Característica herdada da Europa do final do século XIX, o modelo das cidades gaúchas segue o triangulo composto de praça, igreja e prefeitura – todas muito próximas. Na sua emancipação, em 1857, Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, era um município com essas características – pelo menos é o que contam os livros sobre a sua história. Na época, possuía menos de 40 mil habitantes – hoje esse número praticamente quadruplicou.
A cidade cresceu e se desenvolveu, porém, ainda restam construções daquele projeto arquitetônico antigo – confesso que muito se destruiu. Uma dessas recordações é justamente a igreja, localizada em frente à praça principal. A catedral Nossa Senhora Aparecida possui mais de 170 anos, mas ainda mantém, em partes, sua estrutura original.
A igreja foi construída primeiramente em 1832, quando Joaquim Fagundes dos Reis - considerado a primeira autoridade nomeada pelo Império do Brasil para localmente administrar as terras e o povo passo-fundense – concedeu licença para “levantar uma capela”. Dois anos depois, o local era inaugurado, no topo de uma coxilha. Mais tarde, a hoje catedral foi reformada e ficou maior, como crescimento da população e, conseqüentemente, do número de católicos no município.
Dizem os historiadores que em 1885 a igreja estava quase em ruínas, o que obrigou a uma reconstrução, mas sem a perda da identidade do projeto. Inaugurada com a benção do bispo de Santa Maria, a catedral Nossa Senhora Aparecida só foi abriu a posta aos fiéis novamente em 1949. A fachada permanece a mesma até hoje, com estilo romano e inúmeros painéis de Aristarch Kaszkurewig. O interior da igreja e as suas famosas janelas de vidrais levam turistas a tentar entender o significado de cada desenho, característico de uma época onde mais de 80% da população da cidade era católica.
Outra relíquia conservada a sete chaves na catedral é o relógio, que funciona em harmonia com o sino para comunicar a população do horário. Assim, de 15 em 15 minutos, de 30 em 30 minutos e de hora em hora, o município ouve diferentes badaladas, características para cada horário. O mecanismo é todo eletrônico, escondido em uma das torres da igreja, com mais de 70 metros. Aliás, há uma história no mínimo curiosa dos sinos. Há cerca de um ano, alguns moradores do centro reuniram assinaturas para tentar silenciar as badaladas. Eles reclamavam do barulho em excesso na madrugada – como se aquele era o único som que perturbava o sono, sem considerar o movimento em postos, com música alta, e os carros em alta velocidade disputando rachas.
O polêmico pedido de calar os sinos chegou até a Justiça. Para evitar confusão e mais discussões, a igreja optou por instalar um mecanismo capaz de travar as batidas à noite e na madrugada. Assim, o sino toca apenas das 7h até às 22h. Até conseguir regular a programação, o relógio enlouqueceu várias vezes e deixou passo-fundenses na mão – muitos se baseiam nas badaladas do sino.
Guilherme, tudo bem? Que satisfação vê-lo por aqui novamente. Aliás foste tu que me apresentaste ao overmundo. Involuntariamente, decerto, mas foste tu. Lembras do autor local. Pois é, soy jo!
Queria fazer um comentário apenas, com relação a esta matéria. Não te equivocaste com a igreja? A igreja de que estás falando não é a igreja matriz, a qual não se confunde com a catedral? Pois sabes, né, que a igreja matriz é aquela da praça tamandaré, enquanto a catedral é da praça marechal floriano. Não sei se procede a tua informação de que a catedral tem 170 anos. Acho que estás falando da igreja matriz.
Um abraço
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