Para quem gosta de apreciar festejos no interior, a cultura negra tem data e local para exaltação a apenas 107 quilômetros da capital maranhense, São Luís. Os moradores do município de Itapecuru se voltam para as manifestações folclóricas e culturais na véspera e no dia onde se celebra a Consciência Negra.
Organizada pela ONG União de Umbanda, a festividade reúne cerca de 80 grupos folclóricos do culto afro-brasileiro, sendo 40 da sede Itapecuru e outras 40 vindas das cidades e dos cerca de 190 povoados vizinhos. O organizador do evento, Miguel dos Anjos Pereira, explica que o festejo significa uma importante oportunidade de manifestação diante da demanda cultural ignorada pelo poder público. “Apresentamos a cultura de um povo que atende ao apelo deste dia importante e se organiza em torno da festividade nesta região repleta de povoados remanescentes quilombolas, mas que não têm espaço nem oportunidades para apresentações públicas”, critica Miguel.
Mesmo sem o reconhecimento do poder público local, a coordenação do evento, comunidades e grupos que se apresentam depois de um trabalho de mobilização que envolve o pedido de doações à comerciantes, moradores mais abastados e a organização de rifas e bingos. “É um esforço que se estende durante todo ano, tanto para a festa do Dia da Consciência Negra, quanto para apresentações menores. Cada grupo tem que se esforçar até pelo transporte dos seus integrantes e familiares, mas todo mundo colabora”, afirma o organizador, comprovando a idéia de que o maior aliado do povo, é o próprio povo.
Meus cumprimentos, Yusseff Abrahim, pela publicação deste texto sobre a Festa da Consciência Negra.
Meritória a ação da ONG União de Umbanda e deste cidadão, Miguel dos Anjos Pereira, organizador do evento.
Sábias e comovedoras também são suas palavras, ao final do texto: "o maior aliado do povo é o próprio povo."
Tudo o que li me fez recordar um episódio que guardo como se tivesse ocorrido hoje.
Em 1980, visitei o Maranhão pela primeira vez e, num momento de folga, disse a colegas de trabalho de São Luís que gostaria de visitar a Casa das Minas, terreiro jeje fundado por membros da família real do Daomé.
Como está hoje a Casa? Você tem notícias desse verdadeiro monumento de uma religião afro-brasileira surgida no século XIX?
Soube da Casa das Minas lendo maravilhosos estudos científicos e culturais deixados por Oneyda Alvarenga, Nunes Pereira, Octavio da Costa Eduardo e Pierre Verger, mestre francês da sociologia brasileira.
Chegando à Casa, apresentei-me como jornalista do Rio de Janeiro e, em conversa com uma das mães, disse que estava ali levado pela leitura de um artigo de Pierre Verger.
A resposta provocou uma das maiores emoções da minha vida. Disse-me ela, sorrindo levemente: “eu era menina. Mas recordo ainda a fisionomia daquele senhor alto, francês, que se esforçava em falar o português. Era um senhor amável, respeitoso. Era o senhor Pierre Verger. Ele sabia tudo das nossas tradições...”
O Maranhão é um grande repositório da cultura brasileira.
Os maranhenses têm a obrigação de guardar e divulgar esses tesouros da brasilidade.
Oi, Elóy!
Um comentário como esse só enche de satisfação o autor de um texto, é a inspiração para ir além. Muito obrigado pela dica da Casa das Minas, mas confesso que não conheço nada sobre o assunto.
Estou pela primeira vez nesta terra que rendeu ao Amazonas uma boa parte de sua riqueza cultural e muito feliz por conhecer esta cidade também é muitobonita e agradável.
Vou checar estes autores aqui pela web nestes próximos dias e sondar a Casa de Minas e a história desta família real.
Muito obrigado!!! Vamos nos falando!!!
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