BILICA - Biblioteca Livre do Campeche

Felipe Obrer
No aniversário de um ano da biblioteca, a criançada atenta aos doces
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Felipe Obrer · Florianópolis, SC
2/9/2008 · 130 · 7
 

É um espaço comunitário povoado de livros e pessoas.

Criada por um grupo de moradores do bairro do Campeche, em Floripa, a Bilica completou um ano neste mês de agosto, 2008.

A idéia de criar o ambiente literário nasceu como nascem as boas idéias: em uma festa entre amigos. As pessoas desse grupo, insatisfeitas com o cenário cultural semi-desértico do Campeche, decidiram encampar a empreitada de fundar uma biblioteca livre. E quando digo livre é no sentido de liberdade e ausência de grandes burocracias mesmo. Para ter direito a tomar livros emprestados, não é necessário mais que fazer um cadastro simples, com nome, telefone e endereço, nada além disso. Não existe limitação geográfica para se cadastrar. A biblioteca é aberta a usuários de outros bairros, não ficando restrita apenas ao Campeche ou ao sul da ilha. Qualquer um pode usufruir do acervo.

O projeto é sustentado por pessoas, mais que por instituições. Embora a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) participe com um projeto de extensão chamado Organização do Acervo da Biblioteca Livre do Campeche, os custos não são bancados pela instituição de ensino superior. O aluguel da sala onde a biblioteca funciona, por exemplo, é dividido entre quinze pessoas que contribuem mensalmente, num modelo de financiamento estilo "vaquinha".

A existência da Bilica propicia também outros encontros, além das letras. Acontecem, aconteceram ou acontecerão no espaço da casa de livros atividades como oficina de Tai-chi-chuan, conversação em inglês, aula de música, aula de espanhol, reforço escolar, além de propostas pontuais e interessantes como consultoria jurídica para pessoas de baixa renda.

A Bilica é um organismo mutante. O maior bem do projeto é o capital humano. As atividades são tocadas por voluntários, cujo número total oscila sazonalmente, mas já chegou ao patamar de 50 pessoas.

Todo o acervo foi formado a partir de doações, que seguem acontecendo quase diariamente. Cada livro recebe, na primeira página, um carimbo no qual é inscrito o nome do doador. O processo de organização do acervo está em andamento, e aos poucos vai ser possível ter noção numérica exata. Por enquanto, temos apenas uma aproximação: o acervo gira em torno dos 10.000 livros. Vale frisar que as doações recebidas pela Bilica somaram aproximadamente 40.000 exemplares. Como o espaço físico é relativamente pequeno, os livros sobrantes foram encaminhados para outras instituições interessadas. Os critérios para definir o que fica e o que é passado adiante ainda estão em construção, mas basicamente são priorizadas a literatura infanto-junvenil, a literatura adulta, os livros didáticos e técnicos. Há também uma seção de periódicos interessante.

Como o projeto é aberto, livre e baseado em trabalho voluntário, as articulações dos membros da Bilica é que fazem as coisas acontecerem. O acesso à internet, por exemplo, foi cedido pela prestadora sem custo para o projeto. Assim aconteceu também com o sistema de alarme instalado na sala. E assim acontece com as pessoas que se dispõem a doar tempo para enriquecer a proposta ainda mais.

É um projeto bonito, e muito necessário. Trabalhando há uma semana como voluntário no período da manhã, percebo a sensação boa que as pessoas têm ao aproveitar o acesso livre aos livros.

Um último detalhe interessante, que denota com ênfase a proposta livre da iniciativa: não há nenhum tipo de multa em caso de atraso ou demora na devolução. Em lugar de punição, confiança no ser humano.

Para ver mapa, clique aqui

onde fica
Na Avenida Campeche, ao lado da vídeo-locadora Bela Arte. No sentido Campeche-Lagoa da Conceição, fica um pouco depois do mercado Dezimas, à mão esquerda.

O endereço formal é Avenida Campeche, número 2157.

por que ir
Porque ler é motivar a formação de uma tela de cinema dentro da cabeça.
quando ir
A Biblioteca está aberta todos os dias úteis. Das 9h às 12h e das 15h às 18h. Aos sábados, abre apenas à tarde, das 14h às 18h.
quem vai
Moradores do Campeche e de outras regiões de Florianópolis. Crianças, jovens, adultos, idosos.

Escolas podem agendar visitas de turmas pelo e-mail bilicampeche@gmail.com
quanto custa
Tudo o que acontece na Bilica é absolutamente gratuito.

Os usuários têm direito a tomar emprestados três livros de cada vez, durante um período de 15 dias, renovável por mais 15.
contato
48 3238 2186
bilicampeche@gmail.com

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Felipe Obrer
 

Usei, para ilustrar a dica, algumas fotografias feitas no dia da comemoração do aniversário da biblioteca (entre elas a do pessoal que animou o pedaço com música). O ideal teria sido fotografar os voluntários durante uma das reuniões que acontecem mensalmente, mas não deu. Em todo caso, festa é sempre uma boa situação.

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 30/8/2008 14:35
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Compulsão Diária
 

Gostei da matéria. E pelo que descreve é muito simples e claro seu funcionamento. gostei tb da confiança nas pessoas. E de que forma dinâmica outras atividades acabam sendo atraídas pelos livros.
Parabéns
abço
CD

Compulsão Diária · São Paulo, SP 30/8/2008 19:30
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LAILTON ARAÚJO
 


FELIPE


Gostei do projeto!

Tudo pelo livro... Educação! Cultura! Respeito ao ser humano!

Que bom seria se os novos escritores pensassem no coletivo. Os egos continuariam afagados? Lógico! Que escritor não é vaidoso? Que aprendiz não quer superar o mestre?

A inteligência deve (sempre) ser usada para as mudanças sociais. O bem sempre será o objetivo. Os focos devem ser estudados... E questionados!

Um trecho do texto: “Em lugar de punição, confiança no ser humano.”

Acreditemos (sempre) no ser humano. Respeitemos (sempre) a cultura de outro indivíduo, suas crenças, sua limitações, seus objetivos e o direito ao erro. Ninguém nasce escritor... Lendo e escrevendo, corrige-se o erro! É óbvio! Por isso existe escola... E o professor! Na estrada da mediocridade pode surgir um atalho para a genialidade! Como? Depende de quem aplaude, educa ou critica! Depende da ótica cultural de uma sociedade. Respeito é a fórmula.

A poesia é o inicio! As rimas podem ser o encontro ou desencontro com o equilíbrio! Uma frase ou um elogio faz diferença na auto-estima! Depende de como é dita! É o exercício da expressão! Da liberdade de expor o “eu”: talvez o “outro”. Com arte sempre! Com delicadeza! Com a sabedoria que escrever é um dom latente (pedra bruta), e que lapidada, com o tempo vira diamante. Obra-prima? O que é isto? Não sei... Prefiro continuar escrevendo e acreditando que posso melhorar! Humildade sempre... É necessidade biológica!

Parabéns pelo texto e indicação cultural!

Não... Prefiro chamar de lazer educacional...

Viva a leitura!

Abraços.

Lailton Araújo

LAILTON ARAÚJO · São Paulo, SP 1/9/2008 18:50
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André Teixeira
 

Salve Obrer!!!

Boa iniciativa. Essas associações de pessoas sempre me lembra uma frase do Paulo Freire: 'Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho; os homens se libertam em comunhão'.

Sorte a todos que de uma forma ou de outra fazem parte dessa iniciativa.

GRANDE abraço!!!

A
p.s. - recebo um boletim semanal do MinC, que tem vindo com o seguinte texto sobre bibliotecas públicas:

Seu município ainda não possui biblioteca pública? Entre em contato conosco para saber como adquirir esse equipamento cultural.
Santino Cavalcanti: (81) 3224.0561 / santino.cavalcanti@gmail.com.
Conheça e assine o boletim do Programa Nacional do Livro e Leitura: boletim@pnll.gov.br /.

Conheça o Programa Mais Cultura (PAC Social): http://www.cultura.gov.br/site/2008/07/11/mais-cultura-para-o-brasil-e-o-povo-brasileiro-5/

André Teixeira · Aracaju, SE 2/9/2008 13:54
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Ilhandarilha
 

Muito legal a festa e a Bilica (principalmente pelo envolvimento das pessoas). Boa dica. Sabe que pensei numa coisa interessante? O pessoal da Bilica podia colocar aqui uma espécie de passo-a-passo para montagem de uma biblioteca comunitária.
beijos

Ilhandarilha · Vitória, ES 4/9/2008 11:20
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Felipe Obrer
 

A Bilica, em parceria incipiente com o Overmundo, vai sediar já duas conversas sobre jornalismo cidadão e comunicação colaborativa. Isso acontece no dia 10 de setembro, às 13h e às 19:30h.

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 5/9/2008 04:05
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joserenatogalvao
 

Eu particularmente fico muito emocionado quando vejo iniciativas como esta se multiplicando em todo o país. Trabalho numa biblioteca universitária e também faço parte de uma biblioteca comunitária em minha cidade, Itu-SP, que se chama Biblioteca Comunitária prof. Waldir de Souza Lima.
Participei do I Fórum Nacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias em agosto deste ano em São Paulo e fiquei muito feliz em saber que não estamos sozinhos. Estamos formando uma rede de contatos para trocarmos experiências e fortalecermos ainda mais nossos espaços de leitura e debates de idéias.
Estes projetos só se tornam realidade porque pessoas como vocês da Bilica ousam sonhar alto e desafiam a "realidade" vigente, onde tudo se resume a faturar cada vez mais. Na base da colaboração e cooperação, em contraponto à competição e individualismo do capitalismo e "globaritarismo" (como dizia o mestre Milton Santos), vocês conseguem construir a tendência mais atual de uma biblioteca, que não é ser um mero depósito de livros, mas sim um espaço "multiuso" para as mais diversas práticas culturais.
Achei excelente a idéia de formar um cadastro de bibliotecas comunitárias aqui no Overmundo e fico à disposição para enviar os contatos que possuo para aumentar essa lista.
PARABÉNS A TODOS VOCÊS DA BILICA, DE CORAÇÃO!!
FELIZ ANIVERSÁRIO!!

joserenatogalvao · Itu, SP 28/10/2008 01:09
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