Lugar ideal de museu é o centro? Em geral sim, mas no Rio de Janeiro há um museu com M maiúsculo longe do burburinho nervoso do ponto de referência da cidade. Na verdade, ele fica próximo de outro ponto de referência carioca, a praia. Se afirmam que o Museu da Imagem e do Som vai ser transferido da Praça XV para a Avenida Atlântica, em plena praia de Copacabana, pode-se dizer que ele tem um precursor na vizinhança praiana, mas a muitos quilômetros da Princesinha do Mar. O Museu Casa do Pontal fica para lá do Recreio dos Bandeirantes, no Pontal – sim, o extremo oposto do Leme cantado por Tim Maia (“não há nada igual no mundo”). No caminho para praias “esculturais” como Grumari e Prainha, localiza-se numa casa tão bela que, olhando de fora, parece uma daquelas alugadas para casamentos e bodas. Pois bem: ali dentro, as celebrações têm como tema a cultura popular.
A vocação da casa para se tornar museu tem origem na paixão de um francês pela arte brasileira. Jacques Van de Beuque elegeu o país como sua morada e a cultura popular como sua grande paixão. Em suas andanças pelo Brasil, sempre comprava exemplares “criados por mãos habilidosas de artistas humildes e honestos”, como explica no texto de abertura da exposição permanente. A casa, aos poucos, ia ganhando exposições. E a montagem de mostras fora do espaço garantiam a manutenção da casa. Doze países já receberam exposições temporárias com parte das 5 mil peças disponíveis. Foi assim por muitos anos, até a opção pela profissionalização, tocada pelo filho Gui e sua esposa Angela, em 1996. Quem me contou a história foi Lucas, filho do casal, que hoje também se dedica ao museu, depois da morte do avô, em 2000, e do pai, em 2004 “Ali houve um replanejamento, um movimento para passar de uma coleção visitável para um museu. Isso incluía restaurar, pesquisar, criar uma linha institucional...”
Incluía também extrapolar os limites da linda casa. Hoje, são feitas cerca de oito exposições itinerantes por ano, quase sempre na periferia da cidade. A exposição comemorativa do aniversário de um ano do Museu da Maré, por exemplo, foi com obras do Museu do Pontal. Há setores de educação, comunicação, restauração, café, loja... “Acho que demos um passo importante ao valorizar o museu para além de seu caráter fugaz, da exposição que começa e acaba. É mais do que isso”, observa Lucas.
Recentemente, o museu abriu uma área de exposição temporária. No momento, está lá uma mostra sobre a arte do Vale do Jequitinhonha. Vale ficar de olho no site para saber quais são as próximas.
Gostei, principalmente da sala escondida !
Um beijo !
Que interessante, Helena! Realmente, não há nada igual. Vou repassar para alguns amigos artistas que vão adorar saber que a arte popular está sendo valorizada com idéias tão boas. Abraços.
JACK CORREIA · Crato, CE 3/1/2009 12:56
Deu vontade de 'estar'...
O Presidente da Fundação Cultural do Município de Teresina recebeu a confirmação do Prefeito de que irá construir o Museu da Infância, às margens do rio Poti. Imagino uma série de coisas nesse estilo, voltadas para as crianças... e para os adultos recordarem.
Abraço amiga!
helena, andei sumido do overmundo, mas é ótimo voltar e encontrar vários textos ótimos seus!!!
Guilherme Mattoso · Niterói, RJ 9/1/2009 08:50Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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