de graça!
E o JAMELÃO ao Deus Dará!
Só rindo!
Lamentável!
Lailton Araújo
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Alê Barreto
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 21:34 |
Lailton, a notícia não me surpreende, pois a corrupção é algo muito presente no Brasil. Com tanta corrupção por aí, fico contente de saber que a Polícia Federal está investigando e prendendo.
E sobre a situação do financeira do artista, é um problema complexo. Da minha parte eu sugiro investimento em educação, caso contrário não muda nunca. |
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Oona Castro
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 22:06 |
Oi Lailton, é mesmo revoltante e triste. Mas você chegou a ver toda a notícia? Foi o próprio Ministério da Cultura que denunciou a quadrilha. Mas só a PF pode apurar e prender. Claro, como em qualquer estado democrático. Existem corruptos em todo lugar, muitos inclusive servidores públicos aprovados legal e legitimamente por concurso público. Tudo o que o Minc pode fazer com um servidor público estável é mesmo denunciar e aguardar a apuração e ação da PF. Aliás, hoje a PF mostrou serviço: prendeu também executivos de bancos que sonegavam impostos (evasão de divisas) com o apoio de bancos suíços. Milhões e milhões a menos para os cofres públicos. Bizarro.
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Oona Castro
Rio de Janeiro, RJ
6/11/2007 22:12 |
A matéria que tá no O Globo é essa aqui:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL170866-5598,00.html
A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira (6) a operação Mecenas, que desmonta uma quadrilha especializada em fraudes de benefícios culturais previstos na lei Rouanet de incentivo à cultura.
(...) A investigação partiu de uma denúncia do Ministério da Cultura e contou com o apoio da Controladoria Geral da União, do Ministério da Cultura e da Corregedoria da Polícia Civil do DF. |
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Rangel Castilho
Anastácio, MS
6/11/2007 23:32 |
BLOG DO DEPUTADO FRANK AGUIAR
http://frankaguiar.blogspot.com/
E-MAIL DO DEPUTADO FRANK AGUIAR
dep.frankaguiar@camara.gov.br
Endereço de um deputado que além de ser da classe artística,
procura estar envolvido e atuante na área cultural.
Vamos à luta!
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Bia Marques
Campo Grande, MS
7/11/2007 01:37 |
Hay que endurecerse... |
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:10 |
AMIGOS E AMIGAS...
"Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai até a montanha" (Será que é isso mesmo?)
27.06.07
Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 01
Caros colegas da Cultura, ministros e autoridades máximas da Cultura,
Caros artistas e pensadores do Brasil e cidadãos do mundo aqui presentes,
Meus amigos e minhas amigas, irmãos das Américas, gente do Norte, da Central, do Caribe, do Sul, saúdo a todos.
Gostaria de cumprimentar nossos parceiros do Mercosul Cultural, caros Secretários de Estado da Cultura, caros dirigentes de instituições culturais, caros organizadores, moderadores e debatedores do Seminário Internacional da Diversidade Cultural.
Que tenhamos hoje aqui um bom dia.
Falo a vocês com grande alegria, pois nos encontramos reunidos como países desta mesma América, embora de culturas e sociedades muito diversas, que habitam este território vasto. Até por isso, pela enorme diversidade, somos um hemisfério americano.
As boas vindas dada a todas as delegações e convidados, aos nossos povos do Brasil e do mundo, servem para convocar os presentes para que façam deste encontro em Brasília um espaço de formulação, articulação e debate que, com certeza, terá muitas repercussões. A emissão de ondas digitais em rede deve mover muitos outros pontos deste continente, e espero que os que estão virtualmente aqui presentes também produzam suas idéias e formulem políticas sobre o que discutimos aqui. Estamos organizando este seminário para materializar a contribuição brasileira à agenda de trabalho e cooperação cultural da OEA. Esperamos que o capítulo que se afirma aqui seja o dos direitos culturais, inscrito, este capítulo, entre as prioridades de povos, dos Estados e das políticas públicas.
Este é o espaço da concentração de iniciativas e idéias e de acompanhamento crítico de nossas políticas pela sociedade civil. Essa é a possibilidade de trocas que está aberta, o intercâmbio das melhores práticas entre os países, em benefício de todas as Américas, para a valorização da diversidade cultural. Espero que o princípio de complementaridade entre cultura e natureza, que nos ensina a mais alta tecnologia dos povos indígenas, seja obedecido aqui por nós, em nossas conversas e nas políticas que estamos formulando. Diversidade cultural como origem da América, como fundamento e condição perene.
Trata-se, então, de discutir formas de assegurar a incorporação plena dos diversos aportes culturais dos povos que compõem este mundo. Somos o resultado da combinação de uma infinidade de tradições e aportes lingüístico-culturais. Se são muitos os “muitos mundos” que formam nosso múltiplo globo terrestre — uma globalidade bastante diferenciada, que combina uma infinidade de tradições e formações lingüístico-étnicas — é também porque há muitos futuros possíveis para todos nós. Praticamos hoje uma fala múltipla, que há muito ecoa deste continente. Talvez a expressão “diversidade cultural” venha a dar nome ao que sempre se viveu aqui, esse fractal de identidades desde a origem desta América, ainda quando ela era a idéia de um novo mundo, uma imagem fantástica na qual projetaram-se os sonhos e os impulsos utópicos.
Essas culturas e imaginários americanos devem ser entendidos aqui como os elementos fundantes de um projeto de emancipação, auto-determinação e liberdade de toda a humanidade. Para nós brasileiros, isso é claro como a luz do sol que nos ilumina.
Ao longo de três dias vamos diagnosticar desafios e missões inconclusas, novos problemas que necessitarão de novas soluções e que, por sua vez, trarão novos problemas. Faremos práticas e faremos teoria. As sociedades dos países em desenvolvimento têm, por exemplo, práticas que trazem formas novas de democratização e compartilhamento, formas que vêm inovando em usos diferenciados de tecnologia. Há muita teoria para transformar em práticas concretas, mas também práticas inovadoras das quais podemos extrair conceitos novos, que podem se transformar em uma teoria atual e produtiva.
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:14 |
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27.06.07
Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 02 - CONTINUAÇÃO
Há cerca de quinze anos, finada a guerra fria, falava-se da perda da importância dos Estados na formulação de políticas para o desenvolvimento. Dizia-se que as forças auto-reguladoras do mercado poderiam promover pluralidade, liberdade e diversidade em nome do interesse público e do desenvolvimento social. Esse discurso hegemônico não durou muito, mas causou grandes danos às instituições culturais. Quem não sabe disso? Muitas foram desativadas, incentivos foram suspensos, comunidades abandonadas, mercados culturais foram desregulados e predados. A conseqüência disso foi a supressão da pluralidade nas produções, nas telas, nas rádios, nos meios de comunicação, na circulação e na presença social da cultura. Na área do cinema, muitos países em desenvolvimento viram suas produções desaparecer das telas de cinema, após a demolição de seus institutos. Mas o prognóstico do fim da história não se confirmou e a política hoje ressurge em muitas novas formas, atualizada em sua capilaridade, ganhando importância no agenciamento das diferenças, promovendo novos direitos dos homens frente às tecnologias, reconhecendo modos de existência simbólica e criando formas mais saudáveis de resolver conflitos. A luta pela diversidade é um fenômeno que emerge desse processo e hoje ela quer se tornar uma convenção entre os nossos povos, um acordo, um pacto de exercício do multilateralismo.
Como nunca, as multidões que emergem, neste início de Século XXI, querem uma cidadania plena e realizam isso tornando-se sujeitos de sua própria história, sujeitos de sua própria memória, DJs de suas próprias músicas – capazes de produzir e remixar a narrativa de suas vidas. Mais do que nunca, as populações não querem só o direito elementar à alimentação e à educação básica e massiva, ou o acesso de via única ao que o Estado define como Cultura. Essa multidão quer consumir e produzir de forma diferenciada, quer lazer qualificado e o seu direito de viver com seus sistemas de crenças e valores autônomos, gozando de sua plena liberdade.
Durante as últimas semanas e meses, vimos confirmar-se o marco dessa afirmação cultural na agenda internacional. Foi com a recente aprovação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade Cultural. Há poucos dias, organizada pela Unesco, em Paris, foi realizada a primeira Conferência das Partes, reunindo mais de 50 países em sua seção inaugural de negociações. Treze países das Américas já assinaram a Convenção e participaram dessa Conferência. Em breve, espero, seremos muitos outros. Nossa grande alegria pelo Brasil ter a honra de participar do Comitê Intergovernamental, ao lado de outros 23 países, agora converte-se na responsabilidade de quem obteve o mandato para iniciar a tradução desse tratado em parâmetros e procedimentos que consagrarão os princípios gerais do que foi a Convenção.
Quero reconhecer aqui o trabalho do nosso Congresso Nacional na ratificação da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade Cultural.
A aprovação da Convenção foi um marco histórico. A experiência que vivemos hoje é semelhante ao que viveram, no passado recente, os defensores da agenda ambiental. No início pareciam catastrofistas, uma minoria de radicais criticando práticas tradicionais de governos e de escolhas orçamentárias que punham o mundo em risco; os chatos que perturbavam o sono aparentemente tranqüilo da boa sociedade. Hoje o tema ganha seu relevo desastroso, convocando até o Comitê de Segurança da ONU para sua esfera de ação. A humanidade, ela mesma, percebe pelos próprios olhos, ouvidos e demais sentidos do corpo que o modelo de desenvolvimento empregado até então está sufocando a todos e privando-nos do ar que respiramos, tornando nossas cidades sujas, produzindo vidas menos saudáveis, verões mais quentes e invernos mais secos e escuros. Tornando a biodiversidade das florestas uma monocultura empobrecida e letal para a vida. E quanto tempo demoramos para sentir isso? Será que algo não poderia ter sido feito antes?
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:17 |
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Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 03 - CONTINUAÇÃO
Línguas, saberes tradicionais e crenças são recursos não renováveis depois de extintos, sistemas complexos que não são renovados por novas plantações. Não há como isolar princípios ativos ou genes que sejam capazes de reviver, no futuro, em procedimentos sintéticos e laboratoriais, a riqueza viva de construções semânticas e simbólicas. Assim como expulsar populações com complexos turísticos e fazer de vilas e centros históricos territórios de uso restritivo e de exploração econômica, tudo isso cria ciclos não reversíveis de degradação dos valores culturais. Essas populações não voltam a viver da forma como viviam depois da febre passada, suas construções e técnicas tradicionais herdadas de gerações dão lugar à precariedade habitacional das favelas. Assim como cinematografias nacionais – após o desmonte de legislações de incentivo – levam décadas para se reerguer, e nem sempre retomam boas tradições estéticas e de linguagem surgidas no passado. Assim como o impacto da separação entre cultura e educação produz uma multidão de não-leitores, de desinteressados em cinema nacional, de analfabetos visuais, e uma série de insuficiências formativas, que resultam na falta de acesso a direitos culturais e às experiências estéticas. E isso, mesmo que haja uma democracia consolidada e vigorosa, levará gerações para ser revertido, se é que pode ser, efetivamente revertido.
Apenas com instrumentos concretos no âmbito global poderemos falar em metas plausíveis e tangíveis de promoção da diversidade e da qualidade de vida. Essas metas que nos permitirão, em breve, avaliar se avançamos de fato na direção de algo próximo a um “Protocolo de Kyoto” da Cultura. Talvez cheguemos a conclusão de que níveis de uniformização e homogeneização no mercado cultural são mensuráveis como níveis de monóxido de carbono no ar. Devemos, a partir de agora, interpretar a qualidade vida de nossos povos de forma mais ampla, incorporando desde já o acesso à cultura como parte da sua avaliação geral. Devemos discutir o crescimento econômico sem deixar de levar em conta as economias da cultura e sua enorme capacidade de geração de emprego e ocupação, numa época pós-industrial. Devemos discutir como tornar essas economias sustentáveis e como estabelecer marcos regulatórios sob esses novos paradigmas. Deveríamos, em breve, incorporar mecanismos de compensação para o “impacto cultural” de grandes obras de infra-estrutura, requalificando o desenvolvimento das comunidades afetadas por elas. Em breve, esperamos que bancos e instituições financiadoras do desenvolvimento em nosso continente incorporem essa avaliação de impacto tanto cultural quanto ambiental.
Necessitamos de novos papéis para o Estado, é verdade. E isso se manifesta na construção de novos modos de apoio à cultura que a sociedade produz de forma autônoma e livre. Novos formatos de Estado que apoiem a sociedade civil ao acompanharem suas necessidades de desenvolvimento cotidiano, criando formas permanentes de participação da sociedade na formulação destas políticas públicas. Um Estado que evite tutelas e que promova a crescente autonomia e sustentabilidade dos grupos culturais, que considere as suas comunidades como forças constitutivas de suas instituições políticas. Mais do que nunca, é necessário reconhecer as tecnologias que a sociedade desenvolveu como de interesse público.
Foi essa a nossa iniciativa, por exemplo, ao construir no Brasil um programa chamado “Cultura Viva”, com seus “Pontos de Cultura”. Um programa que reconhece a juventude como protagonista, como formuladora de novos mundos culturais e artísticos, como foco decisivo de políticas culturais. Penso especialmente nas tecnologias sociais, nos museus e espaços de memória que surgem em favelas, nos grupos culturais de resistência, nos educadores de rua que recuperam a auto-estima e a dignidade das crianças pela valorização da experiência estética, do corpo e da mente. A sociedade atuou e inventou formas de associação e de solidariedade na ausência do Estado e foram essas iniciativas que despertaram muitos contextos de miséria para a necessidade de políticas públicas e de serviços, para a reversão de sua situação de vulnerabilidade, e gerando uma verdadeira rede de atendimento e promoção social.
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:20 |
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Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 04 - CONTINUAÇÃO
Nesse contexto de exclusão é que a sociedade deve ser a protagonista no processo de auto-inclusão. Não há como falar mais em um modelo de Estado apenas, nem de um modelo único de democracia, ou de qualquer outro regime político. Devemos aceitar que a diversidade cultural também exige modelos de instituições, legislações e práticas políticas diferenciadas, que elas devem conviver em harmonia e cooperação, garantindo a paz em nossa região e reversão de todo tipo de violência. Hoje, a guerra se tornou injustificável, não podemos permitir que ela seja a tônica dominante no interior de nossas nações, em conflitos sociais beligerantes, assim como precisamos estancar essa ferida aberta no processo civilizatório. Acreditamos na OEA como um lugar onde estas diferenças possam existir e conviver, nos demovendo de qualquer conflito de civilizações ou de imposições de valores sobre outros valores.
As demandas culturais constituem uma plataforma de todas as sociedades, sejam as dos países ricos — com a sua militância de liberdade de troca pela Internet e desenvolvimento das interfaces tecnológicas —, sejam as dos países em desenvolvimento — pelo direito a uma educação de qualidade e acesso ao conhecimento gerado. Seja a dos países pobres, que lutam para ter as condições de vida mais elementares, sem deixar de incluir o direito às demandas humanas mais complexas, a da vida e da existência simbólica. Esta é a reivindicação de uma distribuição de riquezas que permita o desenvolvimento combinado de todos.
Aqui no Brasil, afirmamos que se deve atendimento aos mais pobres tanto no plano material, como fez o Bolsa Família, como no plano cultural, pois só essa combinação é que se tornará o elemento decisivo para a verdadeira emancipação. A economia produz riqueza. A cultura é o modo pelo qual a riqueza se produz e, ao mesmo tempo, se distribui. E esta é a meta de emancipação dos grupos que foram desfavorecidos pelos muitos projetos de crescimento e de desenvolvimento, processos que geraram riquezas, mas que não distribuíram riqueza, que instauraram a pobreza gritante que reina e que deve ser vista para além das necessidades de ajuda imediata e de assistência paliativa.
Quero dizer aqui para que todos nos ouçam: tenho a certeza de que a Convenção da Unesco não sairá do papel sem a ação concreta de nós todos. Só a vontade política real dos Estados e a participação da sociedade civil no interior deles é que farão da letra do texto uma formação concreta e uma disposição comum de promoção dessa diversidade. Por isso, é chegada a hora de discutirmos meios e formas de implementar políticas realmente eficazes na promoção da diversidade.
Caros Ministros e representantes de Ministérios da Cultura, quero destacar e levantar algumas pautas que, pela sua emergência, podem ser discutidas aqui:
Primeiro: a construção de políticas abrangentes, que tomem a cultura em seu sentido mais amplo, do estético ao antropológico. Para superar enfoques exclusivos nas artes e incluir manifestações populacionais que reflitam o conceito de diversidade, com finalidade no atendimento dos artistas, mas da sociedade como um todo, em toda a sua complexidade.
Segundo: gerar políticas culturais que contribuam com o sistema educacional, devendo participar efetivamente das políticas de escolarização e formação, que tornem a cultura presente na vida de professores e crianças, jovens e adultos, garantindo um amplo repertório cultural a serviço de uma educação de qualidade em nossos países.
Terceiro: reconhecer a formação cultural e lingüística de nosso continente, sua complexidade semântica, fonética e sintática, já que é formada pelas diversas línguas ameríndias, européias e africanas que se encontraram e se separaram em comunidades de falantes, assim como o reconhecimento da diversidade dos novos falares formados por torções lingüísticas de populações migrantes e imigrantes.
Quarto: incorporar imediatamente aos sistemas de comunicação, como a televisão e os outros fenômenos que se tornaram centrais na cultura mundial de hoje, nossos potenciais como produtores e consumidores de programação e conteúdos. Incorporar as TVs Públicas como estruturas decisivas para as políticas culturais, projetando suas articulações com a Internet e com a possibilidade contemporânea de inverter a lógica da cultura de massa “de um conteúdo para muitos espectadores”, que tem sido a lógica até aqui dominante, colocando no lugar o lema: “muitos conteúdos para cada espectador”.
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:23 |
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27.06.07
Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 05 - CONTINUAÇÃO
Devemos pensar a televisão digital, neste sentido, como uma tecnologia que poderá ampliar o acesso e aumentará a demanda por conteúdos de todos os países. Devemos preparar nossos países para ser grandes produtores de conteúdo. É preciso fortalecer um sistema público de comunicação que se diferencie e seja controlado pelas sociedades - com autonomia e capacidade de aportar conteúdo representativo de nossa diversidade regional e da diversidade interna de nossos países, incorporando o incentivo à produção local e regional. Diversidade não apenas entre nações, mas regiões, meso-regiões e micro-regiões.
Quinto: desenvolver a economia da cultura como setor estratégico para o desenvolvimento, promoção da autonomia e da inovação; estimular as pequenas empresas culturais e impedir monopólios econômicos que causam efeitos de censura privada e de restrição à democracia. Superar positivamente as indústrias culturais e seu caráter restritivo e homogeneizador, e estabelecer marcos regulatórios para a cultura florescente como uma economia pós-industrial. Comprometer os estados com as economias culturais das festas, feiras, e outros circuitos informais, nesse sentido, e pensar a emergente Economia da Cultura que necessita de políticas de desenvolvimento.
Sexto: ampliar o emprego do termo tecnologia, incorporar ao reconhecimento dos conhecimentos tradicionais a sua consideração como tecnologias fundamentais para os povos tradicionais, para os povos indígenas, mas também para as demais coletividades que são formadas por contribuições significativas dessas culturas. Agregar a preservação da imaterialidade dos saberes e a concessão de propriedade aos povos que a originaram, garantindo seus interesses econômicos e políticos.
Pois os Estados têm uma enorme dívida para com as populações indígenas do continente, bem como face aos quadros ecológicos e os recursos bióticos que constituem o contexto de exercício e reprodução das culturas e nações indígenas. Culturas formadoras de nossas identidades e que possuem uma grande sofisticação simbólica, arquitetônica e estética por tudo isso devem ser reconhecidas formalmente pelas nossas instituições culturais e jurídicas.
Essas populações — isoladas, em contato ou integradas —precisam ter a autonomia e o direito à auto-determinação e à liberdade de serem índios ou de se relacionarem em diversos níveis com a pós-modernidade ocidental. Aos povos indígenas não cabe mais a velha escolha oferecida pela modernidade ocidental, a opção unilateral da instrumentalização pela integração na economia ou a supressão total. É preciso, neste sentido, inverter a falsa hierarquia dos conhecimentos e saberes tradicionais, até hoje sem o mesmo reconhecimento dos saberes bacharelescos e universitários. Uma política de combate ao uso ilícito, não autorizado e com fins comerciais do patrimônio imaterial coletivo, dos saberes e conhecimentos das coletividades. Precisamos constituir uma política universitária do hemisfério americano para o nosso imenso patrimônio etnológico e arqueológico, a memória viva e soterrada da ocupação indígena, e suas múltiplas contribuições realmente originais na organização de nosso vasto território, grande parte dele ainda em estudo e investigação.
Sétimo: preservar e pesquisar a pré-história de nosso continente, mudando as visões, tal como até aqui foram ensinadas, numa perspectiva ainda fortemente colonial. Trazer à tona a ocupação de nosso território americano antes mesmo da colonização e formação dos Estados nacionais. Cooperar na busca de nossas origens comuns como fato histórico fundante e na descoberta das raízes profundas e reveladoras de nossa identidade contemporânea, dos valores estéticos e perceptivos, assim como das nossas origens e valores humanos, superando a intolerância e a incapacidade de ver o outro.
Oitavo: estabelecer políticas culturais afirmativas, para reverter as marcas e resíduos sociais da escravidão; relativizar a unilateralidade dos sistemas meritocráticos, que são feitos abstratamente, sem a devida consideração histórica, evitando mecanismos pós-coloniais de repor velhas exclusões. Incorporar as milhões de pessoas aos programas de formação, aquisição cultural e educação de qualidade e de capacitação. Republicanizar o mérito, valorizando as vocações e talentos, e democratizando os acúmulos pelos pequenos e grandes acessos, dando garantias sociais ao patrimônio das famílias e das instituições. Promover a integridade e a transmissão do patrimônio acumulado de geração a geração, de pai para filho.
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:27 |
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Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 06 - CONTINUAÇÃO
A constituição plena de nossas repúblicas não pode ser feita de forma abstrata, a-histórica, com cidadanias plenas, mas abstratas, desconhecendo séculos de desigualdades transmitidas e acumuladas. Como se pudéssemos zerar o jogo das heranças e sofrimentos, produtos da escravidão ou do genocídio indígena, em nome dos legítimos ideais republicanos com os quais todos nós concordamos. É por isso que me pergunto se podemos fazer o discurso da meritocracia em abstrato e esquecer o que a escravidão ainda representa em cada esquina, em cada favela e em cada relação social de nossa América. Neste sentido, políticas afirmativas são ainda necessárias e importantes para justiça social e para consolidação republicana.
Nono: rever, regular e limitar os mecanismos de proteção a direitos autorais, assim como as tecnologias de proteção (como as DRM, que protegem autores e, na prática, limitam o acesso ao conhecimento e liberdade de troca pela Internet). Estabelecer políticas culturais que contribuam para que os direitos de autor e dos investidores estejam em equilíbrio com os direitos de acesso e de uso justo. Propor que a Convenção da Unesco seja considerada, também por outros órgãos do sistema ONU, como a Organização Mundial da Propriedade Intelectual na redação de seus tratados e convenções que afetam as possibilidades de acesso à cultura. Garantir a finalidade educacional aos estudantes e professores e seu direito de acessar conteúdo culturais sem as leis rígidas que impedem o uso dos bens culturais sem fins lucrativos.
Quando me perguntam por que decidi me tornar Ministro da Cultura do meu país, costumo dizer que uma das razões foi a descoberta de que não poderia me desfazer inteiramente dos meus direitos de artista e que não poderia mais fazer o que quisesse com uma música criada por mim mesmo. Sei que alguns Ministérios da Cultura não têm territorialidade institucional sobre o tema, nós temos. Nós a temos no Brasil. Mas é impensável hoje uma política cultural que não incorpore a regulação de direitos autorais em sua agenda.
Décimo: caracterizar a paz, hoje, em nosso continente, como um valor cultural, assim como a democracia e a liberdade que identificam nosso território americano. Valorizar nossas diferenças, pré-condição de nossa diversidade cultural, racionalizando e mediando nossos conflitos realmente existentes.
Esta é a nossa agenda de debates atual, ou é assim que nós brasileiros a enxergamos. Quero, enfim, celebrar a possibilidade e a necessidade de reunir sob um mesmo repertório de questões todos vocês, atores culturais e aqueles que são responsáveis por políticas governamentais. Estamos a poucos dias dos Jogos Panamericanos, que a maravilhosa cidade do Rio de Janeiro vai sediar, recebendo delegações esportivas do Hemisfério Americano. Todo ele. Será mais uma demonstração do vigor do nosso esporte e de nossa cultura, de nossas relações competitivas e colaborativas. Assim como começou ontem a Copa América de Futebol, na Venezuela, onde o talento do corpo, da ginga e do futebol vai confirmar mais uma vez nossa vocação para a produção da beleza, do jogo, da amizade e da brincadeira. Tão características nossas, do nosso hemisfério americano.
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:28 |
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27.06.07
Discurso do ministro Gilberto Gil na cerimônia de abertura do Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural
BRASÍLIA, 27 DE JUNHO DE 2007
PARTE 07 - CONTINUAÇÃO
Caro André Frenette, aproveito para enaltecer a Comissão Interamericana de Cultura da Organização dos Estados Americanos, a CIC, e o trabalho que o Canadá vem fazendo na presidência do comitê, instância de intercâmbio, troca de experiências em políticas públicas e representante mor da possibilidade de exercer a diversidade cultural nos países das Américas.
O Seminário é também uma oportunidade de aprofundar o debate dentro do Brasil, apoiando a sociedade civil brasileira no seu processo de apropriação do conceito de diversidade. Nosso debate estará sendo acompanhado por milhares de pessoas por meio da televisão e da Internet. Queremos assim praticar nosso ideal de transparência e republicanismo ao fazer o debate cultural publicamente, fora dos gabinetes, nos espaços comuns, onde a política deve ser feita. Este é um processo multi-lateral, poli-cêntrico, sem um núcleo emissor, um exemplo realizável e realizado do que queremos para os processo culturais. Pois é só organizando a discussão de forma cada vez mais descentralizada e horizontal que chegaremos à sedimentação da cultura na agenda do desenvolvimento.
Então, que seja assim. Vamos ao debate, vamos aos conceitos e preconceitos sobre diversidade cultural e seus desafios contemporâneos. Uma vez mais, irradiaremos, aqui reunidos, inspirações de pluralismo, em memória dos ladrilhadores e semeadores, aventureiros, de muitos credos e religiosidades, línguas e sangues que compuseram e compõem nosso acervo de culturas, nosso grande banco de dados e mistérios que fazem todos nós americanos. Vamos ao debate. Vamos à diversidade cultural a partir da diversidade de idéias.
Muito obrigado!
Publicado no site:
http://www.cultura.gov.br/noticias/discursos/index.php?p=27582&more=1&c=1&pb=1
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LAILTON ARAÚJO
São Paulo, SP
7/11/2007 11:56 |
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AMIGOS E AMIGAS...
Os criadores de "cultura" não estão pedindo esmolas... E nem é um caso de "choro" ou de "virar" chorão"! Somos parceiros e integrantes das idéias apresentadas pelo Ministro Gil. Exigimos respeito e uma política cultural que saia do "papel e discurso político".
Eu escrevi no OVERMUNDO...
A CULTURA BRASILEIRA VIAJA NAS ONDAS DO ACASO...
http://www.overmundo.com.br/overblog/a-cultura-brasileira-viaja-nas-ondas-do-acaso
Um dos brasileiros mais conhecidos no exterior é o Ministro da Cultura - Gilberto Gil. Ele deveria ter recebido o prêmio "Nobel da Paz - 2006". Até em um evento da ONU, o “Ministro-artista” participou cantando "A PAZ" - palavra que ficou harmoniosa e intimista, ao som do violão de "Gil".
No outro lado do enredo, grande parte da classe artística brasileira, não está em paz com o Ministro. Esses brasileiros acham que foram entregues ao "Deus Dará" e estão atrás da "Parabolicamará". E agora José? E agora amigo Gil? Palavras bonitas e poemas elaborados precisam de sintonias. As constelações tupiniquins da criação, não perdoam! Os versos escritos há décadas viraram profecias: "Olha lá vai passando a procissão... Esperando o que Jesus prometeu".
O "Ministro-compositor" viajou muitas vezes ao exterior! Será que andou divulgando a “Milenar Cultura Universal Brasileira? Macunaíma está aposentado? No amado, idolatrado e problemático Brasil, as políticas culturais parecem serpentes no Sertão... Se o Ministério da Cultura realizou eventos importantes, quais foram os resultados para a pacificação dos “egos machucados”? Os "Morros Urbanos", as “Brasílias Teimosas” e outros centros explosivos - no talento e na violência - continuam dependendo da arte para o exercício de cidadania!
Alguns dados estimados da população artística no Brasil: 50.000 músicos, 40.000 compositores, 100.000 artesãos, 30.000 escritores, milhares de atores e atrizes, e outros não mencionados - dependendo das minguadas verbas governamentais. Faltam programas e incentivos culturais! Sejamos justos: o atual Presidente da República, não é o único culpado. Os presidentes anteriores e outros governos das esferas municipais e estaduais participaram da degradação cultural.
Nessa terra de "jabá", o velho "bacalhau" (antes - comida de pobre) perdeu o "status". A controvertida "Classe Artística Brasileira" já não escuta o "Guarani"... O Brasil canta “Festa no Apê...”
E continuo cobrando o que é meu e de vários outros brasileiros, que também estão integrados à produção cultural.
Abraços.
Lailton Araújo
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AZnº 666
Rio de Janeiro, RJ
18/11/2007 18:33 |
O cara fez um barzinho vagabundo no meio de umacalçada entre 2 avenidas. Não tinha som nem dinheiro pra comprar, mastinha uma caranga velha com um som razoavel. Encostava o carro na rua ao lado do Bar, abria o porta-mala e mandava ver nos CDs. Veio o ECAD, perguntou de quem era o carro, ele disse, ai os caras disseram que ele tinha que pagar os royalties de execução ou fechavam o bar. O cara
"URRANDO" pra sobreviver e os caras nem ai. Tô pedindo ao autor de um livro em cuja capa eu estou na contra-capa desde 1977 e até agora nada. Não quero dinheiro, só o reconhecimento popular, mas nem isso!
Brazil mostra a tua cara, SEU CORRUPTO! |
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Sebastião Firmiano
São Paulo, SP
19/11/2007 01:26 |
A maioria das obras de arte são concebidas em estado de torpor, é como se uma mãe que pare sem saber se o filho será um médico, um juiz, um político ou bandido. ( Uma alternativa não exclui outras).
Num País onde falta pão, educação, moradia, e por ai vai uma lista sem fim, arte é luxo ( ou lixo).
Desde que o mundo é mundo o artista morre à míngua pelas tabelas escalando muros e escadarias de palácios com chapéu na mão. Já na Roma antiga, na Grécia e outras terras ofereciam ao artista quando muito uma coroa de Louro.
No Brasil, vários artistas, poetas, escritores, pessoas de teatro sempre estiveram atrelados ao poder desde o império, muitas vezes com um empreguinho público, quando não com benesses disfarçadas em patrocínios.
Agora vem a pergunta: Com que autonomia e independência eu posso criticar os poderosos se eles estiverem me pagando?
Qual o valor da arte?
Acho melhor parar por aqui. Se não ao invés de ajudar no debate, eu acabo complicando mais.
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