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ArteCouro – Bolsas, sapatos, carteiras e filosofias

Carolina Morena
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Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB
28/7/2007 · 50 · 3
 

Estava indo viajar e a borrachinha de baixo da minha sandália soltou. Eu andava e fazia um poc-poc terrível, mas já estava na rodoviária e não tinha onde resolver meu problema, já que o ônibus saia em pouco menos de meia hora.

Quando já pensava em outra coisa e distribuía meus pocs-pocs pelos corredores da rodoviária atrás de uma revista pra ler durante a viagem, dou de cara com uma barraquinha escrita “ArteCouro”, com um monte de artefatos produzidos artesanalmente pelo Valdecir, um sujeito com cerca de 55 anos, cabelos grisalhos e um bigode bem caricato. Será que ele resolveria meu problema?

Entrei e seu Valdecir disse que resolveria, alí ele só não dava jeito num morto, e foi logo tirando uma bolsa e contando a primeira das muitas histórias que eu ouviria naquela meia-hora: “Essa bolsa de couro toda acabada que você está vendo aqui, por exemplo. Ela é de um amigo meu, que disse que ia jogar no lixo. Ela tem mais de 10 anos, mas eu vou fazer uma surpresa pra ele e entrega-la novinha. Tirar pedaço dessa alça, fazer um bolso aqui pra tapar esse buraco... E assim vai”. Acho que minha sandália estava em boas mãos.

Enquanto ele analisava o estrago feito no meu calçado, contou mil coisas: Desde como fazia suas ferramentas até seus tempos em que freqüentava a Universidade Federal e o departamento de artes, das mil calouradas insanas e seus “devaneios de juventude”.

Foi contando e martelando. Em cerca de 15 minutos eu sabia de quase toda a vida dele, além de ter meu problema resolvido. “Posso fazer umas fotos aqui do lugar, seu Valdecir?” “Claro! Você é jornalista é?”. E perguntou tudo da minha vida. Na hora de sair e pegar meu ônibus, eu já tinha um melhor amigo em meia-hora, coisa incrível.

Na lojinha do seu Valdecir você encontra quase tudo que o couro pode fazer: Bolsas, sandálias, botinas, carteiras, bonés, pastas e até capas de caderno! O material produzido por ele não é exatamente um primor de qualidade e acabamento, mas vale pelas conversas e risadas.

onde fica
Rodoviária central, primeiro andar.
por que ir
Seu Valdecir é figura. Criatura do tipo concorrente a “lenda urbana do ano”, cheio de conversas, histórias e filosofias. Adora ler Augusto dos Anjos e criou até um mecanismo que permite costurar suas peças de couro e ler. Algo como uma mesinha inclinada, onde dá pra colocar um livro sem precisar usar as mãos para segurar.
quando ir
Semanalmente, em horário comercial
quem vai
Viajantes, passantes, curiosos e os amigos cativados por seu Valdecir.
quanto custa
O Danado do seu Valdecir não queria cobrar pelo serviço que fez na minha sandália, disse que foi de coração e gostou de mim. Eu disse que ninguém vai pagar as contas dele com o coração e lhe dei cinco reais.

As bolsas, sapatos e derivados variam entre R$10,00 e R$50,00. O preço é bom.

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Edmundo Nascimento
 

Acho q ele deve ser um dos artesãos q tinha um stand alugado alí perto da rodoviária... na antiga cadeia pública. Stands esses q foram criados por antigas administrações municipais e, como sempre acontece, abandonada depois. Seu Valdecir se deu bem, conseguiu um lugar ideal para quem trabalha com couro, penso até que conseguiu ali uma visibilidade melhor do que em meio aos outros artesãos. A pergunta é : Ficou bom o sapato ? rs

Edmundo Nascimento · João Pessoa, PB 26/7/2007 14:43
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Carolina Morena Vilar
 

Ficou nao!!!

Duas horas depois o borrachinha soltou de novo :p

Carolina Morena Vilar · João Pessoa, PB 26/7/2007 14:47
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Labes, Marcelo
 

A borrachinha soltou... mas e a experiência, valeu? Senti-me contagiado pela tua experiência, com vontade de sair na rua logo depois que te li (será que eu encontro alguém superinteressante hoje?). Ótima colaboração para este Guia de vários Brasis.

Labes, Marcelo · Blumenau, SC 30/7/2007 14:11
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