Bamba. Um rei visigodo muito importante para a PenÃnsula Ibérica dada a sua coragem como guerreiro no combate aos mouros e que criou um perÃodo de coesão e apogeu da presença dos visigodos na PenÃnsula Ibérica. O mito, escrito por Lope de Vega no século XVI e readaptado aos palcos pela Cia portuguesa Este-Estação Teatral, é o tema do espetáculo Bamba Vamba Wamba, que acontece pela primeira vez no Brasil, entre os dias 4 e 7 de outubro, no Teatro João Caetano.
No palco, três atores e um espaço vazio. Ao longo da narrativa, o trio perpassa por todas as personagens que ressaltam a memória do protagonista trazendo ao público reflexões do mito sobre a sua região, seu mundo e sua cultura em relação à atualidade vivida no Brasil.
Afinal quem foi Bamba? Mito fundacional, revelador da circunstância humana, ontem como hoje. Um perÃodo muito concreto da história polÃtica peninsular onde o teatro, enquanto arte do espetáculo, só pode contribuir para a sua universalidade. Qualquer aproximação que busque representá-lo não pode ignorar esta maturação milenar e transcendental, essa que o fez transformar-se possivelmente numa outra "coisa" pelo seu devir.
A narrativa nos leva à análise de que até que ponto a memória é construÃda exclusivamente de fatos? E até que ponto a memória é construÃda pelas crenças, pelas quase-lembranças, pelas verossimilhanças? Não seria essa amálgama de sobreposições, de associações e de escolhas que chamamos de memória?
Dentro da perspectiva da memória e dos fatos históricos, o espetáculo, ensaiado em 2016, sofreu influências a partir dos desdobramentos polÃticos e sociais do paÃs quando ocorreu o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.
De acordo com a lenda sobre Bamba, grande parte da ação que se destaca do seu reinado foi a legislação que criou, contribuindo para a ideia de fundação de uma identidade ibérica. E os pontos de tensão polÃticos vividos no Brasil que encontram paralelo neste rei estão expressos, sobretudo, no momento do impeachment.
‘Na ideia de que muitas vezes o inimigo está dentro da nossa casa, está supostamente do nosso lado, é o nosso ajudante mais próximo (vice). E é justamente este que nos trai. O poder e a sua sistemática luta pelo seu controle é algo universal e atemporal. A peça, que conta a história do mito de Bamba possui vários aspectos polÃticos e sociais que se assemelham ao perÃodo do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff e que abordam essas nuances’, afirma o diretor da peça e da companhia, Nuno Pino Custódio.
O Teatro João Caetano é um equipamento da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!